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g1 > Economia

INSS: como saber se você já tem a biometria exigida para benefícios sociais

Fila do INSS: Lula anuncia meta de zerar espera até setembro O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou uma nova portaria que amplia a exigência de cadastro biométrico para a concessão de benefícios previdenciários e assistenciais, como aposentadorias, auxílios e o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas). As novas regras constam na edição do Diário Oficial da União desta segunda-feira (22). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O cadastro biométrico da Carteira de Identidade consiste na coleta das impressões digitais dos dedos das duas mãos e da fotografia do rosto do cidadão, que são armazenadas em uma base de dados do governo federal. O objetivo é confirmar a identidade do beneficiário e impedir que terceiros recebam valores de forma indevida. Leia nesta reportagem: Como saber se você já tem biometria Como vai funcionar a exigência Quem está dispensado da biometria Quem já recebe benefício precisa fazer biometria? Medida vem sendo implementada de forma gradual Como saber se você já tem biometria O governo considera válidos registros biométricos já existentes em bases oficiais. Veja como verificar: 1. Confira seus documentos: verifique se já possui biometria em ao menos um destes: Carteira de Identidade Nacional (CIN); Título de eleitor (Tribunal Superior Eleitoral); Carteira Nacional de Habilitação (CNH); Passaporte. Se você já possui biometria registrada em qualquer uma dessas bases oficiais, não é necessário realizar uma nova coleta. 2. Consulte canais oficiais: a checagem pode ser feita em serviços digitais do governo, como o gov.br, além de plataformas da Justiça Eleitoral e dos Detrans, que informam se há biometria cadastrada. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), mais de 150 milhões de brasileiros já possuem biometria registrada em bases federais. 3. Se não tiver registro biométrico: pelas regras de transição do governo, quem ainda não possui nenhum cadastro biométrico deverá providenciar a partir de janeiro de 2027 a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), que se tornará a principal referência para identificação biométrica nos benefícios sociais. Já para quem possui biometria cadastrada — seja na Justiça Eleitoral, na CNH ou no passaporte — a obrigatoriedade do documento passa a valer a partir de janeiro de 2028. 🔎 O primeiro passo para emitir a CIN é acessar o site gov.br/identidade, fazer o agendamento no sistema do estado e marcar a coleta da biometria. No atendimento, é necessário apresentar certidão de nascimento ou de casamento. A versão digital do documento permite incluir outros registros, como CNH e título de eleitor. O governo também disponibilizará, até 31 de dezembro de 2026, o Serviço de Verificação Biométrica aos órgãos responsáveis pela gestão dos benefícios da seguridade social. A ferramenta permitirá confirmar a identidade dos cidadãos por meio de dados biométricos, como impressões digitais e reconhecimento facial. Voltar ao índice. Como vai funcionar a exigência Quem solicitar benefícios ao INSS deverá comprovar registro biométrico em bases oficiais do governo, como: Carteira de Identidade Nacional (CIN); Título de eleitor; Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A exigência já vinha sendo aplicada de forma parcial. Desde setembro de 2024, ela é obrigatória para pedidos do BPC/Loas. O governo também já utiliza o cadastro biométrico em outras frentes, como no empréstimo consignado de aposentados e pensionistas. A nova portaria regulamenta e amplia essa exigência para a maior parte dos benefícios previdenciários e assistenciais requeridos ao INSS, abrangendo os pedidos apresentados a partir de novembro de 2025. Para quem já recebe benefícios, a implementação será gradual e não haverá bloqueio automático neste momento. Voltar ao índice. Quem está dispensado da biometria A portaria mantém situações em que o cadastro biométrico não será obrigatório. São elas: Idade superior a 80 anos: basta Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) ou documento com foto; Migrantes, refugiados ou apátridas: protocolos de solicitação de refúgio ou reconhecimento de apatridia, ou Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM) e Documento Provisório de Registro Nacional Migratório (DPRNM); Residentes no exterior: declaração consular, Apostila de Haia ou acordo internacional de previdência; Impossibilidade de deslocamento: atestado médico emitido nos últimos 30 dias; Localidade de difícil acesso: documentos como Imposto de Renda, contrato de locação, contas de consumo ou Cadastro Único (CadÚnico); Requerentes de salário-maternidade, benefício por incapacidade ou pensão por morte, conforme previsto na portaria. Voltar ao índice. Quem já recebe benefício precisa fazer biometria? Não imediatamente. Segundo o governo, a implementação da exigência será gradual e não haverá bloqueio automático dos benefícios em andamento. Durante o período de transição, quem já era beneficiário de programas sociais até 31 de dezembro de 2026 continuará com o cadastro aceito. Além disso, até 31 de dezembro de 2027, também serão válidas as biometrias registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou no passaporte, desde que tenham sido coletadas até 31 de dezembro de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2028, a biometria da Carteira de Identidade Nacional (CIN) passará a ser o padrão para a concessão, manutenção e renovação de benefícios sociais. Quem já possui a CIN não precisará realizar um novo cadastro biométrico, pois a base do documento é única. Já as pessoas que ainda não têm nenhum registro biométrico deverão emitir a Carteira de Identidade Nacional dentro do cronograma estabelecido pelo governo. 🔎 O que acontece se a biometria não for apresentada? Nos casos em que ela for exigida para a solicitação de um benefício, o requerente que não comprovar biometria nem demonstrar que se enquadra em uma das hipóteses de dispensa dentro do prazo poderá ter o pedido encerrado e considerado desistente. Segundo o Ministério da Previdência Social, a medida busca reforçar a identificação dos beneficiários e reduzir fraudes. Voltar ao índice. Medida vem sendo implementada de forma gradual Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Rafa Neddermeyer/Agência Brasil A exigência da biometria vem sendo adotada de forma escalonada pelo governo federal. Em abril, o Executivo adiou o cronograma de expansão total, que agora prevê implantação completa apenas em janeiro de 2027. Até lá, a regra segue sendo ampliada por etapas. Atualmente, já vale para alguns pedidos, como aposentadorias, enquanto outras modalidades foram incluídas em fases posteriores. O plano inicial previa uma ampliação da exigência em 2026, incluindo benefícios como auxílio por incapacidade temporária, pensão por morte, seguro-desemprego, abono salarial, Bolsa Família e salário-maternidade, mas esse cronograma foi revisto. À época, o governo afirmou que o novo calendário buscava dar mais tempo para que a população emita a Carteira de Identidade Nacional (CIN) e faça o cadastro biométrico sem risco de exclusão. Voltar ao índice.
23/06/2026 18:00:08 +00:00
ExxonMobil ganha aval e pode cobrar US$ 1 bilhão de Cuba nos EUA

O logotipo da Exxon Mobil Corporation é exibido em uma tela no pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em Nova York, EUA, em 30 de julho de 2025. REUTERS/Jeenah Moon A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta terça-feira (23), que a petroleira ExxonMobil pode processar a empresa estatal de petróleo de Cuba e um importante grupo empresarial do país pela expropriação de seus ativos após a Revolução Cubana de 1959. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Corte entendeu que o governo cubano não tem imunidade soberana nesse caso. Os ministros citaram a Lei Helms-Burton, de 1996, que permite a cidadãos e empresas americanas buscar indenizações por bens confiscados em Cuba. A disputa tem origem nos primeiros anos da Revolução. Quando Fidel Castro chegou ao poder, a Standard Oil, antecessora da ExxonMobil, controlava refinarias, terminais e mais de uma centena de postos de gasolina na ilha. Esses ativos foram nacionalizados pelo novo regime. Em 1969, uma agência federal dos Estados Unidos concluiu que a expropriação provocou perdas superiores a US$ 70 milhões (R$ 361,3 milhões). Corrigido, esse valor hoje ultrapassaria US$ 1 bilhão (R$ 5,16 bilhões). Agora no g1 A decisão foi aprovada pelos seis juízes conservadores da Corte, enquanto os três magistrados progressistas votaram contra. Com isso, o caso volta às instâncias inferiores, permitindo que a ExxonMobil retome uma ação que estava paralisada havia anos. A decisão ocorre em meio às tensões entre Washington e Havana. Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico contra Cuba desde 1962, e o presidente Donald Trump ampliou a pressão sobre a ilha desde janeiro, com novas sanções e medidas voltadas ao setor petrolífero cubano. O entendimento da Suprema Corte também pode abrir espaço para outras ações semelhantes. Segundo os ministros, a Lei Helms-Burton "revoga a imunidade soberana" de agências e empresas estatais cubanas. Em maio, a Corte já havia decidido que quatro grandes companhias de cruzeiros deveriam pagar US$ 109 milhões (R$ 562,6 milhões) cada a uma empresa americana proprietária de um píer em Havana confiscado pelo governo cubano em 1960.
23/06/2026 16:43:16 +00:00
INSS cria novas regras e passa a exigir biometria em benefícios sociais; veja quem está isento

Fila do INSS: Lula anuncia meta de zerar espera até setembro O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou uma nova portaria que amplia a exigência de cadastro biométrico para a concessão de benefícios previdenciários e assistenciais, como aposentadorias, auxílios e o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas). As novas regras constam na edição do Diário Oficial da União desta segunda-feira (22). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O cadastro biométrico da Carteira de Identidade consiste na coleta das impressões digitais dos dedos das duas mãos e da fotografia do rosto do cidadão, que são armazenadas em uma base de dados do governo federal. O objetivo é confirmar a identidade do beneficiário e impedir que terceiros recebam valores de forma indevida. Leia nesta reportagem: Como vai funcionar a exigência Quem está dispensado da biometria Como saber se você já tem biometria Quem já recebe benefício precisa fazer biometria? Medida vem sendo implementada de forma gradual Como vai funcionar a exigência Quem solicitar benefícios ao INSS deverá comprovar registro biométrico em bases oficiais do governo, como: Carteira de Identidade Nacional (CIN); Título de eleitor; Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A exigência já vinha sendo aplicada de forma parcial. Desde setembro de 2024, ela é obrigatória para pedidos do BPC/Loas. O governo também já utiliza o cadastro biométrico em outras frentes, como no empréstimo consignado de aposentados e pensionistas. A nova portaria regulamenta e amplia essa exigência para a maior parte dos benefícios previdenciários e assistenciais requeridos ao INSS, abrangendo os pedidos apresentados a partir de novembro de 2025. Para quem já recebe benefícios, a implementação será gradual e não haverá bloqueio automático neste momento. Voltar ao índice. Quem está dispensado da biometria A portaria mantém situações em que o cadastro biométrico não será obrigatório. São elas: Idade superior a 80 anos: basta Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) ou documento com foto; Migrantes, refugiados ou apátridas: protocolos de solicitação de refúgio ou reconhecimento de apatridia, ou Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM) e Documento Provisório de Registro Nacional Migratório (DPRNM); Residentes no exterior: declaração consular, Apostila de Haia ou acordo internacional de previdência; Impossibilidade de deslocamento: atestado médico emitido nos últimos 30 dias; Localidade de difícil acesso: documentos como Imposto de Renda, contrato de locação, contas de consumo ou Cadastro Único (CadÚnico); Requerentes de salário-maternidade, benefício por incapacidade ou pensão por morte, conforme previsto na portaria. Voltar ao índice. Como saber se você já tem biometria O governo considera válidos registros biométricos já existentes em bases oficiais. Veja como verificar: 1. Confira seus documentos: verifique se já possui biometria em ao menos um destes: Carteira de Identidade Nacional (CIN); Título de eleitor (Tribunal Superior Eleitoral); Carteira Nacional de Habilitação (CNH); Passaporte. Se você já possui biometria registrada em qualquer uma dessas bases oficiais, não é necessário realizar uma nova coleta. 2. Consulte canais oficiais: a checagem pode ser feita em serviços digitais do governo, como o gov.br, além de plataformas da Justiça Eleitoral e dos Detrans, que informam se há biometria cadastrada. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), mais de 150 milhões de brasileiros já possuem biometria registrada em bases federais. 3. Se não tiver registro biométrico: pelas regras de transição do governo, quem ainda não possui nenhum cadastro biométrico deverá providenciar a partir de janeiro de 2027 a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), que se tornará a principal referência para identificação biométrica nos benefícios sociais. Já para quem possui biometria cadastrada — seja na Justiça Eleitoral, na CNH ou no passaporte — a obrigatoriedade do documento passa a valer a partir de janeiro de 2028. 🔎 O primeiro passo para emitir a CIN é acessar o site gov.br/identidade, fazer o agendamento no sistema do estado e marcar a coleta da biometria. No atendimento, é necessário apresentar certidão de nascimento ou de casamento. A versão digital do documento permite incluir outros registros, como CNH e título de eleitor. O governo também disponibilizará, até 31 de dezembro de 2026, o Serviço de Verificação Biométrica aos órgãos responsáveis pela gestão dos benefícios da seguridade social. A ferramenta permitirá confirmar a identidade dos cidadãos por meio de dados biométricos, como impressões digitais e reconhecimento facial. Voltar ao índice. Quem já recebe benefício precisa fazer biometria? Não imediatamente. Segundo o governo, a implementação da exigência será gradual e não haverá bloqueio automático dos benefícios em andamento. Durante o período de transição, quem já era beneficiário de programas sociais até 31 de dezembro de 2026 continuará com o cadastro aceito. Além disso, até 31 de dezembro de 2027, também serão válidas as biometrias registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou no passaporte, desde que tenham sido coletadas até 31 de dezembro de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2028, a biometria da Carteira de Identidade Nacional (CIN) passará a ser o padrão para a concessão, manutenção e renovação de benefícios sociais. Quem já possui a CIN não precisará realizar um novo cadastro biométrico, pois a base do documento é única. Já as pessoas que ainda não têm nenhum registro biométrico deverão emitir a Carteira de Identidade Nacional dentro do cronograma estabelecido pelo governo. 🔎 O que acontece se a biometria não for apresentada? Nos casos em que ela for exigida para a solicitação de um benefício, o requerente que não comprovar biometria nem demonstrar que se enquadra em uma das hipóteses de dispensa dentro do prazo poderá ter o pedido encerrado e considerado desistente. Segundo o Ministério da Previdência Social, a medida busca reforçar a identificação dos beneficiários e reduzir fraudes. Voltar ao índice. Medida vem sendo implementada de forma gradual Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Rafa Neddermeyer/Agência Brasil A exigência da biometria vem sendo adotada de forma escalonada pelo governo federal. Em abril, o Executivo adiou o cronograma de expansão total, que agora prevê implantação completa apenas em janeiro de 2027. Até lá, a regra segue sendo ampliada por etapas. Atualmente, já vale para alguns pedidos, como aposentadorias, enquanto outras modalidades foram incluídas em fases posteriores. O plano inicial previa uma ampliação da exigência em 2026, incluindo benefícios como auxílio por incapacidade temporária, pensão por morte, seguro-desemprego, abono salarial, Bolsa Família e salário-maternidade, mas esse cronograma foi revisto. À época, o governo afirmou que o novo calendário buscava dar mais tempo para que a população emita a Carteira de Identidade Nacional (CIN) e faça o cadastro biométrico sem risco de exclusão. Voltar ao índice.
23/06/2026 13:58:06 +00:00
Quem é Rafael Oliveira, brasileiro escolhido para comandar a Heineken como CEO global

Heineken anuncia acordo para compra da dona da Schin no Brasil Reuters A Heineken nomeou o brasileiro Rafael Oliveira, de 51 anos, como novo CEO global e presidente do conselho de administração, em uma decisão considerada histórica por ser a primeira vez que a cervejaria holandesa escolhe um executivo de fora da empresa para o cargo máximo de liderança. Oliveira atualmente é CEO da JDE Peet’s, multinacional holandesa do setor de café e chá, função que ocupa desde novembro de 2024. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ele também foi nomeado pelo conselho da empresa para liderar a futura Global Coffee Co. após uma separação de negócios. Ele deve assumir o novo posto na Heineken a partir de 1º de outubro, com contrato inicial de quatro anos. A companhia informou que espera que o executivo acelere a estratégia de crescimento já definida até 2030. Trajetória internacional e carreira em grandes empresas Rafael Oliveira assumirá como CEO global da Heineken a partir de outubro Divulgação Rafael Oliveira nasceu no Brasil e também tem cidadania britânica. Ele tem quase duas décadas de experiência no setor financeiro global, com atuação em diferentes países e continentes. Ao longo da carreira, viveu em oito cidades de sete países, em seis continentes, incluindo um período de trabalho voluntário com a família no Quênia, conta o executivo em seu perfil no LinkedIn. Ele começou a carreira no setor financeiro, atendendo clientes globais por quase 20 anos. Em 2014, entrou na Kraft Heinz, onde assumiu desafios internacionais e passou a liderar operações na Austrália. Mais tarde, comandou mercados internacionais a partir de Londres, com responsabilidade por Europa, Oriente Médio, África, América Latina e Ásia-Pacífico. Na empresa, trabalhou com crescimento de marcas, inovação e estratégias de consumo, além de atuar na formação de lideranças. Antes disso, trabalhou no Goldman Sachs em cargos de liderança no Reino Unido e na divisão de mercados emergentes em Hong Kong. No início da carreira, atuou no Brasil, em pesquisa de ações no Banco Icatu e no Banco BBA-Creditanstalt. Oliveira é formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e possui MBA internacional pela Universidade de Chicago. Escolha após busca global A indicação foi feita após um processo de seleção internacional. De acordo com a empresa, o conselho de supervisão aprovou o nome por unanimidade, destacando a combinação de visão estratégica, experiência operacional e conhecimento financeiro. Nos bastidores, a escolha ocorre em um momento em que o setor de bebidas alcoólicas tenta acelerar resultados e renovar lideranças diante de um cenário de pressão sobre vendas.
23/06/2026 13:30:12 +00:00
'Veneno no seu café': relatório alerta para uso massivo de pesticidas na produção mundial

Trabalhadora rural Hellen Vitoria colhe grãos de café em uma plantação em Porciúncula, no estado do Rio de Janeiro, Brasil, em 17 de julho de 2025. AP - Bruna Prado Embora a presença de resíduos químicos na bebida consumida diariamente por milhões de pessoas desperte preocupação, o principal alerta de um novo relatório internacional está voltado para quem está na origem da cadeia produtiva: os trabalhadores rurais. Segundo a organização Coffee Watch, milhões de pessoas envolvidas na produção de café estão expostas a pesticidas potencialmente perigosos, muitas vezes sem equipamentos adequados de proteção. Como maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil ocupa posição central no debate. O alerta está no relatório "Poison in Your Coffee" ("Veneno no seu café"), que reúne centenas de estudos científicos sobre os impactos ambientais e à saúde associados ao cultivo intensivo do café. A publicação aponta que o café está entre as culturas agrícolas mais dependentes de pesticidas em diversos países produtores. "Há resíduos de pesticidas em aproximadamente uma de cada cinco xícaras consumidas pelos consumidores. Mas a verdadeira tragédia é o envenenamento dos trabalhadores", afirma Etelle Higonnet, diretora da Coffee Watch e uma das autoras do estudo. Uma das culturas mais dependentes de pesticidas O relatório identificou 159 substâncias ativas autorizadas para o cultivo de café nos principais países produtores analisados. Entre elas estão compostos classificados como potencialmente cancerígenos, neurotóxicos ou tóxicos para a reprodução humana. Segundo a Coffee Watch, entre 59% e 60% dos pesticidas utilizados na cafeicultura são proibidos na União Europeia devido aos riscos considerados excessivos para a saúde e o meio ambiente. Entre os produtos citados estão o clorpirifós, proibido na União Europeia desde 2020 por possíveis efeitos sobre o desenvolvimento neurológico infantil, e o imidacloprido, inseticida associado ao declínio de polinizadores como as abelhas. Trabalhadores são os mais expostos A cadeia global do café envolve cerca de 25 milhões de produtores e aproximadamente 100 milhões de trabalhadores em todo o mundo. Em muitas regiões produtoras, porém, o acesso a treinamento e equipamentos de proteção é insuficiente. O resultado é uma exposição frequente a produtos químicos que podem provocar intoxicações agudas, com sintomas como náuseas, vômitos, tontura, irritações na pele e problemas respiratórios. Os autores alertam que os riscos mais graves aparecem a longo prazo. O relatório aponta que cerca de 14% dos pesticidas usados na cafeicultura são classificados como cancerígenos comprovados ou prováveis, enquanto quase dois terços apresentam potencial toxicidade reprodutiva. Também são citadas pesquisas que relacionam a exposição prolongada a determinados pesticidas ao aumento do risco de doenças neurodegenerativas, como Parkinson, além de problemas de fertilidade e efeitos sobre o desenvolvimento de crianças expostas ainda durante a gestação. Agora no g1 O caso brasileiro Como maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil ocupa posição central no debate. Estudos citados pela Coffee Watch mostram que trabalhadores rurais brasileiros frequentemente aplicam pesticidas sem equipamentos de proteção adequados. Pesquisas realizadas em regiões cafeeiras de Minas Gerais apontam casos recorrentes de intoxicação e exposição ocupacional a produtos considerados altamente perigosos. O relatório destaca ainda que diversos pesticidas autorizados para uso em lavouras brasileiras de café são proibidos na União Europeia. Entre eles estão substâncias classificadas como altamente tóxicas para seres humanos e para a biodiversidade. Pesquisas realizadas em Minas Gerais também encontraram resíduos de dezenas de pesticidas em cursos d'água próximos a áreas de produção cafeeira, levantando preocupações sobre contaminação ambiental e possíveis impactos sobre o abastecimento de água das comunidades locais. Além dos riscos relacionados aos pesticidas, a Coffee Watch chama atenção para os impactos ambientais da expansão da cafeicultura. Segundo levantamento divulgado pela organização, o Brasil perdeu aproximadamente 737 mil hectares de cobertura florestal associados à produção de café entre 2002 e 2023, sobretudo no Cerrado, principal fronteira agrícola do país. Resíduos chegam ao consumidor Imagem ilustrativa de xícara com café e grãos de café reprodução O estudo também analisou a presença de resíduos químicos nos grãos comercializados internacionalmente. Entre 2020 e 2024, os pesticidas foram a principal categoria de risco identificada pelo sistema europeu de alerta rápido para alimentos no setor cafeeiro. Dados analisados pela organização PAN Europe mostram que 23% das amostras de café avaliadas na Europa continham resíduos de pesticidas proibidos pela legislação da União Europeia. Segundo os pesquisadores, o problema não se limita à presença de uma única substância. Em muitos casos, os resíduos encontrados são resultado da combinação de diversos pesticidas, cujos efeitos cumulativos ainda são pouco compreendidos pela ciência. Certificações não garantem ausência de pesticidas O relatório também questiona a eficácia de parte dos selos de sustentabilidade utilizados pela indústria do café. Segundo os autores, certificações ambientais e sociais podem representar avanços importantes, mas não garantem necessariamente a ausência de pesticidas nem asseguram condições dignas de trabalho para todos os produtores e trabalhadores da cadeia. "As exigências variam muito entre os diferentes sistemas de certificação, o que dificulta a compreensão por parte do consumidor", afirma Higonnet. Há alternativas Apesar do diagnóstico preocupante, a Coffee Watch afirma que existem soluções viáveis e já testadas em diversas regiões produtoras. O relatório destaca sistemas agroflorestais e práticas agroecológicas que reduzem significativamente a dependência de pesticidas ao mesmo tempo em que preservam a biodiversidade, melhoram a qualidade do solo e aumentam a resiliência das lavouras diante das mudanças climáticas. "O café orgânico existe. As soluções existem. A questão agora é saber se o setor está disposto a adotá-las em larga escala", conclui a organização. Foto de produtor de café na colheita Banco de imagens do google
23/06/2026 13:25:14 +00:00
Brasileiro assume comando global da Heineken pela primeira vez na história

Heineken anuncia acordo para compra da dona da Schin no Brasil Reuters A Heineken nomeou Rafael Oliveira como novo presidente-executivo e presidente do conselho de administração nesta terça-feira (23), marcando a primeira vez que a cervejaria holandesa escolhe um executivo de fora para o cargo de liderança. A decisão ocorre em um momento em que empresas do setor de bebidas alcoólicas buscam impulsionar vendas por meio de mudanças no comando. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Oliveira é CEO da JDE Peet's, fabricante holandesa de café e chá, desde 2024. Ele passará a integrar a Heineken, a segunda maior cervejaria do mundo, por um período de quatro anos a partir de 1º de outubro, informou a empresa. A companhia espera que ele acelere a estratégia já definida para 2030. “Após uma rigorosa busca global, o conselho de supervisão escolheu Rafa por unanimidade por sua combinação única de visão estratégica, experiência operacional e perspicácia financeira”, afirmou a Heineken. As ações da Heineken subiam cerca de 3%, superando o desempenho do mercado e atingindo o nível mais alto desde março. A incerteza sobre quem lideraria a fabricante das marcas Tiger e Sol, além de sua cerveja lager homônima, pressionou as ações da empresa. O ex-CEO Dolf van den Brink, que liderou a Heineken por seis anos, anunciou sua saída inesperada em janeiro, e a empresa está sem presidente-executivo desde o início de junho. Quem é o brasileiro escolhido para comandar a Heineken como CEO global Novo CEO terá desafio de trazer novo fôlego ao negócio Rafael Oliveira assumirá como CEO global da Heineken a partir de outubro Divulgação A saída de Van den Brink foi uma das várias no setor de bens de consumo ao longo do último ano, incluindo em grandes concorrentes de bebidas, como Diageo e Rémy Cointreau, onde comitês de contratação e investidores recorreram a candidatos externos na esperança de renovar a gestão. Oliveira terá a tarefa de liderar a Heineken em um plano para cortar 6 mil empregos, reanimar os volumes de vendas apesar da previsão de queda na demanda global por cerveja e buscar resultados comparáveis aos da rival Anheuser-Busch InBev. 🔍O desafio é ainda maior porque o setor enfrenta aumento do custo de vida, mudanças nos hábitos de consumo de bebidas alcoólicas e preocupações com os efeitos do álcool na saúde, além de novas ameaças, como medicamentos para emagrecimento, que podem reduzir o consumo. Em comunicado, Oliveira afirmou que a estratégia da Heineken para 2030, que prevê crescimento com menos recursos, é uma base sólida para o futuro. “Estou confiante de que aceleraremos o crescimento, impulsionaremos a produtividade e prepararemos a Heineken para o futuro, conquistando o coração dos consumidores em todo o mundo”, disse ele. A Heineken informou que Oliveira tem duas décadas de experiência em mercados desenvolvidos e emergentes, além de histórico na implementação de estratégias e melhoria de desempenho. Antes de ingressar na JDE Peet’s, atuou como presidente de mercados internacionais na Kraft Heinz. Experiência forte em bens de consumo, mas não em bebidas alcoólicas Analistas afirmaram que, além da experiência em bens de consumo, ele também tem passagem por mercados de capitais, o que pode ser uma vantagem na busca por retorno aos investidores da Heineken. Em apenas 17 meses na JDE Peet’s, Oliveira “demonstrou capacidade de diagnosticar e redefinir estratégias rapidamente”, afirmou Laurence Whyatt, analista do Barclays. Oliveira, no entanto, não tem experiência direta no setor de cerveja e bebidas alcoólicas, o que, segundo alguns analistas, representa um risco. “Como alguém de fora do setor de cerveja e da Heineken, ele terá muito a provar”, escreveram analistas do ING em relatório.
23/06/2026 13:03:54 +00:00
Euro digital ganha apoio no Parlamento Europeu e avança em fase decisiva

Ilustração mostra notas de euro e cartões Visa e Mastercard 24 de setembro de 2025 Reuters O Banco Central Europeu obteve, nesta terça-feira (23), apoio parlamentar para o lançamento do euro digital, um meio de pagamento eletrônico que busca reduzir a dependência da zona do euro em relação aos cartões de crédito dos Estados Unidos, em meio ao enfraquecimento das relações entre os dois lados do Atlântico. O euro digital, essencialmente uma carteira eletrônica garantida pelo banco central e distribuída por bancos ou fintechs, permitirá que todos os residentes da zona do euro façam pagamentos online e presenciais. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em desenvolvimento há seis anos, o dinheiro digital do BCE ganhou urgência após o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Ele voltou a impor tarifas até sobre parceiros como a União Europeia e aumentou as preocupações de que os EUA possam, no futuro, usar seu domínio sobre redes de pagamento como Visa e Mastercard como forma de pressão. Agora no g1 A aprovação do projeto de regulamentação pela comissão de economia do Parlamento Europeu ocorre após três anos de disputas entre o BCE e os bancos, que demonstraram preocupação com a saída de depósitos e a perda de receitas, além de terem buscado limitar o alcance da proposta. “A introdução do euro digital reduziria a dependência excessiva de provedores não europeus ao se tornar um meio de pagamento pan-europeu e levaria a moeda única à era digital, dando aos cidadãos da União a liberdade de optar por pagar com dinheiro do banco central em suas transações diárias”, afirma o projeto de regulamento. Siegbert Frank Droese, do grupo político de extrema direita “Europa das Nações Soberanas” no Parlamento Europeu, afirmou que sua bancada votou contra a proposta, o que aumenta a possibilidade de uma nova votação em plenário. Caso não haja objeções, os parlamentares devem iniciar no próximo mês as negociações com os governos da União Europeia e com a Comissão Europeia, com o objetivo de obter aprovação final até o fim do ano. O BCE planeja realizar um projeto-piloto de 12 meses com o euro digital a partir do segundo semestre do próximo ano, antes do lançamento completo previsto para 2029.
23/06/2026 12:31:41 +00:00
Flávio Bolsonaro diz ter enviado inscrição para falar em audiência sobre tarifas dos EUA contra o Brasil

O gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta terça-feira (23), ter encaminhado aos Estados Unidos um pedido para participar da audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) do dia 6 de julho, que trata sobre as tarifas propostas pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros. Até a última atualização desta reportagem, não havia menção ao senador ou ao gabinete dele na lista divulgada pelo USTR de pessoas ou entidades que pediram para participar da audiência. Nem a representantes do governo federal. 🔎O site do USTR informa, no entanto, que a lista não é atualizada em tempo real e que pode haver atraso na inclusão de requerimentos. A lista inclui o influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, além de entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e representates da sociedade rural, varejo e mineração. As inscrições para participar da audiência nos EUA terminaram nessa segunda-feira (22). O documento de inscrição foi recebido pelo blog na noite de segunda (22), e divulgado oficialmente pela assessoria de Flávio no Senado nesta terça (23). Secretário de Comércio dos EUA diz a Mauro Vieira que quer continuar a dialogar sobre tarifas Desde 2 de junho, data em que o governo norte-americano divulgou a nova proposta de tarifa adicional sobre mercadorias brasileiras, representantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm intensificado as discussões com representantes norte-americanos. A estratégia do governo brasileiro tem como foco a negociação diplomática, apresentação de argumentos técnicos e pressão política. O objetivo é convencer os americanos de que uma solução negociada seria mais vantajosa para os dois lados do que a imposição da tarifa de 25% (entenda mais abaixo). O governo trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário. Essa foi a data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema. Interlocutores no governo afirmam que essas audiências públicas convocadas pelo USTR são um espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil. Trata-se de uma sessão em que as pessoas submetem documentos e pedem para se manifestar. O formato se assemelha, no entendimento do governo, a uma audiência pública do Congresso Nacional, e não um espaço de negociação entre os Estados. Existe um canal direto de negociação entre os governos brasileiro e norte-americano, no qual o governo vem apresentando a defesa das posições do país, tanto pro escrito quanto por meio de reuniões. O presidente Donald Trump fala no Salão Oval da Casa Branca durante a assinatura de uma ordem executiva sobre computação quântica, na segunda-feira, 22 de junho de 2026, em Washington REUTERS/Jonathan Ernst Audiências públicas A audiência da primeira semana de julho integra o processo previsto na legislação comercial americana e permitirá que empresas, associações, governos e outros interessados apresentem argumentos antes da decisão final da administração do presidente Donald Trump sobre as tarifas de 25% contra o Brasil. 🔎 O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas. 🔎Em 1º de junho, o USTR conclui investigação da Seção 301 contra o Brasil e propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. No documento enviado ao órgão americano, Flávio Bolsonaro se identifica como membro do Senado Federal, figura de destaque na oposição parlamentar e pré-candidato declarado à Presidência da República para as eleições de outubro deste ano. O parlamentar solicitou um tempo de cinco minutos para se manifestar de forma presencial e em inglês perante o comitê. No requerimento, o senador também cita já ter se reunido pessoalmente com o presidente Donald Trump, com o vice-presidente JD Vance e com o secretário de Estado americano Marco Rubio para tratar dos temas que motivaram a investigação. O saldo do encontro entre Flávio e Trump O que diz o requerimento de Flávio No resumo do depoimento anexado ao pedido, o parlamentar antecipa que irá se posicionar contra a aplicação da tarifa proposta de 25% sobre os produtos brasileiros. Flavio deve defender, ainda de acordo com o documento, que a taxação é ineficaz e gerará o oposto do objetivo legal previsto pela legislação americana, que exige que a medida sirva para eliminar as práticas investigadas. Segundo o texto, a sanção econômica acabará punindo exportadores brasileiros, importadores e consumidores americanos, além da própria oposição política no Brasil. O senador argumenta que, na prática, a medida beneficiará o atual governo brasileiro, cujas condutas são o alvo da investigação. O parlamentar também declarou "oposição frontal" a qualquer tipo de medida ou restrição direcionada ao Pix, o sistema público de pagamentos instantâneos do Brasil. O senador afirma no documento que não comparecerá à audiência para pedir alívio financeiro, mas para propor a restauração da parceria histórica entre os dois países sob termos justos e recíprocos. Ele pretende argumentar que, sob a perspectiva de uma eventual vitória eleitoral da oposição, a distância entre as exigências das autoridades americanas e a posição brasileira será significativamente menor do que a registrada com o atual governante. Flavio vai sugerir a suspensão da aplicação das tarifas em troca da abertura imediata de um mecanismo de negociação bilateral. A proposta prevê uma agenda e um calendário definidos para tratar dos seis pontos críticos da investigação: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação de leis anticorrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal. Além do depoimento oral na audiência, o gabinete do senador confirmou que protocolará comentários escritos detalhados e registros probatórios adicionais no processo correspondente dentro do prazo estipulado. Em 2025, o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, agradeceu a Donald Trump pela imposição de uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros. Já neste ano, o senador afirmou ter enviado uma carta ao secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, pedindo que as novas tarifas não sejam aplicadas. Governo tem investido em negociações Mesmo sem uma definição sobre as tarifas, o governo brasileiro afirma que pretende manter as negociações. Pela legislação americana, a investigação formal ainda precisa ser concluída e consultas públicas devem ocorrer antes de qualquer medida entrar em vigor. O presidente Lula afirmou que enviaria uma nova carta a Trump para tratar do assunto. "A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível", afirmou o petista após o anúncio das novas taxas. Como funcionam as audiências? Antes da eventual adoção de sanções, os EUA abriram consultas públicas para ouvir os envolvidos. O prazo para solicitar participação na audiência terminou nesta segunda-feira (22). O encontro está previsto para o dia 6 de julho, e o governo norte-americano tem até 15 de julho para tomar a decisão final sobre as tarifas. Investigação dos Estados Unidos propõe nova tarifa ao Brasil Segundo o professor de Relações Internacionais da Unicid, Sidney Leite, as audiências funcionam como uma consulta pública para que os setores afetados exponham suas posições. "Os participantes previamente inscritos apresentam seus argumentos oralmente e, após as exposições, representantes do governo americano podem fazer perguntas. Todas as manifestações ficam registradas oficialmente e passam a integrar o processo administrativo", afirmou. Podem participar: Empresas exportadoras e importadoras; Associações empresariais e industriais; Sindicatos; Universidades e centros de pesquisa; Organizações da sociedade civil; Representantes de governos estrangeiros. "Tanto empresas americanas quanto governos estrangeiros podem apresentar argumentos favoráveis ou contrários às medidas propostas", disse. Embora não determinem sozinhas o resultado da investigação, as consultas públicas costumam influenciar aspectos importantes da decisão final, como o alcance das tarifas, os produtos afetados, os prazos de implementação e possíveis exceções. "O USTR não é obrigado a seguir as recomendações apresentadas durante as consultas públicas. Entretanto, os depoimentos e estudos apresentados costumam influenciar o valor das tarifas, os produtos atingidos, o cronograma de implementação e eventuais exceções", explicou Leite. O especialista destaca que argumentos relacionados a impactos negativos para a própria economia americana costumam receber atenção especial durante o processo. O que acontece depois da audiência O Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, conversa com repórteres na Casa Branca, em Washington, DC REUTERS/Evan Vucci Após a consulta pública, o governo americano ainda poderá receber documentos complementares, analisar dados econômicos e jurídicos e realizar negociações com os países envolvidos. O processo costuma seguir quatro etapas: Recebimento de comentários adicionais; Análise técnica dos dados apresentados; Consultas diplomáticas entre os governos; Publicação da decisão final, com definição de tarifas, produtos afetados, exceções e data de entrada em vigor. "As negociações políticas e diplomáticas são fundamentais e normalmente acontecem em paralelo à dimensão jurídica", afirmou Leite. Segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior, apesar de existir um rito formal para esse tipo de investigação, o desfecho ainda é cercado por incertezas. Isso porque a Seção 301 dá ao governo americano ampla liberdade para decidir se aplicará as medidas e de que forma elas serão implementadas. "A regra permite que o representante comercial dos EUA adote tarifas ou outras restrições, mas também prevê que a ação pode seguir orientação específica do presidente", afirma o especialista. "Isso significa que a audiência ajuda a construir o processo e pode influenciar alíquotas, exceções e cronograma, mas não elimina o peso da decisão política da Casa Branca." Como o g1 mostrou anteriormente, Donald Trump tem usado com frequência a ameaça de impor tarifas como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas para ampliar o poder de barganha dos EUA. Em diversos casos, incluindo o do Brasil, o governo americano anunciou as tarifas ao mesmo tempo em que divulgou uma lista de exceções e abriu um período para negociações. A estratégia tem sido estabelecer prazos para um acordo e buscar concessões que ampliem o acesso da indústria americana a mercados estrangeiros e fortaleçam a posição dos EUA nas tratativas.
23/06/2026 12:17:22 +00:00
Dólar e Ibovespa operam em alta, de olho em cenário de juros no Brasil e nos EUA

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar opera em alta nesta terça-feira (23), com um avanço de 0,77% perto das 13h30, cotado a R$ 5,1810. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal e tinha ganhos de 0,58% no mesmo horário, aos 171.356 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ As negociações entre os Estados Unidos e o Irã seguem no centro das atenções. Segundo Teerã, as conversas técnicas com Washington foram concluídas nesta terça-feira, e o país já começou a formar grupos de trabalho para tratar das sanções e programa nuclear como parte das tratativas. O maior tráfego no Estreito de Ormuz, no entanto, já alimenta esperanças de que a situação volte a se normalizar no mercado internacional de petróleo. Em meio a esse cenário, os preços do petróleo vivem mais um dia de queda nesta terça-feira. Perto das 12h30, o barril do Brent, referência internacional, caía 0,86%, a US$ 77,23. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA tinha um recuo de 0,83%, para US$ 73,25. ▶️ No Brasil, o destaque fica com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O Banco Central (BC) indicou que a decisão de mante juros inalterados veio mesmo em meio à piora do cenário para a inflação nos próximos anos, reiterando que o colegiado preferiu não reagir às reações de preços, que ainda são resultado das incertezas com a guerra no Oriente Médio. ▶️No mercado acionário, as bolsas globais passam por um dia mais negativo, puxadas pelas ações de tecnologia. Investidores avaliam os altos investimentos de empresas de semicondutores e inteligência artificial, questionando o quanto essas companhias ainda conseguirão dar o retorno esperado, que justifique o alto preço dos papéis. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,46%; Acumulado do mês: +1,96%; Acumulado do ano: -6,33%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +1,21%; Acumulado do mês: --1,97%; Acumulado do ano: +5,73%. Negociações entre EUA e Irã avançam Os sinais de avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã seguiam no radar dos investidores nesta terça-feira. Segundo Teerã, as conversas técnicas com Washington se encerraram e o país já começou a formar grupos de trabalho para tratar das sanções e programa nuclear como parte das conversas com o governo americano. Acompanhe todos os desdobramentos. O país também informou que formará uma equipe com Omã para chegar a um acordo sobre a "gestão futura da navegação" no Estreito de Ormuz e estudar os "custos" dos serviços de cobrança para travessias. Ainda assim, o canal registrou, na véspera, o tráfego mais intenso de navios desde o início da guerra, com pelo menos 35 embarcações com carga tendo atravessado o Estreito. O volume de tráfego representa quase um terço do que era registrado em períodos de paz, quando cerca de 120 navios transitavam diariamente por esta passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos e outros produtos. Além disso, na véspera, o presidente Donald Trump concedeu uma licença de 60 dias para que o Irã volte a vender petróleo no mercado internacional, o que também pode influenciar nas cotações do petróleo nesta terça-feira. Os estragos da guerra A guerra no Oriente Médio provocou impactos significativos na economia global. A interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz elevou o preço da commodity, pressionou os custos dos combustíveis e aumentou as preocupações com a inflação em diversos países. Como consequência, consumidores enfrentaram preços mais altos, enquanto os mercados financeiros registraram perdas e o dólar ganhou força diante da maior aversão ao risco. Com o fim do conflito, economistas agora acompanham quando a atividade econômica e os mercados começarão a dar sinais de normalização. O g1 reuniu os principais efeitos da guerra e as perspectivas para a recuperação. Veja na reportagem abaixo: Mercados globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam em queda nesta terça-feira, acompanhando a onda de vendas no setor de tecnologia em meio às preocupações com o futuro dos juros do país. Perto das 12h30, o Dow Jones tinha queda de 0,04%, enquanto o S&P 500 caía 1,24% e o Nasdaq Composite tinha perdas de 1,88%. Na Europa, os principais índices acionários encerraram a sessão desta terça-feira em queda. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,73%, enquanto o DAX, da Alemanha, perdeu 0,98%. Na França, o CAC-40 caiu 0,71%, e o FTSE 100, do Reino Unido, teve baixa de 0,09%. Na Ásia, os mercados acionários tiveram uma queda generalizada nesta terça-feira, puxados por papéis de tecnologia e conforme investidores acompanhavam a situação no Oriente Médio. O CSI 300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, caiu 2,77%, devolvendo os ganhos da véspera. Já o índice de Xangai, o SSEC, teve queda de 1,4%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,82%, enquanto o Nikkei, do Japão, perdeu 3,6% e o Kospi, da Coréia do Sul, teve uma desvalorização de 9,99%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar. Jornal Nacional/ Reprodução
23/06/2026 12:00:32 +00:00
Toyota anuncia bZ4X, primeiro carro elétrico da marca no Brasil, por R$ 419.990

Toyota bZ4x chega ao Brasil por R$ 419.990 Divulgação / Toyota A Toyota anunciou nesta terça-feira (23) a chegada do bZ4X ao mercado brasileiro. O modelo é o primeiro elétrico da marca no país. O SUV conta com dois motores elétricos que geram uma potência combinada de 343 cv , possui autonomia de até 361 km segundo a medição do Inmetro e tem preço sugerido de R$ 419.990. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O modelo conta com porta-malas com capacidade de 452 litros. O SUV é equipado com rodas de liga leve de 20 polegadas e pneus de perfil 235/50R20. A lista de itens de conforto e tecnologia do utilitário esportivo inclui central multimídia com tela de 14 polegadas com navegação nativa, sistema de som JBL com seis alto-falantes e amplificador, além de conexão sem fio para Apple CarPlay e via cabo para Android Auto. O interior possui quatro portas USB-C (duas dianteiras e duas traseiras) e sistema de ar-condicionado digital automático de duas zonas. Os bancos dianteiros contam com aquecimento e ventilação, sendo que o assento do motorista traz ajustes elétricos de 10 posições e função de memória. Agora no g1 Na parte traseira, os passageiros dispõem de bancos reclináveis com aquecimento e dutos de ventilação. O SUV vem equipado com destravamento de portas por aproximação, partida por botão, carregador duplo de celular por indução, volante aquecido com comandos integrados e abertura e fechamento elétricos do porta-malas com sensor de movimento abaixo do para-choque. No quesito segurança, o bZ4X traz a terceira geração do pacote de segurança ativa da montadora (TSS 3.0). O sistema engloba: Assistência de pré-colisão com detecção de pedestres, ciclistas e motociclistas com frenagem automática de emergência Alerta de saída de faixa com assistente de centralização Farol alto adaptativo Assistente de saída segura Controle de velocidade de cruzeiro adaptativo. Toyota bZ4x chega ao Brasil por R$ 419.990 Divulgação / Toyota O modelo é equipado com 8 airbags (dois frontais, um de joelho para o motorista, dois laterais dianteiros, dois de cortina e um posicionado entre os bancos dianteiros). O pacote inclui ainda controles eletrônicos de tração e estabilidade com função de assistência para oscilação de reboque, câmera de visão de 360 graus, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, assistente autônomo de estacionamento e espelho retrovisor interno antiofuscamento eletrocrômico. Interior do Toyota bZ4x Divulgação / Toyota Desempenho O conjunto mecânico é composto por dois motores elétricos distribuídos entre os eixos dianteiro e traseiro, configurando tração integral (AWD). O sistema é gerenciado pela tecnologia X-MODE, que oferece modos de condução específicos para terrenos de baixa aderência, como neve, terra e lama. A potência combinada é de 343 cv, com torque de 27,4 kgfm no eixo dianteiro e 17,3 kgfm no eixo traseiro. A bateria de íons de lítio tem sistema de refrigeração líquida e capacidade total de 73,1 kWh. O veículo é construído sobre a plataforma global e-TNGA. De acordo com os dados oficiais homologados pelo Inmetro no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), o veículo entrega uma autonomia de até 361 km. Toyota bZ4X tem dois motores elétricos e total de 343 cv de potência. Divulgação / Toyota Preço de Lexus O Toyota bZ4X tem preço de R$ 419.990, com chegada às concessionárias prevista para o fim de junho em um lote inicial de 99 unidades. A garantia de fábrica padrão do veículo é de 5 anos. De acordo com a montadora, a cobertura pode ser estendida para até 10 anos por meio de um programa de extensão de garantia. O benefício é ativado automaticamente após o quinto ano mediante a realização das revisões programadas na rede autorizada, sendo renovável a cada 12 meses ou 10.000 km. O limite para a cobertura estendida é de 200.000 km para uso particular ou 100.000 km para uso comercial.
23/06/2026 11:17:49 +00:00
Banco Central admite inflação acima da meta, mas diz que 'melhores práticas' recomendam não reagir a choques de oferta

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (23) que, mesmo com a piora do cenário para a inflação nos próximos anos, que serve de base para a decisão sobre a taxa de juros, decidiu não interromper a queda da Selic na semana passada. O BC justificou a decisão sob a perspectiva de que as "melhores práticas" recomendam não reagir integralmente a "variações de preços decorrentes de choques de oferta". A informação consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia recuou de 14,50% para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo da Selic. 🔎A taxa básica da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Agora no g1 Choques de oferta são eventos inesperados que alteram, repentinamente, a disponibilidade ou o custo de bens e serviços. Nesse caso, o Banco Central citou a guerra no Oriente Médio, que pressionou o preço do petróleo e dos combustíveis ao redor do mundo e, também, os impactos do fenômeno climático conhecido como El Nino. "O Comitê debateu que esse conjunto de resultados deve ser ponderado à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que, no momento atual, incluem incertezas relevantes", informou. "Tais incertezas envolvem não só a extensão dos efeitos de choques já materializados, como, por exemplo, das consequências do conflito armado no Oriente Médio, quanto da extensão de outros considerados na projeção, mas ainda não materializados, como, por exemplo, os impactos do El Niño. O BC também avaliou que seria mais adequado, neste momento, trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes no "Boletim Focus" — que previa corte nos juros — por "evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados macroeconômicos, com efeitos potencialmente contraproducentes à própria convergência da inflação à meta". 🔎O Boletim Focus é um termômetro das expectativas do mercado sobre a economia, usado para acompanhar tendências e ajudar nas decisões do Banco Central. "Essas trajetórias contemplavam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração. Nesse caso, as flutuações de produto se mostraram menores, com a inflação convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028", acrescentou. Banco Central decreta liquidação extrajudicial de 3 empresas ligadas à Entrepay Jornal Nacional/ Reprodução Como as decisões são tomadas Para definir os juros, o Banco Central atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando, em tese, na meta considerando o ano de 2027 fechado. Para o próximo ano, o mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA ficará em 4,15%, ou seja, bem acima da meta central de 3%, enquanto o BC projeta uma inflação de 3,7% neste período. O distanciamento da projeção de inflação do mercado da meta central de inflação para o próximo ano não impediu, porém, o BC de baixar os juros nas duas últimas reuniões do Copom — que ocorrem em um ano eleitoral. O Banco Central informou, no comunicado da decisão de baixar os juros, divulgado na semana passada, que avalia que "trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos". "Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta", ponderou o BC. "Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos", prosseguiu a instituição.
23/06/2026 11:09:31 +00:00
Estreito de Ormuz registra o tráfego mais intenso desde o início da guerra

Navios no Estreito de Ormuz em 18 de junho de 2026. Reuters/Stringer Pelo menos 35 navios com carga atravessaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira (22), um recorde desde o início da guerra no Oriente Médio no fim de fevereiro, segundo dados da plataforma Kpler divulgados uma semana após o anúncio de um memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos. O volume de tráfego representa quase um terço do que era registrado em períodos de paz, quando cerca de 120 navios transitavam diariamente por esta passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos e outros produtos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Durante a guerra, de 1º de março a 14 de junho, menos de 10 navios de carga atravessavam o estreito em média por dia. Desde 15 de junho, um dia depois do anúncio do acordo, a média subiu para 21 e chegou a 27 nos últimos cinco dias. O Estreito de Ormuz foi reaberto na semana passada, após um acordo entre Irã e Estados Unidos para acabar com o Oriente Médio, mas Teerã anunciou no sábado o fechamento do estreito em resposta aos ataques de Israel no Líbano. Agora no g1 Posteriormente, Estados Unidos e Irã chegaram a um entendimento sobre mecanismos para interromper os confrontos no Líbano e garantir a segurança do Estreito de Ormuz. "A administração do Estreito de Ormuz nunca mais será a mesma de antes da guerra", afirmou nesta terça-feira o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, citado pela agência oficial Irna. Segundo ele, o Irã administrará a via marítima, o que provoca a dúvida sobre se os navios terão que pagar algum tipo de taxa para transitar por Ormuz. O acordo de paz Estados Unidos e Irã registraram um avanço significativo nas negociações para encerrar as tensões entre os dois países após uma maratona de 18 horas de reuniões na Suíça, mediadas por Catar e Paquistão. Segundo os governos envolvidos, houve “grande progresso” nas tratativas, que buscam implementar um acordo preliminar de paz e solucionar impasses relacionados ao conflito no Oriente Médio e ao programa nuclear iraniano. 🔍 Entre os principais entendimentos alcançados está a criação de uma célula de desescalada no Líbano, com o objetivo de reduzir os confrontos entre Israel e o Hezbollah, além da formação de um grupo de trabalho dedicado a negociar a questão nuclear do Irã. As delegações também concordaram em buscar um acordo definitivo de paz em até 60 dias, renovando o prazo inicialmente estabelecido dias antes. As negociações ocorreram em um ambiente descrito pelos mediadores como positivo, embora tenham sido marcadas por momentos de tensão. No início das conversas, representantes iranianos manifestaram insatisfação com ameaças feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Ainda assim, o governo do Irã avaliou que o formato das reuniões — envolvendo negociadores dos dois países e os mediadores do Catar e do Paquistão — contribuiu para o avanço das discussões. De acordo com os mediadores, as equipes dos EUA e do Irã permanecerão na Suíça ao longo da próxima semana para dar continuidade às negociações e tentar consolidar os entendimentos alcançados. *Com informações da agência France Presse
23/06/2026 10:10:03 +00:00
Natto: o prato pegajoso de soja fermentada que virou fenômeno graças à fama de superalimento

Imagem de um natto, prato japonês à base de soja fermentada. Reprodução/cultesabor Fios translúcidos e pegajosos pendem dos hashis do turista americano Wesley Smith, que saboreia cada porção viscosa de natto, alimento japonês à base de soja fermentada e aroma intenso que conquista espaço fora do Japão. Presença tradicional no café da manhã japonês, o alimento fermentado por bactérias divide opiniões por seu cheiro forte, textura viscosa e sabor ácido. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "No começo achei um pouco estranho", contou Smith à AFP em um restaurante de Tóquio onde é possível comer natto à vontade. Nos últimos anos, o natto se juntou à onda de alimentos fermentados — do kimchi à kombucha — cuja popularidade cresceu no mundo. Segundo dados recentes, as exportações japonesas de natto triplicaram desde 2017 e chegaram a 5.248 toneladas em 2025. China e Estados Unidos lideram os destinos. QUIZ: você reconhece os países da Copa do Mundo pelos pratos típicos de cada um? De onde vem o que eu como: flores comestíveis Superalimento Em Los Angeles, Kenji Suzuki, dono do restaurante japonês Suehiro, comemora o aumento de clientes não japoneses dispostos a experimentar o prato. "Quando as redes sociais começaram a falar do natto e de seu status de superalimento, cada vez mais pessoas quiseram experimentá-lo para ver se era realmente tão desagradável quanto dizem", explicou. Em Tóquio, Smith compara o natto a um "queijo forte", mas diz duvidar que sua consistência viscosa faça sucesso em larga escala nos Estados Unidos. Além dos supostos benefícios à saúde, o natto é valorizado no Japão pelo preço acessível. Um pacote com três porções costuma custar cerca de 100 ienes, aproximadamente US$ 0,60 (cerca de R$ 3). 'Comida de pobre' Nem mesmo o natto escapou da alta de preços, afirma Yoshihiro Noro, ex-presidente da Federação Japonesa de Cooperativas de Natto. Segundo ele, a escassez de nafta, derivado do petróleo usado na fabricação das embalagens, está relacionada à guerra no Oriente Médio. Noro vê nisso uma chance para o produto superar sua imagem de "comida de pobre". "Poucos alimentos podem ser considerados um superalimento e ser tão saudáveis quanto o natto", afirmou o empresário de 72 anos. Ele acredita ter desenvolvido uma versão capaz de conquistar mais consumidores: o Kamakurayama Natto, descrito como "extremamente viscoso", mas sem "cheiro nem amargor". "Continuem comendo... vocês vão acabar gostando!", garantiu.
23/06/2026 08:04:28 +00:00
Açúcar mais caro? Por que a Índia pode sumir do mercado — e o que isso significa para os preços

Açúcar Mathilde Langevin/Unplash A Índia, que já foi o segundo maior exportador de açúcar do mundo, deve ter pouco açúcar disponível para exportação por pelo menos mais três safras, segundo executivos do comércio e da indústria, fontes governamentais e agricultores O motivo é a combinação entre o risco de queda na produção de cana por causa do El Niño e o aumento do uso da matéria-prima para a fabricação de etanol. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Essas duas pressões devem manter milhões de toneladas de açúcar fora do mercado mundial, reduzindo a oferta para importadores na Ásia, África e Oriente Médio e sustentando os preços de referência em Londres e Nova York. Uma ausência prolongada da Índia dos mercados de exportação retiraria um importante fornecedor, à medida que os riscos climáticos e as políticas de biocombustíveis remodelam os fluxos globais do comércio de açúcar. El Niño pode afetar florada do café e aumentar risco de perdas no Sul de Minas O que esperar do inverno na Serra de Santa Catarina com a previsão do El Niño Restrições das exportações O açúcar é um tema politicamente sensível na Índia, maior consumidor mundial, onde doces são muito populares e muitas famílias de baixa renda dependem dele como fonte barata de calorias. "A oferta já está escassa na Índia, e agora o El Niño está se tornando um grande risco", disse Rahil Shaikh, diretor-gerente da MEIR Commodities India, uma corretora com sede em Mumbai. "Se as chuvas ficarem aquém das previsões, o plantio de cana será prejudicado e isso manterá a Índia fora do mercado de exportação de açúcar por pelo menos três anos, enquanto o Brasil e a Tailândia também podem ter suas safras afetadas pelo El Niño." O Brasil, principal exportador, também está destinando mais cana para a produção de etanol. A Tailândia, outro grande exportador, também pode ter sua produção afetada pelas chuvas reduzidas pelo El Niño. A Índia exportou, em média, 6,8 milhões de toneladas métricas de açúcar por ano nas cinco safras até 2022-23 -- cerca de 10% dos embarques globais. Este ano, após exportar cerca de 800 mil toneladas, a Índia suspendeu os embarques até 30 de setembro, o fim da safra. As usinas precisam de aprovação do governo para exportar açúcar, e Nova Délhi provavelmente suspenderá as autorizações de exportação a cada safra, em vez de anunciar uma proibição plurianual, afirmaram fontes do governo e do setor com conhecimento do assunto. No mês passado, um ministro de alto escalão do governo do primeiro-ministro Narendra Modi instruiu as usinas a priorizarem a disponibilidade no mercado interno e a não pressionarem por exportações, disseram as fontes sob condição de anonimato, uma vez que as discussões eram confidenciais. O Departamento de Alimentação, Abastecimento Civil e Assuntos do Consumidor da Índia não respondeu a um pedido de comentário sobre as perspectivas para as exportações ou suas restrições sobre exportações. Como nasce um El Niño Arte/g1 El Niño prejudica cana As condições do El Niño devem enfraquecer as chuvas de monção na Índia este ano, levando-as ao nível mais baixo em 11 anos. Chuvas abaixo da média, aliadas a uma precipitação em junho mais de 40% abaixo da média, levaram os agricultores a adiar o plantio. "Eu tinha planejado plantar variedades de cana de ciclo longo em junho, mas como todo mundo está falando sobre chuvas mais fracas, decidi adiar esse plano", disse Sambhaji Patil, que decidiu cultivar soja em 2 acres (0,8 hectares) no distrito de Sangli, no estado de Maharashtra, no oeste do país. O proprietário de um viveiro, Suraj Chavan, disse que a demanda por mudas de cana caiu drasticamente nas últimas semanas. É provável que os agricultores mudem para culturas que exijam menos água, o que poderia reduzir a área plantada com cana e a disponibilidade do produto na safra de 2027-28, disse Prakash Naiknavare, diretor-geral da Federação Nacional de Fábricas Cooperativas de Açúcar. As autoridades locais começaram a promover culturas alternativas, como soja, feijão-guandu e outras variedades de leguminosas, na maioria das regiões produtoras de açúcar, e restringiram o abastecimento de água para irrigação. A Índia deveria produzir 30,95 milhões de toneladas de açúcar nesta safra, mas a produção agora está estimada em 27,9 milhões de toneladas, abaixo do consumo anual de cerca de 28,5 milhões de toneladas, segundo estimativas do setor. Como resultado, os estoques nas usinas no início da safra, em 1º de outubro, provavelmente cairão para cerca de 3,5 milhões de toneladas, o nível mais baixo em mais de três décadas, disse Shaikh, da MEIR. Ao mesmo tempo, a Índia está promovendo uma maior mistura de etanol à gasolina e uma adoção mais ampla de veículos flex-fuel para reduzir a dependência do caro petróleo importado. A demanda por etanol poderia mais que dobrar, passando dos atuais 12 bilhões a 13 bilhões de litros para cerca de 30 bilhões de litros até 2039-40, à medida que o aumento da mistura de etanol na gasolina e a adoção de veículos flex-fuel ganham ritmo, sugerem as estimativas do setor. "A trajetória da demanda por etanol é incrivelmente forte", disse Samir Somaiya, presidente e diretor-geral da Godavari Biorefineries. "A próxima fase da evolução da demanda será impulsionada pelo lançamento comercial de veículos flex-fuel." A Maruti Suzuki, maior montadora indiana, lançou este mês o primeiro veículo flex-fuel do país, enquanto a Hero MotoCorp lançou uma motocicleta flex-fuel. A Índia eliminou este mês o imposto sobre a produção de gasolina misturada com níveis mais altos de etanol e lançou combustível com até 85% de etanol para apoiar a adoção de veículos flex-fuel. As futuras políticas governamentais provavelmente darão prioridade à produção de etanol em detrimento das exportações de açúcar, afirmou B.B. Thombare, diretor-geral da Natural Sugar, no estado de Maharashtra. A Índia poderia eventualmente ser forçada a importar açúcar se as perturbações climáticas relacionadas ao El Niño reduzissem drasticamente a área de cultivo de cana e a produção, disseram fontes do governo e autoridades do setor, com os comerciantes alertando que a oferta poderia ficar ainda mais restrita na safra de 2027-28. "Devido a um El Niño severo e à crescente demanda por etanol, não só as exportações da Índia seriam praticamente eliminadas, como também as importações para a Índia nos próximos anos poderiam se tornar necessárias”, disse Mohan Narang, diretor da K.S. Commodities, uma corretora de commodities em Nova Délhi.
23/06/2026 07:01:06 +00:00
Enquanto jogam a Copa, atletas fecham contratos milionários com novos clubes; distração preocupa treinadores

Víctor Muñoz, Ismael Saibari, Elliot Anderson e Ibrahima Konaté AFP e Reuters É sabido que a Copa do Mundo é uma vitrine inigualável para que jogadores garantam contratos lucrativos ao fim da competição. No entanto, vários participantes do torneio optaram por definir o futuro de suas carreiras em clubes enquanto ainda estão concentrados com suas seleções. O lateral-esquerdo Marc Cucurella foi anunciado oficialmente como jogador do Real Madrid poucas horas antes de entrar em campo pela seleção da Espanha, que iniciou sua campanha com um surpreendente empate sem gols contra Cabo Verde, estreante em Mundiais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Poucos dias depois, o Liverpool venceu a disputa pela contratação de outro espanhol, o atacante Víctor Muñoz, em uma operação avaliada em 40 milhões de euros (R$ 235 milhões, na cotação atual). Também na ‘Roja’, Alex Grimaldo está prestes a trocar o Bayer Leverkusen pelo Atlético de Madrid, enquanto Pedro Porro renovou contrato com o Tottenham após o início do torneio. Essa onda de negociações, somada a um começo decepcionante no Mundial, levantou na Espanha dúvidas sobre se a equipe teria se deixado distrair pelo mercado — algo que o técnico Luis de la Fuente negou categoricamente. “Comemoramos as boas notícias, seja para Cucurella ou para qualquer outro companheiro durante o torneio porque, se é bom para eles, é bom para todo o elenco”, declarou De la Fuente. “Tudo o que traz felicidade aos meus jogadores me deixa tão feliz quanto eles”, acrescentou. Agora no g1 Cucurella trocou o Chelsea pelo Real Madrid, que chegou a um acordo de 55 milhões de euros (R$ 323 milhões) com o clube londrino, fechado em “um dia e meio” para permitir que o jogador se concentrasse na Copa do Mundo. De fato, ele foi o destaque de uma atuação apagada da seleção espanhola contra Cabo Verde. Acompanhe a Copa do Mundo 2026 no ge: Simulador da Copa do Mundo 2026 Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de jogos RESULTADOS: confira a tabela da Copa do Mundo Mercado aberto Cerimônia de abertura da Copa no México YURI CORTEZ / AFP A Espanha não é a única seleção impactada pelo mercado de transferências. Na semana passada, o Real Madrid também anunciou as contratações do zagueiro francês Ibrahima Konaté e do meio-campista português Bernardo Silva a custo zero. Ambos estão atualmente com suas seleções na Copa do Mundo. Segundo a imprensa, o Bayern de Munique chegou a um acordo com o PSV Eindhoven para contratar o meio-campista marroquino Ismael Saibari, cujos dois gols em dois jogos o transformaram em uma das principais revelações do torneio, por 55 milhões de euros. O zagueiro holandês Jan Paul van Hecke deixou o Brighton e assinou com o Tottenham por cerca de 52 milhões de libras esterlinas (R$ 354 milhões), no intervalo entre os dois primeiros jogos da ‘Oranje’ na fase de grupos, contra Japão e Suécia. “É importante para mim. O técnico me deu tempo para focar nessa transferência. Sou grato por isso, pois representa um grande passo na minha carreira”, disse Van Hecke em entrevista coletiva antes da vitória por 5 a 1 sobre a Suécia. 'Questão de bom senso' Thomas Tuchel afirmou antes da Copa que tentar impedir transferências durante o torneio não é realista, JUAN MABROMATA / AFP É provável que Elliott Anderson se torne o jogador inglês mais caro da história enquanto defende o ‘Three Lions’ nos Estados Unidos. O Manchester City está perto de contratar o meio-campista do Nottingham Forest, e especula-se que a negociação pelo jogador de 23 anos possa ultrapassar 120 milhões de libras (R$ 816 milhões). O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, tem vasta experiência no outro lado do eterno debate entre clubes e seleções. Tuchel, que já comandou Paris Saint-Germain, Chelsea e Bayern de Munique, afirmou antes da Copa que tentar impedir transferências durante o torneio não é realista, embora haja limites para o que os jogadores podem fazer. “É uma questão de bom senso. Eu não gostaria que isso acontecesse na véspera ou no dia de um jogo. Essa é a regra”, afirmou o treinador alemão. “Se for feito de forma privada, eficiente e discreta, estaremos sempre dispostos a ajudar. É importante ter clareza sobre a situação de cada jogador. Se alguém tiver a oportunidade de mudar de clube, não seremos um obstáculo”, acrescentou. “O ideal seria não haver transferências, mas a realidade é diferente. A questão é até que ponto devemos nos preocupar. Mesmo que eu dissesse aos jogadores para não pensarem nisso agora, seus telefones continuariam tocando sem parar. Como controlar isso?”, questionou Tuchel. Para outros, a Copa do Mundo segue sendo a vitrine ideal para ampliar a visibilidade e viabilizar uma grande transferência. Jogadores como o americano Folarin Balogun, o neozelandês Elijah Just e o atacante suíço Johan Manzambi despertaram interesse após marcarem dois gols, enquanto o marroquino Ayyoub Bouaddi entrou no radar de grandes clubes da Europa por sua atuação de destaque contra o Brasil. “É motivador”, comentou o australiano Alessandro Circati, cujo nome vem sendo ligado a clubes como Atlético de Madrid e Newcastle. “Isso faz você se sentir melhor consigo mesmo. Dá a sensação de que está no caminho certo”, concluiu Circati.
23/06/2026 06:00:32 +00:00
Datafolha: parcela de pessimistas com economia cai de 35% para 26%

Ministro da Fazenda Dario Durigan. Washington Costa/MF Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda (22) pelo site do jornal Folha de S.Paulo mostra que a parcela de pessimistas com a economia brasileira caiu de 35% para 26%. Entre os entrevistados pela pesquisa, 36% acreditam que a economia do Brasil vai melhorar nos próximos meses. A porcentagem representa um avanço frente aos 30% que manifestaram esse otimismo na pesquisa feita em março. Já o percentual daqueles que acreditam que a economia do país vai piorar caiu 9 pontos percentuais, de 35% para 26%. A pesquisa ainda aponta que 32% dos entrevistados acreditam que a economia vai permanecer como está. Em março, o percentual era de 33%. Seis porcento declaram não saber, frente aos 3% da pesquisa anterior. O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 17 e 18 de junho, segundo dados informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada sob o número BR-09956/2026 no TSE. Agora no g1
23/06/2026 05:43:39 +00:00
Imposto de Renda 2026: Receita abre nesta terça a consulta ao 2º lote de restituição, o maior da história

Receita libera consulta a lote recorde de restituição do IR A Receita Federal abriu nesta terça-feira (23), às 9h, a consulta ao segundo lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2026, referente ao mês de junho. O pagamento aos contribuintes contemplados está previsto para o dia 30 de junho. Com R$ 16 bilhões destinados a 9,58 milhões de contribuintes, este é o maior lote de restituição da história em número de beneficiados. O valor é o mesmo do primeiro lote de 2026, pago em maio. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia. Juntos, os dois pagamentos devem contemplar cerca de 80% das restituições previstas para este ano, segundo a Receita Federal. (veja aqui como consultar) Somados, os dois primeiros lotes de restituição do Imposto de Renda de 2026 vão beneficiar 18,3 milhões de contribuintes, com pagamentos que totalizam R$ 32 bilhões. Quem recebe neste lote O pagamento será feito em 30 de junho. Do total, R$ 4,49 bilhões serão destinados a contribuintes com prioridade legal, distribuídos da seguinte forma: 155.060 restituições para idosos acima de 80 anos; 1.106.923 restituições para idosos entre 60 e 79 anos; 106.294 restituições para pessoas com deficiência física ou mental ou com moléstia grave; 507.768 restituições para contribuintes cuja principal fonte de renda é o magistério. Além disso, 7.709.752 restituições serão destinadas a contribuintes que ganharam prioridade por terem utilizado a declaração pré-preenchida e/ou optado pelo recebimento via Pix. Segundo a Receita, não haverá pagamento para contribuintes sem prioridade neste lote. Veja o calendário da restituição do IR 2026 Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos: 1º lote: 29 de maio 2º lote: 30 de junho 3º lote: 31 de julho 4º lote: 28 de agosto Como fazer a consulta? Imposto de renda Marcos Serra/g1 O contribuinte pode verificar se vai receber neste lote por meio da página da Receita na internet. Basta clicar na opção "Meu Imposto de Renda" e, em seguida, em "Consultar a Restituição". A página oferece orientações e os canais de prestação do serviço, permitindo uma consulta simplificada ou completa da situação da declaração, por meio do extrato de processamento, acessado no e-CAC. Caso identifique alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações. A Receita Federal disponibiliza, também, aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF. Em nota oficial, o Fisco afirma que "assume o compromisso de realizar pagamento de restituições apenas em conta bancária de titularidade do contribuinte". Assim, vale destacar que as rotinas de segurança da Receita impedem o pagamento caso ocorra erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta de destino. "Para não haver prejuízo ao contribuinte, a Receita oferece o serviço de reagendamento disponibilizado pelo Banco do Brasil pelo prazo de até um ano da primeira tentativa de crédito. Assim, o contribuinte poderá corrigir os dados bancários para uma conta de sua titularidade", afirma a nota. Neste caso, o cidadão poderá reagendar o crédito dos valores pelo Portal BB, ou ligando para a Central de Relacionamento BB por meio dos telefones: 4004-0001 (capitais) 0800-729-0001 (demais localidades) 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) Ao utilizar esse serviço o contribuinte deve informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração. Depois, é só aguardar a nova tentativa de crédito. Caso o contribuinte não resgate sua restituição dentro do prazo, precisará fazer um requerimento pelo Portal e-CAC. Malha fina Ao realizar a consulta, o contribuinte também poderá saber se há alguma pendência em sua declaração que impeça o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada "malha fina". Para saber a situação de sua declaração do IR, o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet. Acesso se dá mediante o uso da conta gov.br, nos níveis prata ou ouro. Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos". Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026. O Fisco informará: Se a declaração foi processada (situação regular); Se há pendências (malha fina). No caso de haver pendência, isso quer dizer que a declaração caiu na malha fina do leão, ou seja, foi retida por conta de divergências de dados com aqueles que o Fisco possui sobre o contribuinte. Nesse caso, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços). Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema. No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina. No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.
23/06/2026 03:01:10 +00:00
Brasil ganha duas novas companhias aéreas estrangeiras autorizadas a operar voos internacionais

Wamos Air, da Espanha, e Air Peace, da Nigéria, receberam aval da Anac após cumprirem requisitos previstos na legislação brasileira. Divulgação A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou duas novas companhias aéreas estrangeiras a operar serviços regulares de transporte internacional de passageiros e carga com origem ou destino no Brasil. As empresas aprovadas são a espanhola Wamos Air S.A. e a nigeriana Air Peace Ltd. As autorizações foram concedidas por meio das Portarias nº 19.439 e nº 19.449, de 15 de junho de 2026, após as companhias cumprirem os requisitos previstos no Código Brasileiro de Aeronáutica e nas normas da Anac para empresas estrangeiras interessadas em atuar no mercado brasileiro. Segundo a agência, a medida faz parte de uma estratégia para ampliar a conectividade aérea internacional e estimular um ambiente regulatório mais competitivo no setor. Agora no g1 Wamos Air pode viabilizar voos internacionais da Gol Com sede na Espanha, a Wamos Air S.A. tem um papel estratégico na expansão internacional da Gol. A empresa faz parte do Grupo Abra, principal grupo de transporte aéreo da América Latina, que também controla a companhia brasileira e a colombiana Avianca. Diferentemente de uma companhia aérea tradicional, a Wamos Air é especializada em operações de fretamento e no modelo conhecido como wet lease — quando uma empresa aérea fornece para outra não apenas a aeronave, mas também tripulação, manutenção e seguro. A empresa foi adquirida pelo Grupo Abra em outubro de 2024 e passou a ser uma peça importante para ampliar a capacidade de voos de longa distância do grupo. Isso porque a Gol ainda não possui aeronaves de longo alcance em sua frota atual. Na prática, a Wamos Air é a estrutura que permite a realização de operações internacionais de maior distância. Mesmo quando o voo é realizado em uma aeronave da companhia espanhola, o passageiro mantém a experiência da Gol, com compra de passagens, check-in, embarque e atendimento seguindo os padrões da empresa brasileira. A trajetória da Wamos Air começou em 2003, ainda como Pullmantur Air, quando recebeu suas primeiras certificações operacionais e de aeronavegabilidade. Em 2014, a companhia adotou o nome atual e ampliou sua atuação no mercado internacional. Ao longo de mais de duas décadas, a empresa se consolidou como uma das principais referências europeias em operações charter e wet lease. Atualmente, conecta mais de 200 aeroportos em 87 países e oferece mais de 3 milhões de assentos por ano. Sua frota inclui modelos como os Airbus A330-200 e A330-300, além de aeronaves que fizeram parte da história da companhia, como o Boeing 747-400. Air Peace A Air Peace Ltd., da Nigéria, também recebeu autorização para operar voos internacionais regulares de passageiros e carga com origem ou destino no Brasil. Criada com o objetivo de ampliar a conectividade aérea da Nigéria, a companhia tem sede em Lagos e atua nos mercados doméstico, regional e internacional. Ao longo de sua trajetória, a empresa expandiu sua rede de destinos e sua capacidade operacional, tornando-se uma das principais companhias aéreas da África Ocidental e Central. A Air Peace também mantém investimentos em frota, segurança operacional e expansão internacional. Com as novas autorizações, as duas companhias estão habilitadas a operar no mercado brasileiro, seguindo as regras estabelecidas pela aviação civil do país.
22/06/2026 22:22:35 +00:00
Ferrari não vai 'obrigar' clientes a comprar modelo elétrico Luce para ter acesso a carros especiais

Espera-se que a Ferrari Luce, que é completamente elétrica, esteja disponível ainda este ano Ferrari A Ferrari não está obrigando os clientes a comprarem seu polêmico carro elétrico Luce para se qualificarem para a compra dos próximos modelos de série limitada da montadora de carros de luxo, afirmou Enrico Galliera, diretor de marketing e comercial. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Em uma apresentação de produto no final da semana passada, Galliera negou uma reportagem da Bloomberg de que a compra do Luce, o primeiro veículo elétrico da empresa, avaliado em US$ 630 mil poderia se tornar um requisito para ter acesso aos modelos mais exclusivos da Ferrari, acrescentando que exercer esse tipo de pressão seria um "grande erro". "Correríamos o risco de criar embaixadores negativos que falariam mal do Luce e, depois de alguns meses, o revenderiam", disse Galliera, segundo um porta-voz da empresa. "Isso destruiria seu valor de mercado residual, que é exatamente o que o setor de veículos elétricos de luxo está sofrendo hoje." Tradicionalmente, a Ferrari utiliza um sistema de alocação (especialmente no que diz respeito à qualificação para a compra de seus modelos de edição limitada) que favorece clientes antigos, ou seja, aqueles que possuem vários carros, bem como aqueles que participam de eventos da fábrica e mantêm os veículos por longos períodos. Agora no g1 Galliera afirmou que a Ferrari sempre dizia aos seus concessionários e clientes que o Luce só deveria ser vendido àqueles "verdadeiramente motivados a comprá-lo". "Nossa mensagem para a rede foi: certifiquem-se de que qualquer pessoa que peça este carro realmente o queira e não o esteja comprando para agradar à Ferrari em busca de outros tipos de benefícios", disse ele. A maioria dos clientes da Ferrari normalmente possui mais de um carro da marca. Em 2025, a empresa vendeu cerca de 84% de seus carros novos para atuais proprietários de Ferrari e aproximadamente 56% para compradores que possuíam mais de um veículo da marca. A fabricante de carros esportivos de luxo apresentou o Luce EV de cinco lugares no mês passado, desencadeando uma onda de críticas, inclusive nas redes sociais, pelo design pouco convencional do modelo em comparação com a estética tipicamente musculosa e agressiva da Ferrari, e pela decisão da empresa de se desviar de seus tradicionais motores a gasolina. Dias após a apresentação do Luce, o presidente-executivo Benedetto Vigna afirmou que a Ferrari estava recebendo "forte interesse" pelo carro, tanto de clientes novos quanto antigos. Desde então, a empresa não divulgou novas informações sobre os pedidos do Luce e disse que só fornecerá números precisos no final de julho, quando divulgar os resultados do segundo trimestre.
22/06/2026 18:52:15 +00:00
Wikipedia não vai permitir que IA edite artigos diretamente na plataforma, diz fundador

Wikipédia descarta permitir edições por IA e cita risco de informações falsas geradas por sistemas automatizados. Foto de Ismail Aslandag / ANADOLU / Anadolu via AFP A Wikipédia não confia o suficiente na inteligência artificial para permitir que ela edite artigos diretamente na plataforma, afirmou nesta segunda-feira (22) o cofundador da enciclopédia online, Jimmy Wales. Segundo Wales, o principal problema são as chamadas “alucinações” da IA, quando sistemas apresentam informações falsas com aparente convicção. Embora os modelos mais recentes tenham reduzido esse tipo de erro, a falha ainda é “muito, muito grave”, disse ele durante um evento sobre ação climática em Londres. Agora no g1 O fundador da Wikipédia afirmou, porém, que ferramentas de IA podem ser úteis para ajudar a comunidade formada por milhões de editores a identificar notícias e temas muito específicos que poderiam passar despercebidos. “Não permitiríamos que ela editasse diretamente porque ainda não é possível confiar o suficiente”, afirmou. Ao mesmo tempo, plataformas de inteligência artificial utilizam amplamente o conteúdo da Wikipédia para responder às perguntas dos usuários. Segundo Wales, isso contribuiu para o aumento de acessos ao site por robôs de IA, enquanto o tráfego de visitantes humanos registrou queda de 8%. Integrante do conselho da Wikimedia Foundation, entidade que mantém a Wikipédia, Wales classificou a redução de visitantes humanos como “relevante”, mas afirmou que ela não representa um problema crítico para a enciclopédia, que segue entre os dez sites mais visitados do mundo. Criada em 2001, a Wikipédia depende de doações dos usuários e, por isso, seu modelo de financiamento não está diretamente ligado ao volume de acessos. Wales também defendeu que empresas de IA contribuam financeiramente com a plataforma. Segundo ele, o grande volume de consultas feitas por sistemas automatizados gera custos reais para a manutenção da infraestrutura de servidores. O fundador afirmou que a Wikipédia já firmou acordos com várias gigantes de tecnologia e começou a bloquear empresas que, segundo ele, não estão cumprindo as regras de uso da plataforma.
22/06/2026 16:59:32 +00:00
Acionistas processam conselho da Uber por suposta negligência em casos de assédio e agressão sexual

Uber Dan Gold via unsplash O conselho de administração da Uber Technologies foi processado nesta segunda-feira (22) por acionistas que acusam a gestão e seus diretores de permitirem que a empresa negligenciasse normas de conformidade, o que teria resultado em milhares de ações judiciais movidas por vítimas de agressão sexual e assédio. Em ação apresentada no tribunal federal de San Francisco, nos Estados Unidos, acionistas liderados por um fundo de pensão de Detroit afirmam que os membros do conselho ignoraram repetidos alertas internos e externos sobre a suposta falha da Uber em lidar com casos de abuso sexual cometidos por motoristas. Agora no g1 Os investidores sustentam ainda que falhas de supervisão também contribuíram para ações judiciais movidas no ano passado pelo governo federal, que acusou a Uber de se recusar, de forma recorrente, a atender passageiros com deficiência, incluindo pessoas com animais de assistência ou cadeiras de rodas dobráveis. A empresa também teria adotado práticas enganosas de cobrança e cancelamento. “A Uber é uma infratora reincidente em matéria de conformidade”, afirma a ação, acrescentando que a reputação da empresa foi “irremediavelmente prejudicada” pela cobertura negativa da mídia. A empresa, sediada em San Francisco, não respondeu de imediato aos pedidos de comentário. Os advogados dos acionistas, liderados pelo Sistema de Aposentadoria da Polícia e dos Bombeiros da Cidade de Detroit, também não se manifestaram prontamente. A chamada ação derivativa, protocolada nesta segunda-feira, tem como objetivo obrigar os diretores a indenizar a Uber por supostas violações de deveres fiduciários e da legislação federal de valores mobiliários. O presidente-executivo, Dara Khosrowshahi, está entre os réus. Segundo os acionistas, ao longo de quase nove anos no cargo, ele tem sido “menos ousado ao testar os limites regulatórios” do que seu antecessor, mas ainda assim teria mantido práticas de economia no cumprimento de normas. Até 1º de junho, a Uber enfrentava 3.571 processos em litígios supervisionados pelo tribunal de San Francisco, nos quais motoristas são acusados de conduta sexual imprópria. Os acionistas também afirmam que o conselho da Uber foi informado repetidamente de que menos de 40% dos usuários acreditam que a empresa leva a segurança a sério. No início deste mês, a Uber e sua rival Lyft entraram com uma ação contra a cidade de Nova York para tentar barrar uma nova lei que, segundo as empresas, dificultaria a exclusão de motoristas considerados inadequados e que colocam em risco a segurança dos passageiros. As ações da Uber acumulam queda superior a 25% desde o pico registrado em 22 de setembro.
22/06/2026 16:49:14 +00:00
Apple e Tesla tiveram dados sigilosos expostos por falha em segurança de empresa indiana, diz agência

Apple lança o iPhone Air, o mais fino da linha Nic Coury/AFP A Tata Electronics informou nesta segunda-feira que detectou um recente "incidente de segurança cibernética", após pesquisadores afirmarem que o World Leaks publicou supostos documentos de design e especificação de componentes da Apple e da Tesla, ambas clientes do grupo indiano. As informações são da agência Reuters. O grupo de ransomware publicou mais de 200 mil arquivos na dark web, disseram os pesquisadores de segurança à Reuters. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Há algumas semanas, a Tata Electronics identificou um incidente de segurança cibernética em alguns de nossos sistemas. Nossos protocolos de resposta foram implantados imediatamente, e o incidente não teve impacto em nossas operações em todos os negócios, que permanecem inalteradas", disse a Tata Electronics à Reuters em um comunicado. A Apple estava investigando a violação e uma "análise completa estava em andamento", disse uma fonte familiarizada com o assunto, acrescentando que a Tata havia recebido um pedido de resgate relacionado ao incidente. A Apple não respondeu aos pedidos de comentário. A Tata Electronics se recusou a comentar sobre o pedido de resgate. A Tata responde atualmente por cerca de um terço da produção de iPhones da Apple na Índia, com a Foxconn representando o restante. Agora no g1 A violação é o revés mais recente para a cadeia de suprimentos da Apple na Índia, onde a Tata enfrenta escrutínio sobre a suposta contaminação de terras agrícolas perto de uma de suas fábricas de peças de iPhone, informou a Reuters. A Tata está emergindo como um dos parceiros de fabricação mais importantes da Apple fora da China, uma expansão que é uma pedra angular do esforço do primeiro-ministro Narendra Modi para tornar a Índia uma potência na fabricação de eletrônicos. A Tata foi atingida por um ataque cibernético em seu grupo britânico Jaguar Land Rover no ano passado, o que resultou em uma paralisação de seis semanas na produção. A Equipe de Resposta a Emergências Computacionais da Índia, uma unidade do ministério de TI da Índia que supervisiona incidentes cibernéticos, não respondeu imediatamente aos e-mails da Reuters buscando comentários. Apple 'factorydata' O World Leaks, que anteriormente assumiu a responsabilidade por uma invasão na Nike, disse em seu site na dark net que estava publicando dados roubados da Tata Electronics. A Reuters não pôde verificar imediatamente a autenticidade dos dados e não pôde contatar imediatamente o World Leaks para comentários. O site do World Leaks diz que os dados da Tata Electronics compreendem mais de 200 mil arquivos, totalizando mais de 630 gigabytes. Um banco de dados em seu site mostra vários supostos arquivos e pastas da Apple, alguns intitulados "com.apple.factorydata", e documentos que se referem a "especificação de material". O pesquisador indiano de segurança cibernética Rajshekhar Rajaharia, que revisou os arquivos da Tata no World Leaks para a Reuters, disse que eles também contêm e-mails, registros de eventos que abrangem vários anos e cópias de passaportes de funcionários, incluindo cidadãos estrangeiros. Rajaharia já aconselhou a polícia indiana sobre incidentes cibernéticos anteriormente. O site só é acessível na dark web, ou dark net, fora do alcance dos mecanismos de busca. Um segundo pesquisador de segurança que revisou o vazamento de dados, Rakesh Krishnan, disse à Reuters que eles estavam acessíveis na dark web desde pelo menos 10 de junho. O Model Y da Tesla foi o carro mais vendido no mundo no ano passado Getty Images via BBC Documentos da Tesla, 'segredo comercial' A Tata também fabrica peças para a Tesla, dizem fontes do setor. Uma pasta no banco de dados do World Leaks estava rotulada como "NV36 Chargeport Controller - North America", uma suposta referência a peças usadas em uma versão atualizada do SUV Model Y da Tesla. Outro suposto documento da Tesla de 2023, descrito como "segredo comercial", mostrava certos desenhos para o seu projeto Highland — um codinome interno publicamente conhecido para o seu sedã Model 3 reformulado. A Tesla não respondeu aos pedidos de comentário. Rajaharia também compartilhou uma gravação de tela de sua revisão dos arquivos. Ela mostrou que uma busca por "Apple" retornou 181 arquivos e pastas, enquanto uma busca por "Tesla" retornou arquivos que incluíam o que parecia ser especificações de fabricação e um documento de montagem datado de maio de 2025. Alguns arquivos publicados pelo World Leaks continham rodapés dizendo: "Este documento contém informações proprietárias e confidenciais da Apple Inc." e "as informações aqui contidas são consideradas confidenciais, proprietárias e um segredo comercial da Tesla Inc.". A violação destaca a vulnerabilidade das empresas globais a ataques cibernéticos e de resgate cada vez mais sofisticados. Entre os arquivos estava um documento de 52 páginas com marcas proprietárias da Apple, detalhando supostamente padrões de inspeção de qualidade para componentes de placas de circuito de iPhone. Também havia 33 arquivos e pastas para o termo de busca "Hosur" — a localização da principal fábrica de montagem de iPhones da Tata, no estado de Tamil Nadu. A Tata informou alguns funcionários de suas operações de montagem de iPhone na semana passada sobre a violação de dados, disse uma segunda fonte do setor familiarizada com o assunto.
22/06/2026 15:42:37 +00:00
Milei autoriza até US$ 5 bilhões em empréstimos junto a organismos internacionais

O presidente da Argentina, Javier Milei, em 2 de abril de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian O governo da Argentina autorizou a contratação de até US$ 5 bilhões em financiamentos com instituições internacionais apoiadas por organismos multilaterais de crédito, segundo decreto publicado nesta segunda-feira (22). A medida foi assinada pelo presidente Javier Milei, pelo ministro da Economia, Luis Caputo, e pelo chefe de gabinete, Manuel Adorni. O objetivo é reduzir os custos da dívida do país por meio de empréstimos em dólar que terão garantias parciais de organismos multilaterais. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O decreto também permite que eventuais disputas relacionadas aos contratos sejam julgadas por tribunais de Nova York. Ao mesmo tempo, estabelece que determinados bens do Estado argentino não poderão ser usados como garantia dessas operações. Entre os ativos protegidos estão as reservas e contas do banco central, bens ligados à prestação de serviços públicos essenciais e receitas obtidas com impostos e royalties. O texto ainda autoriza as secretarias do Tesouro e de Finanças a definir as condições dos financiamentos, contratar as instituições envolvidas e administrar os instrumentos necessários para as operações. Milei se mantém pela desorganização da oposição e perde força com crises internas
22/06/2026 14:47:43 +00:00
Imposto de Renda 2026: Receita abre consulta ao 2º lote de restituição nesta terça-feira

Receita libera consulta a lote recorde de restituição do IR A partir das 9h desta terça-feira (23), a Receita Federal libera a consulta ao segundo lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente a junho de 2026. O pagamento será realizado no dia 30 de junho. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia. Com R$ 16 bilhões destinados a 9,58 milhões de contribuintes, este é o maior lote de restituição da história em número de beneficiados. O valor é o mesmo do primeiro lote de 2026, pago em maio. Juntos, os dois pagamentos devem contemplar cerca de 80% das restituições previstas para este ano, segundo a Receita Federal. (veja aqui como consultar) Somados, os dois primeiros lotes de restituição do Imposto de Renda de 2026 vão beneficiar 18,3 milhões de contribuintes, com pagamentos que totalizam R$ 32 bilhões. Quem recebe neste lote O pagamento será feito em 30 de junho. Do total, R$ 4,49 bilhões serão destinados a contribuintes com prioridade legal, distribuídos da seguinte forma: 155.060 restituições para idosos acima de 80 anos; 1.106.923 restituições para idosos entre 60 e 79 anos; 106.294 restituições para pessoas com deficiência física ou mental ou com moléstia grave; 507.768 restituições para contribuintes cuja principal fonte de renda é o magistério. Além disso, 7.709.752 restituições serão destinadas a contribuintes que ganharam prioridade por terem utilizado a declaração pré-preenchida e/ou optado pelo recebimento via Pix. Segundo a Receita, não haverá pagamento para contribuintes sem prioridade neste lote. Veja o calendário da restituição do IR 2026 Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos: 1º lote: 29 de maio 2º lote: 30 de junho 3º lote: 31 de julho 4º lote: 28 de agosto Como fazer a consulta? Imposto de renda Marcos Serra/g1 O contribuinte pode verificar se vai receber neste lote por meio da página da Receita na internet. Basta clicar na opção "Meu Imposto de Renda" e, em seguida, em "Consultar a Restituição". A página oferece orientações e os canais de prestação do serviço, permitindo uma consulta simplificada ou completa da situação da declaração, por meio do extrato de processamento, acessado no e-CAC. Caso identifique alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações. A Receita Federal disponibiliza, também, aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF. Em nota oficial, o Fisco afirma que "assume o compromisso de realizar pagamento de restituições apenas em conta bancária de titularidade do contribuinte". Assim, vale destacar que as rotinas de segurança da Receita impedem o pagamento caso ocorra erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta de destino. "Para não haver prejuízo ao contribuinte, a Receita oferece o serviço de reagendamento disponibilizado pelo Banco do Brasil pelo prazo de até um ano da primeira tentativa de crédito. Assim, o contribuinte poderá corrigir os dados bancários para uma conta de sua titularidade", afirma a nota. Neste caso, o cidadão poderá reagendar o crédito dos valores pelo Portal BB, ou ligando para a Central de Relacionamento BB por meio dos telefones: 4004-0001 (capitais) 0800-729-0001 (demais localidades) 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) Ao utilizar esse serviço o contribuinte deve informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração. Depois, é só aguardar a nova tentativa de crédito. Caso o contribuinte não resgate sua restituição dentro do prazo, precisará fazer um requerimento pelo Portal e-CAC. Malha fina Ao realizar a consulta, o contribuinte também poderá saber se há alguma pendência em sua declaração que impeça o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada "malha fina". Para saber a situação de sua declaração do IR, o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet. Acesso se dá mediante o uso da conta gov.br, nos níveis prata ou ouro. Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos". Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026. O Fisco informará: Se a declaração foi processada (situação regular); Se há pendências (malha fina). No caso de haver pendência, isso quer dizer que a declaração caiu na malha fina do leão, ou seja, foi retida por conta de divergências de dados com aqueles que o Fisco possui sobre o contribuinte. Nesse caso, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços). Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema. No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina. No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.
22/06/2026 14:04:14 +00:00
Como a economia dos EUA continua superando seus rivais apesar de toda turbulência do governo Trump

Como a economia dos EUA continua superando seus rivais apesar de toda turbulência do governo Trump Getty Images via BBC Em Dresden, no leste de Alemanha, um último automóvel fechou no ano passado a linha de montagem da "Fábrica Transparente" da Volkswagen, que foi uma espécie de símbolo do poderio industrial da Europa. A milhares de quilômetros de distância, em Spartanburg, no Estado americano da Carolina do Sul, outra gigante alemã, a BMW, opera sua maior fábrica em todo o mundo. O contraste entre ambas ajuda a explicar um enigma debatido há tempos pelos economistas: por que a economia americana continua superando muitos outros países, enfrentando os mesmos impactos globais? Nos últimos anos, uma sucessão de choques econômicos abalou grande parte do mundo desenvolvido. As tarifas de importação de Donald Trump afetaram o comércio global. As deportações de imigrantes em massa estão mudando o mercado de trabalho. O conflito no Oriente Médio fez disparar os preços do petróleo. Tarifaço de Trump: audiência decisiva sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona Vice de Trump fala em 'virar a página' nas relações com Irã durante conversas na Suíça Muitos economistas esperavam que os Estados Unidos fossem sofrer fortes abalos com o peso dessas pressões. Mas a economia do país continuou crescendo de forma estável. A inflação persistiu em alguns momentos, mas a combinação entre o fraco crescimento e o contínuo aumento de preços, temida por muitos, acabou não acontecendo. Joe Brusuelas, economista-chefe da consultoria britânica RSM, defende que a guerra comercial foi a prova mais forte da resiliência americana. "As metas próprias impostas pelo governo Trump aos Estados Unidos, em relação ao comércio e à imigração, provavelmente são o exemplo mais claro do dinamismo que sustenta a economia americana", destaca ele. Ao enfrentar a súbita taxação de componentes estrangeiros, as empresas americanas não se contentaram com a redução das margens e passaram a investir com mais força. "O investimento de capital, neste momento, é de 13,9% do PIB americano", segundo Brusuelas. "Deveria estar diminuindo, considerando os diversos impactos sobre a oferta e a procura absorvidos pela economia, mas não é o que está acontecendo." Por outro lado, grande parte das pressões foi compensada pelo notável aumento da produtividade. A economia americana como um todo continua se expandindo a um ritmo anual de cerca de 2%. Os mercados de energia oferecem outra explicação. A guerra no Oriente Médio aumentou os preços do petróleo, o que, historicamente, teria representado uma ameaça considerável ao crescimento americano. Mas a revolução do petróleo de xisto alterou fundamentalmente a vulnerabilidade dos Estados Unidos frente aos choques do setor energético. Ao longo das últimas duas décadas, o país se tornou um dos maiores produtores de petróleo e gás do planeta, enquanto suas empresas reduziram progressivamente sua dependência do petróleo. "O desenvolvimento do fracking (fraturamento hidráulico, técnica de mineração usada para extrair gás natural e petróleo de rochas de xisto localizadas a grandes profundidades) nos Estados Unidos, desde o início dos anos 2000, e a evolução dos combustíveis alternativos criaram condições para que a contribuição do petróleo para o PIB por unidade de energia caísse pela metade nos últimos 50 anos", explica Brusuelas. O contraste com a Europa é evidente. Enquanto os Estados Unidos se concentraram na flexibilidade, aproveitando o fracking e permitindo que os preços reajam livremente ao mercado, a Europa depende de contratos de longo prazo e redes de abastecimento interconectadas para garantir sua segurança energética. Esta estratégia deixou muitos países expostos a riscos com a interrupção do fornecimento de gás russo, após a invasão da Ucrânia. E, com as tensões atuais no Oriente Médio, a vulnerabilidade permanece. Para Rebecca Christie, pesquisadora do centro de análises Bruegel em Bruxelas, na Bélgica, esta discrepância não se observa apenas nas decisões políticas, mas nas atitudes culturais em relação ao risco. "Os americanos são muito voltados às soluções e muito mais cômodos ao assumir riscos imediatos, de olho em vantagens de longo prazo", explica ela. "Já a Europa é culturalmente mais relutante ao risco." Christie conta que participou de um evento onde o próprio responsável de serviços financeiros da União Europeia declarou que os europeus não falam o suficiente sobre o risco de não assumir riscos. As diferenças de estruturação das empresas e dos sistemas de aposentadoria nos dois lados do oceano Atlântico também refletem esta diferença de visão. Em grande parte da Europa, as empresas dependem muito dos empréstimos bancários para seu financiamento e as pensões dos trabalhadores são frequentemente relacionadas a contratos de seguro garantidos, que estabelecem limites tanto para os prejuízos quanto para os lucros. "Se você financiar a sua empresa com um empréstimo bancário, não terá a mesma flexibilidade oferecida pela venda de ações ou atraindo capital de risco", explica Christie. Nos Estados Unidos, as empresas podem recorrer a investidores e ao mercado de ações para obter financiamento. Esta flexibilidade, mesmo com seus altos e baixos, oferece às companhias americanas uma vantagem sobre os modelos europeus, respaldados pelo Estado. Mas Christie destaca com cautela que a resiliência em nível macro pode ocultar um problema real. "Os Estados Unidos são uma terra com enorme desigualdade", afirma ela. "Se você estiver em dificuldades, irá realmente enfrentar tempos conturbados, pois o mercado de trabalho não está aumentando muito, tudo está ficando mais caro e muitas cidades sofrem crises de moradia." Sua maior preocupação é que a desigualdade chegue a um momento crítico. "Ter o dólar e os bancos bastante estáveis não irá ajudar se, na economia real, houver uma crise de empregos", explica a pesquisadora. Os EUA não são imunes a pressões Até o momento, não há grandes evidências de que isso possa acontecer. Na verdade, os empregadores americanos criaram 172 mil postos de trabalho em maio, contra todas as expectativas. Mas os novos dados da inflação mostram o maior aumento dos preços ao consumidor dos últimos três anos. A inflação anual ficou em 4,2% em maio, contra 3,8% em abril. Estes índices indicam que os Estados Unidos podem estar se aproximando do limite da sua resiliência. A economia americana pode estar superando grande parte dos seus rivais, mas isso não significa que ela seja imune a pressões. Os altos preços dos combustíveis, a inflação persistente e a desigualdade cada vez maior trazem riscos que poderão reduzir a atual vantagem do país. Ainda assim, em comparação com muitos outros países desenvolvidos, a economia dos Estados Unidos se mantém robusta. Sua combinação de mercados flexíveis, investimentos rápidos, energia em abundância e tolerância ao risco ajudaram a nação a superar os impactos que atingiram outros países. "É a camisa mais limpa em um cesto de roupas muito sujo", conclui Joe Brusuelas.
22/06/2026 12:21:43 +00:00
Dólar cai a R$ 5,14, com foco no exterior e expectativa por ata do Copom; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (22), com recuo de 0,46%, cotado a R$ 5,1413. Na mínima do dia, a moeda chegou a R$ 5,1234. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão em alta de 1,31%, aos 170.365 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ As negociações entre os Estados Unidos e o Irã continuam a mexer com os mercados. As tensões voltaram a aumentar no final de semana, após Teerã alegar que Israel violou o memorando de entendimento assinado entre os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian ao continuar os ataques ao Líbano. O líder americano também voltou a ameaçar novos bombardeios ao Irã. Apesar das tensões, representantes dos EUA e do Irã avançaram nas negociações realizadas na Suíça, o que ajudou a conter os preços do petróleo. No fechamento, o barril do Brent, referência internacional, recuou 3,31%, a US$ 77,90. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA caiu 2,31%, para US$ 74,82. ▶️Também fica no radar a renúncia do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. O premiê vinha sendo pressionado dentro do próprio partido, após derrotas expressivas nas eleições locais de maio. Ele deve permanecer no cargo até a escolha de um novo líder. ▶️Ainda no exterior, as eleições da Colômbia também seguem na mira dos investidores. O candidato de direita, Abelardo de la Espriella, venceu o segundo turno presidencial realizado ontem, com 49,7% dos votos. Ele propõe uma reforma fiscal no país e defende acordos com os EUA para combater o crime organizado. ▶️Na agenda de indicadores desta semana, destaque para novos dados de inflação no Brasil e nos EUA. Índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês), que servem como um termômetro da economia, também devem ser divulgados em diferentes países. A ata da última reunião de juros do Banco Central (BC) e dados de emprego brasileiros também ficam no foco. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,46%; Acumulado do mês: +1,96%; Acumulado do ano: -6,33%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +1,21%; Acumulado do mês: --1,97%; Acumulado do ano: +5,73%. Negociações entre EUA e Irã avançam As violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah e de Israel voltaram a aumentar as tensões no Oriente Médio ao longo do final de semana. A interrupção dos ataques era um dos pontos de acordo do memorando de entendimento assinado pelos EUA e pelo Irã na última semana, e os novos ataques trouxeram preocupações sobre o acordo. Acompanhe todos os desdobramentos. Em meio à ofensiva, o Irã chegou a declarar o fechamento do Estreito de Ormuz novamente. Pouco tempo depois, no entanto, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, chegou à Suíça para a primeira rodada de negociações com os representantes iranianos. Segundo um diplomata americano afirmou à Axios, as conversas com o Irã se concentraram em mecanismos para evitar uma escalada das tensões no Líbano e garantir o cumprimento do cessar-fogo. Além disso, houve avanços positivos nos esforços para assegurar que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação. Nesta segunda-feira (22), o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que a primeira reunião entre Irã e EUA foi "concluída com sucesso" na Suíça: "As discussões resultaram em acordo para o estabelecimento de um comitê de alto nível para supervisão política e início de novas negociações técnicas". "Fizemos muitos progressos positivos e estabelecemos uma base muito sólida para um acordo final bem-sucedido. As conversas técnicas continuarão nos próximos dias", afirmou JD Vance. Os estragos da guerra A guerra no Oriente Médio provocou impactos significativos na economia global. A interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz elevou o preço da commodity, pressionou os custos dos combustíveis e aumentou as preocupações com a inflação em diversos países. Como consequência, consumidores enfrentaram preços mais altos, enquanto os mercados financeiros registraram perdas e o dólar ganhou força diante da maior aversão ao risco. Com o fim do conflito, economistas agora acompanham quando a atividade econômica e os mercados começarão a dar sinais de normalização. O g1 reuniu os principais efeitos da guerra e as perspectivas para a recuperação. Veja na reportagem abaixo: Mercados globais Nos EUA, os três principais índices de Wall Street terminaram sem direção única nesta segunda-feira, em meio ao otimismo dos investidores em relação às negociações no Oriente Médio. No fechamento, o Dow Jones avançou 0,29%, aos 51.727,06 pontos. Já o S&P 500 recuou 0,34%, para 7.475,17 pontos, enquanto o Nasdaq Composite caiu 1,28%, aos 26.178,26 pontos. Na Europa, as principais bolsas de valores fecharam em alta nesta segunda-feira (22), conforme investidores avaliavam as negociações no Oriente Médio e seguiam atentos à renúncia de Keir Starmer como premiê do Reino Unido. O pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,6%. Já entre os principais índices, o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,72%, enquanto o DAX, da Alemanha, teve avanço de 0,62% e o Ibex 35, da Espanha, ganhou 1,01%. O CAC-40, da França, foi na contramão e fechou em queda de 0,25%. Na Ásia os mercados fecharam mistos, com foco nos sinais de negociação entre EUA e Irã e após o Banco do Povo da China (PBoC) ter mantido as taxas de juros inalteradas pelo 13º mês seguido, em linha com o esperado pelos mercados. O CSI 300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, subiu 2,4% na sessão e atingiu o nível mais alto desde dezembro de 2021. Já o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 1,8%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 0,7%, enquanto o Nikkei, do Japão, avançou 1,6%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Karolina Grabowska/Pexels
22/06/2026 12:00:29 +00:00
UE diz que oferece proposta mais vantajosa ao Brasil na disputa por minerais críticos

Minerais críticos: projeto aprovado na Câmara quer garantir que o Brasil não seja apenas exportador de matéria-prima Jornal Nacional/ Reprodução Enquanto trabalha para diversificar suas fontes de suprimento de minerais críticos, a União Europeia aposta no Brasil como parceiro estratégico e afirma ter uma proposta mais "benéfica" do que a de outros atores na disputa por matérias-primas brasileiras, disse o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, à Reuters. O comissário visitou no sábado o centro de pesquisa e processamento de terras raras da mineradora australiana Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG), um dos quatro projetos prioritários selecionados para acelerar a colaboração entre a UE e o Brasil.  🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Síkela avalia que a abordagem europeia é um trunfo por priorizar a sustentabilidade do negócio e o incentivo ao processamento local de terras raras. Isso casa com uma diretriz do governo brasileiro, de produzir e exportar minerais processados, que agreguem tecnologias e valores à cadeia produtiva de um setor nascente no Brasil, que conta com a segunda maior reserva global de tais minerais críticos. "É extremamente importante que o Brasil também avance além de negócios de baixa margem, ou seja, que o valor seja criado aqui no país", disse o comissário, em entrevista durante a visita à unidade da Viridis, destacando que o Brasil é hoje o parceiro mais estratégico da UE na América Latina e uma economia em expansão. "Podemos cobrir, com base em acordos de compra, as nossas necessidades, e o Brasil terá sua própria capacidade de refino, novas tecnologias e, basicamente, avançará na cadeia de suprimentos para uma geração de margens mais altas."  Brasil vive oportunidade estratégica com minerais críticos, afirma embaixador O projeto piloto mineiro da Viridis, inaugurado em maio, tem capacidade para processar 100 kg de minério por hora e produzir por ano até 2,92 kg de carbonato misto de terras raras (MREC, na sigla em inglês), um pó esbranquiçado que contém uma mistura dos elementos de terras raras ainda não separados. A Viridis agora planeja investir US$360 milhões para construir sua planta comercial com capacidade para produzir 15 mil toneladas de MREC por ano a partir de 2028. O projeto Colossus da Viridis, em Minas Gerais, compreende um total de 228,62 km² de licenças. "E é por isso que gosto tanto deste projeto (da Viridis) em particular, porque ele basicamente entrega objetivos: ele cria empregos, cria novas parcerias, traz novas tecnologias, educação e transferência de conhecimento, tudo com base nos padrões ambientais, sociais e técnicos mais avançados", afirmou Síkela. Acordo à vista Ele também destacou a carta de intenções não vinculante assinada neste mês entre a Viridis e a química belga Solvay, que prevê fornecimento de MREC e pode evoluir para uma parceria mais ampla, incluindo apoio tecnológico no processamento. O presidente-executivo da Viridis, Rafael Moreno, afirmou à Reuters que discussões com a União Europeia sobre apoio ao projeto estão avançadas, e que um acordo com a Solvay pode ser fechado até o fim de julho. Segundo ele, a UE poderá ajudar com financiamento e mecanismos de proteção de preços para reduzir riscos e garantir competitividade. "Um preço mínimo é importante, então concluir todos esses detalhes será importante para nós, e isso não está longe de acontecer", disse Moreno, sem falar em prazos. Síkela afirmou que o seu papel é oferecer apoio político e instrumentos de mitigação de riscos, sem substituir o capital privado. "Não estamos vindo para substituir o financiamento privado nem como provedores de capital próprio, mas nosso papel é ajudar a mobilizar investimentos privados", afirmou, sem dar detalhes. O avanço da Viridis no Brasil ocorre em meio a uma corrida global por terras raras e minerais críticos, enquanto governos na Europa e nos Estados Unidos tentam reduzir sua dependência da China -- maior produtor -- para esses materiais, que são vitais para carros elétricos e sistemas de defesa. Diversificação no Ocidente Questionado sobre o cenário, Síkela afirmou que não se trata apenas da China e explicou que a estratégia europeia busca reduzir "dependências" na cadeia de suprimentos globais, após choques como a pandemia e a guerra na Ucrânia. Além das terras raras, Síkela disse sem dar nomes que a UE vê como prioritários no Brasil projetos envolvendo outros minerais críticos, como níquel e lítio, e indicou que há planos para avançar em um memorando de entendimento entre o bloco e o governo brasileiro, embora os detalhes ainda estejam em negociação. Questionado se pode estar chegando atrasado na disputa por ativos no Brasil, após Estados Unidos e China terem feito avanços importantes, o comissário disse que "nossa proposta de valor é mais benéfica do que a dos outros. Primeiro, é mais sustentável... A segunda coisa é criação de empregos e educação", afirmou. "Não devemos esquecer que o Brasil é um ator ambiental global, com a floresta tropical, com a Amazônia, com os recursos. Então, o que quer que o Brasil faça, se fizer certo, terá impacto global. E, se fizer errado, terá um impacto negativo. Portanto, o que queremos fazer é ajudar com padrões ambientais, sociais e de governança, porque isso importa para nós", afirmou. O presidente-executivo da Viridis, por sua vez, disse que a companhia está em linha com as orientações europeias, de pensar um mercado diversificado para a cadeia produtiva de terras raras. "Estamos adotando uma abordagem em que queremos que todos tenham direitos, seja na Argentina, no Paraguai, na Europa ou na Austrália... portanto, estamos satisfeitos em manter uma mentalidade europeia ou ocidental -- ou, mais importante ainda, uma mentalidade ocidental", disse Moreno. Ao final do mês passado, o executivo disse à Reuters que a Viridis estava em negociações avançadas com potenciais compradores de minerais críticos na Europa e nos EUA, acrescentando que a empresa não buscava compradores chineses.
22/06/2026 11:41:40 +00:00
Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e projeta só mais um corte de juros, a 14% em agosto

O mercado financeiro elevou novamente sua estimativa média para a inflação em 2026, que avançou para 5,33%. Esta é a décima quinta semana seguida de aumento. Os economistas também passaram a projetar somente mais um corte de juros em 2026, para 14% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto (veja mais abaixo nessa reportagem). As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). Agora no g1 Com o acordo de paz anunciado entre os Estados Unidos e o Irã, o petróleo já mostrou queda neste início de semana, operando ao redor de US$ 78 por barril. ➡️ Para 2026, a estimativa de inflação subiu de 5,30% para 5,33%; ➡️ Para 2027, a expectativa avançou de 4,10% para 4,15%; ➡️ Para 2028, a previsão subiu de 3,68% para 3,70%; ➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Inflação de alimentos tem sido tema incômodo para o governo Lula, cujos indicadores de popularidade estão piorando Getty Images via BBC Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continua projetando queda dos juros. Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano — após três cortes neste ano. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026, porém, subiu de 13,75% para 14% ao ano na última semana, embutindo uma última redução da taxa neste ano, em agosto. Antes da guerra entre EUA e Irã, os economistas do mercado acreditavam que a taxa de juros terminaria este ano em 12,5% ao ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou 10,25% ao ano. Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado subiu de 1,96% para 1,98%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB permaneceu em 1,70%. Taxa de câmbio O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos subiu de R$ 5,25 para R$ 5,27 por dólar.
22/06/2026 11:28:54 +00:00
Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, morre aos 100 anos

Alan Greenspan, ex-presidente do FED, morre aos 100 anos Alan Greenspan, economista que comandou o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) por cinco mandatos consecutivos e conduziu a política monetária do país sob quatro presidentes, morreu aos 100 anos. A informação foi divulgada pela NBC News nesta segunda-feira (22). Segundo sua esposa, a jornalista Andrea Mitchell, Greenspan morreu em casa em decorrência de complicações da doença de Parkinson. Os dois eram casados havia 29 anos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 “Alan faleceu em nossa casa esta manhã, aos 100 anos de idade, devido a complicações da doença de Parkinson”, afirmou Mitchell em comunicado. “Ele era um gigante que ajudou a moldar a economia dos EUA por décadas, sob presidentes de ambos os partidos, mas sempre foi honesto ao reconhecer seus erros”, disse ela. “Para mim, ele era meu marido, que moldou minha vida desde o nosso primeiro encontro em 1984. Ele tinha uma paixão desmedida por beisebol, pelo Washington Commanders, tênis, golfe e música, especialmente jazz”, acrescentou Mitchell. “Ele será lembrado por sua inteligência e sua bondade. Ser sua companheira de vida foi a maior alegria da minha vida.” Formação e início da carreira O ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, discursa durante a reunião anual da SIFMA em Nova York, em 23 de outubro de 2012 REUTERS/Lucas Jackson Nascido em 6 de março de 1926, no bairro de Washington Heights, em Nova York, Alan Greenspan construiu uma das trajetórias mais influentes da história da política monetária dos EUA, tornando-se uma das principais referências da economia americana no século XX e início do XXI. Formado em economia pela Universidade de Nova York, onde concluiu graduação e mestrado, iniciou a carreira no setor privado como consultor, ganhando espaço no mercado financeiro ainda jovem. Na década de 1950, aproximou-se do debate intelectual ao se conectar com a escritora Ayn Rand, cuja defesa do livre mercado e do individualismo influenciou parte de sua visão econômica. 🔍 Livre mercado é a ideia de que a economia funciona melhor quando empresas e pessoas podem comprar, vender e competir com pouca interferência do governo. Em teoria, os preços e a produção são definidos pela oferta e pela demanda. A lógica é que essa “competição livre” ajuda a economia a se organizar de forma mais eficiente. Em 1968, já consolidado como consultor, participou da campanha presidencial de Richard Nixon e, posteriormente, integrou o governo de Gerald Ford como chefe do Conselho de Assessores Econômicos, contribuindo para políticas econômicas em um período marcado por inflação alta. Comando do Federal Reserve Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve (à esquerda), faz declaração em 10 de julho de 1991 após o presidente George H. W. Bush (à direita) anunciar sua indicação para um segundo mandato no cargo. Reuters Depois de voltar ao setor privado no fim dos anos 1970, Alan Greenspan foi escolhido em 1987 pelo presidente Ronald Reagan para comandar o banco central dos EUA. À frente da política econômica do país, ele ficou conhecido por evitar aumentos fortes de juros mesmo quando havia o temor de novos aumentos nos preços. Essa postura ajudou a sustentar um longo período de crescimento da economia americana e fez com que ele ganhasse destaque público. Logo no início do mandato, Greenspan enfrentou a queda histórica da Bolsa em 1987 (conhecida como 'segunda-feira negra') e agiu rapidamente para evitar a propagação da crise, o que fortaleceu sua reputação. Nos anos seguintes, ele também apostou na ideia de que o aumento da produtividade da economia — principalmente a partir dos anos 1990 — ajudaria a segurar a inflação, o que influenciou muitas decisões do banco central. Greenspan ficou quase 19 anos no comando do Fed, passando por cinco mandatos e quatro presidentes dos Estados Unidos: Ronald Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush. Isso fez dele um dos chefes mais duradouros da história da instituição. Durante esse período, ele lidou com vários momentos importantes da economia, como o crescimento forte dos anos 1990, a expansão da internet e da globalização, o estouro da bolha das empresas de tecnologia no início dos anos 2000 e os impactos dos ataques de 11 de setembro. Sua gestão ficou associada a um período de crescimento e estabilidade, mas também a uma maior confiança de que o mercado poderia se regular sozinho, com menos intervenção do governo. Depois, essa visão passou a ser bastante questionada após a crise financeira de 2007-2008. Estudos e investigações apontaram que a defesa de menos regras para o sistema financeiro e a tolerância a investimentos mais arriscados podem ter contribuído para a crise imobiliária que levou ao colapso do sistema financeiro dos EUA. Mesmo assim, ele continuou sendo visto como uma figura muito influente na economia. Depois de sair do Fed em 2006, ele passou a trabalhar como consultor e escritor, seguindo ativo em debates sobre economia por muitos anos. Defesa pela independência do banco central Mais recentemente, em meio a debates sobre a independência do Federal Reserve e a pressões políticas sobre o banco central dos EUA, Greenspan foi um dos ex-presidentes da instituição que assinaram uma carta em defesa da autonomia do órgão. O documento pedia que a Justiça mantivesse a diretora Lisa Cook no cargo enquanto a legalidade de uma eventual destituição era analisada, alertando para riscos à credibilidade do Fed e à estabilidade econômica. Entre os signatários estavam também ex-dirigentes como Janet Yellen e Ben Bernanke, além de ex-secretários do Tesouro como Henry Paulson, Timothy Geithner e Lawrence Summers. No texto, os economistas afirmaram que preservar a independência do banco central é essencial para evitar danos à economia americana. O episódio ocorreu em meio a discussões recorrentes sobre a autonomia do Fed e reforçou o arcabouço institucional criado desde a fundação do banco central, em 1913, para reduzir interferências políticas em sua atuação. Jerome Powell, que comandou o Federal Reserve e concluiu seu mandato à frente da instituição, também contou com apoio público de Greenspan em diferentes ocasiões. Em um outro episódio recente, o Departamento de Justiça investigou os custos das reformas na sede do Fed durante a gestão de Powell, investigação que foi encerrada em abril. Nesse contexto, os três últimos ex-presidentes do Federal Reserve — Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan — classificaram as pressões sobre Powell como algo sem precedentes. Eles também compararam esse tipo de interferência a práticas observadas em economias emergentes, onde a independência dos bancos centrais tende a ser mais vulnerável. *Com informações da agência Reuters
22/06/2026 11:17:37 +00:00
Tarifaço de Trump: audiência decisiva para futuro das taxas sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona

Investigação dos Estados Unidos propõe nova tarifa ao Brasil Terminam nesta segunda-feira (22) as inscrições para as audiências públicas do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). As discussões podem ser decisivas para os próximos capítulos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, após a proposta do governo Trump de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. 🔎 O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas. Marcada para 6 de julho, a audiência integra o processo previsto na legislação comercial americana e permitirá que empresas, associações, governos e outros interessados apresentem argumentos antes da decisão final da administração do presidente Donald Trump. Como funcionam as audiências Antes da eventual adoção de sanções ou outras medidas corretivas, os EUA definiram um cronograma de consultas públicas para receber manifestações dos envolvidos. Veja as principais datas: Até 22 de junho: prazo para solicitar participação na audiência pública; Até 1º de julho: envio de comentários e manifestações por escrito; 6 de julho: realização da audiência pública; 15 de julho: prazo para a decisão final e eventual aplicação das medidas. Segundo o professor de Relações Internacionais da Unicid, Sidney Leite, as audiências funcionam como uma consulta pública para que os setores afetados exponham suas posições. "Os participantes previamente inscritos apresentam seus argumentos oralmente e, após as exposições, representantes do governo americano podem fazer perguntas. Todas as manifestações ficam registradas oficialmente e passam a integrar o processo administrativo", afirmou. Podem participar: Empresas exportadoras e importadoras; Associações empresariais e industriais; Sindicatos; Universidades e centros de pesquisa; Organizações da sociedade civil; Representantes de governos estrangeiros. "Tanto empresas americanas quanto governos estrangeiros podem apresentar argumentos favoráveis ou contrários às medidas propostas", disse. Embora não determinem sozinhas o resultado da investigação, as consultas públicas costumam influenciar aspectos importantes da decisão final, como o alcance das tarifas, os produtos afetados, os prazos de implementação e possíveis exceções. "O USTR não é obrigado a seguir as recomendações apresentadas durante as consultas públicas. Entretanto, os depoimentos e estudos apresentados costumam influenciar o valor das tarifas, os produtos atingidos, o cronograma de implementação e eventuais exceções", explicou Leite. O especialista destaca que argumentos relacionados a impactos negativos para a própria economia americana costumam receber atenção especial durante o processo. O que acontece depois da audiência O Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, conversa com repórteres na Casa Branca, em Washington, DC REUTERS/Evan Vucci Após a consulta pública, o governo americano ainda poderá receber documentos complementares, analisar dados econômicos e jurídicos e realizar negociações com os países envolvidos. O processo costuma seguir quatro etapas: Recebimento de comentários adicionais; Análise técnica dos dados apresentados; Consultas diplomáticas entre os governos; Publicação da decisão final, com definição de tarifas, produtos afetados, exceções e data de entrada em vigor. "As negociações políticas e diplomáticas são fundamentais e normalmente acontecem em paralelo à dimensão jurídica", afirmou Leite. Segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior, apesar de existir um rito formal para esse tipo de investigação, o desfecho ainda é cercado por incertezas. Isso porque a Seção 301 dá ao governo americano ampla liberdade para decidir se aplicará as medidas e de que forma elas serão implementadas. "A regra permite que o representante comercial dos EUA adote tarifas ou outras restrições, mas também prevê que a ação pode seguir orientação específica do presidente", afirma o especialista. "Isso significa que a audiência ajuda a construir o processo e pode influenciar alíquotas, exceções e cronograma, mas não elimina o peso da decisão política da Casa Branca." Como o g1 mostrou anteriormente, Donald Trump tem usado com frequência a ameaça de impor tarifas como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas para ampliar o poder de barganha dos EUA. Em diversos casos, incluindo o do Brasil, o governo americano anunciou as tarifas ao mesmo tempo em que divulgou uma lista de exceções e abriu um período para negociações. A estratégia tem sido estabelecer prazos para um acordo e buscar concessões que ampliem o acesso da indústria americana a mercados estrangeiros e fortaleçam a posição dos EUA nas tratativas. A estratégia do Brasil O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO O governo brasileiro tem apostado em uma estratégia que combina contestação técnica e negociação diplomática para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA. Em nota ao g1, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que, desde a abertura da investigação, em julho de 2025, o Brasil “tem atuado de forma consistente em defesa dos interesses nacionais” e já apresentou duas manifestações formais ao USTR, nas quais buscou demonstrar que “as políticas e práticas brasileiras objeto da investigação são legítimas, não discriminatórias e não oneram o comércio dos Estados Unidos”. Segundo o Itamaraty, o governo também realizou consultas presenciais com autoridades americanas em Washington, em abril deste ano, e mantém o diálogo em andamento. A pasta informou ainda que estuda apresentar uma nova manifestação escrita durante o atual período de consultas públicas, que segue aberto até 1º de julho. Sobre a audiência pública convocada pelo USTR para 6 de julho, o ministério afirmou que ela representa “um espaço para que empresas, associações e demais partes interessadas, brasileiras e norte-americanas, apresentem ao governo dos Estados Unidos os impactos concretos da medida proposta”. Por esse motivo, acrescentou, o governo optou por concentrar sua atuação “nos canais próprios entre governos”, mantendo coordenação com o setor privado para apoiar sua participação no processo. Paralelamente, o governo busca manter abertas as negociações com Washington. As conversas ocorrem no âmbito de um grupo bilateral criado após encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio. Segundo interlocutores dos dois lados, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, sinalizou disposição para dar continuidade às negociações, enquanto o chanceler Mauro Vieira defendeu a intensificação das conversas após a divulgação dos relatórios finais do USTR. Nos bastidores, a avaliação do governo é que ainda existe espaço para reverter parte das medidas propostas. A estratégia tem sido negociar separadamente as investigações conduzidas pelos EUA, na tentativa de reduzir ou eliminar ao menos uma das sobretaxas anunciadas. Ao mesmo tempo, autoridades brasileiras têm criticado o conteúdo dos relatórios. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou a proposta americana como “injusta” e “descabida”. Apesar do tom mais duro adotado publicamente, integrantes do governo afirmam que a prioridade continua sendo a busca por uma solução negociada antes da conclusão do processo de consultas públicas nos EUA. Havia expectativa de um encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião do G7, realizada na última quarta-feira (17). No entanto, os dois apenas conversaram brevemente e não trataram do tema. As negociações permaneceram no âmbito ministerial. Entenda o caso No início de junho, o USTR concluiu uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" ao comércio americano. (veja mais detalhes sobre a investigação aqui) Como consequência, propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. 🔎O relatório cita temas como o funcionamento do Pix, a regulação de plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual e políticas anticorrupção. Paralelamente, outra investigação conduzida pelos EUA concluiu que dezenas de países, incluindo o Brasil, não estariam fiscalizando adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Nesse caso, o governo americano propôs uma sobretaxa adicional de 12,5%. A proposta tem como base a Seção 301, o mesmo instrumento legal utilizado para embasar a sugestão de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Antes de entrar em vigor, porém, a medida também passará por consulta pública. O governo americano receberá contribuições por escrito até 6 de julho de 2026 e realizará uma audiência pública em 7 de julho para discutir a proposta. Na avaliação de órgãos do governo brasileiro, as duas medidas podem ser cumulativas, elevando a taxação total para até 37,5% sobre parte dos produtos exportados aos EUA. A proposta ainda não entrou em vigor. Antes de qualquer medida ser implementada, o governo americano precisa concluir o processo de consultas públicas. Caso sejam confirmadas, as tarifas poderão atingir parte das exportações brasileiras aos EUA, embora o governo americano já tenha sinalizado uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos, incluindo café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos. 👉 Veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25%
22/06/2026 08:03:22 +00:00
O economista que acreditava que trabalharíamos apenas 15h por semana — e por que sua previsão não deu certo

Agora no g1 Jornadas de trabalho de apenas três horas por dia, ou 15 horas semanais. Sociedades oito vezes melhores, economicamente, do que há 100 anos. Não são delírios infundados, mas sim a crença futurológica de um dos maiores economistas da história, o britânico John Maynard Keynes (1883-1945). Em 1930 ele publicou o ensaio Possibilidades Econômicas para Nossos Netos, um texto em que procura desconstruir o pessimismo econômico de sua época— para ele, um exagero, uma "interpretação grosseiramente errônea" da realidade. Diretora-adjunta do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a economista Patrícia Pelatieri ressalta que se trata de um dos textos clássicos de Keynes. "O ensaio foi apresentado em uma conferência em 1928, foi ampliado em uma palestra apresentada em Madri, em junho de 1930, e publicado em formato literário em outubro do mesmo ano, em pleno contexto da Grande Depressão", contextualiza ela, recordando da grande crise que abalou a econômica mundial no final daquela década de 1920. Ensaio Possibilidades Econômicas para Nossos Netos, de Keynes, falava em jornadas de 3 horas por dia Getty Images Para o economista John Keynes, professor na Universidade de Cambridge, a crise e o desemprego das primeiras décadas do século 20 não indicavam um declínio permanente das sociedade capitalista, mas sim uma fase de transição precipitada pela rapidez das transformações tecnológicas e econômicas. Keynes aponta que, durante milênios, o padrão de vida da humanidade havia mudado muito pouco — e a combinação entre acumulação de capital, juros compostos e avanços científicos acabou desencadeando um crescimento sem precedentes desde a Revolução Industrial — ocorrida na Inglaterra a partir da segunda metade do século 18. Com base nessa tendência histórica, Keynes prevê que, em cerca de cem anos, os países mais desenvolvidos alcançariam um nível de riqueza muito superior ao de sua época. O progresso tecnológico permitiria produzir muito mais com muito menos trabalho humano, embora isso criasse temporariamente o chamado "desemprego tecnológico". No longo prazo, porém, ele acreditava que a humanidade resolveria seu principal problema histórico: a escassez econômica. As necessidades materiais básicas seriam amplamente satisfeitas, reduzindo a centralidade da luta pela sobrevivência. A parte mais original do ensaio é a reflexão sobre as consequências humanas dessa abundância. Keynes reflete sobre uma consequência imediata dessa transformação. Quando o trabalho deixar de ser uma necessidade vital, as pessoas enfrentarão um novo desafio: encontrar propósito para suas vidas e usar bem o tempo livre. Ele imagina jornadas de trabalho muito curtas, talvez de apenas quinze horas semanais, e uma sociedade menos obcecada pela acumulação de riqueza. Quase uma utopia. Nesse cenário, valores como cultura, prazer, convivência e desenvolvimento pessoal ganhariam mais importância do que o dinheiro, permitindo que os seres humanos se dedicassem à "arte de viver" em vez de apenas trabalhar para sobreviver. John Maynard Keynes é considerado um dos maiores economistas da história Domínio Público Professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o sociólogo Paulo Niccoli Ramirez explica que a visão keyneseana confrontava o "dogma da economia clássica, de que quanto mais trabalho, mais riqueza". Isso porque ele percebeu o peso que a tecnologia tinha nessa equação. "Para ele, na contramão do aumento da produtividade seria possível reduzir a jornada de trabalho e dar mais qualidade de vida ao trabalhador", comenta Ramirez. O lazer não seria simplesmente a folga — também significava incremento do consumo, já que o trabalhador ganhava o "tempo do consumo", fazendo também a "economia girar", explica o sociólogo. "Os aguerridos fazedores de dinheiro podem levar-nos todos nós junto a eles no colo da abundância econômica", pontua Keynes. "Mas serão aquelas pessoas — que podem manter viva e cultivar em uma perfeição mais completa a arte da vida em si e não vender-se para os meios de vida — que poderão desfrutar a abundância quando ela vier." "Keynes apresenta uma visão bastante otimista sobre o futuro", define Pelatieri. "Para ele, a combinação entre a acumulação do capital e do progresso técnico no capitalismo permitiria um crescimento contínuo da capacidade produtiva. Os investimentos, sobretudo, no estrangeiro, mas não só, impulsionados pelos juros compostos, e os avanços científicos e tecnológicos decorrentes da Revolução Industrial haviam elevado significativamente o padrão de vida médio na Europa e nos Estados Unidos mesmo diante do crescimento da população." Para Keynes, explica a economista, "essas forças permitiriam produzir cada vez mais bens e serviços com menos trabalho humano". "No curto prazo, isso poderia gerar, o que ele destaca como desemprego tecnológico, ou seja, resultado de descobertas que economizam trabalho em ritmo superior à criação de novas ocupações. No longo prazo, porém, a sociedade poderia manter ou até ampliar seu padrão de vida trabalhando muito menos horas", explica Pelatieri. "A aposta de Keynes era que, uma vez resolvido o problema econômico fundamental, que é a luta pela subsistência, a humanidade teria de enfrentar a velha questão: como utilizar o tempo livre conquistado pelo avanço da produtividade. Considerando que ao longo de tantos séculos, fomos treinados a lutar e não a gozar, Keynes descreve este ponto como um problema permanente da raça humana, como vamos lidar com o tempo livre. Ou seja, quanto maior a nossa capacidade produtiva se multiplicasse, precisaríamos de apenas uma fração do tempo de trabalho anterior para garantir o mesmo nível de subsistência, como comida, moradia e roupas", detalha Pelatieri. "O resto do tempo seria convertido em lazer." Foi nesse contexto que ele estimou as tais 15h semanais. Para o economista britânico, isso seria o suficiente para manter a sociedade em funcionamento e, ao mesmo tempo, garantir trabalho a todos. O jurista Brasilino Santos Ramos, desembargador do trabalho aposentado e ex-integrante Conselho Superior da Justiça do Trabalho, ressalta que na época da proposição keynesiana, no panorama trabalhista predominavam jornadas extenuantes, que facilmente chegavam — e até superavam — as 10h por dia. "Foi nesse cenário que Keynes formulou uma das previsões mais conhecidas da história da economia. Defensor da economia de mercado e da propriedade privada, ele acreditava que o capitalismo poderia ser preservado e aperfeiçoado por meio da atuação do Estado na correção de crises, na promoção do emprego e na redução das instabilidades econômicas", diz o especialista em legislações do trabalho. A escola Keynes "Antes de examinar as ideias de John Maynard Keynes sobre tecnologia, produtividade e redução da jornada de trabalho, é importante compreender sua trajetória intelectual e social", comenta Ramos. "Oriundo da alta classe média intelectual britânica e formado nos mais prestigiados centros acadêmicos de sua época, Keynes dedicou-se a estudar os efeitos das crises econômicas, do desemprego e da desigualdade. Defensor da economia de mercado, mas também da intervenção estatal para corrigir suas falhas, tornou-se um dos economistas mais influentes do século 20 e formulou reflexões que permanecem atuais diante dos desafios impostos pela automação e pela inteligência artificial." Membro do Partido Liberal, Keynes foi um dos principais pensadores a teorizar a respeito da macroeconomia. Suas ideias também mudaram a maneira como as políticas econômicas passaram a ser instituídas pelos governos em boa parte do mundo — o que faz com que ele seja comumente listado entre as pessoas mais influentes do século 20. A principal inovação de seu pensamento econômico está em refutar a ideia econômica neoclássica de que o livre-mercado ofereceria automaticamente empregos aos trabalhadores desde que estes demonstrassem flexibilidade quanto aos salários. Para ele, o Estado precisa ser intervencionista, com medidas fiscais e monetárias que busquem evitar ou atenuar efeitos de recessão, depressão e booms econômicos. No cerne da escola keynesiana, este modelo de pensamento criado por ele, o Estado é visto como agente de controle econômico — em busca do pleno emprego. Em sua concepção, o problema do livre-mercado é que o "espírito animal" dos empresários precisa ser domado, regulado. O antigo Partido Liberal britânico ao qual Keynes era filiado defendia o liberalismo social, com ênfase na construção de um estado de bem-estar social. Por que deu errado? Mas se é nítido que o mundo experimentou avanços econômicos notáveis, principalmente com aparatos tecnológicos que vão da robotização das indústrias à consolidação da inteligência artificial, por que as jornadas de 3h diárias previstas por Keynes não estão nem sequer no horizonte? O cientista político Christian Lohbauer, integrante de grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) comenta que Keynes acertou "no aumento da produtividade" com a intensificação das tecnologias. A questão, segundo ele, é que ele não previu como o consumo também aumentou exponencialmente. "As pessoas querem ter mais lazer e continuam consumindo", explica. "Querem mais acesso a bens e serviços. Para isso, precisam de mais horas de trabalho." "A conta não fechou por isso", sintetiza Lohbauer. Para a fórmula keyneseana dar certo, Lohbauer argumenta que seria preciso que as pessoas quisessem "ter uma casa menor", "usar menos o carro", "comer menos fora", "fazer menos viagens por ano". E não é o que acontece — tanto entre os que efetivamente podem fazer isso quanto para a imensa maioria que apenas têm esses privilégios como objeto de desejo. Crescimento da produtividade veio acompanhado de um aumento no consumo Getty Images Pelatieri lembra que o próprio pensador britânico dividia entre dois tipos as necessidades humanas. De um lado estavam as básicas, necessárias à sobrevivência. De outro, as relativas, aquelas atreladas ao desejo de status e de reconhecimento social. Na perspectiva keynesiana, as do primeiro grupo seriam rapidamente supridas. "O que ele não contava foi a capacidade do capitalismo de criar necessidades, ou seja, as necessidades básicas foram alteradas ao longo do tempo, como a necessidade de celulares, internet, serviços digitais entre outros, passaram a ser percebidos como essenciais para a vida cotidiana", comenta Pelatieri. Ela lembra também que embora a produtividade global tenha crescido "de forma expressiva", os ganhos "gerados por esse avanço não foram distribuídos de maneira homogênea". "Uma parcela significativa dos benefícios do progresso técnico foi apropriada na forma de lucros e rendimentos de capital", pontua. A economista ilustra com o dado de que, em 2024, foram criados 204 novos bilionários — quase um por semana. No fim das contas, "muitos trabalhadores continuaram dependentes de jornadas extensas para sustentar seu padrão de vida, mesmo que modesto", diz Pelatieri. "Além disso, a decisão das empresas sobre utilizar toda a tecnologia disponível está diretamente condicionada à avaliação de custos: se será mais vantajoso investir em inovação tecnológica ou manter a dependência da mão de obra existente", afirma a economista. "Em outras palavras, Keynes subestimou os conflitos em torno da distribuição dos ganhos de produtividade", acrescenta ela. "O trabalho repetitivo foi superado pela automação. Prometia-se a ideia de que seria possível reduzir as jornadas de trabalho, mas o que veio foi a perda dos direitos trabalhistas", diz Ramirez. Para o sociólogo, seria contraditório aumentar a riqueza com menores jornadas. "Não há capitalismo sem exploração da força de trabalho", diz ele. Pelatieri concorda que, "do ponto de vista do raciocínio de Keynes" era de se esperar que com os avanços das novas tecnologias a humanidade ganhasse jornadas menores de trabalho. "O problema, entretanto, não está na tecnologia em si, mas na forma como seus benefícios são distribuídos. A questão central é quem se apropria dos ganhos gerados pelo aumento da produtividade. Em vez de se converter automaticamente em mais tempo livre, o avanço tecnológico muitas vezes resulta em maior concentração de renda ou novas formas de intensificação do trabalho", diz ela. "As tecnologias digitais, por exemplo, ampliaram as possibilidades de monitoramento, controle e disponibilidade permanente dos trabalhadores." "Mais do que uma previsão econômica, o ensaio era uma reflexão sobre as consequências sociais, culturais e morais da abundância. Keynes imaginava uma sociedade em que os indivíduos pudessem dedicar mais tempo à educação, à cultura, ao convívio social e ao desenvolvimento pessoal", analisa Ramos. "Sua mensagem central era que o progresso econômico poderia libertar a humanidade da luta permanente pela sobrevivência material, deslocando o desafio humano para a busca de propósito e realização além do trabalho e da acumulação de riqueza." Ramos pontua que, se a produtividade realmente cresceu de forma extraordinária nas últimas décadas, "o que não se confirmou foi a conversão desses ganhos em uma drástica redução da jornada de trabalho." "Entre as razões para isso estão o surgimento de novos padrões de consumo, o desejo permanente de ampliar renda e patrimônio, o aumento das desigualdades na distribuição dos ganhos de produtividade, a expansão do setor de serviços e do trabalho intelectual e a intensificação da competição econômica global", afirma Ramos. "Keynes também não previu a força da cultura consumista estimulada pela publicidade e pelo crédito, a crescente financeirização da economia nem o papel do trabalho como elemento de identidade, status social e realização pessoal. Tampouco antecipou que parcela significativa dos ganhos de produtividade seria apropriada de forma concentrada por grandes empresas e grupos econômicos, em vez de ser convertida em redução generalizada da jornada."
22/06/2026 06:00:29 +00:00
Austrália confirma 2º caso de gripe aviária no continente em menos de uma semana

Um íbis empoleirado ao lado da sede do Banco da Reserva da Austrália , no centro de Sydney, Austrália Daniel Munoz / Reuters A Austrália confirmou nesta segunda-feira (22) um segundo caso de gripe aviária altamente patogênica H5N1 no estado da Austrália Ocidental, dois dias após registrar a primeira infecção no território continental do país. O governo afirmou que continuará adotando medidas para conter a disseminação do vírus. O novo caso foi identificado em uma ave marinha migratória conhecida como petrel-gigante-do-norte, encontrada doente em uma praia remota. No sábado, as autoridades já haviam confirmado a infecção em uma outra ave migratória, um mandrião-pardo. As duas aves foram localizadas nas proximidades da cidade costeira de Esperance, cerca de 570 quilômetros a sudeste de Perth, capital da Austrália Ocidental. “Estamos trabalhando muito de perto com os setores de produção de frango, carne e ovos para fazer tudo o que for possível para reforçar a biossegurança e impedir que o vírus chegue aos sistemas de produção”, afirmou a ministra da Agricultura, Julie Collins. Questionada sobre a possibilidade de manter a doença fora das granjas indefinidamente, Collins respondeu que não há garantias. “Não sabemos a resposta para isso. É uma hipótese”, disse. As infecções humanas pelo vírus continuam sendo raras. No entanto, a disseminação global da gripe aviária provocou o abate de milhões de aves nos últimos anos, afetando o abastecimento de alimentos e pressionando os preços. Até agora, a Austrália era o único continente sem um caso confirmado de H5N1 em seu território continental. O vírus havia sido detectado apenas no fim de 2025 na Ilha Heard, território subantártico australiano localizado a cerca de 4 mil quilômetros do continente. Agora no g1 Como parte da estratégia de prevenção, o país reforçou os protocolos de biossegurança em fazendas, ampliou a testagem de aves costeiras, vacinou espécies consideradas vulneráveis e realizou simulações de resposta a surtos. A produtora de aves Inghams informou que adotará um bloqueio total preventivo em todas as suas fazendas e unidades de processamento na Austrália Ocidental. A empresa ressaltou que não houve qualquer detecção do vírus em aves comerciais, incluindo suas operações e cadeia de fornecedores.
22/06/2026 04:47:56 +00:00
China proíbe exportações para 10 empresas dos EUA e amplia retaliação comercial; veja lista

Donald Trump e Xi Jinping na China Jornal Nacional/ Reprodução A China adicionou 10 empresas dos Estados Unidos à sua lista de controle de exportações. Segundo o comunicado chinês, as empresas possuem vínculos com as Forças Armadas americanas. Entre elas estão duas empresas do setor de terras raras. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (22) e ocorre em resposta à decisão de Washington de impor restrições a diversas companhias chinesas no início do mês. Entre as empresas afetadas estão as produtoras de terras raras MP Materials e USA Rare Earth, além da fabricante de motores para aplicações críticas Aveox. Com a inclusão na lista, ficam suspensas as exportações chinesas de itens de dupla utilização para essas companhias. 🔎 Itens de dupla utilização são bens e tecnologias desenvolvidos para uso civil, mas que também podem ser empregados em aplicações militares. A MP Materials, apoiada pelo Pentágono e operadora da única mina ativa de terras raras dos Estados Unidos, e a USA Rare Earth participam da cadeia produtiva que vai da extração mineral à fabricação de ímãs. Em comunicado, o Ministério do Comércio da China afirmou que as medidas são uma resposta às “práticas maliciosas do governo dos EUA” e foram adotadas para proteger a segurança e os interesses nacionais, além de cumprir obrigações internacionais relacionadas à não proliferação. Agora no g1 Segundo o ministério, organizações e indivíduos de qualquer país ou região estão proibidos de transferir ou fornecer às entidades listadas itens de dupla utilização originários da China. As atividades de exportação em andamento devem ser interrompidas imediatamente. Na prática, a decisão representa uma proibição total das exportações desses produtos para as empresas citadas, endurecendo as regras anteriores, que exigiam apenas a obtenção de licenças de exportação. Em uma medida separada, o Ministério das Finanças da China anunciou sanções contra outras 46 empresas americanas. Compradores chineses passam a estar impedidos de adquirir produtos fabricados por essas companhias, embora empresas financiadas por capital dos EUA que operam na China continuem autorizadas a fazê-lo. Há duas semanas, os Estados Unidos incluíram as empresas chinesas Alibaba, Baidu, BYD e NIO em uma lista de companhias que, segundo Washington, estariam auxiliando atividades militares de Pequim. Veja as empresas americanas listadas Aveox, Inc. Red Cat Holdings, Inc. Teal Drones, Inc. IMSAR, LLC (EUA) Jaia Robotics, Inc. Ball Aerospace & Technologies Corp. Oshkosh Defense, LLC L3 Harris Maritime Services, Inc. MP Materials Corp. USA Rare Earth, Inc. Chinesas na lista do Pentágono EUA ampliam lista de empresas chinesas acusadas de colaborar com Exército da China Em 8 de junho, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos atualizou a relação de empresas que, segundo o governo americano, colaboram com militares chineses. A versão da lista tem 188 empresas e incluiu mais nomes do setor de tecnologia. Entre elas, estão o buscador Baidu, as fabricantes de robôs Unitree e Robosense Technology, a gigante do comércio eletrônico Alibaba e as fabricantes de chips CXMT e YMTC. O documento passou a apresentar ainda a montadora BYD, a empresa de biotecnologia WuXi AppTec e a fabricante de equipamentos de telecomunicações Baicells. Por conta de uma lei recente, a partir do final de junho, o Departamento de Guerra não poderá contratar diretamente de empresas presentes no documento. E, a partir de 2027, o órgão não poderá comprar seus produtos e serviços por meio de terceiros. Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa antes da visita de Donald Trump ao país, em 13 de maio de 2026 Reuters/Maxim Shemetov No documento, o Departamento de Guerra afirmou que as empresas "se qualificam para a designação de 'empresas militares chinesas'" e operam nos EUA. Elas poderão pedir a remoção da lista, segundo o órgão. Embora o documento não imponha sanções formais às companhias chinesas, elas poderão sofrer danos concretos com a decisão. A inclusão na lista também dá uma mensagem prejudicial sobre essas companhias para fornecedores do governo americano. A Embaixada da China nos Estados Unidos disse que o governo chinês se opõe à "criação de listas discriminatórias para perseguir empresas chinesas" e que elas cumprem leis e regulações locais. "Os EUA devem cessar essa prática errônea e criar um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para as empresas chinesas", afirmou a embaixada em nota, segundo a Reuters. À Reuters, a BYD disse acreditar que sua inclusão na lista de empresas ligadas às forças armadas da China "carece de fundamento factual". O Alibaba afirmou à Reuters que não há fundamento para sua inclusão na lista. Em nota, a empresa disse que "não é uma companhia militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão entre setores civil e militar" e que adotará as medidas legais disponíveis para contestar a classificação. A WuXi AppTec também contestou a decisão e disse que sua inclusão na lista é equivocada. A empresa afirmou que tomará medidas imediatas para reverter a designação. Já a Baidu rejeitou "categoricamente" sua inclusão. Em declaração à Reuters, a companhia disse que a alegação de que seria uma empresa militar é "totalmente infundada" e disse que utilizará todos os recursos disponíveis para ser retirada da relação. A decisão atualiza uma lista do início de 2025 e é anunciada menos de um mês após o presidente americano Donald Trump se encontrar com seu correspondente chinês Xi Jinping em Pequim. O encontro teve troca de elogios, mas terminou com impasses em temas sensíveis como Taiwan, considerado pela China como parte de seu território. Trump ao lado de Xi Jinping na China, em 13 de maio de 2026 BRENDAN SMIALOWSKI/AFP
22/06/2026 03:40:39 +00:00
São João é feriado? Veja onde a data garante folga e quais são os direitos dos trabalhadores

Dia de São João será feriado em ao menos 5 capitais e cidades onde santo é padroeiro O governo federal não considera o dia de São João, celebrado em 24 de junho, como feriado nacional nem ponto facultativo. Ainda assim, a data garante folga para milhares de trabalhadores em diferentes regiões do país, especialmente no Nordeste, onde as festas juninas têm forte tradição. Isso acontece porque estados e municípios podem estabelecer feriados locais por meio de legislação própria. Neste ano, o dia de São João será feriado em pelo menos cinco capitais brasileiras: Aracaju (SE) João Pessoa (PB) Maceió (AL) Recife (PE) Salvador (BA) Em João Pessoa, o período de descanso será ainda mais longo. Além do feriado de São João, a prefeitura decretou ponto facultativo nos dias 22 e 23 de junho para os servidores municipais, estendendo as comemorações na capital paraibana. A data também será feriado em cidades que se destacam pelas tradicionais festas juninas, como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), além de Niterói (RJ) e Barueri (SP), onde São João é o santo padroeiro. Em Pernambuco e Alagoas, o alcance da folga é ainda maior. Isso porque o dia 24 de junho é considerado feriado estadual, beneficiando trabalhadores de diversas cidades além das capitais. Nas localidades onde o São João é oficialmente feriado, os empregados devem ser dispensados do trabalho. Caso sejam convocados para exercer suas atividades, têm direito ao pagamento em dobro pelas horas trabalhadas ou a uma folga compensatória, conforme prevê a legislação trabalhista. O Dia de São João é comemorado em 24 de junho GETTY IMAGES Abaixo, o g1 explica outros direitos dos trabalhadores a partir das seguintes perguntas: O que é ponto facultativo? Sou obrigada a trabalhar durante o feriado ou ponto facultativo? Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa? As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? Qual é o próximo feriado de 2025? 1. O que é ponto facultativo? Em dias de ponto facultativo, funcionários públicos são dispensados do serviço sem prejuízo da remuneração. A medida é decretada em dias úteis de trabalho, geralmente entre feriados e fins de semana. No setor privado, ao contrário do que acontece nos feriados, os empregadores não têm a obrigação de dispensar os colaboradores, pagar o salário em dobro ou oferecer folgas compensatórias. Volte ao índice. 2. Sou obrigada a trabalhar durante o feriado ou ponto facultativo? A legislação trabalhista proíbe o exercício de atividades profissionais durante feriados civis e religiosos. No entanto, há exceções. A lei autoriza o trabalho em alguns setores, que são classificados como essenciais. É o caso de indústrias, comércios, transportes, serviços funerários, atividades ligadas à segurança, entre outros. Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma convenção coletiva de trabalho, que é um acordo antecipado feito entre empregadores e sindicatos. Já no ponto facultativo, o direito à folga só é concedido para funcionários públicos. Volte ao índice. 3. Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa? Depende. A falta, diante da determinação do empregador para o comparecimento, poderá ser entendida como insubordinação, que é a desobediência a um superior. "Mas a dispensa por justa causa, em geral, não decorre de um fato isolado, mas de um comportamento faltoso de forma reiterada", afirma Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista. Com isso, a demissão por justa causa geralmente segue um processo que deve incluir uma soma de advertências escritas e tentativas de correção de comportamento. Volte ao índice. 4. As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? As regras básicas sobre trabalho em feriados aplicam-se tanto a empregados fixos quanto temporários, incluindo o direito ao pagamento em dobro ou folga compensatória. No entanto, contratos de trabalho temporário também podem ter pré-condições específicas. Volte ao índice. 5. Qual é o próximo feriado de 2026? Ao todo, ainda restam seis feriados nacionais em 2026 — e cinco deles podem ser emendados, prolongando os dias de descanso. O próximo feriado nacional, porém, só acontecerá daqui a três meses: o 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, que neste ano cai em uma segunda-feira e pode render folga prolongada para quem não trabalha aos fins de semana. Volte ao índice. Calendário 2026 g1 Assista: Short friday: sair mais cedo do trabalho às sextas já é realidade em algumas empresas O que diz quem passa pelo teste da semana de 4 dias no Brasil
22/06/2026 03:00:41 +00:00
Lucro dos bancos bate recorde de R$ 255 bilhões em 2025, ano marcado por juros altos

O lucro dos bancos brasileiros subiu e alcançou a marca histórica de R$ 255 bilhões em 2025, novo recorde. Os números são do Banco Central. O aumento ocorreu em um ano no qual a taxa básica de juros da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, subiu para 15% ao ano – o maior nível em quase 20 anos, e um dos mais altos do mundo em termos reais. O juro começou a recuar somente em 2026. A taxa Selic serve de base para os bancos em seus empréstimos, que, sem contar as linhas com taxas favorecidas (crédito direcionado), têm juros bem maiores do que a taxa básica da economia. Em algumas linhas de crédito, como o cartão de crédito rotativo, mais utilizado no ano passado, e no cheque especial, os juros passam de, respectivamente, 400% e 100% ao ano. Outra característica do setor bancário brasileiro é ser altamente concentrado, com os quatro maiores bancos abocanhando quase 60% do mercado de crédito em 2024. Procurado pelo g1, o Banco Central avaliou que, em 2025, o crescimento do lucro líquido dos bancos brasileiros foi "mais moderado", e a "rentabilidade permaneceu relativamente estável". "Esse comportamento reflete, sobretudo, o aumento das despesas com provisões, que compensou parcialmente o resultado de juros, cujo crescimento desacelerou em função da menor expansão do crédito. Assim, o crescimento do lucro manteve-se alinhado ao ritmo de expansão do ativo total do sistema financeiro nacional", diz o Banco Central. Clientes podem contestar cobranças indevidas feitas por bancos Rentabilidade alta Ao mesmo tempo, o chamado retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que mede quanto lucro uma empresa tem relação ao valor investido pelos acionistas, avançou para 16,76% em 2025. É o maior patamar desde 2021, quando somou 17,55%, segundo o BC. De acordo com levantamento do Escritório do Superintendente de Instituições Financeiras (OSFI) do Canadá – uma agência federal independente responsável pela supervisão bancária –, a rentabilidade dos bancos brasileiros também está bem acima de seus pares em países desenvolvidos. O OSFI ressaltou em seu estudo que comparações internacionais de rentabilidade bancária devem ser interpretadas com cautela, pois são influenciadas por diferenças de alavancagem, modelos de negócio, estruturas de mercado e regras regulatórias de cada país. O diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, disse que o nível de rentabilidade do setor bancário brasileiro está alinhado com os demais países emergentes. Ele considerou dados da publicação The Banker (1000 maiores bancos do mundo, da Financial Times). "O ROE médio dos bancos brasileiros da amostra é de 16,5%, para uma média do período entre 2020-24 (5 anos), abaixo de países como México, Peru e África do Sul (além de Argentina e Turquia, que possuem níveis de inflação mais elevados e podem distorcer a comparação)", diz Rubens Sardenberg, da Febraban. Diversificação e digitalização Segundo Einar Rivero, especialista em dados financeiros e CEO da consultoria Elos Ayta, o sistema bancário encerrou 2025 em um novo patamar de lucratividade refletindo a capacidade de as instituições financeiras gerarem receitas de forma cada vez mais diversificada, combinando operações de crédito, serviços financeiros, gestão de recursos, seguros e mercado de capitais. "Embora a taxa Selic tenha sido um componente importante dessa trajetória, atribuir o desempenho exclusivamente aos juros elevados seria uma simplificação excessiva", disse Einar Rivero. "Os resultados de 2025 foram impulsionados pela combinação de spreads ainda elevados [valor que os bancos cobram acima do que pagam para captar recursos], redução gradual da inadimplência em relação aos anos anteriores, maior disciplina na concessão de crédito e avanços significativos em eficiência operacional", completou o especialista. De acordo com ele, o setor financeiro também colheu os frutos de investimentos realizados nos últimos anos em digitalização, automação de processos e aprimoramento dos modelos de gestão de risco — fatores que contribuíram para elevar a produtividade e reduzir custos estruturais. "Outro aspecto relevante é que o lucro recorde foi alcançado em um sistema financeiro mais diversificado do que no passado. O crescimento da participação de modelos de negócios voltados para gestão de patrimônio, mercado de capitais e clientes de alta renda tornou os resultados menos dependentes do ciclo tradicional de crédito", concluiu o analista. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região observou que: Desde 2020, com a intensificação da digitalização dos serviços financeiros, o setor bancário fechou 31,3 mil postos de trabalho até abril de 2026, dos quais aproximadamente 25 mil eram ocupados por mulheres; O número de agências bancárias caiu 37% em dez anos no Brasil, indo para pouco mais de 14 mil, em meio ao avanço da tecnologia para realizar transações e à decisão dos bancos de cortar custos; Desde 2015, 638 municípios ficaram sem agência bancária, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas, segundo cálculos do Dieese. Juros altos não ajudam bancos, diz Febraban Placa da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Zona Sul de São Paulo, principal centro financeiro do país David Irikura/TV Globo Para Rubens Sardenberg, diretor da Febraban, é um "equívoco" afirmar que os bancos se beneficiam da elevada taxa Selic. De acordo com ele, taxa de juros básica alta aumenta o custo de captação das instituições. "Este ambiente tende a pressionar a inadimplência, ou seja, aumenta as perdas com as operações de crédito, faz com que as instituições financeiras sejam mais conservadoras no processo de concessão de crédito", disse Sardenberg. "Isso limita o crescimento da carteira de crédito e limita o crescimento econômico do país, o que contém não só o avanço de receitas oriundas do crédito, mas também de receitas com serviços, como em operações de mercado de capitais", completou o diretor da Febraban. Ele também cita um dado do BC, segundo o qual 80% do chamado "spread bancário" (valor cobrado além da taxa Selic nas linhas de crédito) é composto por custos como despesas com inadimplência (35,4%), administrativas (23,3%) e tributos (21%). E avaliou que a "margem financeira" (20,3%) é a menor fração do spread das operações de crédito. Diante da polêmica sobre o PIX com os Estados Unidos, o diretor observou que, de um lado, a ferramenta gera um aumento da bancarização, o que contribui para o crescimento e o fortalecimento do mercado financeiro e dos negócios. Por outro, promove uma redução de custos para os clientes dos bancos (com queda potencial das receitas com este serviço) "Difícil estimar o impacto líquido [do PIX para o sistema financeiro], que necessita de estudos mais aprofundados. Mas a nossa impressão inicial é que o resultado da implementação do PIX é positivo para os bancos", concluiu Rubens Sardenberg.
22/06/2026 03:00:39 +00:00
Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP

Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP Reprodução/TV TEM Em meio às transformações do campo e aos avanços das grandes redes comerciais, antigas vendinhas do interior de São Paulo seguem resistindo ao tempo. Os estabelecimentos preservam memórias, fortalecem laços comunitários e mantêm viva uma tradição que marcou gerações. Na Estrada 12, em Três Fronteiras (SP), próximo a Santa Fé do Sul, uma vendinha aberta há quatro décadas continua atraindo visitantes em busca de sabores e lembranças de um interior que parece ter parado no tempo. Foi ali que o agricultor Antônio Scarabeli construiu a vida com a família. Segundo ele, a movimentação era intensa quando a região era ocupada principalmente por pequenos sitiantes e cafezais. “Tinha muita gente. Nós vendíamos de tudo. Depois foi acabando o café, entrando a cana e o povo foi indo embora”, relembra. O filho, Dimar Aparecido Scarabeli, conta que o local chegou a funcionar como principal centro comercial da região. “A compra da semana, do mês, era tudo aqui. Chegamos a vender 100, 150 quilos de farinha e dezenas de fardos de açúcar por semana”, afirma. Hoje, a função mudou. A vendinha deixou de ser um grande mercado rural, mas continua sendo ponto de encontro para moradores e turistas. Entre os produtos mais procurados estão conservas, queijos e doces artesanais produzidos por Nádia Maria Freitas Scarabeli. Memória afetiva Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP Reprodução/TV TEM Para muitos frequentadores, visitar uma vendinha é também revisitar a própria história. A cliente Mariene Maia frequenta o local desde a infância, quando acompanhava familiares que moravam na zona rural. “Me faz sentir muita saudade daquele tempo que, infelizmente, não vai voltar. Mas estamos resgatando essas raízes e mantendo essa história viva”, diz Mariene. Segundo o historiador Silvio Luiz Lofego, as vendinhas assumiram um papel importante na preservação da memória rural. “Elas representam espaços de resistência. Muitas comunidades rurais desapareceram ou perderam características ao longo das últimas décadas, mas as vendas permanecem como símbolos de convivência e identidade local”, explica. Tradição que atravessa gerações Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP Reprodução/TV TEM Em Nova Canaã Paulista (SP), a cerca de 30 quilômetros dali, outra vendinha mantém viva a tradição. Localizada no Bairro do Louro, ela existe há quase 70 anos. Há 42 anos, o espaço é administrado por Paulo Francisco Araújo e pela esposa, Sônia Maria Andrade Araújo. “Aqui tinha de tudo, igual a um mercadinho. Muitas vendas fecharam, mas nós continuamos”, conta Paulo. Além das mercadorias, o local preserva um costume cada vez mais raro: a venda fiado. “Já ajudei a tratar de bastante família. Criei meus filhos aqui e melhorei minha vida trabalhando na venda”, lembra. O estabelecimento também guarda uma história de amor. Paulo e Sônia se conheceram ali há mais de meio século e seguem recebendo clientes que, com o tempo, se tornaram amigos. “A clientela virou família. Temos amigos de 50 anos aqui”, afirma Sônia. Veja a reportagem exibida no programa em 21/06/2026: Vendinhas viram atração turística na região de Rio Preto VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
21/06/2026 10:30:12 +00:00
Suco de uva orgânico de São Roque ganha prêmio nacional após 6 anos de pesquisa

Suco de uva orgânico de São Roque ganha prêmio nacional após 6 anos de pesquisa TV TEM/Reprodução Um suco feito com uvas orgânicas em São Roque (SP) foi premiado como um dos melhores do Brasil. O produto conquistou a medalha de platina no concurso da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atingindo nota entre 90 e 95 pontos em uma escala até 100. A bebida disputou o título com quase 200 amostras de todo o país. O resultado é fruto de um projeto que une o conhecimento do campo à pesquisa acadêmica. O experimento durou seis anos, com quatro safras colhidas que comprovaram a viabilidade de produzir uvas sem agrotóxicos na região. O trabalho foi desenvolvido pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta Regional), em parceria com o Instituto Federal e o Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque (Sindusvinho). O cultivo é feito em uma área de 4 mil metros quadrados que reúne mais de 1,3 mil videiras. O espaço funciona como uma "sala de aula a céu aberto" para estudantes do curso de Enologia do Instituto Federal. No local, é aplicado o conceito agroecológico: Linhas alternadas: o mato e as plantas espontâneas são mantidos em uma fileira sim e outra não; Proteção natural: essa vegetação nativa serve de abrigo para insetos que combatem as pragas da videira, eliminando o uso de defensivos químicos; Colheita manual: os cachos são retirados um a um, avaliando critérios de cor, textura e doçura. Após a colheita, as uvas passam por um processo rigoroso de extração e envase para manter a pureza da fruta. De acordo com o presidente do Sindusvinho, Alex de Moraes, o segredo do sabor premiado está na mistura exata e equilibrada de duas variedades tradicionais de uva: a Bordô e a Isabel. Veja a reportagem exibida no programa em 21/06/2026: Suco de uva orgânico de São Roque ganha prêmio nacional após 6 anos de pesquisa VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
21/06/2026 10:30:11 +00:00
Renda maior, emprego forte e dívida crescente: por que o consumo segue forte mesmo com juros altos?

Funcionários de boteco na Vila Madalena. Marcelo Brandt/G1 A economia brasileira vive um fenômeno que desafia as previsões econômicas. A taxa básica de juros começou a cair depois de atingir o maior patamar em 20 anos, enquanto a população enfrentava níveis recordes de endividamento e inadimplência. Economistas esperavam um freio da atividade econômica já no primeiro trimestre de 2026. O Produto Interno Bruto (PIB) mostrou, contudo, um avanço do consumo das famílias no período: alta de 1% em relação ao trimestre anterior e de 1,7% contra o mesmo período do ano passado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo especialistas, o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda das famílias — tanto pelo emprego quanto por políticas públicas de transferência de renda — ajudam a explicar esse cenário. A taxa de desemprego no trimestre encerrado em abril foi de 5,8%, menor patamar para o período na série histórica do Instituto Brasileirao de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período, o rendimento real habitual dos trabalhadores foi de R$ 3.732, valor 5,3% maior do que um ano antes. Agora no g1 Você está entre os mais ricos do Brasil? Veja quanto é preciso ganhar para entrar no topo da renda “As pessoas precisam permanecer inseridas no mercado de trabalho para dar conta do consumo. Isso faz com que o mercado reaja aos efeitos adversos, como a taxa de juros, com certa sustentabilidade”, afirmou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE. Junto ao mercado de trabalho forte, o aumento real do salário mínimo, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o alívio de dívidas promovido pelo Desenrola 2.0 foram algumas políticas públicas que mantiveram o ganho de renda da população. “Tivemos, ao longo dos anos, uma série de transferências de renda. Esse dinheiro vai direto para o consumo imediato, como alimentação, vestuário e serviços”, afirma André Sacconato, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Segundo especialistas, esse perfil de consumo também reflete a crescente digitalização da economia. Parte do avanço do setor de serviços está ligada a áreas como tecnologia, internet e telefonia. De acordo com Juliana Trece, coordenadora do núcleo de contas nacionais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), outros segmentos que impulsionam o consumo são bares, restaurantes e viagens. “O curioso é que, mesmo com juros elevados, os bens duráveis — que normalmente crescem menos nesse cenário — seguem avançando, com destaque para o aumento do consumo de automóveis importados, especialmente híbridos e elétricos. Já entre os bens não duráveis, há maior consumo de itens essenciais”, diz. Consumo em alta esbarra no avanço das dívidas Ainda que a economia envie sinais positivos, especialistas alertam para o nível de endividamento das famílias. Os dados mais recentes do Banco Central (BC) mostram que o indicador chegou a 49,8% em março, alta de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025. “A classe média está pressionada porque tem um consumo maior sustentado pelo crédito, que está cada vez mais caro”, afirma Sacconato, da FecomercioSP. O levantamento do BC também mostra aumento importante da inadimplência em quase todas as modalidades de crédito para pessoas físicas. Nas linhas com recursos livres — aquelas em que taxas e condições são definidas pelos bancos — o calote chegou a 7,2%. 🔎 A inadimplência é especialmente grave porque representa o percentual das operações de crédito com atraso superior a 90 dias em relação ao saldo total. O resultado mais recente mostra aumento de 1,2 ponto percentual em relação a abril de 2025 (6%). “A classe média não consegue consumir hoje como consumia anos atrás. O modelo econômico atual, baseado em transferências de renda, não é sustentável porque, no fim, aumenta o endividamento, a inadimplência e a necessidade de manter juros elevados por mais tempo”, diz Sacconato. Renda recorde e desemprego baixo: por que o brasileiro segue endividado, mesmo ganhando mais? Consumo deve seguir em alta? Mesmo com a perspectiva de juros e inflação elevados nos próximos meses, especialistas avaliam que o consumo das famílias deve continuar crescendo neste ano. Segundo Juliana Trece, a projeção do FGV Ibre é que o consumo das famílias encerre o ano com alta de 2,2%, acima do crescimento de 1,3% registrado no ano passado. “A gente sabe que o BC deve ser cada vez mais cauteloso nos cortes de juros. O mercado de trabalho aquecido ainda deve contribuir e, como se trata de um ano eleitoral, é possível que haja novos estímulos por meio de programas de transferência de renda”, afirma a economista.
21/06/2026 08:00:48 +00:00
A dez dias do fim do prazo, governo ainda não pagou 10% do valor mínimo de emendas previstas para o 1º semestre

A dez dias do fim do prazo estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não pagou 10% do volume mínimo de emendas previstas para o primeiro semestre. 🔎 O calendário aprovado na LDO prevê o pagamento no primeiro semestre de 65% das emendas individuais e de bancada a fundos de saúde, de assistência social e de transferências especiais, que podem ser aplicadas em qualquer finalidade. O governo ainda precisa repassar um terço do valor previsto para as emendas feitas por transferências especiais — as chamadas emendas PIX. 💰 Até 18 de junho, o governo federal pagou R$ 15,8 bilhões do total de R$ 17,3 bilhões previstos para essas ações. Desse total, o Executivo quitou R$ 12,3 bilhões em emendas de saúde e R$ 583,1 milhões de assistência social, o que representa o total para essas áreas. Em relação às emendas de transferências especiais, conhecidas como emndas PIX, o governo pagou R$ 2,8 bilhões, o que corresponde a 63% dos recursos obrigatórios nessa modalidade. Até o fim do mês, no entanto, o Executivo ainda precisa quitar R$ 1,6 bilhão, 37% do total. Agora no g1 Do valor pendente, R$ 109 milhões tiveram os planos de trabalhos rejeitados pelo governo, por algum vício na indicação, e R$ 530 milhões estão em processo de aprovação. 🔎 As emendas PIX foram criadas em 2019 e ficaram conhecidas assim pela dificuldade na fiscalização dos recursos, uma vez que os valores eram transferidos por parlamentares diretamente para estados ou municípios sem a necessidade de apresentação de projeto, convênio ou justificativa. A modalidade chegou a ser bloqueada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, em 2024. Após um acordo entre os Três Poderes em fevereiro de 2025, o Congresso aprovou um projeto de lei complementar com a exigência de um plano de trabalho para as emendas PIX. Pré-campanha eleitoral Para Eduardo Grin, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o calendário de emendas cria um desequilíbrio nas eleições de 2026. "O impacto é direto porque deputado que recebe mais emenda tem mais chance de reeleição. A gente vai consolidando, entre aspas, uma casta no Congresso, privilegiada. Isso torna a competição política desigual. Quem não tem os mesmos recursos têm menos chance de ganhar uma eleição, sobretudo postulantes novos que não têm cargos", pontuou. Ele argumenta também que o envio de verbas por parlamentares para seus redutos eleitorais, na prática, antecipa a campanha para esses políticos e que esse foi o objetivo do Congresso ao aprovar o calendário de pagamento de emendas. "O deputado faz um acordo com o prefeito para dizer 'foi o nosso deputado, a nossa deputada que trouxe recursos para a cidade'. Ou seja, eu tenho chance de ter exposição pública muito maior, eu tenho chance de ter o meu nome associado a uma conquista feita para a cidade", afirmou. "É claro que isso tem impacto nas eleições. Essa nova regra que os parlamentares aprovaram obrigando o governo a empenhar todas as emendas até junho, ela foi pensada, justamente, para ter esse efeito eleitoral", concluiu. Já para o gerente de pesquisa e advocacy da Transparência Internacional Brasil, Guilherme France, essa imposição das emendas ainda criou um novo problema nas contas públicas por trazer um desequilíbrio na execução, obrigando o governo a contigenciar contas como despesas com educação, para pagar as emendas. “Quando você perde essa flexibilidade da execução gerando uma dificuldade também para manter as contas equilibradas e, no final das contas, o que a gente tem visto é que com o calendário para pagamento de emendas não existe flexibilidade no pagamento e outras áreas acabam sofrendo”, disse. Além disso, France ainda aponta que por as emendas estarem aumentando cada vez mais e tomando mais espaço do orçamento do governo federal, elas têm mudado de características, deixando de ter um caráter de investimento e passando a ser custeio de atividades públicas, como o pagamento de salários. “Na Saúde, a gente vê os recursos indo cada vez mais para custeio e não para investimento. O que inverte a lógica do gasto público de emendas, porque as emendas não são necessariamente contínuas. Então, não quer dizer que ano que vem vai ter a mesma emenda que teve esse ano, o que acaba gerando esse problema de gestão pública. A gente está investindo um ano sem saber se terá recursos no ano seguinte”, concluiu. Estudo mostra baixa relevância e transparência das emendas parlamentares individuais Jornal Nacional/ Reprodução Total pago Até a última quinta-feira, o governo pagou um total R$ 18,4 bilhões em emendas parlamentares. Desse montante, R$ 10,9 bilhões foram para indicações feitas por deputados federais. Outros R$ 4,2 bilhões foram para senadores e R$ 3,2 bilhões foram emendas definidas pelas bancadas estaduais. Assim, o governo pagou R$ 2,6 bilhões a mais do que o definido como obrigatório para este 1º semestre de 2026. A maior parte desse montante foram para emendas destinadas ao custeio de serviços relacionados a Atenção Primária à Saúde, R$ 1,9 bilhão. O restante foi pago para outras ações públicas, como fomento à cultura, promoção do turismo e o setor agropecuário.
21/06/2026 07:01:38 +00:00
Vítimas do trabalho forçado nazista ainda cobram reparação: 'Não compensou nem de longe os danos'

J10 Entrevista: antissemitismo e memória do holocausto A fundação alemã Memória, Responsabilidade e Futuro (EVZ) completa, neste mês, 25 anos desde o início do pagamento de compensações aos últimos sobreviventes obrigados a trabalhar sob o regime nazista. Mas há quem defenda que esses pagamentos deveriam ter começado muito antes, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e que também deveriam ter sido significativamente maiores. Segundo a EVZ, € 4,4 bilhões (cerca de R$ 23,6 bilhões) foram pagos a 1,66 milhão de ex-trabalhadores forçados e seus sucessores legais, em cerca de cem países, entre 2001 e 2007, quando as últimas indenizações foram concluídas. Estima-se que cerca de 26 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a trabalhar para o regime nazista entre 1933 e 1945, aproximadamente metade delas em territórios ocupados fora das fronteiras da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Estudos históricos indicam que, se todo o trabalho explorado durante a era nazista tivesse sido plenamente indenizado, o fundo original teria que somar entre 90 bilhões e 112 bilhões de euros (cerca de R$ 483 bilhões e R$ 601 bilhões). "Se você me perguntar: foi um fundo grande? Não, claro que não, considerando a injustiça", afirmou a diretora da EVZ, Andrea Despot. "Havia cerca de 26 milhões de pessoas trabalhando em fábricas, na agricultura, em igrejas, em residências particulares e em empresas. Quase não houve setor da sociedade que não tenha se beneficiado disso. Pode-se dizer que o fundo não compensou nem de longe os danos e a exploração sofridos." A EVZ foi criada em julho de 2000, tanto para indenizar trabalhadores forçados quanto para promover e financiar projetos voltados à defesa dos direitos humanos, dos valores democráticos e dos interesses dos sobreviventes do regime nazista. A organização foi constituída com um fundo de 10,1 bilhões de marcos alemães, o equivalente a cerca de € 5,16 bilhões (R$ 27,7 bilhões), sendo metade proveniente do governo federal e a outra metade de uma iniciativa que reuniu cerca de 6.500 empresas alemãs — chamada Iniciativa da Fundação da Indústria Alemã. Muitas dessas empresas, embora não todas, haviam utilizado trabalho forçado. Grupo de civis russos que foi obrigado a fazer trabalhos forçados durante o regime nazista Foto: Everett Collection/IMAGO Compensações 'simbólicas' Embora a Alemanha Ocidental tenha adotado medidas de reparação, como a Lei Federal de Indenização de 1953, destinada a pessoas perseguidas por razões políticas, raciais ou religiosas, essas iniciativas excluíram os trabalhadores forçados. Entre as décadas de 1950 e 1980, sob pressão da opinião pública, algumas grandes empresas da Alemanha Ocidental pagaram voluntariamente milhões de marcos alemães em compensações, mas esses pagamentos não alcançaram pessoas da Europa Oriental. O debate nos anos 1990 foi difícil, com muitas empresas alemãs inicialmente se recusando a contribuir para o fundo e a assumir responsabilidade pelo uso de trabalho forçado. "No fim, foi basicamente uma solução simbólica", afirma o historiador Constantin Goschler, da Universidade do Ruhr, em Bochum, que publicou, em 2012, uma coletânea ampla de estudos sobre o tema. "As pessoas que representavam os demandantes defendiam um valor de pelo menos dois dígitos [em bilhões], enquanto aqueles que pagariam queriam um montante que não ultrapassasse dois dígitos", lembra. "Assim, chegou-se a 10 bilhões de marcos alemães. Isso não refletia a dimensão dos danos, foi resultado de uma negociação psicológica". Ações coletivas, especialmente de grupos judaicos A pressão jurídica também teve papel importante, à medida que diferentes grupos de vítimas — especialmente nos Estados Unidos — passaram a recorrer com mais frequência a ações coletivas. "Não foi uma decisão puramente moral ou ética. Isso teve peso, mas não foi o único fator", diz Despot. "Depois de décadas de reivindicações dos sobreviventes, houve pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos e de organizações judaicas, que estavam preparando ações coletivas." Essas ameaças acabaram levando a Alemanha a negociar com os Estados Unidos, com o objetivo de garantir segurança jurídica no futuro. Por que a compensação demorou tanto? Segundo Goschler, há um motivo central para o fato de o Estado alemão ter levado mais de meio século para oferecer compensações aos ex-trabalhadores forçados: a Guerra Fria. "Havia um princípio: não se enviava dinheiro para o outro lado da Cortina de Ferro." Isso significava que a Alemanha Ocidental se recusava a transferir recursos aos países do Leste, especialmente à Polônia. Outro fator, de acordo com o historiador, é que os ex-trabalhadores forçados na Europa Oriental frequentemente eram tratados com suspeita e, por isso, recebiam pouco apoio em seus próprios países. "Os trabalhadores forçados — muitos deles mulheres — na antiga União Soviética eram vistos como colaboradores, por terem trabalhado para a economia de guerra nazista. Ao retornarem, eram recebidos com desconfiança, enviados a campos de triagem e levavam uma vida muito difícil", explica. Quando a Alemanha finalmente iniciou os pagamentos, muitos sobreviventes estavam menos interessados no dinheiro do que no reconhecimento histórico. "Mais importante do que o valor recebido era o certificado que confirmava que eram vítimas, e não traidores." Defesa dos direitos humanos e da democracia Ainda há muitos ex-trabalhadores forçados vivos. A organização Jewish Claims Conference estima que existam cerca de 200 mil sobreviventes judeus ao redor do mundo, além de várias centenas de milhares de europeus orientais, sinti e roma e ex-prisioneiros políticos que foram obrigados a trabalhar pelos nazistas. Números exatos para esses grupos nunca foram estabelecidos. Embora as indenizações tenham sido pagas há anos, o trabalho da EVZ continua. Hoje, a fundação atua como entidade beneficente, financiando projetos voltados à promoção dos direitos humanos, dos valores democráticos e da educação histórica e política. Segundo Despot, o principal objetivo da EVZ atualmente é preservar a memória histórica da Alemanha sobre o período nazista, em especial o sistema de trabalho forçado que beneficiou milhares de empresas alemãs. Em 2025, a EVZ foi classificada como "organização indesejável" pelo Kremlin, após manifestar apoio à Ucrânia. "Ucrânia, Belarus e Rússia foram profundamente marcadas pela ocupação alemã, que foi genocida e exploratória", afirma Despot. "Esses países sempre foram parceiros em nosso trabalho. A guerra da Rússia contra a Ucrânia também representa um ataque à identidade e à história ucranianas." Atualmente, a EVZ apoia organizações russas e belarussas que foram forçadas ao exílio por seus governos.
21/06/2026 06:00:30 +00:00
Quer começar a investir? Especialistas recomendam mudar a ordem das contas
Como investir se não sobra dinheiro? Esperar sobrar dinheiro para começar a investir pode ser um erro comum. A recomendação é inverter a lógica: em vez de guardar o que resta no fim do mês, separar uma parcela da renda logo após receber o salário. Uma das estratégias sugeridas é a chamada teoria dos três potes, que divide o orçamento entre gastos do dia a dia, reserva de segurança para emergências e investimentos voltados para objetivos futuros, como a compra da casa própria, viagens ou aposentadoria. A regra de bolso mais conhecida prevê a destinação de 60% da renda para despesas correntes, 30% para segurança financeira e 10% para o futuro. Especialistas destacam, porém, que o mais importante é criar o hábito de investir regularmente, mesmo que o percentual inicial seja menor. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
21/06/2026 05:00:17 +00:00
Quer vender mais durante a Copa do Mundo? Veja o que funciona para bares, lojas e restaurantes

Quer faturar mais na Copa? Veja estratégias para atrair clientes durante o torneio A Copa do Mundo não movimenta apenas torcedores. A competição também abre oportunidades para empresas e pequenos negócios aumentarem as vendas ao explorar as mudanças no comportamento dos consumidores durante os jogos. Alguns setores chegam a registrar crescimento expressivo no faturamento. É o caso de bares e restaurantes, que podem ter alta de até 76% nas vendas durante o torneio, segundo levantamento da Data-Makers. O motivo é simples: para muitos brasileiros, assistir aos jogos é uma atividade coletiva. O futebol se transforma em encontro, e o encontro gera consumo. Como faturar mais durante a Copa Para bares, restaurantes e estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar, a principal estratégia é transformar a transmissão dos jogos em uma experiência para o cliente. Entre as ações mais utilizadas estão: instalar telões e investir em som de qualidade criar combos promocionais para os dias de jogo desenvolver cardápios temáticos inspirados nas seleções organizar entregas e pedidos antes do início das partidas A ideia é atrair o consumidor antes do apito inicial e estimular o consumo ao longo de todo o jogo. Quem prefere acompanhar as partidas no sofá também ajuda a impulsionar alguns setores. Supermercados e lojas de conveniência costumam registrar aumento na procura por alimentos, petiscos e bebidas. Os chamados “kits torcida” ganham espaço e contribuem para elevar o ticket médio. A Copa também impulsiona a venda de televisores, smartphones, móveis e produtos ligados ao evento, como camisetas, bandeiras e itens de decoração. O melhor momento para vender O horário da venda pode fazer toda a diferença durante a Copa. Dados da Data-Makers indicam que o ticket médio pode crescer até 69,2% nas duas horas que antecedem as partidas. Depois do início dos jogos, porém, o consumo tende a cair, com redução que pode chegar a 61,3%. Por isso, empresas que conseguem antecipar compras e reservas costumam ter melhores resultados. Mas nem todos os segmentos são beneficiados. Lojas de rua, parte do varejo físico e estabelecimentos localizados em shoppings podem enfrentar redução no fluxo de clientes durante os jogos, já que a atenção do consumidor fica concentrada nas partidas. Para reduzir os impactos, especialistas recomendam: oferecer descontos em horários alternativos estimular compras antecipadas vender vouchers ou créditos para consumo futuro criar promoções válidas antes e depois dos jogos Redes sociais viram oportunidade Além da televisão, o celular deve ser um dos principais canais de atenção durante a Copa. Segundo a Data-Makers, cerca de 86% dos brasileiros utilizam redes sociais enquanto assistem às partidas. Isso transforma plataformas como Instagram, TikTok e X em ferramentas importantes para divulgar ofertas e se conectar com o público em tempo real. Publicações com comentários sobre os jogos, promoções relâmpago e conteúdos preparados com antecedência podem ajudar marcas a ganhar visibilidade e engajamento ao longo do torneio. Mas atenção ao uso de símbolos da Copa. Empresas interessadas em aproveitar o clima do evento devem ter cautela com o uso de marcas oficiais. Símbolos, logotipos e elementos protegidos pela Fifa não podem ser utilizados sem autorização. A recomendação é apostar em referências indiretas ao universo do futebol, como cores, torcida e expressões populares ligadas ao esporte.Forneça seus comentários sobre o BizChat Copa do Mundo: gastrobar de futebol com drinks de Messi e CR7 fatura R$ 1,5 milhão em SP Reprodução/PEGN
21/06/2026 05:00:15 +00:00
Alerta extremo falso da Defesa Civil: veja o que se sabe e o que ainda falta esclarecer

Alerta extremo da Defesa Civil: o que se sabe sobre as mensagens falsas enviadas a celular Um alerta sonoro classificado como extremo da Defesa Civil foi enviado a celulares de moradores de diversas cidades do Brasil entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20). As mensagens traziam a palavra "misantropia", ou variações dela, e não estavam relacionadas a nenhuma situação real de risco. Em alguns locais, o aviso mencionava um suposto "ataque alienígena". 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O episódio gerou surpresa e confusão nas redes sociais, já que o termo não tem relação com fenômenos climáticos ou situações de emergência. Como os alertas falsos foram enviados? Alerta da Defesa Civil enviado a moradores de Mato Grosso do Sul. Reprodução O Defesa Civil Alerta é uma plataforma usada para enviar avisos de emergência à população. O sistema utiliza uma tecnologia chamada Cell Broadcast, que permite encaminhar mensagens para celulares conectados à rede móvel em uma determinada área. Os avisos aparecem em formato de pop-up, sobrepondo-se ao conteúdo exibido na tela do aparelho. Em situações de risco, também podem emitir sinais sonoros para chamar a atenção da população. A suspeita da Defesa Civil Nacional é que a plataforma tenha sofrido uma invasão. Segundo o órgão, as mensagens foram disparadas remotamente por alguém sem autorização e podem ter sido resultado de um ataque hacker. Além do alerta sonoro, moradores do Rio de Janeiro relataram ter recebido mensagens de texto com conteúdo incomum. Em um dos registros enviados ao g1, a mensagem atribuída à Defesa Civil dizia: "misantropo ADRESS RJ burros dms pprt". O texto, com erros de escrita e sem contexto, reforçou a suspeita de falha ou uso indevido do sistema. Já em Belo Horizonte, a mensagem dizia: "Proteja-se: ATAQUE ALIENÍGENA, HUMANOS CHEGAMOSmisantropo". O caso foi relatado por moradores de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Campo Grande. Mapa das regiões que receberam alertas da Defesa Civil Nacional Gabriel Wesley Marques Santos/Arte g1 O que dizem as Defesas Civis? Em nota, as Defesas Civis do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro afirmaram que não emitiram as mensagens e disseram que não havia qualquer situação de risco. Ao g1, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil de Mato Grosso do Sul (Cepedec-MS) informou que o caso está sendo investigado. A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou, ainda na madrugada de sábado, que desabilitou temporariamente a ferramenta até que as autoridades federais esclareçam a situação do programa nacional Cell Broadcast. A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma Defesa Civil Alerta foi retirada do ar às 1h30 da madrugada de sábado após sofrer uma invasão. "A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas", afirmou. (leia a nota na íntegra ao final da reportagem). Quem vai investigar? Ainda no sábado (20), a Polícia Federal abriu uma investigação preliminar para apurar o disparo dos falsos alertas extremos. Segundo a corporação, o procedimento já está em curso. 🔎 Uma investigação preliminar é o conjunto de atos e diligências iniciais realizados antes ou de forma preparatória à instauração formal de um inquérito policial. O Ministério da Integração informou que acionou a Polícia Federal para investigar o episódio. Segundo o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, "tudo indica" se tratar de um ataque hacker. De acordo com ele, 10 alertas falsos foram disparados. Desses, nove foram enviados pelo sistema Cell Broadcast e um por SMS. Ainda não é possível estimar quantos celulares receberam as notificações. Como funciona o Defesa Civil Alerta? O Defesa Civil Alerta é um sistema público criado para enviar avisos emergenciais a celulares localizados em áreas de risco. Ele é usado em situações como chuvas intensas, enchentes, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra, vendavais e outros eventos capazes de colocar a população em perigo. A tecnologia por trás da ferramenta se chama Cell Broadcast. Diferentemente de mensagens SMS ou notificações de aplicativos, ela não envia o alerta para números cadastrados individualmente. O aviso é transmitido pelas antenas de telefonia para todos os aparelhos compatíveis conectados à rede móvel em uma determinada área. Isso permite que a Defesa Civil envie mensagens para regiões específicas, delimitadas por critérios técnicos e geográficos. Por esse motivo, o sistema não exige cadastro prévio, aplicativo instalado, pacote de dados ativo ou conexão à internet. O objetivo é alcançar rapidamente o maior número possível de pessoas em uma área sob risco. 'Alerta extremo' é o aviso mais grave As notificações enviadas neste fim de semana fizeram parte da categoria "Alerta Extremo", o nível mais grave do sistema, utilizado quando a Defesa Civil identifica ameaças com risco iminente à vida, exigindo que a população busque proteção imediatamente. Essa não é a primeira vez que a categoria é acionada. A Anatel mantém um portal que permite acompanhar os alertas mais recentes enviados pelo sistema. Entre os últimos classificados como "extremo" está um aviso emitido em 31 de maio de 2026 para moradores de Manaus (AM): "Deslizamento para Manaus. Afasta-se de encostas. Procure abrigo seguro". Dados da Anatel mostram que essa mesma classificação foi usada ao longo de 2025 em várias regiões do Brasil para alertas de alagamentos, tempestades com raios, deslizamentos de terra, queda de granizo, inundações e vendavais. Além do alerta extremo, o sistema conta com o "Alerta Severo", uma classificação de menor urgência. Nesses casos, a população tem mais tempo para adotar medidas de proteção, segundo a Defesa Civil. O que é 'misantropia'? Segundo o dicionário Michaelis, misantropia é a qualidade de quem sente aversão, desconfiança ou rejeição à humanidade. A palavra também pode ser usada para descrever uma tendência ao isolamento social ou um estado de profunda tristeza e melancolia. Na prática, uma pessoa considerada misantropa é aquela que evita o convívio social ou demonstra descrença em relação às outras pessoas. Isso não significa necessariamente que ela odeie todos ao seu redor, mas pode indicar dificuldade de conexão social ou uma visão pessimista sobre a natureza humana. O que diz a Defesa Civil Nacional "A plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da madrugada deste sábado (20/6), após ter sofrido uma invasão e disparado um alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A mensagem disparada foi do tipo Alerta Extremo e continha a palavra “misantropia” — que significa ódio à humanidade. Provavelmente se trata de um ataque hacker. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas." LEIA TAMBÉM: 'Alerta extremo' é o aviso mais grave do sistema e já foi usado em outras situações Por que o alerta extremo da Defesa Civil chegou a alguns bairros e a outros não? ETs? Mistério? Susto com alerta extremo da Defesa Civil Nacional vira meme Após alertas falsos, Defesa Civil diz que vai trabalhar na segurança do sistema Por que alerta tocou tão alto nesta madrugada?
21/06/2026 03:00:09 +00:00
Mega-Sena, concurso 3021: confira os números sorteados

G1 | Loterias - Mega-Sena 3021 O sorteio do concurso 3021 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (20), em São Paulo. Uma aposta acertou as seis dezenas e levou para casa R$ 39 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 46 - 19 - 16 - 58 - 22 - 24 6 acertos - 1 aposta ganhadoras, R$ 39.427.096,38 5 acertos - 65 apostas ganhadoras, R$ 30.910,50. 4 acertos - 3.942 apostas ganhadoras, R$ 840,14. Como funciona a Mega-Sena? O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
21/06/2026 00:01:48 +00:00
Anatel reforça que disparo de alerta com mensagem 'misantropia' não foi emitido por autoridades

Moradores de vários estados do Brasil recebem falso alerta da Defesa Civil A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou nota, na manhã deste sábado (20), para reforçar que as mensagens de alerta extremo recebidas por usuários de telefonia móvel durante a madrugada não foram emitidas pelas autoridades responsáveis pelo sistema de avisos à população. A nota da Anatel foi divulgada após a plataforma de envios Defesa Civil Alerta sofrer uma invasão e disparar notificações para celulares de pelo menos sete unidades da federação na madrugada deste sábado. A mensagem de alerta falso disparada continha a palavra "misantropia", que significa aversão ou rejeição à humanidade. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, em razão da invasão, a plataforma de envios foi retirada do ar por volta da 1h30. O próprio Ministério da Integração já havia informado que a mensagem foi disparada por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A pasta disse que vai acionar a Polícia Federal para a investigação do episódio. A Anatel coordena a integração entre o sistema de alertas e operadoras de celular. Em nota, a Anatel explicou o funcionamento do sistema: os alertas encaminhados pelas operadoras de telefonia móvel, utilizando a tecnologia Cell Broadcast, são originados exclusivamente na plataforma da Defesa Civil. Segundo a Anatel, às operadoras cabe apenas a transmissão dos comunicados para as áreas geográficas previamente definidas pelas autoridades de segurança e proteção civil. "A Agência reforça a relevância do sistema de alertas por Cell Broadcast, apto a cumprir seu propósito de apoiar as ações de prevenção e resposta a desastres, contribuindo para a proteção da população e a preservação de vidas", afirmou a Anatel no comunicado. A Defesa Civil já informou que está apurando o ocorrido e adotando as providências cabíveis para identificar as circunstâncias e a origem do disparo dos alertas durante a madrugada. Alerta da Defesa Civil com a palavra "misantropia" tocou nos celulares dos moradores de Campo Grande. Reprodução
20/06/2026 13:43:36 +00:00
ETs? Mistério? Susto com alerta extremo da Defesa Civil Nacional vira meme nas redes sociais

Polícia Federal vai investigar alerta da Defesa Civil enviado de forma errada Moradores de ao menos sete cidades brasileiras receberam um alerta sonoro extremo da Defesa Civil entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20). As mensagens tinham a palavra "misantropia", sem relação com uma situação real de risco. A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma usada para o envio dos alertas foi retirada do ar à 1h30 deste sábado (20), depois de sofrer uma invasão. Segundo o órgão, o disparo foi feito remotamente por alguém sem autorização e pode ter sido resultado de um ataque hacker (leia a nota completa abaixo). 📱 Nas redes sociais, a mensagem rapidamente virou meme. Alguns internautas brincaram com a situação e associaram o alerta a cenários fictícios, como invasões alienígenas e mensagens misteriosas. Em Belo Horizonte (MG), moradores relataram que a mensagem com conteúdo incomum mencionava uma invasão alienígena: "Proteja-se: ATAQUE ALIENÍGENA, HUMANOS CHEGAMOSmisantropo". Mensagem recebida por moradores de Belo Horizonte (MG) na madrugada deste sábado Reprodução Já no Rio de Janeiro, a mensagem recebida Civil dizia: "misantropo ADRESS RJ burros dms pprt". O texto, com erros de escrita e sem contexto, reforçou a suspeita de falha ou uso indevido do sistema. Print mostra mensagem de texto atribuída à Defesa Civil recebida por morador do Rio de Janeiro na madrugada deste sábado (20). Reprodução O termo "misantropia" significa aversão ou rejeição à humanidade, podendo também se referir a isolamento social, melancolia ou profunda tristeza. Ou seja, não tem ligação com eventos climáticos ou situações de emergência. LEIA TAMBÉM: Por que o alerta da Defesa Civil tocou alto de madrugada mesmo com o celular no silencioso? Veja publicações a seguir: Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text O que diz a Defesa Civil Nacional "A plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da madrugada deste sábado (20/6), após ter sofrido uma invasão e disparado um alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A mensagem disparada foi do tipo Alerta Extremo e continha a palavra “misantropia” — que significa ódio à humanidade. Provavelmente se trata de um ataque hacker. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas."
20/06/2026 11:40:45 +00:00
Por que o alerta da Defesa Civil tocou alto de madrugada mesmo com o celular no silencioso?

Por que alerta tocou tão alto nesta madrugada? O alerta sonoro enviado a celulares de diferentes cidades do Brasil entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20) causou susto não apenas pelo conteúdo da mensagem, mas também pela forma como ela apareceu: em volume alto, como uma sirene que continuava tocando até o usuário visualizar a mensagem e interromper o aviso, inclusive em aparelhos que estavam no modo silencioso. A explicação está no próprio funcionamento do sistema. O Defesa Civil Alerta, plataforma usada para avisos de emergência à população, foi desenhado para furar barreiras comuns do celular em situações de risco extremo. Quando uma mensagem é classificada como “alerta extremo”, o aviso pode tocar em volume elevado e se sobrepor ao uso normal do aparelho, com o intuito de chamar a atenção de quem está em uma área sob ameaça. No caso desta madrugada, porém, a mensagem não correspondia a uma situação real de risco. A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma foi tirada do ar à 1h30 após sofrer uma invasão e disparar um alerta para várias regiões do país. Segundo o órgão, o envio foi ordenado remotamente por alguém de fora do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil e provavelmente se trata de um ataque hacker. A mensagem disparada era do tipo “Alerta Extremo” e trazia a palavra “misantropia”, sem relação com desastres naturais, eventos meteorológicos severos ou qualquer orientação de proteção à população. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil afirmou que acionará a Polícia Federal e que o sistema só será religado quando as condições de segurança forem restabelecidas. Alerta da Defesa Civil com a palavra "misantropia" tocou nos celulares dos moradores de Campo Grande. Reprodução Como funciona o Defesa Civil Alerta O Defesa Civil Alerta é um sistema público criado para enviar avisos emergenciais a celulares localizados em áreas de risco. Ele é usado em situações como chuvas intensas, enchentes, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra, vendavais e outros eventos capazes de colocar a população em perigo. A tecnologia por trás da ferramenta se chama Cell Broadcast. Diferentemente de mensagens comuns de SMS ou notificações de aplicativos, ela não envia o alerta para números cadastrados individualmente. O aviso é transmitido pelas antenas de telefonia celular para todos os aparelhos compatíveis conectados à rede móvel em uma determinada área. Isso permite que a Defesa Civil envie uma mensagem para uma região específica, delimitada por critérios técnicos e geográficos. Quem estiver naquela área, com um celular compatível e conectado à rede móvel, pode receber o aviso automaticamente. Por isso, o sistema não exige cadastro prévio, aplicativo instalado, pacote de dados ativo ou conexão à internet. A lógica é alcançar rapidamente o maior número possível de pessoas em uma área sob risco, inclusive quem não se inscreveu em serviços de alerta por SMS. Por que toca mesmo no silencioso? O ponto central é o nível do alerta. Segundo as regras do Defesa Civil Alerta, há diferenças entre os tipos de aviso. Em alertas severos, o celular pode emitir um som mais simples, semelhante ao de uma mensagem comum, e o aviso não necessariamente toca se o aparelho estiver no silencioso. Já nos alertas extremos, a lógica é outra. A mensagem aciona um som mais forte, parecido com uma sirene, mesmo que o celular esteja no modo silencioso. Isso acontece porque esse tipo de alerta é reservado para situações em que há risco iminente ou muito grave à vida e à segurança da população. A ideia é que, diante de um risco real —como uma enchente repentina, deslizamento ou evento extremo—, a pessoa seja avisada mesmo se estiver dormindo, com o telefone bloqueado, usando outro aplicativo ou com as notificações comuns desativadas. Foi essa característica de segurança que fez o falso alerta causar tanto susto durante a madrugada. Como a mensagem foi classificada como extrema, os celulares reagiram como reagiriam em uma emergência real. O alerta depende de internet? Não. O Defesa Civil Alerta não depende de internet, Wi-Fi ou aplicativo. A mensagem chega pela rede de telefonia móvel, usando a tecnologia Cell Broadcast. Isso também explica por que várias pessoas receberam o aviso ao mesmo tempo em cidades diferentes. O disparo não funciona como uma conversa individual entre remetente e destinatário, mas como uma transmissão direcionada pelas antenas para os aparelhos dentro da área definida. Para receber o alerta, o celular precisa ser compatível com a tecnologia e estar conectado a uma rede móvel adequada no momento do envio. Quem estiver apenas no Wi-Fi, sem conexão com a rede de telefonia, fora da área delimitada ou com aparelho incompatível pode não receber a mensagem. Dá para desligar esse tipo de alerta? Em alguns celulares, há configurações relacionadas a alertas de emergência e alertas governamentais. Mas autoridades de defesa civil recomendam que esses avisos permaneçam ativados, porque eles são usados em situações em que a informação rápida pode evitar mortes. O alerta extremo é uma categoria pensada para risco grave. Por isso, ele tem prioridade sobre configurações comuns do aparelho, como o modo silencioso ou o uso de outros aplicativos. A invasão relatada pela Defesa Civil Nacional expõe uma falha de segurança no uso da plataforma, mas não muda a finalidade do sistema: avisar a população com rapidez em situações de perigo real. O que aconteceu nesta madrugada Moradores de várias cidades relataram ter recebido mensagens com a palavra “misantropia” ou variações do termo. O conteúdo não trazia orientação de proteção, indicação de área de risco nem relação com fenômenos climáticos. Segundo o dicionário Michaelis, misantropia significa aversão, desconfiança ou rejeição à humanidade. O termo também pode ser associado a isolamento social, melancolia ou tristeza profunda. Defesas civis estaduais e municipais, como as de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Salvador, afirmaram que não foram responsáveis pelo disparo e disseram que não havia, no momento, situação de risco que justificasse um alerta extremo. A Defesa Civil Nacional afirmou que a plataforma foi tirada do ar após a invasão. Segundo o órgão, a Polícia Federal será acionada para investigar o caso.
20/06/2026 11:07:02 +00:00
QUIZ: você reconhece os países da Copa do Mundo pelos pratos típicos de cada um?

De qual país é este prato? Descubra no quiz abaixo. Reprodução Que tal uma volta ao mundo pelos sabores da Copa? O g1 preparou um quiz com pratos típicos de 10 das 16 seleções que entram em campo neste fim de semana na Copa do Mundo de 2026. Veja se você consegue identificar os países e chegar à final. Copa dos Alimentos: adivinhe a seleção pelo prato típico de cada país Conheça a cidade goiana que recebeu o título de capital da coxinha
20/06/2026 08:00:35 +00:00
Tarifaço de Trump: empresas dos EUA afirmam que Brasil é insubstituível e tentam barrar taxa de 25%

Tarifa dos EUA contra Brasil é marcada por vaivém Extraídas de minas brasileiras, pedras naturais como ametistas, ágatas e quartzos percorrem milhares de quilômetros até chegar aos Estados Unidos, onde são transformadas em itens de decoração, presentes e lembranças vendidos por atacadistas e varejistas. Esse comércio, no entanto, pode ser afetado pela proposta do governo americano de novamente impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Por isso, até mesmo empresas americanas que dependem dessas importações passaram a pressionar Washington para retirar os produtos brasileiros da lista de sobretaxas. Elas argumentam que não há fornecedores em outros países capazes de substituir o Brasil em termos de qualidade, escala de produção e preço. Entre essas empresas está a GeoCentral, atacadista sediada em Mason, no estado de Ohio, especializada em pedras, cristais e fósseis. A companhia, controlada desde 2008 pela holding familiar CM Paula, pediu formalmente ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que as pedras semipreciosas brasileiras sejam incluídas na lista de produtos isentos da medida. Segundo a empresa, mais de 25% de todo o seu portfólio é importado do Brasil de estados como Minas Gerais e Rio Grande so Sul, incluindo a maior parte das pedras preciosas e semipreciosas comercializadas em diferentes formatos, de cristais soltos a produtos prontos para o varejo. A GeoCentral não está sozinha. Ao menos outras 11 empresas e entidades setoriais enviaram manifestações ao USTR contestando a proposta de sobretaxa sobre mercadorias brasileiras. Destas, pelo menos nove são companhias americanas. Em comum, elas afirmam que a medida aumentará custos, prejudicará suas operações e reduzirá a competitividade da indústria dos EUA. ‘Não existem alternativas equivalentes’ Minarais comercilizados pela GeoCentral: empresa pediu a inclusão de pedras naturais na lista de isenção do governo dos EUA Divulgação Em entrevista ao g1, o CEO da CM Paula, George White, afirmou que a empresa compra produtos brasileiros por necessidade, e não apenas por preferência. “Nós não compramos do Brasil simplesmente porque queremos. Compramos porque o país oferece a melhor combinação de qualidade e custo disponível no mundo.” Em 2025, as exportações brasileiras da categoria de pérolas e pedras preciosas ou semipreciosas, brutas ou trabalhadas, somaram cerca de US$ 45,6 milhões para os EUA. Quando se incluem joias e outros artigos de matérias preciosas ou semipreciosas, o valor supera US$ 71,8 milhões. Segundo White, o Brasil possui uma infraestrutura mineradora difícil de ser replicada por outros países, com capacidade para extrair, cortar, polir e preparar pedras para comercialização em larga escala. “Simplesmente não existem alternativas equivalentes em outros lugares”, afirmou. Em sua manifestação ao USTR, a CM Paula informou que cerca de 120 produtos comercializados pela GeoCentral seriam afetados pela tarifa e argumentou que eles “não estão disponíveis em fontes alternativas com preços razoáveis, qualidade semelhante ou quantidade suficiente fora do Brasil”. Pedra ágata, importada do Brasil e vendida pela GeoCentral nos EUA Divulgação Histórico de tarifas já afetou a empresa White afirma que a empresa já sofreu impactos relevantes com o aumento das tarifas impostas anteriormente sobre importações brasileiras. Segundo o executivo, as sobretaxas obrigaram a companhia a reduzir despesas, demitir funcionários, diminuir investimentos em marketing e elevar preços praticados no atacado. Parte desses valores começou a ser devolvida após decisões da Justiça americana que questionaram a legalidade de tarifas impostas pelo governo dos EUA com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Com isso, várias cobranças foram suspensas ou passaram a ser questionadas judicialmente. No Brasil, as sobretaxas impostas pelos EUA chegaram a 50% sobre parte dos produtos exportados em 2025. Em 20 de novembro de 2025, porém, o presidente Donald Trump assinou um decreto que retirou a tarifa adicional de 40% aplicada a dezenas de produtos agrícolas e pecuários brasileiros, antes mesmo da decisão definitiva da Justiça americana sobre a legalidade das cobranças. Posteriormente, após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais parte dessas sobretaxas, o governo americano passou a utilizar outros instrumentos legais para sustentar algumas cobranças, incluindo uma tarifa global de 10% sobre as importações. Essa medida também foi contestada judicialmente, mas um tribunal federal de apelações decidiu mantê-la temporariamente em vigor enquanto analisa o recurso do governo. De acordo com White, a empresa já recuperou cerca de 10% dos valores devidos e espera receber o restante até o fim deste ano ou no início do próximo. Ao todo, a companhia já apresentou 117 pedidos de restituição relacionados a importações provenientes do Brasil e da China. Mesmo que a tarifa adicional de 25% seja implementada, a GeoCentral afirma que continuará comprando produtos brasileiros. “Continuaremos importando do Brasil. A única diferença é que teremos de arcar com custos maiores por causa das tarifas”, disse White. Segundo o executivo, a companhia ainda não encontrou em outros países fornecedores capazes de substituir as pedras brasileiras. Empresas americanas recorrem ao USTR A mobilização das empresas americanas ocorre após o USTR concluir uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando temas como o PIX, o combate ao desmatamento ilegal, a pirataria e a aplicação das leis anticorrupção. Com base no relatório, o órgão propôs uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros e abriu uma consulta pública para receber manifestações de empresas, associações e demais interessados. O processo será concluído com uma audiência marcada para 6 de julho, quando representantes dos setores afetados poderão apresentar ao governo americano os impactos da medida. 🔎 O número de empresas protestando só não é maior porque a proposta prevê uma longa lista de exceções. Devem ficar de fora da sobretaxa materiais informativos, doações e uma lista específica de produtos, que inclui itens como café, chá, determinadas carnes, frutas, minerais, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, além de palha e forragem. (veja a lista completa aqui) Nas manifestações enviadas ao USTR, empresas dos setores de pisos, construção, mineração, educação e habitação sustentam que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes no mercado americano e alertam que a tarifa aumentaria os custos para empresas e consumidores dos próprios EUA, sem fortalecer a produção doméstica. O g1 localizou algumas delas nos pedidos de participação nas audiências públicas da investigação. 🪵The Fantastic Floor: empresa do estado de Washington e especializada em pisos de madeira pediu a exclusão de espécies brasileiras como jatobá e cumaru da tarifa. Segundo a companhia, essas madeiras são nativas da América do Sul e não estão disponíveis comercialmente nos EUA. 🪵Artivo Surfaces: importadora e distribuidora americana de revestimentos e pisos de madeira. Em manifestação ao USTR, afirmou que as madeiras brasileiras precisam ser processadas ainda na origem para preservar sua qualidade e que a sobretaxa não estimularia a produção doméstica. “Aumentar a tarifa não beneficiará os fabricantes ou consumidores dos EUA, porque as matérias-primas são naturalmente indisponíveis e a qualidade do produto não pode ser replicada”, disse. 🪵Strong Flooring Solutions: empresa do setor de pisos que argumentou que não existem espécies americanas capazes de reproduzir a aparência das madeiras brasileiras. Para a companhia, consumidores interessados nesse tipo de produto não migrariam para alternativas nacionais simplesmente porque “não há opção disponível”. 🪵Wood Timber Import: importadora de produtos de madeira que destacou a importância de molduras e componentes de construção fabricados no Brasil para o mercado imobiliário americano. Segundo a empresa, a produção doméstica não consegue atender à demanda em volume e qualidade suficientes, e novas tarifas apenas elevariam os custos dos projetos. 💎JKG Inc. (Jessie Kan Granite): empresa americana distribuidora de placas de granito, mármore e quartzo, afirmou que os materiais brasileiros possuem características geológicas únicas. Em sua manifestação, alertou que a medida apenas encareceria obras e produtos finais: “Adicionar tarifas sobre pedras naturais do Brasil servirá apenas para elevar os custos de construção e aumentar os custos para os consumidores finais”. 🏠Legacy Roots Housing Initiative (LRHI): organização voltada ao desenvolvimento de moradias modulares e projetos de infraestrutura habitacional nos EUA. A entidade afirmou que a tarifa sobre esses componentes criaria barreiras para pequenos incorporadores e atrasaria projetos de habitação. 🦷 Lauria Dental Model: empresa americana que comercializa modelos odontológicos utilizados por universidades e cursos de formação profissional. A companhia pediu a exclusão desses produtos da medida, argumentando que eles são destinados exclusivamente ao ensino, não competem com dispositivos médicos fabricados nos EUA e que a sobretaxa apenas elevaria os custos da educação. 🌱 Entidades setoriais também entraram no debate. A American Seed Trade Association (ASTA), que representa a indústria de sementes dos EUA, pediu participação na audiência pública do USTR e defendeu que sementes para plantio sejam excluídas da tarifa proposta sobre produtos brasileiros. Segundo a associação, a implementação da nova taxa prejudicaria a competitividade do setor americano e afetaria cadeias globais de suprimento essenciais para a inovação agrícola. Brasil aposta em negociação antes da decisão final Após o prazo para envio de manifestações por escrito, que se encerra em 1º de julho, e da audiência pública marcada para 6 de julho, o governo dos EUA deverá analisar as contribuições recebidas antes de tomar a decisão final. A expectativa é que o processo seja concluído até 15 de julho, data prevista para eventual implementação das novas tarifas. Segundo o Itamaraty, o Brasil tem atuado em duas frentes para tentar reverter a proposta: a contestação técnica da investigação conduzida pelo USTR e a negociação diplomática com Washington. O governo brasileiro afirma já ter enviado manifestações formais ao órgão americano e estuda apresentar uma nova contribuição durante o período de consultas. Nos bastidores, a avaliação é que a proposta de sobretaxa de 25% ainda pode ser negociada antes da conclusão do processo conduzido pelo USTR. Câmara Americana de Comércio intensifica articulação Ao g1, a Amcham Brasil, entidade que representa empresas e as relações comerciais entre Brasil e EUA, afirmou que acompanha de perto a investigação conduzida pelo governo americano e defende uma saída negociada para o impasse. A entidade informou que vem mantendo conversas com autoridades brasileiras e americanas sobre o tema. Segundo a Amcham, foi realizada uma reunião em 15 de junho, em São Paulo, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e representantes de cerca de 15 empresas. No encontro, foram discutidos os possíveis impactos da imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A Amcham também disse que participou da consulta pública e da audiência promovidas pelo governo dos EUA e prepara uma nova manifestação à USTR. O documento deve destacar os efeitos das sobretaxas sobre as cadeias de suprimentos, a produção e o consumo no mercado americano, além do papel do Brasil como fornecedor estratégico e do risco de que esses produtos sejam substituídos por concorrentes de outras regiões, especialmente da Ásia. "Brasil e Estados Unidos possuem uma relação econômica altamente complementar e estratégica", afirmou a entidade, em nota. Por isso, acrescentou, "segue trabalhando para que eventuais divergências sejam tratadas por meio do diálogo e da cooperação, preservando o comércio, os investimentos e a competitividade das empresas dos dois países".
20/06/2026 08:00:32 +00:00
Carro zero por R$ 13 mil, gasolina a R$ 1,70: como era o mercado de carros quando o Brasil ganhou a Copa

Volksweagen Sport de 2002 era o modelo que fazia referência à Copa do Mundo divulgação / Volkswagen O torcedor brasileiro convive com um jejum de 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo. Voltar a 2002 é lembrar do bom futebol e também tomar um choque de realidade. O Brasil de 2002 não tinha redes sociais — Facebook e o finado Orkut só seriam criados em 2004. O iPod ainda engatinhava e não existiam smartphones. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp No máximo, havia o jogo da cobrinha em um celular Nokia. E esse aparelho, quando caía no chão, era capaz de trincar o azulejo. O mercado automotivo brasileiro também era bem diferente. Por isso, o g1 reuniu algumas curiosidades de 2002 para relembrar aqueles tempos. Agora no g1 Carro zero km por preço de celular O automóvel mais barato do Brasil em julho de 2002 era o Fiat Uno Mille três portas a álcool (veja abaixo por que ele ainda não era chamado de etanol), vendido por R$ 13.577. Mas sejamos justos: corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o modelo custaria hoje o equivalente a R$ 55.589. Várias versões do Fiat Mille ficaram marcadas pelos preços baixos nos anos 1990 e começo dos anos 2000 Divulgação / Stellantis Outro dado importante é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média do brasileiro era de R$ 636 em 2002. Corrigido pelo IPCA, o valor equivale hoje a R$ 2.604. O hatch tinha motor 1.0 aspirado de quatro cilindros e rendia 61 cv. De série, oferecia vidros verdes, cintos traseiros laterais de três pontos e... só. Apoios de cabeça no banco traseiro, travas elétricas e vidros elétricos faziam parte de um pacote que custava R$ 671. Limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro, além do controle interno manual do retrovisor, custavam R$ 424. Já a pintura metálica acrescentava R$ 294 ao preço final. O opcional mais curioso era o ar-condicionado. No Uno Mille, era preciso desembolsar R$ 2.407 para ter a cabine climatizada. Isso equivalia a quase 18% do valor do carro. Sai álcool, entra etanol Chevrolet Onix ECO 2027 usa exclusivamente etanol no tanque Divulgação / GM Em 2002, os postos de combustíveis usavam o nome “álcool”, e isso seguiu sem questionamentos por décadas. Em 2008, algumas entidades ligadas ao setor sucroenergético passaram a defender a troca do nome para etanol. 🔎 O argumento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) era que o slogan “Álcool e direção não combinam”, usado na campanha da Lei Seca, confundia o público. Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) queria padronizar a nomenclatura para alinhá-la ao mercado internacional. “A palavra álcool é uma denominação generalizada [há vários tipos de álcool] e o etanol é um produto específico, de maior valor comercial”, disse Haroldo Lima, presidente da ANP na época. A padronização só veio em dezembro de 2009, por meio de uma resolução da ANP, e passou a valer em todo o Brasil em 2010. Em um momento de combustíveis caros, vale lembrar que o litro da gasolina custava R$ 1,77 em 2002. O etanol saía por R$ 0,94 e o diesel custava R$ 1,07. Os dados são da ANP. Outra curiosidade: quando o Brasil conquistou o pentacampeonato, ainda não existiam carros flex no mercado. O primeiro foi o Volkswagen Gol, lançado em 2003. Volkswage Gol Trend 2002 divulgação / Volkswagen Líder durante o penta Por falar nele, entre 1987 e 2013 o Gol foi o carro mais vendido do Brasil. No ano do pentacampeonato, o hatch encerrou 2002 com 208,3 mil unidades vendidas. Na Europa, o carro mais vendido foi o Volkswagen Golf, com mais de 587 mil unidades emplacadas, seguido de perto pelo Peugeot 206. Nos Estados Unidos, o carro mais vendido de 2002 foi o Toyota Camry, com mais de 434 mil unidades. Entre todos os veículos, porém, a liderança ficou com a Ford F-150, que somou mais de 813 mil unidades emplacadas naquele ano. Picape campeã Fiat Strada teve o primeiro facelift em 2002 Divulgação / Stellantis Em 2002, a Fiat Strada era a picape mais vendida do Brasil, com 26.053 unidades emplacadas. O volume representava cerca de 40% do segmento de picapes compactas. Em 2026, a história não mudou: a picape da Fiat vendeu mais de 142 mil unidades e respondeu por mais de 67% do segmento. Mas é preciso contextualizar: hoje as picapes compactas mudaram de patamar. O foco passou a ser quase exclusivamente o trabalho. Para quem busca uma picape para uso particular, há versões mais equipadas da Strada, mas principalmente modelos como Fiat Toro, Renault Oroch e Chevrolet Montana. Em breve, o mercado também verá a chegada da Volkswagen Tukan e da BYD Mako. Volkswagen Gol Sport foi lançado em 2002 divulgação / Volkswagen Sem nome de Copa Em 2002, como a Volkswagen não tinha os direitos da competição, não podia usar a designação “Copa” no Gol. A solução foi batizar a versão de Sport e adotar o tom Amarelo Solar como cor exclusiva. O hatch vinha com motor 1.0 aspirado a gasolina, que gerava 76 cv e 9,7 kgfm de torque. A lista de equipamentos de série tinha direção hidráulica e limpador de vidro traseiro com desembaçador. Travas e vidros elétricos, por exemplo, eram opcionais. Em 2026, a Volkswagen patrocina as equipes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O modelo alusivo à competição é o T-Cross Seleção, que tem lista de equipamentos interessante e visual com frases e estrelas. Volkswagen T-Cross Seleção: SUV será vendido só até a Copa China ainda distante A Copa do Mundo de 2002 foi disputada na Coreia do Sul e no Japão, e marcas japonesas e coreanas faziam sucesso por aqui. Carros chineses sequer eram considerados no Brasil. A BYD produzia apenas veículos pesados e só lançou seu primeiro carro em 2005. A JAC Motors, que chegou ao Brasil em 2011 prometendo revolucionar o mercado nacional com o J3, também atuava no segmento de caminhões. Seu primeiro veículo de passageiros foi a van Refine, lançada em 2002. GWM e Geely foram fundadas nos anos 1980 e só passaram a produzir carros de passeio no fim da década de 1990. A Chery surgiu em 1997, enquanto as subsidiárias Omoda e Jaecoo nasceram em 2022 e 2023, respectivamente. O cenário em 2026 é bem diferente. Entre janeiro e abril deste ano, quase metade dos veículos importados pelo Brasil veio da China. Só em abril, mais de 17% das vendas no país foram de marcas chinesas. O primeiro Ford Ecosport foi mostrado em 2002 e chegou às lojas em 2003 Divulgação / Ford Nada de SUV Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 43,1% dos veículos vendidos no Brasil em 2025 eram SUVs. Em 2002, esse segmento era praticamente irrelevante no Brasil. A oferta se concentrava em utilitários esportivos grandes e modelos derivados de picapes. O modelo importado mais vendido no ano do pentacampeonato foi o Mitsubishi Pajero, com 4.028 unidades. A história começou a mudar justamente no Salão do Automóvel de 2002, quando a Ford apresentou a primeira geração do Ecosport. Derivado do Fiesta, o modelo chegou às lojas em 2003 e inaugurou no Brasil o segmento dos SUVs mais acessíveis, baseados em plataformas de carros compactos. A mesma receita é aplicada até hoje em SUVs como Fiat Pulse, Chevrolet Tracker, Renault Duster, Citroën C3 Aircross, Volkswagen T-Cross e outros. O Chevrolet Tracker já existia no mercado em 2002, mas era um irmão gêmeo do Suzuki Grand Vitara Divulgação / GM Cardápio interessante Se hoje o mercado automotivo passa a sensação de ser “mais do mesmo”, em 2002 havia várias opções que hoje parecem curiosas. No ano do penta, era possível entrar em uma concessionária Volkswagen e levar para casa um Santana ou uma Parati Turbo. Para quem precisava trabalhar, a Kombi seguia firme e forte no catálogo da marca. Os saudosistas devem lembrar que, em 2002, ainda era possível comprar modelos da Alfa Romeo no Brasil. O sedã 166 tinha motor 3.0 V6 de 226 cv, câmbio automático e suspensão traseira independente. O preço de US$ 59 mil assusta até em 2026. A Chevrolet já vendia o Tracker por aqui em 2002, mas o SUV era, na prática, um Suzuki Vitara com detalhes e emblemas diferentes. No início da trajetória da dupla, o motor era um 2.0 turbodiesel de 87 cv fornecido pela Mazda. Em 2002, porém, outro motor 2.0 turbodiesel entrou em cena, desta vez da Peugeot. O propulsor rendia 108 cv e 25,5 kgfm de torque. Fiat Toro passa pela linha de produção da Stellantis em Goiana, Pernambuco Divulgação / Stellantis Mercado cresceu Em 2002, os brasileiros compraram quase 1,4 milhão de automóveis, segundo dados da Fenabrave. Em 2025, o mercado nacional registrou mais de 2,5 milhões de emplacamentos. A produção nacional também cresceu: passou de 1,7 milhão de veículos no ano do penta para mais de 2,6 milhões no ano passado. Dois dados curiosos aparecem no anuário da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa para 2002 era de uma frota circulante de 18,4 milhões de veículos no Brasil. Em 2024, ano mais recente disponível no documento, a estimativa é de que o Brasil tenha mais de 40,3 milhões de veículos em circulação.
20/06/2026 07:01:54 +00:00
Pedidos de autorização de pesquisa para terras raras explodem, mas agência teme que bloqueios orçamentários causem prejuízos

O Brasil possui as maiores reservas de terras raras do mundo depois da China Getty Images Levantamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) aponta que, desde 2023, o Brasil tem registrado um crescimento expressivo nos requerimentos de autorização de pesquisa para terras raras. 🔎Chamados de "terras raras", esses minerais compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, normalmente misturados a outros minérios de difícil extração e com alto valor comercial. Desconhecidas aos olhos do público, mas cobiçadas nos bastidores da indústria e da diplomacia, as "terras raras" se tornaram um dos recursos mais estratégicos do planeta. São essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, baterias de carros elétricos, cabos de transmissão, foguetes, equipamentos médicos, armas e dispositivos eletrônicos de última geração. Com papel central na transição energética, defesa e na produção de alta tecnologia, estes recursos estão no centro de disputas e negociações geopolíticas, e o Brasil tem potencial privilegiado para se destacar no cenário. Agora no g1 Os números demonstram o aumento no interesse por terras raras nos últimos anos – especialmente a partir de 2023–, um reflexo da percepção da crescente relevância estratégica. Entre 2023 e o começo de junho, foram contabilizados cerca de 3 mil pedidos. Para efeito comparativo, foram contabilizados 745 requerimentos em todo o período entre 1975 e 2022 . O requerimento de pesquisa é a primeira fase um longo período até a concessão da lavra, quando uma empresa recebe autorização para explorar uma jazida. Terras raras: tipos e usos Arte/g1 Bloqueio no orçamento Apesar do potencial, as atividades relacionadas as terras raras podem ser atingidas pelo bloqueio de R$ 22,7 milhões no orçamento da Agência Nacional de Mineração (ANM). O alerta foi feito pelo diretor-presidente da autarquia, Mauro Sousa. 🔎 Um bloqueio no orçamento é como um "freio de emergência" temporário nas finanças do governo. Ele acontece quando os gastos obrigatórios, como pagamento de aposentadorias, sobem mais do que o esperado. Quando isso acontece, o governo precisa reter parte do dinheiro de gastos não essenciais, como obras, para não ultrapassar o limite de gastos permitido. Segundo Sousa, a restrição orçamentária demandará que a agência reveja prioridades em um cenário já de escassez de recursos. Diretor-presidente da ANM, Mauro Sousa Divulgação/ANM "Isso significa alocar os recursos da melhor forma possível. Nem todas as atividades serão desenvolvidas no tempo necessário e adequado", afirmou a jornalistas após evento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) nesta semana. O setor responsável pelos minerais críticos e estratégicos já opera com uma estrutura "modesta". De acordo com Sousa, a unidade conta com quatro servidores, que comandam estudos e ações relacionadas ao tema. A limitação orçamentária ocorre em um momento que o Brasil busca ampliar sua participação na cadeia global desses minerais. O diretor da ANM menciona que o país tem firmado acordos de cooperação e memorandos de entendimento com outros países para acelerar estudos e investimentos no setor. "Nós criamos compromissos internacionais e precisamos ter uma estrutura institucional capaz de dar as respostas adequadas. Quando isso acontece, perdemos a capacidade de cumprir aquilo com que o Estado brasileiro está se comprometendo", disse. Serviço Geológico do Brasil avança com pesquisas sobre potencial para terras raras Divulgação/SGB Para o diretor-presidente da ANM, há uma contradição entre os objetivos estratégicos do país e a redução dos recursos destinados à autarquia. "Somos falhos quando cortamos recursos que não permitem que aquilo que foi acordado seja efetivamente cumprido. Isso é uma contradição do Estado brasileiro", avaliou. Demais áreas Além das ações voltadas aos minerais estratégicos, o bloqueio pode afetar questões como leilões de área para exploração e ações de fiscalização de barragens. Caso a limitação dos recursos seja mantida, 43 barragens e 18 pilhas de mineração que deveriam receber vistorias técnicas até o fim do ano poderão ficar fora do cronograma inicialmente planejado. 🔎Essas inspeções subsidiam decisões regulatórias, ações de fiscalização e avaliações de segurança operacional. Algumas das estruturas previstas para vistoria exigem monitoramento contínuo devido ao potencial impacto social, ambiental e econômico, incluindo instalações localizadas próximas a comunidades e áreas ambientalmente sensíveis. A restrição de recursos também afeta etapas consideradas essenciais para a análise de processos minerários. Em muitos casos, vistorias de campo são necessárias para a aprovação de Relatórios Finais de Pesquisa e de Planos de Aproveitamento Econômico (PAEs), documento que detalha como uma jazida será explorada comercialmente. Sem essas verificações presenciais, a tramitação dos processos tende a ficar mais lenta, o que pode retardar investimentos e a entrada de novos empreendimentos em operação.
20/06/2026 07:00:48 +00:00
O que as pessoas realmente querem no trabalho está mudando — e a geração Z ajuda a explicar por quê

Por que os jovens pedem mais demissão? Veja como pensa cada geração A ideia de que os mais jovens não se preocupam com vínculos formais começa a ficar para trás. A geração Z (nascidos entre 1997 e 2012), muitas vezes vista como mais desapegada, é hoje a que mais rejeita trabalhos sem contrato no Brasil. Segundo o Estudo de Tendências Laborais 2026, feito pela WeWork em parceria com a Offerwise, 65% dos jovens dizem não aceitar empregos sem contrato formal ou benefícios. O índice é o maior entre todas as faixas etárias. O estudo ouviu 2,5 mil profissionais. Entre os mais velhos, como na faixa de 62 a 80 anos, 63% afirmam que não recusariam uma oportunidade nessas condições. Os números mostram uma diferença geracional: enquanto os mais jovens cobram mais formalização, profissionais de faixas etárias mais altas tendem a aceitar mais esse tipo de proposta. O dado chama atenção porque vai na contramão de um comportamento já associado a geração Z. 🔎 Os mais jovens mudam mais de emprego, testam caminhos e evitam carreiras longas em um só lugar, como mostrou o g1 em reportagem publicada em agosto do ano passado. Ainda assim, não abrem mão de garantias básicas. Diferenças entre gerações ajudam a explicar o movimento Para entender esse contraste, é preciso observar como cada geração se relaciona com o trabalho. Os baby boomers (1946 e 1964) cresceram em um período em que a estabilidade era regra. A ideia era construir uma trajetória longa, muitas vezes em uma única empresa, com a expectativa de segurança no futuro. A geração X (1965 – 1980) manteve essa base, mas com mais abertura a mudanças ao longo do tempo. O equilíbrio entre estabilidade e crescimento passou a ganhar espaço. Entre os millennials (1981 – 1996), o trabalho passou a precisar fazer mais sentido. Propósito, ambiente e desenvolvimento se tornaram fatores importantes para a permanência em uma empresa. Já a geração Z levou essa transformação adiante. O aprendizado constante, a identificação com o trabalho e a possibilidade de mudança rápida se tornaram parte da lógica profissional. Ao mesmo tempo, cresceram em um cenário mais instável, o que ajuda a explicar a busca por segurança em pontos essenciais, como a formalização. Essas diferenças ficam ainda mais evidentes em um momento em que quatro gerações passaram a conviver no mesmo mercado de trabalho. Essa diversidade de perfis se tornou um desafio para as empresas, que passaram a lidar com expectativas diferentes sobre o que significa construir uma boa carreira. Para o sociólogo Ricardo Nunes, esse comportamento não é contraditório. “As novas gerações aprendem desde cedo que precisam se adaptar e buscar seus próprios caminhos”, afirma. Nesse contexto, ter um contrato formal deixa de ser apenas um detalhe e passa a ser uma forma de proteção. Flexibilidade ainda é desejo Além do recorte geracional, o estudo mostra um descompasso entre o que os brasileiros querem e o que encontram no mercado. Seis em cada 10 preferem trabalhar de forma híbrida ou remota. Mas, na prática, apenas quatro em cada 10 estão nesse modelo atualmente. Ainda de acordo com o estudo, o retorno ao escritório não é descartado, mas vem acompanhado de condições. Cerca de 82% aceitariam voltar ao presencial se recebessem um salário maior. Mesmo com mudanças em curso, a maioria avalia de forma positiva a retomada das atividades presenciais. Segundo o levantamento, 72% consideram que o retorno ao escritório foi organizado e estruturado. Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho segue como prioridade. Para 64%, valeria ganhar menos para preservar essa relação. Esse cenário reforça o desafio das empresas: encontrar um equilíbrio entre diferentes expectativas. Enquanto alguns profissionais buscam segurança e estabilidade, outros pressionam por modelos mais flexíveis e por uma relação menos tradicional com o trabalho. A conclusão do estudo é que o futuro do mercado de trabalho brasileiro será resultado dessa convivência entre gerações. Em vez da substituição de um modelo por outro, o movimento atual indica uma reorganização das relações profissionais, com empresas e trabalhadores ajustando novas formas de trabalhar. Cada geração carrega valores moldados pelo seu tempo, pelo contexto econômico e pelas transformações sociais g1
20/06/2026 06:00:16 +00:00
Defesa Civil Nacional diz que sistema foi invadido e disparou alerta falso; veja o que se sabe

Moradores de diversas cidades do Brasil recebem falso alerta da Defesa Civil Moradores de diferentes regiões do país relataram ter recebido, entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20), alertas extremos sonoros e mensagens de texto atribuídas à Defesa Civil. O caso chamou atenção pelo conteúdo incomum: em alguns celulares, aparecia apenas a palavra “misantropia”; em outros, mensagens desconexas e com erros de escrita. A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma Defesa Civil Alerta foi retirada do ar às 1h30 da madrugada deste sábado (20), depois de sofrer uma invasão. Segundo o órgão, o disparo foi feito remotamente por alguém sem autorização e pode ter sido resultado de um ataque hacker. "A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas", afirmou o órgão. Antes da confirmação da invasão, autoridades estaduais já haviam informado que não tinham emitido os alertas. A Defesa Civil do Paraná disse que não havia qualquer situação de risco e acionou a Defesa Civil Nacional e a Anatel para investigar o caso. A Defesa Civil de São Paulo também afirmou que não enviou nenhuma mensagem. O órgão informou que a tecnologia Cell Broadcast, usada para alertas severos e extremos, é gerida pela Anatel e disse que entrou em contato com a agência. Para o especialista em tecnologia Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, há pelo menos duas hipóteses iniciais que podem orientar a investigação. A primeira possibilidade, segundo ele, é que o software usado para receber mensagens das autoridades e encaminhá-las às redes de telefonia tenha sido comprometido. Nesse cenário, alguém poderia ter acessado o sistema com credenciais legítimas ou explorado uma falha para disparar mensagens sem autorização. A segunda hipótese levantada pelo especialista é o acesso remoto a computadores de servidores públicos que tenham autorização para operar esse sistema. Nesse caso, o invasor poderia se passar por um usuário legítimo para enviar os alertas. Ayub ressalta, no entanto, que essas hipóteses ajudam a explicar como uma invasão desse tipo pode ter acontecido, mas que ainda não há confirmação sobre quem foi o responsável pelo disparo das mensagens. Morador do Rio de Janeiro mostra alerta extremo recebido no celular com a palavra “misantropia”. Reprodução O que significa “misantropia”? A palavra “misantropia” chamou atenção de usuários e virou alvo de buscas na internet. Segundo o dicionário Michaelis, o termo significa aversão ou rejeição à humanidade, podendo também se referir a isolamento social, melancolia ou profunda tristeza. Nas redes sociais, a mensagem rapidamente virou meme. Alguns internautas brincaram com a situação e associaram o alerta a cenários fictícios, como invasões alienígenas e mensagens misteriosas. Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text
20/06/2026 05:19:04 +00:00
A estratégia dos três potes: como investir mesmo quando o orçamento está apertado

Como investir se não sobra dinheiro? Esperar sobrar dinheiro para começar a investir pode ser um erro comum. A recomendação é inverter a lógica: em vez de guardar o que resta no fim do mês, separar uma parcela da renda logo após receber o salário. Uma das estratégias sugeridas é a chamada teoria dos três potes, que divide o orçamento entre gastos do dia a dia, reserva de segurança para emergências e investimentos voltados para objetivos futuros, como a compra da casa própria, viagens ou aposentadoria. A regra de bolso mais conhecida prevê a destinação de 60% da renda para despesas correntes, 30% para segurança financeira e 10% para o futuro. Especialistas destacam, porém, que o mais importante é criar o hábito de investir regularmente, mesmo que o percentual inicial seja menor. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
20/06/2026 05:00:14 +00:00
'Taxa das blusinhas': após fim do imposto, varejo e importadores levam disputa ao Congresso e à Justiça

Compras em sites brasileiros que não informam produtos vindos da China frustram consumidores e-commerce comércio on-line compras internacionais cartão de crédito consumo Thaisa Figueiredo/g1 O fim da chamada "taxa das blusinhas" não acabou com a disputa entre varejistas nacionais, importadores, envolvendo também consumidores brasileiros. Pelo contrário, os representantes dos setores ampliaram a ofensiva nas redes sociais, no Congresso Nacional e até mesmo no Judiciário. Anunciado em maio pelo governo, o fim da taxa das blusinhas eliminou a cobrança de 20% em imposto de importação sobre compras internacionais abaixo de US$ 50 que havia sido instituída em agosto de 2024. A medida manteve o programa Remessa Conforme — que regularizou a compra desses produtos no exterior. Apesar do fim do imposto de importação, os estados mantiveram sua tributação, por meio do ICMS, enre 17% e 20%. Essa cobrança permanece de pé. ➡️Enquanto o varejo nacional se movimenta pelo que chama de "isonomia" (tributação igual para produtos nacionais e importados), os importadores atuam para manter a taxação zerada (veja mais abaixo nessa reportagem). Os varejistas alegam que as importações possuem vantagem competitiva frente à produção nacional, o que está minando empregos. ➡️Como pano de fundo dessa disputa, está o fato de que a revogação da taxa das blusinhas foi feita por meio de Medida Provisória, que tem força de lei. Entretanto, terá de ser confirmada posteriormente pelo Congresso Nacional, que pode manter, barrar ou alterar a medida. ➡️Ao mesmo tempo, independentemente da discussão no Congresso Nacional, entidades do setor produtivo nacional já se movimentam para retomar a cobrança no Judiciário. Tudo isso ocorre em um ano eleitoral. Governo Federal anuncia fim da taxa das blusinhas Taxa das blusinhas 🔎Iniciada em 2024 e encerrada neste ano, a taxação foi criada como resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia. E também diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online. ➡️Controversa, a "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros principalmente por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentavam que turistas de viagens internacionais tinham vantagem ao não recolher o tributo. ➡️A taxação de encomendas com valor abaixo de US$ 50 retornará em 2027 por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — tributo federal criado no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. A alíquota a ser cobrada, entretanto, ainda não está definida. Será fixada até dezembro deste ano. Cálculo da consultoria Roit aponta para uma taxa de 9,43% em 2027. ➡️De 2029 a 2032, haverá a transição do ICMS estadual e do ISS municipal para o IBS — o futuro imposto sobre consumo dos estados e municípios. Ao fim desse período, os atuais tributos estaduais e municipais serão substituídos pelo IBS, cuja alíquota, em conjunto com a CBS do governo federal, está estimada em 26,5% – uma das maiores do mundo. O tributo será cobrado sobre importações. Disputa se intensifica Jornal Nacional/ Reprodução Para o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne os varejistas brasileiros, como Americanas, Dafiti, Centauro, Casas Bahia, Lojas Renner e Magazine Luiza, entre outros, a cobrança da CBS a partir de 2027 pelo governo, avança para corrigir uma "situação não isonômica" – dada a isenção para importados de baixo valor. Mas a entidade pede o restabelecimento, também, do imposto de importação — além da cobrança da CBS. "Todas as operações comerciais com bens e serviços serão, via de regra, tributadas, razão pela qual as operações comercias envolvendo importações de pequeno valor e cross-border também devem ser tributadas, respeitando a lei e principalmente o comércio local, já tão prejudicado pelas distorções tributárias que lhe são aplicadas, seja na tributação de Imposto de Importação, seja na tributação sobre o valor adicionado, como no caso da CBS", acrescenta o IDV, em nota. Nesta semana, as Frentes Parlamentares Comércio e Serviços, do Ambiente de Negócios, Pelo Brasil Competitivo e de Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria, entre outras, divulgaram documento na qual reafirmam seu "compromisso com a defesa da produção nacional, da geração de empregos, do investimento produtivo e da construção de um ambiente de negócios baseado na concorrência justa e equilibrada". "Defender a isonomia tributária não significa defender privilégios. Significa assegurar que todos os agentes econômicos estejam sujeitos às mesmas regras e contribuam de forma equivalente para o desenvolvimento do país. É justamente por isso que defendemos um princípio simples, compreensível e justo: Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro", diz o documento. Por outro lado, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços e importadores, como Alibaba, Amazon e Shein, entre outros, avaliou que o fim do imposto de importação para compras de pequeno valor é o "caminho mais natural e justo". A entidade ressaltou a importância de o Congresso avançar com a aprovação da Medida Provisória que eliminou a "taxa das blusinhas". "A revogação da taxa ajuda a democratizar o consumo, ao conectar milhões de cidadãos aos produtos do mercado global, com preços mais acessíveis, beneficiando especialmente o público de menor poder aquisitivo. Caso o Imposto de Importação seja reinstituído, somado à CBS e ao ICMS atualmente vigente, a pressão tributária sobre o consumidor final deve se intensificar", avaliou a Amobitec, em nota. Já a Proteste Euroconsumers-Brasil, que diz ser uma entidade civil sem fins lucrativos, apartidária, independente de governos e empresas, uma associação brasileira de defesa do consumidor, realizou uma pesquisa nacional sobre a "taxa das blusinhas". Correção: Ao contrário do divulgado anteriormente, a a Shein, a Alibaba e a Amazon não são associadas da Proteste Euroconsumers-Brasil. A Proteste informou possuir em seus quadros associativos pessoas físicas e outras associações de defesas de consumidores. Entre os principais resultados, o levantamento aponta que 92% dos consumidores consideram que eliminar a taxação de 20% do governo federal foi uma decisão correta – percentual que chega a 97% no Sudeste e a 94% no Nordeste. Para 88%, o Congresso Nacional deveria tratar o tema como prioridade. 🔎A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 21 de maio de 2026, por meio de entrevistas pessoais, com 1.300 consumidores de 18 a 65 anos, com renda familiar mensal superior a R$ 1.600. O levantamento contemplou moradores das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém e Manaus. Demanda na Justiça A disputa política e nas redes sociais também já começou a transbordar para a Justiça. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) protocolou, em maio, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) Supremo Tribunal Federal (STF) o fim da taxa das blusinhas. A entidade diz que, diante do risco de retrocesso e da insegurança jurídica para o comércio nacional, "requer a concessão de medida liminar para suspender imediatamente os efeitos da isenção". No mérito, a Confederação pede que o STF declare a inconstitucionalidade total das normas impugnadas, "restaurando o equilíbrio competitivo no mercado brasileiro". "O restabelecimento da alíquota zero para as compras internacionais de até US$ 50 é um retrocesso grave que pune diretamente o setor produtivo nacional. Não podemos aceitar uma assimetria jurídica que concede vantagens excessivas ao produto estrangeiro livre de impostos federais, enquanto as empresas brasileiras suportam sozinhas o peso da nossa carga tributária interna. O comércio nacional não teme a concorrência, desde que ela seja leal", diz o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
20/06/2026 03:00:40 +00:00
Memes: gols de Matheus Cunha e Vini Jr. contra o Haiti animam internet

Matheus Cunha, do Brasil, comemora o primeiro gol da equipe com Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e Vinicius Junior REUTERS/Dylan Martinez Os gols de Matheus Cunha e Vini Jr. na partida entre Brasil e Haiti nesta sexta-feira (19) animaram a internet. Nas redes sociais, memes destacaram o bom desempenho dos atacantes da Seleção Brasileira. Algumas publicações destacaram a assistência de Lucas Paquetá para o gol de Vini Jr. e lembraram que os dois foram revelados pelo Flamengo. Outras comentaram os dois gols de Matheus Cunha, escalado como titular por Carlo Ancelotti. "Nunca critiquei", brincaram alguns usuários. Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text
20/06/2026 01:13:58 +00:00
Sorteios da Lotofácil, Lotomania, Dupla Sena e Super Sete desta sexta (19) foram adiados por causa de Brasil x Haiti

Como funciona a Mega-Sena? Os sorteios da Lotofácil, Lotomania, Dupla Sena e Super Sete previstos para esta sexta-feira (19) estão adiados por causa da partida entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo de 2026. As loterias serão sorteadas na manhã deste sábado (20), às 8h30. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp A mesma mudança ocorrerá com os sorteios programados para o dia 24, que passarão para a manhã de 25 de junho, também às 8h30. Sorteio da Loteria Federal desta quarta (29) Reprodução / Caixa g1 transmite ao vivo O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
19/06/2026 23:42:39 +00:00
Governo investiga se sites pornôs impedem acesso de menores de idade

Criança no celular Canva A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) informou nesta sexta-feira (19) que vai monitorar sites de conteúdo pornográfico e de serviços de acompanhantes. O objetivo é verificar se eles estão agindo para impedir o acesso de crianças e adolescentes. A fiscalização vai alcançar 18 sites com conteúdos e serviços proibidos para menores de idade que representam 98% do tráfego online desse tipo no Brasil, segundo a ANPD. (veja lista ao final) O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que virou lei em setembro de 2025, obriga plataformas com conteúdo impróprio para menores de 18 anos a verificar a idade de seus usuários. Como a autodeclaração de idade está proibida, sites não podem ter bloqueios que podem ser burlados ao clicar em botões como "Sim, tenho mais de 18 anos". A regra também foi adotada no Reino Unido, onde sites perderam audiência após melhorar a verificação de idade. Agora no g1 As plataformas acionadas pela ANPD têm 10 dias úteis para responder quais medidas adotaram para verificar a idade de usuários e como elas se adequam aos requisitos mínimos definidos pela agência. As empresas deverão informar ainda quais mecanismos de proteção são aplicados nos casos em que não é possível confirmar a idade dos usuários. Caso não respondam aos questionamentos da ANPD, as plataformas ficarão sujeitas a processos administrativos que podem resultar em sanções que incluem advertência, multa e bloqueio no país. Em março, após o ECA Digital entrar em vigor, o g1 verificou que sites com conteúdo pornográfico não mostravam mudanças visíveis em relação aos dias anteriores e ainda aceitavam a autodeclaração de idade de usuários. Mas especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que a lei ainda estava em um momento de transição e que dependia de regras específicas da ANPD para definir como a verificação de idade deveria ser adotada. Estes são os sites monitorados pela ANPD: Xvdeos.com Xvideos.red Onlyfans.com Pornhub.com Xhamster.com Xnxx.com Fatalmodel.com Socialmediagirls.com Sambaporno.com Animeshentai.biz Hentaistube.com Privacy.com.br Thehentai.net Photoacompanhantes.com Cameraprive.com Hiper.cool Shokka.com Thisvid.com
19/06/2026 20:40:03 +00:00
Conhece o cará-do-ar? Veja curiosidades e dicas de cultivo

Imagem de um cará-do-ar, também conhecido como cara moela. Reprodução José Lúcio Batista, de Uberaba (MG), enviou uma carta ao Globo Rural perguntando sobre o cará-do-ar, planta que também é conhecida como cará-moela. Para quem não conhece, o cará-do-ar é uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) e pertence à mesma família dos carás tradicionais. A espécie tem despertado interesse de produtores e consumidores por seu potencial alimentar e pelas diferentes formas de cultivo. Para ajudar quem deseja conhecer mais sobre a cultura, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) disponibiliza uma cartilha dedicada ao tema. O material reúne informações sobre o plantio, os cuidados necessários durante o cultivo e as principais pragas e doenças que podem afetar a planta. 📱Acesse aqui O que faz um ovo ser jumbo? Idade da galinha ajuda a explicar
19/06/2026 16:55:13 +00:00
Imposto do pecado: governo quer manter carga tributária sobre bebidas e cigarro enquanto durar período de transição

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (19) que não há intenção de adiar a implementação do chamado imposto seletivo, conhecido como "imposto do pecado", previsto para começar em 2027. Ele adiantou que a ideia é manter a atual carga tributária (peso dos tributos) que existe atualmente, ou seja, sem aumento, em um processo de transição, no qual será feito um debate com os setores afetados. "Ideia é que pactue com os setores afetados, mantendo a carga tributária que hoje eles têm no IPI, para que faça a transição, com debate aprimorado na sequência. Proposta tem de ser encaminhada neste ano", disse Durigan, em entrevista ao Jota. No início deste mês, o Ministério da Fazenda informou ao g1, entretanto, que o objetivo é encarecer, no futuro, os produtos ou atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente como forma de reduzir o seu consumo. Agora no g1 🔎A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros. O novo imposto também vai incidir sobre alguns veículos, conforme o nível de poluição, sobre a extração de bens minerais, e sobre loterias, apostas e jogos de "fantasy sports", que são jogos online onde os participantes montam equipes virtuais com atletas reais e competem com base no desempenho desses atletas em partidas reais. Para começar a valer efetivamente, o Congresso Nacional precisa aprovar a regulamentação do imposto, mas a proposta do governo federal ainda não foi enviada. O Executivo diz que isso será feito até o fim deste ano. ➡️Levantamento da Fiocruz, citado pelo Ministério da Saúde, diz que, em 2019, o consumo de álcool custou R$ 18,8 bilhões, dos quais R$ 1,1 bilhão relativo a custos federais diretos com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS, e R$ 17,7 bilhões à perda de produtividade pela mortalidade prematura, licenças e aposentadorias precoces decorrentes de doenças associadas ao consumo de álcool, perda de dias de trabalho por internação hospitalar e licença médica previdenciária. ➡️No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, as doenças relacionadas ao tabagismo geram um custo indireto de R$ 86,3 bilhões por ano, o que resulta em um gasto total anual de R$ 153,5 bilhões para o governo, o equivalente a 1,6% do PIB. "Em contrapartida, a arrecadação de tributos federais na venda de cigarros é de apenas R$ 8 bilhões por ano, o que evidencia desequilíbrio entre os gastos com a saúde e a arrecadação gerada pela comercialização do produto", diz. ➡️Considerando as bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes, isotônicos e refrescos, o governo estimou, em estudo para embasar o uso do imposto seletivo, que os custos contabilizados para o Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de doenças associadas ao consumo desses produtos são estimados em quase R$ 3 bilhões ao ano. ➡️Produtores nacionais dizem que as bebidas alcoólicas, por exemplo, já têm taxação alta no Brasil, com carga tributária variando de 40% a mais de 80% do preço do produto, e avaliam que um eventual aumento dos impostos cobrados pressionará as margens de lucro, podendo gerar repasses aos preços, demissões e estímulo ao mercado ilegal. Selo imposto do pecado Reprodução/GloboNews
19/06/2026 16:21:42 +00:00
Influencers que divulgarem apostas ilegais serão responsabilizados, diz governo

Influenciadores digitais que fizerem propaganda de plataformas de apostas ilegais serão responsabilizados tributariamente, informou o governo federal nesta sexta-feira (19). “Se um influenciador entrar em uma rede social e fizer propaganda de uma bet ilegal, além de todas as sanções administrativas da SPA [Secretaria de Prêmios e Apastas], a Receita Federal vai cobrar Imposto de Renda e também tributos como PIS e Cofins", afirmou o secretário da Receita Federal, Robison Barreirinhas. 🔎O Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Confins) são contribuições sociais federais que incidem sobre a receita bruta das empresas. Mais cedo, o governo federal anunciou que vai bloquear recursos vinculados a plataformas de apostas ilegais e destiná-los ao Fundo Nacional de Segurança Pública, respeitando o devido processo legal. Barreirinhas reforçou que os ganhos obtidos por meio da divulgação de bets clandestinas não estarão isentos de tributação (leia mais abaixo). Agora no g1 “Se o influenciador está ganhando dinheiro com uma bet ilegal, ele terá de pagar Imposto de Renda sobre esse rendimento”, declarou. O secretário também informou que instituições financeiras que movimentarem recursos relacionados a bets ilegais também serão responsabilizadas no âmbito tributário. LEIA MAIS: 25 milhões de pessoas usam plataformas ilegais de apostas online, diz ministro da Justiça Entenda Nesta manhã, o governo anunciou que vai bloquear recursos de bets ilegais e enviar ao fundo de segurança pública, respeitando o processo legal. A informação foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e depois confirmada em um vídeo gravado pelo presidente Lula nas redes. O anúncio da medida ocorre no dia seguinte à realização de uma operação contra um esquema criminoso de movimentação bilionária por meio de bets ilegais (relembre mais abaixo). "Block para o jogo ilegal! Ao lado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, assinei hoje uma nova medida que garante o bloqueio de recursos financeiros de empresas ilegais de apostas", diz a publicação do presidente. "Cumprido o devido processo, os recursos bloqueados serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e reforçarão o combate às estruturas financeiras do crime organizado no país", detalhou o petista. Dinheiro apreendido na Operação Conto da Sorte, deflagrada em PE, em SP e no CE MPRN/Divulgação Como vai funcionar? Durigan explicou que o Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça vão bloquear, administrativamente e de forma preventiva, recursos que são originados de jogos chamados pelo governo de "irresponsáveis", ou seja, de plataformas que operam de forma irregular. A norma assinada pelo presidente nesta sexta (19) define os procedimentos para efetuar esse bloqueio e as regras para envio de informações que vão ajudar na investigação e na apreensão de bens desses operadores — recursos que poderão ser destinados à União. Na prática, quando houver indícios de que uma empresa está explorando apostas de forma irregular, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda poderá notificar as instituições financeiras para bloquear os recursos ligados à atividade. ➡️Após o bloqueio, será aberto um processo administrativo para investigar o caso e decidir se os valores serão confiscados e transferidos para a União. ➡️Se, ao fim do processo administrativo, for confirmada a irregularidade, a Advocacia-Geral da União (AGU) poderá recorrer à Justiça para pedir o confisco dos recursos e autorizar a transferência dos valores para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Segundo o governo, o procedimento deverá seguir as regras do processo administrativo, garantindo o direito de defesa e de contestação dos investigados, sem afetar os direitos dos apostadores. Essa comunicação incluirá um contato direto com as instituições financeiras, segundo Durigan. "A Fazenda vem construindo essa inteligência com a Secretaria de Prêmios e Apostas (da pasta) e com Receita Federal. Quando a gente identificar uma ilegalidade, nos vamos comunicar os bancos dizendo: qualquer conta que você tenha que trate de recurso dessas bets aqui irresponsáveis, você trate de congelar", informou o ministro da Fazenda. ➡️O ministro acrescentou que o governo vai enviar esses processos de bets ilegais ao Ministério da Justiça para que esses recursos saiam dos bancos. Apostas online. Joédson Alves/Agência Brasil
19/06/2026 15:52:46 +00:00
Governo vai propor subir limite do MEI para R$ 130 mil escalonado até 2028, mas afasta corrigir outras faixas do Simples, diz ministro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (19) que o governo vai enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional para corrigir o limite de enquadramento do microempreendedor individual de R$ 81 mil para um valor próximo a R$ 130 mil até 2028. Mas, afastou a possibilidade de corrigir os demais limites do Simples Nacional. "Não temos condição de ampliar os limites do Simples como um todo. Estamos discutindo especificamente os limites do MEI, não para 2026, mas para os próximos anos (...) Vamos fazer com diálogo com o Congresso. Estamos avaliando o limite, para que dose o impacto fiscal, de ter um aumento em 2027 e 2028 para que chegue algo em R$ 130 mil ao fim do processo", disse Durigan, em entrevista ao Jota. Agora no g1 Nesta semana, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, ele já havia confirmado que o governo faria uma proposta de corrigir o limite do microempreendedor individual, mas não citou valores. O ministro também informou que a área econômica concorda que o MEI possa contratar mais um empregado. Pelas regras atuais, os microempreendedores podem contratar até um empregado, e devem ter um faturamento anual de até R$ 81 mil (leia mais abaixo). 🔎O projeto de lei 108, de 2021, que já foi aprovado pelo Senado e está em análise agora na Câmara, propõe o aumento do limite do MEI de R$ 81 mil para até R$ 130 mil por ano, permitindo, também, a contratação de mais um funcionário. Esse projeto, porém, foi listado pela equipe econômica entre as chamadas "pautas-bomba", ou seja, projetos de lei ou uma matéria do Legislativo que cria despesas de valores altos, pressionando os cofres públicos, ou reduzindo a arrecadação. Essa seria, inclusive, a principal pauta-bomba citada pelo governo federal, com impacto de perda de R$ 50 bilhões por ano em arrecadação federal, de um total de R$ 111 bilhões em nove projetos. Simples em outros países Criado em 2006, o Simples tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. Consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor. A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI. Atualmente, podem aderir ao Simples: microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano; transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano; microempresas com até R$ 360 mil por ano; empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais; ➡️De acordo com estimativas da Receita Federal, o Simples Nacional deve gerar uma renúncia de arrecadação de R$ 136 bilhões neste ano, cerca de 22% do total de R$ 612,84 bilhões em benefícios previstos para 2026. Trata-se do principal programa que gera perda de receita para o governo. ➡️Em 2022, o auditor Fernando Mombelli, da Receita Federal, citou na Câmara dos Deputados o exemplo de outros países com regimes favorecidos para micro e pequenas empresas e seus limites anuais de faturamento. Brasil = US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões); Canada = US$ 22,5 mil; Israel = US$ 26,5 mil; Portugal = US$ 11 mil; Coreia do Sul = US$ 48 mil e Reino Unido = US$ 104 mil. ➡️Estudos apontam que a desoneração oferecida aos microempreendedores individuais como uma da fonte importante de desequilíbrio nas contas públicas brasileiras - que apresenta rombos seguidos nos últimos anos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência pública nas Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, no dia 17 de junho de 2026 Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
19/06/2026 15:46:29 +00:00
25 milhões de pessoas usam plataformas ilegais de apostas online, diz ministro da Justiça

O ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Wellington César Lima e Silva, informou nesta sexta-feira (19) que 25,2 milhões de brasileiros fazem apostas por meio de plataformas ilegais no país. Também nesta sexta, o governo anunciou que vai bloquear recursos de bets ilegais e enviar ao fundo de segurança pública, respeitando o processo legal. "Estamos falando de que as bets ilegais representam algo entre 41% e 51% das plataformas que operam na legalidade, é um número relevante. Já bloqueamos mais de 40 mil sites. São 25,2 milhões de brasileiros apostando nessas plataformas", declarou o ministro da Justiça. Segundo ele, o crime organizado tem "estímulos" para migrar pelo setor de bets ilegais. Por isso, argumenta, ser fundamental que o governo atue duramente contra as empresas irregulares. Agora no g1 Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mencionou que apenas 350 pessoas, utilizando 37 instituições financeiras — em geral, "fintechs" ou instituições de pagamentos — operavam mais de 40 mil aplicativos e sites ilegais derrubados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a pedido da Secretaria de Prêmios e Apostas da pasta. Repressão Nesta quinta-feira (18), o governo realizou uma operação contra um esquema criminoso de movimentação bilionária por meio de bets ilegais. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em três estados: Pernambuco, Ceará e São Paulo. Não houve prisões nessa fase da operação batizada de Conto da Sorte, realizada pelos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco e pela Receita Federal. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. Dinheiro apreendido na Operação Conto da Sorte, deflagrada em PE, em SP e no CE MPRN/Divulgação A investigação foi iniciada a partir de uma análise técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, após a prefeitura de Bodó, município potiguar, criar a autarquia Lotseridó. Antes de encerrar as atividades, em outubro de 2025, a Lotseridó passou a credenciar, de forma irregular, empresas de apostas de quota fixa, que "permanecem atuando à revelia da SPA", segundo a Receita Federal. O valor movimentado pelas bets ilegais "será revelado com os dados coletados nas buscas, apreensões e quebras de sigilo", mas chega a bilhões de reais.
19/06/2026 15:09:07 +00:00
Ford do Brasil faz recall de Bronco Sport e Maverick e pede que unidades afetadas não sejam dirigidas

Ford do Brasil faz recall de Bronco Sport e Maverick e pede que unidades afetadas não seja A Ford anunciou nesta quinta-feira (18) um recall para os modelos Bronco Sport, fabricados entre 2021 e 2025, e Maverick, produzidos entre 2022 e 2025, devido a um problema na fixação do braço inferior da suspensão dianteira. Segundo a Ford, 237 unidades dos dois veículos fazem parte deste recall. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Ford Bronco Sport em trilha. Divulgação | Ford A montadora recomenda que os proprietários dos veículos afetados evitem conduzir os carros até que o atendimento seja realizado em uma concessionária. O chamado ocorre devido a uma falha detectada no processo de montagem. Segundo a Ford, o braço inferior da suspensão dianteira, em ambos os lados dos veículos, pode não estar fixado de maneira correta no suporte da roda dianteira. Agora no g1 Caso ocorra a falha de fixação, a peça poderá se soltar do suporte da roda. O defeito acarreta o risco de o motorista perder o controle do veículo em movimento, o que eleva a possibilidade de acidentes com danos físicos e riscos fatais aos ocupantes do automóvel e a terceiros. A fabricante informou que a solução do problema consiste na inspeção e, caso seja identificada a necessidade, na substituição gratuita do suporte da roda dianteira e do braço inferior da suspensão dianteira de ambos os lados do veículo. Ford Maverick Divulgação / Ford O tempo estimado para a execução do serviço é de cerca de 20 minutos, embora o prazo possa variar segundo o fluxo da concessionária escolhida. O atendimento aos proprietários já está aberto. Os clientes devem realizar o agendamento do serviço, disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Veja abaixo os detalhes das unidades Ford Bronco Sport 2025 Divulgação | Ford Ford Bronco Sport Modelos: 2021 / Chassis: De MRA31742 até MRB14912 Datas de produção: De 3 de fevereiro de 2021 até 2 de setembro de 2021 Modelos: 2022 / Chassis: 3FMCR9E99NRD57968 e 3FMCR9E93NRE11636 Datas de produção: 2 de março de 2022 e 5 de setembro de 2022 Modelos: 2023 / Chassis: 3FMCR9E99PRD58637, 3FMCR9E96PRD76352 e 3FMCR9E94PRE06335 Datas de produção: 28 de abril de 2023, 12 de junho de 2023 e 28 de agosto de 2023 Modelos: 2024 / Chassis: De RRE61285 até RRF31433 Datas de produção: De 16 de fevereiro de 2024 até 12 de agosto de 2024 Modelos: 2025 / Chassis: De SRE33832 até SRE74597 Datas de produção: De 10 de março de 2025 até 9 de maio de 2025 Ford Maverick Tremor Fabio Tito/g1 Ford Maverick Modelos: 2022 / Chassis: 3FTTW8F90NRA52915, 3FTTW8F99NRA65081, 3FTTW8F98NRA72393, 3FTTW8F97NRA81960 e 3FTTW8F99NRB06020 Datas de produção: 9 de abril de 2022, 3 de maio de 2022, 25 de maio de 2022, 21 de junho de 2022 e 20 de outubro de 2022 Modelos: 2023 / Chassis: 3FTTW8F98PRA15372, 3FTTW8F96PRA16178, 3FTTW8F95PRA22098 e 3FTTW8E31PRA92825 Datas de produção: 12 de janeiro de 2023, 16 de janeiro de 2023, 8 de fevereiro de 2023 e 20 de setembro de 2023 Modelos: 2024 / Chassis: De RRA56830 até RRB53270 Datas de produção: De 3 de fevereiro de 2024 até 17 de setembro de 2024 Modelos: 2025 / Chassis: De SRA38677 até SRB65191 Datas de produção: De 8 de fevereiro de 2025 até 14 de outubro de 2025
19/06/2026 13:59:56 +00:00
Quase 700 mil pessoas usaram ferramenta do governo de autoexclusão em apps e sites de apostas online, diz ministro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta sexta-feira (19) que quase 700 mil pessoas já utilizaram a ferramenta do governo de autoexclusão em plataformas e aplicativos de apostas online. Com isso, foram automaticamente retiradas e bloqueadas de todos eles e, também, não podem mais receber publicidade. Lançado em dezembro do ano passado, a serviço está disponível no site http://gov.br/autoexclusaoapostas. Após efetuar a autoexclusão, as pessoas recebem um documento confirmando essa opção. A autoexclusão centralizada é "reconhecida cientificamente como uma estratégia essencial para reduzir os danos à saúde mental da população com relação às apostas", diz o governo. Agora no g1 A autoexclusão pode acessada por meio de cadastro no portal "gov.br" e ser viabilizada por um, três, seis, doze meses, ou por um período indeterminado, no qual o apostador deixará seu CPF indisponível para novos cadastros e recebimento de publicidades. "Uma vez selecionado o prazo, não é possível reverter a escolha durante o período indicado. Há a opção de se autoexcluir do ambiente de apostas por tempo indeterminado (sem prazo). Somente nesse caso, o usuário terá até um mês para invalidar a decisão", informou o governo. As pessoas também serão convidadas as responder sobre os motivos que as levaram a se autoexcluir: decisão voluntária; dificuldades financeiras; recomendação de profissional de saúde; perda de controle sobre o jogo (saúde mental); ou prevenção de uso dos seus dados em plataformas de apostas. 'Meu nome hoje em dia é sujo em cinco bancos por conta das casas de apostas', conta baiana de 21 anos, que viu seu casamento acabar devido ao vício Joédson Alves/Agência Brasil Também é possível escolher não informar o motivo. Em seguida, segundo o governo, é necessário aceitar os termos de uso e checar se os dados pessoais estão corretos. A plataforma também disponibiliza informações sobre pontos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), direcionando o usuário para o "Meu SUS Digital" e a "Ouvidoria do SUS" — por meio dos quais as pessoas poderão "testar" se têm algum tipo de problema com vício em apostas online, e procurar ajuda. Também são ofertados teleatendimentos em saúde mental com foco em jogos e apostas por meio de parceria com o Hospital Sírio-Libanês dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (Proadi-SUS) e uma parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
19/06/2026 13:48:41 +00:00
Shein é despejada de loja física em Paris após locatário se arrepender

Polícia circula em frente ao BHV Marais no dia da inauguração da loja da Shein Abdul Saboor/REUTERS A Shein, a varejista online chinesa que se tornou ícone ultra fast fashion, vai fechar as portas de sua primeira e até então única loja física permanente. Desde novembro, a gigante chinesa ocupa o sexto andar da loja de departamentos BHV Marais, um prédio localizado na turística região do Marais, em frente à prefeitura de Paris. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na terça-feira (16/06), a empresa operadora da BHV, a SGM, anunciou a venda do cobiçado ponto comercial para um grupo empresarial. A empresa anunciou que a Schein deverá "idealmente" deixar a loja até o Natal e classificou como um "erro estratégico" a decisão de permitir a presença da marca na BHV. Agora no g1 Sobre os planos de abrir mais cinco lojas na França, o diretor da SGM, Frédéric Merlin, afirmou que os compromissos contratuais com a Shein nas lojas fora de Paris serão "cumpridos" até a realização de uma revisão "de longo prazo". Merlin disse ter cometido "erros" e acrescentou que a venda da BHV representa um "plano genuíno para uma retomada eficaz por pessoas sérias". Protestos e investigações Clientes fizeram fila no dia da inauguração da primeira loja física da gigante varejista chinesa Sarah Meyssonnier/REUTERS A notícia de que as operações da Shein iriam sair do comércio online e chegar às lojas físicas, num local de prestígio na capital mundial da moda, provocou várias reações de indignação devido ao modelo de negócios da marca, aos impactos ambientais e à venda online de produtos ilegais. Milhares de comerciantes processaram a varejista chinesa por concorrência desleal. Cerca de 100 marcas deixaram a BHV Marais após a chegada da Shein, segundo a administração da loja. Políticos e fashionistas se juntaram na missão de impedir inclusive a contínua expansão online da empresa, famosa pelos produtos falsificados de baixa qualidade. Manifestantes foram para frente da loja, no dia da inauguração, para lembrar das denúncias de trabalho infantil na cadeia de fornecimento da Shein Olivier Arandel/LP Em dezembro, reguladores da União Europeia abriram uma investigação por suspeitas de que a varejista não fez o suficiente para limitar a venda de produtos como "bonecas sexuais com aparência infantil", armas e medicamentos de venda ilegal na UE. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ordenou que as autoridades bloqueassem o acesso ao site da Shein por dois dias; durante esse período, agentes da alfândega retiveram as encomendas compradas por meio da plataforma para inspeção. Após a repercussão negativa do caso, a Shein afirmou ter retirado imediatamente os produtos de seu marketplace — seção que vende itens de terceiros — e proibido globalmente a comercialização de bonecas sexuais em seu site. Milhões de euros em multa Fundada na China em 2012 e atualmente sediada em Singapura, a Shein é criticada ainda pelas condições de trabalho em sua cadeia de fornecedores e pelos impactos ambientais de seu modelo de ultra fast fashion. No início de junho, a França informou ter aplicado duas multas à Shein que somam mais de 22 milhões de euros (R$ 128,8 milhões), citando problemas relacionados à rastreabilidade de produtos, rotulagem ambiental e prazos de entrega. Com isso, o total de multas impostas pelo país à gigante asiática da moda ultrapassa 210 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão). Sobre a intimação para fechar a loja, um porta-voz da Shein afirmou que a empresa respeita a decisão da BHV. Ao mesmo tempo, manifestou pesar pelo fato de a "colaboração experimental" ter ocorrido em um contexto de "problemas importantes preexistentes" na unidade parisiense, em que "os clientes foram obrigados a lidar com obras de renovação em vários andares da loja".
19/06/2026 13:23:09 +00:00
Governo vai congelar recursos de bets ilegais e enviar ao fundo de segurança pública

Governo vai congelar recursos de bets ilegais e enviar ao fundo de segurança pública O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (19) que o governo federal vai bloquear recursos de bets ilegais e enviar ao fundo de segurança pública, respeitando o processo legal. A informação foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e depois confirmada em um vídeo gravado pelo presidente Lula nas redes. O anúncio da medida ocorre no dia seguinte à realização de uma operação contra um esquema criminoso de movimentação bilionária por meio de bets ilegais (relembre mais abaixo). "Block para o jogo ilegal! Ao lado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, assinei hoje uma nova medida que garante o bloqueio de recursos financeiros de empresas ilegais de apostas", diz a publicação do presidente. "Cumprido o devido processo, os recursos bloqueados serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e reforçarão o combate às estruturas financeiras do crime organizado no país", detalhou o petista. Operação mira nas bets ilegais e cumpre mandados em Pernambuco, Ceará e São Paulo Como vai funcionar? Durigan explicou que o Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça vão bloquear, administrativamente e de forma preventiva, recursos que são originados de jogos chamados pelo governo de "irresponsáveis", ou seja, de plataformas que operam de forma irregular. A norma assinada pelo presidente nesta sexta (19) define os procedimentos para efetuar esse bloqueio e as regras para envio de informações que vão ajudar na investigação e na apreensão de bens desses operadores — recursos que poderão ser destinados à União. ➡️Na prática, quando houver indícios de que uma empresa está explorando apostas de forma irregular, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda poderá notificar as instituições financeiras para bloquear os recursos ligados à atividade. ➡️Após o bloqueio, será aberto um processo administrativo para investigar o caso e decidir se os valores serão confiscados e transferidos para a União. ➡️Se, ao fim do processo administrativo, for confirmada a irregularidade, a Advocacia-Geral da União (AGU) poderá recorrer à Justiça para pedir o confisco dos recursos e autorizar a transferência dos valores para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Segundo o governo, o procedimento deverá seguir as regras do processo administrativo, garantindo o direito de defesa e de contestação dos investigados, sem afetar os direitos dos apostadores. Essa comunicação incluirá um contato direto com as instituições financeiras, segundo Durigan. "A Fazenda vem construindo essa inteligência com a Secretaria de Prêmios e Apostas (da pasta) e com Receita Federal. Quando a gente identificar uma ilegalidade, nos vamos comunicar os bancos dizendo: qualquer conta que você tenha que trate de recurso dessas bets aqui irresponsáveis, você trate de congelar", informou o ministro da Fazenda. ➡️O ministro acrescentou que o governo vai enviar esses processos de bets ilegais ao Ministério da Justiça para que esses recursos saiam dos bancos. "Respeitado o devido processo legal, e vá para o fundo de segurança pública pra fortalecer o combate à corrupção e o combate ao crime organizado", acrescentou. Divulgação Operação contra bets ilegais Na operação dessa quinta-feira (18), foram cumpridos14 mandados de busca e apreensão em três estados: Pernambuco, Ceará e São Paulo (veja vídeo acima). Não houve prisões nessa fase da operação batizada de Conto da Sorte, realizada pelos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco e pela Receita Federal. "O objetivo é colher provas sobre um esquema de exploração irregular de apostas de quotas fixas e jogos de azar na internet, as chamadas bets. [...] Os crimes investigados são de lavagem de dinheiro, induzimento à especulação, exploração de jogo de azar e loteria não autorizada, associação criminosa e contra as relações de consumo", afirmou o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), em nota, nesta quinta-feira (18). Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. A investigação foi iniciada a partir de uma análise técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, após a prefeitura de Bodó, município potiguar, criar a autarquia Lotseridó (entenda, mais abaixo, como funcionava o esquema criminoso). Antes de encerrar as atividades, em outubro de 2025, a Lotseridó passou a credenciar, de forma irregular, empresas de apostas de quota fixa, que "permanecem atuando à revelia da SPA", segundo a Receita Federal. O valor movimentado pelas bets ilegais "será revelado com os dados coletados nas buscas, apreensões e quebras de sigilo", mas chega a bilhões de reais.
19/06/2026 12:54:57 +00:00
Emirados serão o primeiro país árabe a proibir redes sociais para menores de 15 anos

Whatsapp Snapchat Instagram Youtube smartphone celular internet redes sociais (imagem ilustrativa) Christian Wiediger / Unsplash Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta quinta-feira (18) a proibição do uso de redes sociais por menores de 15 anos, juntando-se a um número crescente de países que adotaram medidas semelhantes. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo uma resolução do gabinete, as plataformas de redes sociais deverão monitorar e desativar contas criadas por menores de 15 anos. Caso contrário, poderão ser bloqueadas. A medida prevê um período de transição de 12 meses. Com isso, os Emirados se tornaram o primeiro país árabe a estabelecer uma idade mínima legal para o uso de redes sociais. "A resolução estabelece a idade mínima de 15 anos para o uso das redes sociais", informou a agência oficial de notícias WAM. "Fica proibido aos menores dessa idade criar, usar ou operar contas pessoais em plataformas de redes sociais", acrescentou. Agora no g1 Também informou que esses menores não poderão acessar diversas funções das plataformas, como interagir com outros usuários, publicar, comentar, compartilhar conteúdo, participar de grupos públicos, canais abertos ou de "qualquer espaço interativo de grande escala". Os órgãos dos Emirados responsáveis pela mídia e pelas telecomunicações têm "autoridade para tomar todas as medidas necessárias [contra as plataformas de redes sociais em caso de descumprimento]", ressaltou a WAM. As medidas incluem "advertências, bloqueio parcial ou total das plataformas e imposição das sanções administrativas cabíveis". Nos últimos meses, outros países também adotaram iniciativas semelhantes. O primeiro foi a Austrália, que, em dezembro, decretou a primeira proibição mundial do uso de redes sociais por menores de 16 anos. Desde então, outros países seguiram o mesmo caminho. Entre eles está o Reino Unido, que anunciou nesta semana uma restrição para menores de 16 anos, com previsão de entrada em vigor em 2027.
19/06/2026 12:32:58 +00:00
O que é o PicPay, banco digital alvo de operação por descontos indevidos a servidores do DF

O logotipo do banco digital brasileiro PicPay é exibido no prédio da Nasdaq após o toque do sino de abertura na bolsa Nasdaq durante o IPO da empresa, no site do mercado Nasdaq na Times Square, na cidade de Nova York, EUA, em 29 de janeiro de 2026. Reuters O PicPay foi alvo de uma operação deflagrada na manhã desta sexta-feira (19) pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que investiga descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do governo do Distrito Federal (DF). Fundada como uma fintech em Vitória (ES), em 2012, a empresa recebeu licença do Banco Central (BC) para atuar como instituição financeira em 2022 e abriu capital no início de 2026, na primeira oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) de uma companhia brasileira em cinco anos. (veja mais detalhes abaixo) 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a investigação, o banco digital teria feito descontos indevidos no contracheque dos servidores por meio do serviço de adiantamento salarial. O caso também entrou na mira da CPMI do INSS após informações indicarem que o escritório que leva o nome do governador Ibaneis Rocha recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F Participações, controlador do PicPay. Entenda mais aqui. Agora no g1 O presidente-executivo da companhia, Eduardo Chedid Simões, é um dos alvos da operação. Ele foi citado entre os gestores de instituições financeiras investigadas por atuação no ecossistema de crédito consignado e descontos indevidos no INSS. Na CPMI dos Descontos Indevidos do INSS, ele foi indiciado. Procurado, o PicPay afirmou que "não houve qualquer irregularidade ou cobrança indevida na oferta do produto e segue colaborando plenamente com as autoridades competentes." O BRB informou que não "reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas" e que "rejeita a alegação de cobrança indevida" (veja íntegras das notas abaixo). Veja a nota do PicPay na íntegra "A Antecipação Salarial é um benefício gratuito, oferecido diretamente no aplicativo, sem intermediários e sem cobrança de juros. O usuário antecipa parte do salário referente aos dias já trabalhados no mês e recebe o valor imediatamente em um cartão de uso pessoal gratuito, protegido por biometria facial. Na modalidade gratuita, o valor é disponibilizado no cartão. Caso o usuário opte por receber o recurso diretamente em conta corrente, a antecipação deixa de ser gratuita e passa a contar com uma taxa operacional, apresentada de forma clara antes da confirmação da transação. No dia do pagamento, o valor antecipado é compensado automaticamente, sem acesso do PicPay à folha de pagamento. A solução não é crédito consignado nem empréstimo e está estruturada em conformidade com o Código de Defesa do Consumidor e com as normas do Banco Central. O PicPay reafirma que não houve qualquer irregularidade ou cobrança indevida na oferta do produto e segue colaborando plenamente com as autoridades competentes." O diz o BRB "O BRB informa que não tem contrato com a PicPay no contexto da operação realizada na manhã de hoje (19). O Banco não exerce ingerência sobre a contratação, as condições financeiras e o relacionamento entre servidor e a PicPay, a instituição de pagamento responsável pela oferta dos serviços. Quanto aos empréstimos consignados firmados diretamente com o Banco, o BRB observa rigorosamente as margens e os limites estabelecidos pela legislação. A instituição esclarece que a BRB Serviços, empresa que integra o Conglomerado BRB, não participa do fluxo de lançamento das consignações em relação a PicPay, conforme Decreto n.º 46.103/2024. Importante destacar, ainda, que os fatos sob investigação não dizem respeito à atual administração do BRB. Por fim, o BRB reforça seu compromisso com a integridade, a conformidade e a transparência, e colabora integralmente com as autoridades competentes." LEIA MAIS Operação faz buscas contra BRB, Secretaria de Economia do DF e PicPay Quem são os investigados por supostos descontos irregulares na folha de pagamento do GDF Veja a história do PicPay O PicPay foi fundada como uma fintech — empresa de tecnologia que oferece serviços financeiros — em 2012 por um grupo de empreendedores. Em 2015, a empresa foi adquirida pelo Banco Original e, em 2017, tornou-se independente sob controle direto do grupo J&F — holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A empresa conseguiu licença do Banco Central para operar como instituição de pagamento em 2020 e autorização para atuar como instituição financeira em 2022. A companhia também adquiriu o Guiabolso, em 2021, e a BX Blue, fintech especializada em empréstimos consignados para servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS, em 2023. Em 2026, o banco digital fez seu IPO na Nasdaq, bolsa de tecnologia dos Estados Unidos, e levantou cerca de US$ 434,3 milhões (R$ 2,2 bilhões) com a oferta de 22,9 milhões de ações. O PicPay tinha, ao final do primeiro trimestre deste ano, mais de 68,6 milhões de clientes. No período, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 169,4 milhões, alta de 92% em comparação aos primeiros três meses de 2025.
19/06/2026 12:12:50 +00:00
Dólar cai com avanço das negociações entre EUA e Irã por fim da guerra; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (19), recuando 0,17%, a R$ 5,1652. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão com leve alta de 0,03%, aos 168.334 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os preços do petróleo voltaram a subir depois que as negociações previstas entre Estados Unidos e Irã, que ocorreriam na Suíça, foram canceladas. A interrupção das conversas aumentou a cautela dos investidores em relação ao acordo de paz firmado nesta semana entre os dois países. Por volta das 13h50, o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 1,9% e era negociado a US$ 80,72, enquanto o WTI, principal referência nos EUA, avançava 0,12%, para US$ 76,69. Apesar da valorização desta sexta-feira, os dois contratos ainda acumulavam perdas na semana e caminhavam para encerrar o período em baixa. ▶️Com o cancelamento do encontro, seguem pendentes as discussões sobre o futuro do programa nuclear iraniano, a situação no Líbano e as regras para o uso do Estreito de Ormuz. O acordo inicial prevê um prazo de 60 dias para que as partes negociem um entendimento definitivo. ▶️O acordo de paz encerra quase quatro meses de conflito no Oriente Médio. Com o fim da guerra, economistas acompanham quando os mercados e a atividade econômica devem voltar à normalidade. O g1 listou os principais efeitos da guerra sobre a economia. (veja mais abaixo) ▶️Nos EUA, o feriado de Juneteenth, que marca o fim da escravidão no país, mantém os mercados financeiros fechados nesta sexta-feira e reduz a agenda de divulgações econômicas. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,04%; Acumulado do mês: +2,44%; Acumulado do ano: -5,89%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,64%; Acumulado do mês: -3,14%; Acumulado do ano: +4,47%. Acordo de paz entre EUA e Irã Na última quarta-feira (17), EUA e Irã assinaram um memorando de entendimento com 14 pontos, que prevê garantias de que Teerã não desenvolverá armas nucleares, a suspensão de sanções americanas e uma compensação financeira ao governo iraniano. O documento abre um prazo inicial de 60 dias para que as partes negociem um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano, podendo ser prorrogado por mais 60 dias. Até lá, EUA e Irã concordaram em manter o status quo: Teerã preserva seu programa nuclear, enquanto Washington se compromete a não impor novas sanções nem ampliar sua presença militar na região. As negociações sobre a implementação do acordo deveriam começar nesta sexta-feira (19), em uma reunião na Suíça envolvendo EUA, Irã, Paquistão e Catar. No entanto, o governo suíço informou que o encontro foi cancelado, adiando as discussões sobre temas ainda pendentes, como o programa nuclear iraniano, a situação no Líbano e as regras para o uso do Estreito de Ormuz. Entenda quais os próximos passos Os estragos da guerra A guerra no Oriente Médio provocou impactos significativos na economia global. A interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz elevou o preço da commodity, pressionou os custos dos combustíveis e aumentou as preocupações com a inflação em diversos países. Como consequência, consumidores enfrentaram preços mais altos, enquanto os mercados financeiros registraram perdas e o dólar ganhou força diante da maior aversão ao risco. Com o fim do conflito, economistas agora acompanham quando a atividade econômica e os mercados começarão a dar sinais de normalização. O g1 reuniu os principais efeitos da guerra e as perspectivas para a recuperação. Veja na reportagem abaixo: Mercados globais Como as bolsas de Nova York estão fechadas nesta sexta-feira por causa de um feriado, os investidores acompanham apenas as negociações dos contratos futuros das ações americanas, que registram leve queda. Durante a tarde, Dow Jones Futuro caía 0,23%, S&P 500 perdia 0,36% e Nasdaq recuava 0,45%. O movimento ocorre após uma forte alta nos mercados, impulsionada pelo otimismo com o acordo de paz entre EUA e Irã. No entanto, novas preocupações sobre a situação voltaram a gerar incertezas entre os investidores. Na Europa, as bolsas fecharam sem direção única, com os investidores adotando cautela após o cancelamento das negociações entre EUA e Irã para discutir o fim do conflito no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,2%, mas encerrou a semana com alta acumulada de 0,4%. Entre os principais mercados, Londres recuou 0,35%, Frankfurt perdeu 0,16%, Paris caiu 0,55% e Madri registrou baixa de 0,29%. Na contramão, Milão avançou 0,31% e Lisboa subiu 0,69%. A valorização do petróleo impulsionou as ações do setor de energia, que ganharam 1,3%, enquanto empresas de viagens e lazer caíram 0,9%. Já as mineradoras recuaram 2,1%, acompanhando a queda nos preços dos metais. Na Ásia, os mercados fecharam em queda nesta sexta-feira, em movimento de realização de lucros após fortes altas recentes. No Japão, o índice Nikkei caiu 0,6%, depois de ter atingido um novo recorde intradiário pela quinta sessão consecutiva. Na Coreia do Sul, a bolsa recuou 1,8%, embora ainda acumule valorização de 9,5% na semana. As bolsas da China continental e de Hong Kong permaneceram fechadas devido ao feriado do Festival do Barco do Dragão. Em Taiwan, os mercados também não operaram. *Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86 Reprodução/TV Globo
19/06/2026 12:00:08 +00:00
A Copa do Mundo dos ultrarricos: pacote de R$ 20 milhões para a final, jatinho entre os estádios e encontro com jogadores

Granit Xhaka chega ao Aeroporto de Newcastle em um jato particular para assinar com o Sunderland AFC em 28 de julho de 2025, em Newcastle upon Tyne, Inglaterra. Ian Horrocks/Sunderland AFC via Getty Images Alguns dias atrás, a Knightsbridge Circle, que oferece serviços exclusivos de concierge para o público de altíssima renda, anunciou um pacote para a final da Copa do Mundo, em 19 de julho em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A oportunidade, descrita como "a primeira do tipo na história do torneio", foi oferecida exclusivamente aos seus clientes convidados, que passam por uma avaliação antes de serem aceitos. Ela incluía seis ingressos na primeira fileira, bem na linha de meio de campo, e acesso ao gramado durante a premiação, no momento em que a seleção campeã erguer a taça. O preço total para seis pessoas: US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões). "(O pacote) foi vendido para um de nossos membros menos de 24 horas depois de anunciado", diz à BBC News Brasil o presidente da Knightsbridge Circle, Stuart McNeill. A Knightsbridge Circle é uma entre várias empresas que estão oferecendo pacotes de luxo para os ultrarricos que desejam participar da Copa. A atual edição é considerada inédita por, dentre outros motivos, ser disputada em três países — Estados Unidos, México e Canadá — e ter um número recorde de 48 seleções participantes. Serão ao todo 104 partidas em 16 cidades. Para muitos torcedores ao redor do mundo que desejam acompanhar o Mundial de perto, o planejamento começou há meses e foi marcado por dificuldades, desde os altos preços dos ingressos e do transporte para alguns dos estádios até obstáculos para conseguir o visto americano. Mas, para uma ínfima parcela dos visitantes, a experiência será bem diferente: eles devem chegar às cidades-sede de jatinho particular, deslocar-se aos estádios de helicóptero ou limusine e ter lugar garantido na área VIP, mesmo que tenham decidido fazer tudo isso de última hora. "Trabalho com esse mercado (de luxo) há 22 anos, e a maior surpresa, para mim, é que nesta Copa, o dinheiro pode comprar praticamente qualquer coisa, o que é uma novidade (em comparação com as anteriores)", diz McNeill. Um Rolls Royce Phantom branco, limusine de quatro portas, vira na Collins Avenue, em South Beach, Miami, EUA. Getty Images Ele e outros especialistas do segmento de alto luxo não revelam os nomes dos clientes interessados na Copa do Mundo. São celebridades, bilionários, fundadores de empresas, executivos do setor de tecnologia e atletas, entre outros, vindos de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. "Temos alguns clientes brasileiros", diz McNeill, lembrando que a empresa tem uma equipe em Miami que fala português. Quanto custa uma experiência de luxo? Nem todos os pacotes de luxo para a Copa têm um preço milionário. Os valores dependem de vários fatores, como tipo de acesso, transporte, acomodação e número de noites. Mas muitos dos roteiros sob medida oferecidos pela Knightsbridge Circle, por exemplo, "passam facilmente dos seis dígitos". Incluem desde os já citados jatinhos e helicópteros até atendimento VIP nos aeroportos, equipes de segurança e hospedagem em redes de hotéis de luxo, como Four Seasons, Aman e Rosewood. Nicole Wallach, vice-presidente da divisão de lazer da Magma Global, empresa especializada em serviços de concierge de viagens de luxo, calcula que as opções mais em conta fiquem entre US$ 25 mil e US$ 75 mil (R$ 125 mil e R$ 375 mil) para um casal, incluindo hospedagem cinco estrelas, ingressos para uma partida, voo em classe executiva e transfer privativo. Alguns clientes pagam bem mais do que isso, em itinerários de luxo que incluem vários dias e diversas cidades-sede. Há também quem decida emendar a Copa com viagens para outros locais. "Tenho clientes que vão assistir a jogos em Los Angeles e depois pegar um voo para passar algumas noites no Havaí", diz Wallach à BBC News Brasil. Vista para o campo de jogo a partir de uma das suítes do Dallas Stadium em Arlington. Tom Fox/The Dallas Morning News Para o fim de semana da final, com hospedagem de luxo em Nova York, ela estima que os gastos podem ficar facilmente na casa dos seis dígitos. Gina Gabbard, diretora de Estratégia da First in Service Travel, agência de Nova York que faz parte da rede global de turismo de luxo Virtuoso, diz à BBC News Brasil que as opções para os torcedores ultrarricos vão desde ingressos VIP e refeições preparadas por chefs durante o jogo até pacotes mais completos. "Podem incluir hospedagem em hotéis de luxo, transporte privativo na cidade-sede, reservas em restaurantes sofisticados, passeios e outras atividades e, para alguns clientes, encontros exclusivos com os jogadores", afirma Gabbard. "Os ingressos VIP, dependendo da partida, podem custar a partir de US$ 5 mil [R$ 25 mil] por pessoa", diz Gabbard. "Pacotes começam em torno de US$ 50 mil dólares [R$ 250 mil] e podem chegar a várias centenas de milhares de dólares quando envolvem múltiplos jogos e cidades." Privacidade e acesso são o que importa Segundo Wallach, para os clientes desse segmento, conveniência, privacidade e acesso são mais importantes do que o preço. "São viajantes que costumam voar em jatos particulares e se hospedar nas suítes mais luxuosas", diz. "Eles viajam acompanhados de sua própria equipe e realmente esperam uma experiência altamente personalizada quando se trata de um evento dessa magnitude." Ela ressalta, porém, que nem todos os interessados em pacotes de luxo para a Copa viajam em jatinhos, e alguns vão de primeira classe ou executiva em voos comerciais. Além disso, em determinadas partidas, é possível que haja mais procura do que disponibilidade de helicópteros para chegar aos estádios. "Há um limite para o número de aeronaves e locais de desembarque disponíveis", diz Wallach. Nesse caso, a solução é um carro de luxo com motorista particular. De acordo com Wallach, esses torcedores querem mais do que apenas um ingresso VIP. "Nem todos querem sentar na primeira fila. Para muitos, a prioridade é a privacidade e o acesso a serviços exclusivos. Eles estão em busca de uma experiência VIP completa", ressalta. "Enquanto o torcedor comum perde tempo em filas, pagando por comida e bebida ao longo do dia, esses clientes costumam contar com entrada exclusiva e acesso a lounges privativos com alta gastronomia". Cofundador da Microsoft, o bilionário Bill Gates assistiu à estreia dos EUA na Copa do Mundo Reuters Wallach afirma que é equivocado pensar que esses viajantes estão simplesmente buscando a experiência mais cara. "O que eles querem é uma experiência sem atrito." Isso envolve, entre outros aspectos, não ter de enfrentar multidões nem se preocupar com nenhum detalhe da programação. "Eles querem exclusividade, não querem ficar esperando pelos outros. É um verdadeiro tratamento de tapete vermelho, e eles estão dispostos a pagar por isso", diz McNeill. As equipes de apoio que costumam viajar com esses clientes podem incluir diversos profissionais, desde seguranças até chefs particulares. "Em muitos casos, o consultor de viagens colabora diretamente com o assistente pessoal e outros membros da equipe do cliente para coordenar os arranjos", destaca Gabbard. Agora no g1 Decisões de última hora Outro aspecto que diferencia esses viajantes dos torcedores comuns é a (pouca) antecedência no planejamento. "Muitos vão assistir aos jogos acompanhados de suas famílias, outros vão aproveitar para recepcionar clientes", diz Wallach. "Eles valorizam seu tempo muito mais do que o dinheiro, e várias vezes tomam decisões de última hora." Segundo McNeill, o interesse de seus clientes na Copa foi tímido no início. "Para viajantes de fora dos Estados Unidos, havia uma real relutância em razão do cenário político", afirma. No entanto, a procura ganhou força nas últimas semanas, e a expectativa é de que aumente ainda mais à medida que as oitavas de final se aproximem e fique mais claro quais países vão avançar. "Na verdade, está apenas começando para nós, porque os membros que atendemos costumam fechar os planos de última hora", diz McNeill. "Gostam de ver como está o desempenho de sua seleção [antes de decidir]. Por exemplo, se o Brasil chegar à semifinal ou à final, vão entrar em um avião e ir para onde quer que o jogo seja realizado." Entre os membros da Knightsbridge Circle, são comuns viagens bate-volta com duração de um ou dois dias, chegando na manhã do jogo ou na noite anterior e partindo no dia seguinte. Na semana seguinte, podem retornar para a próxima partida de sua seleção. "Como muitos voam em jatinhos particulares, é conveniente e fácil para eles assistir a todos os jogos", observa McNeill. Wallach diz ter visto aumento na procura desde que o torneio começou. "Sinceramente, acho que é maior do que esperávamos." Segundo McNeill, além das partidas, há procura também por outras experiências exclusivas, como uma série de almoços organizados por sua empresa com ex-jogadores da Copa, que oferecem a oportunidade de conversar de perto com nomes consagrados do futebol mundial. Em outras ocasiões, clientes que querem ver os craques de perto se comprometem com doações para instituições de caridade apoiadas pelo atleta. "Muitos dos jogadores são altamente engajados em causas beneficentes", ressalta McNeill. "Em seu dia de folga, podem concordar em receber alguns clientes no centro de treinamento. Nossos clientes fazem uma doação [a uma instituição], e talvez possam tirar fotos [com o atleta], bater uma bola ou algo do tipo." Para os interessados em acesso "superexclusivo" na final da Copa que perderam o pacote de US$ 4 milhões, McNeill lembra que há uma nova oportunidade, com dois assentos exclusivos na beira do gramado. Cada um vai custar "apenas" US$ 1,5 milhão de dólares (R$ 7,5 milhões).
19/06/2026 08:34:23 +00:00
Quanto custa assistir à Copa do Mundo? Torcedores contam quanto estão gastando

Torcedores brasileiros reunidos na Times Square, em Nova York, antes da estreia da seleção contra Marrocos (1x1), em 13 de junho Getty Images Para muitos torcedores, comparecer a uma Copa do Mundo é uma oportunidade única na vida, que não tem preço. Mas, se você calcular os custos da empreitada, é de fazer chorar. 💸 Ingressos para os jogos, voos, hotéis, o trajeto até os estádios, os custos de uma bebida durante o jogo... os custos vão se somando sem parar. Poucos dias após o início do torneio, torcedores que se encontram no México, Canadá e nos Estados Unidos contaram à BBC o quanto já gastaram durante a Copa do Mundo da Fifa de Futebol Masculino 2026. Agora no g1 Norueguês nos EUA gasta R$ 20 mil por apenas um jogo Morten Oftedal leva a sério a expressão "uma vez na vida". Norueguês que mora em Atlanta, no Estado americano na Georgia, ele sabe que esta seria provavelmente a única chance de levar seu pai, de 82 anos, para ver a seleção do seu país jogar na Copa do Mundo. Afinal, a Noruega se classificou para o torneio pela primeira vez desde 1998, na França. "Sou um grande fã de futebol desde a infância, principalmente graças ao meu pai", conta Oftedal à BBC. "Não posso dizer 'não, vamos na próxima vez ou em outro lugar'. Por isso, estamos muito animados." O que não o animou muito foram os custos envolvidos. Oftedal comprou três ingressos para ver a Noruega vencer o Iraque por 4x1 em Massachusetts por US$ 380 (cerca de R$ 1,9 mil) cada um. As três passagens de ida e volta de avião entre Atlanta e Boston custaram, ao todo, 180 mil pontos do seu programa de fidelidade. Um único quarto de hotel por duas noites ultrapassou US$ 1,1 mil (R$ 5,6 mil). E o transporte até o estádio, ida e volta, custou US$ 80 (cerca de R$ 407) por pessoa. Ao todo, Oftedal gastou cerca de US$ 4 mil (R$ 20,3 mil), entre dinheiro e pontos, para que ele, seu pai e sua esposa assistissem a uma partida. Ele descreve o valor como "insano". "Realmente não é para indivíduos, parece que é para a América corporativa", declarou Oftedal, sobre o torneio de 2026. Morten Oftedal gastou o equivalente a cerca de R$ 20 mil para levar seu pai de 82 anos e sua esposa para assistir ao jogo Noruega 4x1 Iraque, em Boston, nos Estados Unidos Getty Images Diversas pessoas declararam à BBC que o custo de assistir ao torneio atingiu alguns milhares de dólares. Mas eles dizem que seu amor pelo futebol e as recordações que eles esperavam criar na ocasião os ajudaram a abrir a carteira. "Paguei cerca de US$ 1,2 mil [R$ 6,1 mil] por ingresso, na categoria 2", afirma o britânico Iain Bagwell, de 58 anos. Ele mora em Atlanta e viajou com seu filho de carro para ver Inglaterra x Croácia em Dallas, no Texas. "Na época da compra, achei que fosse um assalto em plena luz do dia. Mas, vendo o que está acontecendo e a forma como a Fifa está tratando do assunto, provavelmente não foi um negócio tão ruim assim." Bagwell e seu filho acamparam ao longo da sua viagem para Dallas, por diversão e economia ao mesmo tempo. E, depois do jogo, eles irão de carro para Kansas City para verem Tunísia x Holanda, por US$ 235 (cerca de R$ 1,2 mil) por ingresso. Muitos torcedores americanos estão acostumados com o alto custo dos eventos esportivos. O ingresso mais barato para ver o time de basquete New York Knicks nas recentes finais da NBA, no Madison Square Garden, custava cerca de US$ 3,5 mil (R$ 17,8 mil). Mas os custos para assistir à Copa do Mundo de 2026 assustaram os torcedores de outros países. Iain Bagwell (dir.) e seu filho Iain Bagwell Experiência 'incrível' — mas cada ingresso custa R$ 4,5 mil Alisa e Admir Maric admitem que sua viagem para Toronto, no Canadá, foi cara. Mas valeu a pena. Eles foram assistir à estreia da seleção do seu país, a Bósnia-Herzegóvina, contra o Canadá, um empate por 1x1 no segundo dia da Copa do Mundo. "É uma sensação incrível, nunca pensei que, um dia, iria a um jogo da Copa do Mundo", declarou Admir. "Sempre quis ter esta experiência." Eles escolheram os ingressos no "último minuto", segundo Maric, pagando 1.250 dólares canadenses (US$ 890, ou cerca de R$ 4,5 mil) cada um, por assentos na terceira fila. O hotel custou cerca de US$ 600 (R$ 3 mil) por noite e os voos, US$ 1.150 (cerca de R$ 5,8 mil) por pessoa. Ao todo, o custo da viagem foi de cerca de US$ 3,8 mil (R$ 19,3 mil). Aaron Vieyra e sua parceira, no lado de fora do Estádio Azteca Aaron Vieyra As irmãs Aida e Emina Tucic, também torcedoras da Bósnia-Herzegóvina, não precisaram viajar tanto. Elas vieram da cidade de Hamilton, perto de Toronto. Elas sabiam que queriam assistir à partida "no segundo" em que a Bósnia se classificou, conta Aida. "Ficamos um pouco apreensivas porque os preços dos ingressos começaram a ficar, digamos, malucos", ela conta. As irmãs acompanharam os preços por algum tempo e compraram seus ingressos três dias antes do jogo. Elas gastaram 1,2 mil dólares canadenses (cerca de US$ 850, ou R$ 4,3 mil) cada entrada. Emina tem algumas dicas para outros visitantes, como verificar as redes sociais locais em busca de sugestões de lugares mais baratos para comer na região. Questionada se elas achavam o preço dos ingressos justo para a experiência, Aida respondeu "provavelmente, não". Para ela, o futebol "deveria ser acessível para os torcedores". Mas ela destaca que "para mim, não tem preço". "É uma vez na vida", declarou Emina. "Os dois países que você ama, um onde você cresceu e outro onde você nasceu. Ver os dois jogando no palco mundial é incrível". Um ingresso custa cerca de três meses de aluguel no México Assistir a um jogo de rua improvisado nas laterais da Zona Rosa da Cidade do México, entre os transeuntes e os policiais, é talvez o mais próximo que alguns mexicanos irão chegar do esporte nesta Copa do Mundo. Os preços dos ingressos para o jogo de abertura (México 2x0 África do Sul) estavam muito além das possibilidades da maioria dos habitantes de um país onde cerca de 30% da população vive na pobreza. No lado de fora do Estádio Azteca, na última sexta-feira (11), os torcedores citavam diversos valores pagos pelos cobiçados ingressos. Poucos pagaram menos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,6 mil) e alguns chegaram a gastar US$ 4 mil (R$ 20,3 mil) ou mais. Já alguns sortudos receberam ingressos grátis de presente ou em troca de trabalho. "Paguei 30 mil pesos [US$ 1.750, cerca de R$ 8,9 mil] cada ingresso", conta Aaron Vieyra, da torcida organizada da seleção mexicana Fúria Azteca. Vieyra comprou os ingressos para ele e sua namorada por meio de um contato com boas relações. Ele destaca que um único ingresso valia cerca de três meses de aluguel para muitos moradores da Cidade do México. Vieyra acompanhou a equipe mexicana nas Copas de 2014, no Brasil, e de 2018, na Rússia. Ele afirma que gastou mais em um jogo no México do que na soma das partidas assistidas por ele nos outros torneios. "O jogo em si foi histórico e ficamos muito felizes por estar no Azteca para aquele momento", ele conta. "Ainda sinto arrepios." Mas o dinheiro valeu a pena? "Valeu, mas por pouco", responde ele, sem hesitar. "Para nós, funcionou porque não precisei pagar por voos ou hotéis. Se precisássemos cobrir também estes custos, eu não conseguiria pagar todo esse dinheiro por um ingresso." A passagem de trem da Penn Station, em Nova York, até o Estádio NYNJ, palco da estreia do Brasil contra o Marrocos, custa US$ 98 (cerca de R$ 498). Normalmente, o preço é de US$ 12,90 (R$ 66). Adam Gray/Getty Images R$ 81 por uma cerveja no estádio de Nova Jersey O preço dos alimentos e bebidas dentro dos estádios varia dependendo do local, mas eles parecem estar dentro da faixa que os torcedores e fãs de música costumam pagar nos estádios americanos. Uma pesquisa do website The Athletic concluiu que os torcedores estão pagando US$ 16 (cerca de R$ 81) por uma cerveja americana (470 ml) no Estádio de Nova York-Nova Jersey (NYNJ), onde será realizada a final da Copa, e US$ 5 (R$ 25,40) por uma água (590 ml). Mas, no Estádio Mercedes-Benz em Atlanta, por exemplo, você pagará apenas US$ 5 (cerca de R$ 25,40) por uma cerveja pequena (355 ml) e US$ 9 (R$ 45,80) pela grande (570 g). E a água (590 ml) custa US$ 3 (cerca de R$ 15,30). Outros custos também foram inflacionados. A passagem de trem da Penn Station, em Nova York, até o Estádio NYNJ para um jogo da Copa do Mundo custa US$ 98 (cerca de R$ 498). Normalmente, ela custa US$ 12,90 (R$ 66). O aumento ocorreu para que os moradores locais não precisassem pagar pelo transporte dos torcedores, segundo a governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill. Ela também destacou que a Fifa não está colaborando com os custos de transporte, que atingem US$ 48 milhões (cerca de R$ 244 milhões). Paralelamente, autoridades locais tentaram negociar com a Fifa para reduzir os custos para os torcedores comuns. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, negociou com a Fifa e garantiu 1 mil ingressos para moradores locais por US$ 50 (cerca de R$ 254), que podem ser comprados por meio de sorteio. Já a província canadense de Ontario aprovou a Lei Torcedores em Primeiro Lugar, para reduzir os preços de revenda. E Dallas oferece transporte gratuito de e para o estádio local. As manchetes sobre os preços dos ingressos vêm dominando o torneio, mas os torcedores que conversaram com a BBC permanecem entusiasmados com a Copa e afirmam que os gastos valeram a pena. Oftedal, o torcedor norueguês, declarou que criar recordações com seu pai seria o mais importante e que a preocupação com o dinheiro "desaparece depois de algum tempo".
19/06/2026 08:03:06 +00:00
Petróleo, inflação e bolsas: os estragos econômicos deixados pela guerra entre EUA e Irã

Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã encerra um conflito de quase quatro meses no Oriente Médio. Independentemente das motivações questionáveis do presidente americano, Donald Trump, fato é que a guerra prejudicou a economia global. A interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz provocou uma série de problemas. O preço da commodity disparou, os combustíveis e seus derivados pressionaram a inflação em vários países, e as perspectivas futuras para a economia se deterioraram. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Resultado é que os preços subiram para o consumidor, enquanto o mercado financeiro acumulou perdas com a revisão das estratégias de investimento. Nesse cenário, as bolsas de valores caíram e o dólar se fortaleceu. Agora, com o fim do conflito, economistas tentam estimar quando a economia dará sinais de normalização. O g1 listou os principais efeitos da guerra sobre a economia e as possíveis saídas para a recuperação. Veja nesta reportagem os principais impactos em: Alta nos preços do petróleo e de combustíveis Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump Os efeitos no Brasil Impactos no mercado financeiro Piora nas projeções de crescimento da economia global O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 10 de junho de 2026. Ken Cedeno/AFP Alta nos preços do petróleo e de combustíveis O conflito foi marcado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural comercializados no mundo. Após o início dos ataques, o preço do barril quase dobrou, passando de cerca de US$ 70 para quase US$ 120. Analistas chegaram a classificar o episódio como o maior choque petrolífero já registrado, superando as crises de 1973, 1979 e 2022. Para ampliar a oferta da commodity e conter o disparo dos preços, a Agência Internacional de Energia (IEA) realizou a maior liberação emergencial de estoques de sua história. Ainda assim, a alta do petróleo não foi amortecida o suficiente e pressionou a inflação em diversos países. O impacto atingiu primeiro os combustíveis e seus derivados e, em seguida, se espalhou pelos transportes, pela indústria e até pela produção agrícola: Fertilizantes ficaram mais caros, com a ureia acumulando alta de cerca de 60%. O aumento do combustível de aviação contribuiu para o cancelamento de milhares de voos. Fretes marítimos e rodoviários subiram, encarecendo alimentos e bens de consumo. 🛢️ Com o anúncio do acordo de paz nesta semana, o mercado começou a se estabilizar. Nesta quinta-feira (18), o petróleo Brent recuou para US$ 78,33 por barril, aliviando parte das pressões sobre a inflação. No início da manhã de sexta-feira, o petróleo Brent estava cotado a US$ 79,68 por barril, após cancelamento do encontro na Suíça. Ainda assim, está quase US$ 10 mais caro que antes do início do conflito. Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump O presidente americano iniciou o segundo mandato prometendo reduzir o custo de vida. Mas, também nos EUA, a alta do petróleo elevou o preço dos combustíveis — um dos itens mais sensíveis para o eleitorado de Trump. O preço médio do galão de gasolina nos EUA saltou de cerca de US$ 2,98 para mais de US$ 4. Em maio, a inflação ao consumidor chegou a 4,2% no acumulado em 12 meses, o maior patamar em três anos. O índice se afastou ainda mais da meta de 2% do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Como o Fed utiliza os juros para controlar a inflação, a instituição manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de quarta-feira (17), adiando ainda mais a esperada redução nos EUA. Esse baque econômico provocou uma queda ainda mais acentuada na aprovação de Trump. Em 2025, a aprovação de Donald Trump havia recuado de 42% em abril para 40% em julho, em meio aos efeitos do tarifaço imposto aos parceiros comerciais dos EUA. Com a guerra e uma nova aceleração da inflação, sua popularidade atingiu o pior nível do segundo mandato em abril deste ano, chegando a 34% de aprovação. Pesquisas da Reuters/Ipsos mostraram que 63% dos americanos desaprovavam o governo, enquanto apenas 36% o aprovavam. Na área econômica, a aprovação era ainda menor, de 27%, o pior resultado da série histórica do instituto. 🛢️ O recuo dos preços da gasolina nas últimas semanas trouxe uma melhora modesta. A aprovação da atuação de Trump no combate ao custo de vida subiu de 22% para 24%, mas o presidente segue bem abaixo dos níveis registrados no início do mandato. Veja mais na reportagem abaixo: O que está por trás da crise de popularidade de Trump e quais os reflexos no mundo Os efeitos no Brasil Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que os preços do diesel e da gasolina no Brasil chegaram a acumular altas de 23,6% e 8%, respectivamente, nos últimos meses — e não demorou até que o consumidor sentisse o efeito disso no bolso. O governo chegou a anunciar um pacote de medidas para conter os preços dos combustíveis nas bombas, mas não conseguiu evitar os impactos sobre o custo do frete, por exemplo — o que gerou um efeito em cadeia e pressionou os preços de diversos itens da cesta de consumo. ➡️ O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, acumula alta de 3,20% no ano até maio. Em 12 meses, o índice avançou 4,72%, acima do teto da meta para 2026, de 4,5%. Com a pressão sobre os preços e a incerteza provocada pela guerra nos últimos meses, as projeções do mercado financeiro para os juros também pioraram. O Boletim Focus da última segunda-feira (15) mostra que os economistas do mercado esperam uma taxa Selic de 13,75% ao ano em 2026, um aumento de 0,25 ponto percentual (p.p.) em relação à semana anterior. 🔎 Isso significa que o mercado espera juros elevados por mais tempo, o que deve continuar encarecendo o crédito e pode limitar o consumo das famílias brasileiras. Entre os principais setores da economia, os efeitos foram variados. De um lado, exportadores de petróleo se beneficiaram com a alta das cotações. Por outro, segmentos dependentes da commodity sentiram o impacto nos preços de derivados. O resultado é uma pressão generalizada sobre a economia brasileira, com efeitos que vão do bolso do consumidor ao desempenho dos setores produtivos. Veja os impactos da guerra pelo mundo Guerra no Irã: como países tentam conter o impacto da crise de energia nas famílias Países alertam para impacto prolongado do conflito no Oriente Médio Guerra no Oriente Médio: efeitos na economia serão duradouros e no mundo inteiro, diz FMI Impactos no mercado financeiro As incertezas sobre a duração do conflito e seus impactos na economia global também se refletiram nos mercados de câmbio e de ações ao redor do mundo. Como costuma ocorrer, o início da guerra trouxe uma valorização do dólar. Isso acontece porque a moeda americana é vista como um dos ativos mais seguros do mundo e costuma ser a preferência dos investidores em momentos de incerteza, como forma de proteger suas aplicações. No Brasil, o dólar atingiu o maior nível do ano em 13 de março, mês seguinte ao início do conflito, ao ser cotado a R$ 5,3142, impulsionado pela alta do petróleo. Nos meses seguintes, o cenário começou a mudar, à medida que as incertezas iniciais se dissiparam e o mercado passou a ter mais clareza sobre quais países e setores seriam mais impactados pela guerra. Com isso, investidores reduziram suas posições em dólar e passaram a buscar ativos mais arriscados — movimento que favoreceu o real. No acumulado do ano até quarta-feira (17), a moeda americana registrava desvalorização de 6,94%. O movimento foi semelhante nos mercados de ações: em um primeiro momento, investidores retiraram recursos de ativos mais arriscados e, depois, passaram a apostar em papéis que poderiam se beneficiar do novo cenário. 🔎 Vale destacar que outros fatores também influenciaram as cotações nos últimos meses, como o tarifaço imposto pelo governo Trump, a política fiscal brasileira, o noticiário corporativo e os dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos. No acumulado do ano até a última quarta-feira, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, registrava alta de 4,38%. Piora nas projeções de crescimento da economia global Antes do conflito entre EUA e Irã, a previsão era de que o crescimento global desacelerasse apenas de forma moderada, com a inflação perdendo força e permitindo um ambiente econômico mais estável. Com a escalada da guerra, porém, o cenário piorou. O aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas elevou os custos de produção, transporte e energia em diversos países, alimentando a inflação e reduzindo ainda mais as perspectivas de crescimento. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia mundial em 2026 de cerca de 3,3% para 3,1%, citando os impactos da guerra sobre os preços das commodities, as condições financeiras e a confiança dos investidores; A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passou a estimar uma desaceleração do crescimento global, de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026. A organização alertou que, caso a crise energética se prolongasse, a expansão global poderia cair para apenas 2,1%, nível associado a períodos de forte desaceleração econômica; Países como Alemanha e França tiveram suas projeções reduzidas devido ao encarecimento da energia, que diminuiu o poder de compra das famílias e aumentou os custos das empresas. Mesmo com a melhora recente, FMI e OCDE avaliam que a recuperação dependerá da manutenção da estabilidade no Oriente Médio e da normalização do abastecimento global de energia.
19/06/2026 08:01:50 +00:00
Vai decorar o carro para a Copa do Mundo? Veja o que pode render multa

Empresário faz plotagem gigante de Neymar em carro para a Copa Reprodução/acervo pessoal A Seleção Brasileira de futebol enfrenta o Haiti nesta sexta-feira (19) pela Copa do Mundo, e a empolgação da torcida se reflete nas ruas. Bandeiras, adesivos e enfeites em verde, amarelo e azul se espalham pelos automóveis em circulação. No entanto, motoristas precisam ter atenção às regras estabelecidas pela legislação para evitar multas e problemas na fiscalização. Uma portaria recente da Prefeitura de São Paulo liberou o uso de decorações alusivas ao torneio para táxis, vans e veículos de transporte por aplicativo, mas condutores particulares devem seguir limites técnicos rígidos de segurança. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Segundo o advogado e ex-secretário de transportes de Porto Alegre (RS), Marcelo Soletti, esse tipo de liberação municipal é uma prática comum em grandes capitais durante períodos festivos ou grandes eventos esportivos. Como os serviços de táxi e transporte por aplicativo são regulados pelos municípios, as prefeituras possuem autonomia para flexibilizar temporariamente as exigências estéticas e permitir o clima de celebração na frota pública local. Agora no g1 Para o motorista comum, o principal critério a ser observado é a manutenção da visibilidade e da segurança viária. A advogada Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, explica que o Código de Trânsito Brasileiro permite a customização estética desde que ela não interfira nos componentes essenciais de dirigibilidade. Qualquer adereço posicionado de forma a obstruir a visão dos retrovisores pode resultar em punição administrativa para o condutor do veículo. "Também são problemáticas as adaptações que interfiram no funcionamento de equipamentos obrigatórios, como cintos de segurança, encostos de cabeça e sistemas de retenção", diz a advogada. O uso de adesivos nos vidros é um dos pontos que mais demandam atenção técnica. O advogado Marcos Poliszezuk, sócio fundador do Poliszezuk Advogados, ressalta que os enfeites não podem “desviar a visão do motorista durante o ato de dirigir” nem dificultar a identificação do veículo. Pietra Valentina envelopou o carro com as cores da bandeira do Brasil para a Copa do Mundo Arquivo Pessoal O descumprimento dos requisitos de segurança estipulados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) gera o enquadramento no artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), configurando uma infração grave. A avaliação técnica dessa transparência nos vidros é regida por normas específicas federais. Marcelo Soletti detalha que uma resolução do Contran estipula limites para a chamada transmitância luminosa, estabelecendo que a visibilidade nos vidros essenciais do automóvel não pode ficar abaixo de 70%. Caso a fiscalização identifique que um adesivo comemorativo reduziu a transparência além do limite permitido ou bloqueou o campo de visão frontal e lateral do motorista, a penalidade prevista é uma multa no valor de R$ 195,23, a perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a retenção do veículo até a retirada do material irregular. Mudança de cor do carro A mesma penalidade de caráter grave é aplicada para quem exagera no tamanho das colagens sobre a lataria do carro. De acordo com outra resolução do Contran, modificações que alterem mais de 50% da cor predominante original da carroceria sem a devida atualização do registro de trânsito deixam o veículo em situação irregular. "Quando a adesivação modifica a cor predominante do veículo em mais de 50%, ocorre uma alteração de característica sujeita à atualização do registro junto ao órgão de trânsito", explica Daniela Poli Vlavianos. Ela destaca que a regra abrange tanto adesivos permanentes quanto envelopamentos temporários. Carros circulam pela capital paulista com bandeiras do Brasil André Fogaça/g1 A fixação de bandeiras externas e mastros também é monitorada pelos agentes públicos. Poliszezuk pondera que pequenas bandeiras fixadas de maneira adequada costumam ser toleradas, mas estruturas maiores ou suportes improvisados, que balancem ou tenham risco de desprendimento, representam risco à segurança viária e aos pedestres. "Uma bandeira presa em mastro, por exemplo, pode ser considerada irregular se houver risco de desprendimento ou se comprometer a estabilidade e a segurança do veículo", diz o advogado. Além disso, as decorações externas não podem ocultar as placas de identificação ou os dispositivos de iluminação obrigatórios do automóvel, sob risco de autuação e retenção do veículo até que a situação seja totalmente regularizada pelo proprietário. Gritar e buzinar O comportamento dos passageiros e o barulho excessivo durante as comemorações nas vias públicas são outros focos de atenção jurídica. Daniela Poli Vlavianos alerta sobre os riscos associados à conduta de torcedores mais entusiasmados em colocar partes do corpo para fora do automóvel em movimento. Segundo a especialista, colocar a cabeça, os braços ou o tronco para fora do veículo em movimento aumenta significativamente o risco de acidentes e lesões graves, o que gera responsabilização direta para o condutor por transporte de passageiros em condições inseguras e pode acarretar desdobramentos de responsabilidade civil e criminal em caso de acidentes. Marcelo Soletti reforça que o CTB proíbe o transporte de pessoas em partes externas do veículo e a projeção de partes do corpo para fora do automóvel em movimento. Em relação ao uso de buzinas e equipamentos de som em volume muito alto, Soletti menciona que, embora os agentes de trânsito costumem avaliar o contexto festivo e a plausibilidade do momento, o abuso próximo a escolas, hospitais ou após as 22h resulta em tolerância zero por violar o sossego público. O som excessivo atrai a aplicação de penalidades ambientais e municipais baseadas nas leis paulistanas do silêncio.
19/06/2026 07:00:43 +00:00
Tarifaço de Trump: maior associação de pescados dos EUA defenderá produto brasileiro em audiência

Tilápia Morada Nova de Minas Diego Vargas/Seapa MG Assim como o café solúvel, os pescados brasileiros serão defendidos contra as novas tarifas propostas por Donald Trump, durante uma audiência pública nos EUA, no próximo dia 6. Caso as novas taxas sejam aplicadas, o setor pode ser tarifado em 37,5% nos Estados Unidos. A defesa do produto nacional será feita pela maior associação de pescados dos EUA, a National Fisheries Institute (NFI), conta Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca). Segundo ele, a apresentação deve repetir, em grande parte, os pontos levados ao governo americano no ano passado, quando o setor enfrentou tarifas de 50%. "O nosso argumento central é que o Brasil não compete com os americanos, pois exporta produtos que os EUA não produzem internamente. O principal exemplo é a tilápia. Nesse setor, nós somos um fornecedor de segurança para os EUA, pois eles dependem muito da China", destaca. ➡️ Contexto: em 1º de junho, Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre desmatamento ilegal, pirataria e PIX. No dia seguinte, anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falha no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Lobo acrescenta que a defesa também destacará os protocolos sanitários, trabalhistas e ambientais adotados pelo Brasil. "Vamos enfatizar que o país cumpre rigorosamente as normas internacionais e que não há trabalho infantil ou escravo na nossa produção", afirma. "Além disso, diferentemente da pesca industrial em larga escala, nossa produção é predominantemente artesanal, realizada por pequenas embarcações familiares, o que resulta em baixo impacto ambiental", diz. O g1 procurou a National Fisheries Institute para saber mais detalhes sobre a defesa, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem. Em depoimento ao Escritório de Comércio dos EUA (USTR) no dia 5 de maio, o diretor jurídico da entidade, Bob DeHaan, pediu ao governo Trump que não taxasse a importação de pescados. Na ocasião, ele disse que a medida, caso adotada, vai pressionar a inflação aos consumidores americanos. "Os estoques pesqueiros dos EUA já são explorados em seu limite sustentável e, por questões climáticas e geográficas, muitas vezes não há substitutos produzidos no próprio país. Por isso, os fornecedores americanos precisam recorrer ao mercado internacional", disse DeHaan, segundo nota publicada pela NFI. O presidente da Abipesca reforça que o Brasil não é o principal fornecedor de pescados para os Estados Unidos. A liderança desse mercado é ocupada pela China. Atualmente, os produtos brasileiros respondem por cerca de 5% de todas as importações americanas de pescado. Nos últimos anos, porém, importadores dos EUA vinham ampliando as compras do Brasil na tentativa de reduzir a dependência dos fornecedores chineses, diz Lobo. Leia também: Tarifa dos EUA sobre tilápia brasileira pode baratear o peixe no Brasil? Entenda Setor de café solúvel vai aos EUA pedir revisão de novas tarifas: 'Não tem lógica' Exportadores correm para escapar de novo tarifaço Pescado como moeda de troca Questionado sobre por que os pescados ficaram de fora da lista de isenções do tarifaço, Lobo acredita que o produto é apenas mais um entre os itens brasileiros usados pelos EUA como moeda de troca em outras negociações. "Toda a negociação precisa ter uma moeda de troca. Como o pescado tem o menor valor financeiro em volumes comercializados com os EUA quando comparado a outras proteínas, ele acabou sendo usado", comenta Lobo. Ao contrário dos pescados, a carne bovina brasileira tem sido alvo frequente de críticas por parte de Trump, que chegou a acusar o setor de usar trabalho forçado na produção. Ainda assim, o produto foi incluído na lista de isenções das duas novas tarifas. Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa Setor busca outros mercados A indústria brasileira de pescados depende muito do mercado americano. Segundo a Abipesca, 90% de toda a tilápia exportada pelo Brasil vão para os EUA. Considerando todas as espécies, o mercado americano absorve cerca de metade das exportações brasileiras. "Estamos apreensivos, mas o setor amadureceu muito depois de tudo o que passou. Estamos lutando bastante para não diminuir produção, nem perder postos de trabalho", diz Lobo. Após o susto em 2025, o setor intensificou a busca por novos clientes. Houve abertura de mercados em países asiáticos, como Singapura e Taiwan, além da Austrália, na Oceania. No Oriente Médio, o Brasil passou a exportar para os Emirados Árabes Unidos e o Catar. Paralelamente, ampliou de forma significativa suas vendas para a China, que passou a absorver uma parcela importante da produção brasileira. Apesar dos avanços, os novos mercados ainda não compensaram a queda nas exportações para os Estados Unidos. "Não compensou porque é o início de um trabalho. É muito difícil você substituir em um ano ou dois o maior mercado consumidor de pescados do mundo", ressalta. No ano passado, o Brasil exportou US$ 370 milhões para os Estados Unidos em pescados, cerca de US$ 100 milhões a menos do que em 2024. Para este ano, a expectativa era alcançar US$ 500 milhões em vendas, mas a ameaça de novas tarifas deve frustrar essa expectativa. Setores antecipam exportações de olho em novo tarifaço dos EUA que começa em julho
19/06/2026 07:00:13 +00:00
Como era o 'Nokia tijolão', celular mais popular do país na última vez que o Brasil ganhou a Copa

Nokia 3310 Kevin Steinhardt/Flickr Se hoje milhões de pessoas usam o celular para acompanhar a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, na última vez em que o país levantou a taça, a realidade era bem diferente. Em 2002, os celulares estavam ficando mais compactos e ganhavam mais recursos de jogos e música, mas ainda estavam muito distantes de modelos atuais como iPhone 17 e Galaxy S26. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Na época, um dos celulares em alta no mundo era o Nokia 3310. Ele foi lançado no exterior em 2000, seguiu em alta no Brasil por anos e chegou a 126 milhões de unidades vendidas, tornando-se um dos mais populares da história. Com o tempo, o celular ganhou o apelido de "Nokia tijolão" por conta de sua capacidade de continuar funcionando mesmo após inúmeras quedas. Agora no g1 O aparelho também ficou famoso pelo "Snake", o jogo da cobrinha, que fazia pessoas ficarem horas vidradas na tela monocromática de 1,5 polegada. O controle era feito pelas teclas numéricas, que serviam para digitar números em ligações e escrever mensagens. E enquanto o antigo modelo tinha armazenamento de 1 kb, a capacidade dos celulares mais novos é centenas de milhões de vezes maior, considerando o espaço de 256 GB. LEIA TAMBÉM: Brasil na Copa do Mundo: história, gols, títulos, jogadores e mais O Nokia 3310 era vendido por R$ 429 em novembro de 2002, de acordo com anúncios da época. Mas clientes poderiam conseguir um desconto e comprá-lo por R$ 189 se optassem por determinados planos de operadoras. Hoje, o celular custaria R$ 1.690, no preço cheio, e R$ 744, na promoção. Os cálculos levam em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até maio de 2026 e seguem a calculadora do Banco Central. Celular Nokia 3310 é relançado na Finlândia por 49 euros( Emilio Morenatti / AP Photo Windows XP, ICQ e mais: como era a tecnologia quando o Brasil ganhou a Copa pela última vez O sucesso do Nokia 3310 foi tão grande que, em 2017, a HMD Global, que assumiu o controle da marca, relançou o aparelho. A nova geração foi lançada por 49 euros (cerca de R$ 290, na cotação atual). O aparelho ficou mais leve e mais fino que o original, mas manteve uma bateria que durava muito e o jogo da cobrinha. Com o avanço da tecnologia, o Nokia 3310 repaginado ganhou uma câmera de 2 megapixels, porta para fones de ouvido e suporte para cartão de memória de até 32 GB. Ele só consegue se conectar à rede 2G e tem recursos limitados para navegação na internet. Confira a ficha técnica do Nokia 3310 original, segundo o GSMArena: Tela monocromática de 1,5 polegada com espaço para até cinco linhas de texto; Bateria removível de 900 mAh; 4 jogos (Snake, Pairs, Space Impact e Bantumi) Suporte a SMS; Recursos como digitação preditiva, mensagens inteligentes, discagem por voz, calculadora, conversor de moedas; Registros de chamadas (até 8 efetuadas, 8 recebidas e 8 não atendidas); Protetores de tela e mensagens de boas-vindas; Tamanho de fonte dinâmico. Ronaldo durante a Copa do Mundo de 2002 Reprodução/TV Globo SpaceX leva à bolsa de valores uma aposta que vai além dos foguetes
19/06/2026 07:00:11 +00:00
Petróleo recupera perdas iniciais após encontro entre EUA e Irã ser cancelado

Imagem de drone mostra o petroleiro Agios Fanourios I, com bandeira de Malta, que navegou pelo Estreito de Ormuz e chegou às águas territoriais do Iraque, próximo a Basra, Iraque, em 17 de abril de 2026. REUTERS/Mohammed Aty/Foto de Arquivo Os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira (19) depois que as negociações previstas entre Estados Unidos e Irã, que ocorreriam na Suíça, foram canceladas. A interrupção das conversas aumentou a cautela dos investidores em relação à implementação do acordo de paz firmado nesta semana entre os dois países. Os valores oscilaram após os Estados Unidos e o Irã assinarem um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros. O petróleo Brent, referência internacional, passou a maior parte do dia em baixa, antes de fechar em alta de 0,4%, a US$ 79,85 o barril. O petróleo bruto de referência dos EUA caiu 0,2%, para US$ 75,85 o barril. No início da manhã de sexta-feira, o petróleo Brent estava em queda de 0,2%, cotado a US$ 79,68 por barril. O petróleo bruto de referência dos EUA subiu 0,1%, para US$ 75,91 por barril. Os preços do petróleo bruto ainda estão acima de aproximadamente US$ 70 por barril, valor registrado antes da guerra, mas estão bem abaixo dos mais de US$ 100 de algumas semanas atrás. A mudança de rumo ocorreu após o vice-presidente dos EUA, JD Vance, cancelar a viagem que faria à Suíça para se reunir com representantes iranianos. O Ministério das Relações Exteriores suíço confirmou que as conversas previstas para esta sexta não acontecerão. Apesar da alta do dia, o petróleo ainda caminha para encerrar a semana em baixa. Os preços vinham sendo pressionados pela perspectiva de normalização do fluxo de petróleo no Oriente Médio após o acordo que encerrou quase quatro meses de conflito entre EUA e Irã. Depois de assinatura de acordo preliminar entre EUA e Irã, Israel posta mapa com ocupação militar no Líbano No Oriente Médio, petroleiros começaram a atravessar novamente o Estreito de Ormuz depois que os Estados Unidos suspenderam o bloqueio ao Irã na quinta-feira (18). A retomada da circulação pela rota, responsável por uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo, é vista como um fator que pode ampliar a oferta da commodity nos mercados internacionais. Analistas da RBC Capital Markets afirmaram, porém, que ainda existem dúvidas sobre a durabilidade do acordo. Em relatório, a instituição avaliou que a reabertura de Ormuz pode ocorrer de forma gradual, semelhante ao observado no Mar Vermelho após o acordo firmado com os houthis em 2025, quando o tráfego marítimo continuou abaixo dos níveis registrados antes da crise. Bolsas recuam na Ásia Os mercados acionários asiáticos fecharam em queda nesta sexta-feira, em movimento de realização de lucros após fortes altas recentes. No Japão, o índice Nikkei caiu 0,6%, depois de ter atingido um novo recorde intradiário pela quinta sessão consecutiva. Na Coreia do Sul, a bolsa recuou 1,8%, embora ainda acumule valorização de 9,5% na semana. As bolsas da China continental e de Hong Kong permaneceram fechadas devido ao feriado do Festival do Barco do Dragão. Em Taiwan, os mercados também não operaram. Operadores de câmbio observam monitores na sala de negociações de moedas estrangeiras na sede do Hana Bank em Seul, Coreia do Sul. Ahn Young-joon / AP Dólar ganha força O dólar avançou frente às principais moedas globais após o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, sinalizar uma postura mais rígida em relação aos juros. O índice que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas subia e caminhava para encerrar a semana com alta de 1,3%. O movimento ocorreu após integrantes do Fed indicarem a possibilidade de novas elevações dos juros ao longo do ano. Entenda como a perda de valor do dólar pelo mundo tem impacto no Brasil Jornal Nacional/ Reprodução A valorização do dólar pressionou os metais preciosos. O ouro caiu 1,9%, enquanto a prata recuou 3,6%. Nos mercados de renda fixa, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano oscilaram após investidores avaliarem os efeitos da política monetária dos EUA e o impacto da queda recente dos preços do petróleo sobre a inflação. *Com informações da Reuters.
19/06/2026 06:07:24 +00:00
Churrasco, cerveja e torcida mais caros: veja a alta dos preços no mercado desde a última Copa do Mundo, em 2022

Alta da carne pesa no churrasco da Copa O churrasco pode ficar mais salgado para a torcida brasileira este ano — e não apenas por causa da carne. Itens comuns em reuniões para torcer pelo Brasil em jogos da seleção acumulam um aumento superior ao da inflação, de cerca de 12%, registrada desde a última Copa do Mundo, em 2022. Para encher a grelha, só a linguiça não ficou mais cara. O frango teve alta de 18%, o pão de alho, de 15%, e a carne bovina, de 9%. Salsicha enlatada e petiscos tiveram as maiores variações desde a última Copa via BBC As bebidas também acompanham essa tendência: o preço da cerveja subiu 19% desde 2022, enquanto refrigerantes e sucos registraram aumentos ainda maiores, de 30% e 32%, respectivamente. Itens mais populares seguiram a mesma variação. A salsicha enlatada teve alta de 26%; os petiscos, como chips, ficaram 21% mais caros; a pipoca de micro-ondas subiu 20%; os lanches prontos, 19%; e o amendoim, 17%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As estimativas foram feitas, a pedido da BBC News Brasil, pela Scanntech, empresa referência no setor varejista para compilar e analisar cupons fiscais emitidos por mercados de pequeno, médio e grande porte em todo o país. Os valores podem variar por diversos fatores, desde a localização e a rede de supermercado escolhida pelo consumidor até a marca dos produtos e, no caso da carne bovina, o corte adquirido. Por isso, a empresa prefere não divulgar os preços médios de cada item. Os aumentos percentuais são valores aproximados, calculados a partir de uma base de cupons fiscais que, segundo a Scanntech, contempla as emissões de três em cada quatro estabelecimentos do setor. Sucos e refrigerante tiveram as maiores variações desde a última Copa via BBC Consumo não deve cair, mas cesta de compras deve mudar Porta-voz e diretora de marketing da Scanntech, Priscila Ariani diz não acreditar que o consumo voltado para a Copa vá cair por causa da alta dos preços. Pelo contrário: desta vez, a maioria dos jogos acontece à noite para os brasileiros, o que pode intensificar os encontros e facilitar a participação de quem normalmente não consegue deixar o trabalho para acompanhar uma partida realizada no meio da tarde, por exemplo. Mas a cesta média de compras para uma reunião diante da televisão deve mudar, acrescenta ela. Segundo as estimativas da Scanntech, que fornece aos supermercados dados de inteligência para impulsionar o faturamento, a expectativa do setor é que as churrasqueiras tenham mais frango do que carne bovina. Isso se deve a vários fatores. O primeiro, afirma a executiva, é que, embora o frango tenha registrado uma alta média de preços superior à da carne bovina, ele ainda custa muito menos e, diante do endividamento e da perda do poder de compra das famílias, tende a ter maior procura. Mas há também razões que vão além do preço. Entre elas está o fato de o frango ser menos gorduroso. A característica, diz Ariani, agrada tanto quem busca fontes de proteína consideradas mais saudáveis quanto pessoas em tratamento com canetas emagrecedoras, conhecidas por provocar enjoos quando o paciente consome cortes gordurosos — em geral bovinos, mesmo os nobres, devido à gordura intramuscular. "O consumo mudou muito ao longo desses quatro anos, a gente teve crescimentos exponenciais da vertente de saúde. A proteína é a vedete da vez, né? Só se fala em proteína", ela diz. Essa preocupação com hábitos saudáveis pode parecer paradoxal quando se fala de uma cesta de compras voltada à socialização, reconhece a executiva. Ainda assim, ela afirma que é possível manter produtos associados à celebração sem abandonar os cuidados com a alimentação. Nesse contexto, a Scanntech observa, por exemplo, um aumento no consumo de cervejas light, que costumam ter preço mais elevado, mas ao mesmo tempo são ingeridas em menor quantidade. O que explica a alta dos preços Para André Braz, coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em política monetária e inflação, é difícil explicar de forma generalizada o aumento dos valores desses produtos. Diversos fatores influenciam a formação dos preços, explica ele. O primeiro é a própria demanda. Quando a procura aumenta, como costuma ocorrer às vésperas e durante grandes torneios esportivos, os valores tendem a subir. O diagnóstico é reforçado por um estudo da Scanntech, que registrou vendas, em média, 24% maiores nos dias que antecederam jogos da Copa de 2022 e de competições disputadas no ano passado, como o Mundial de Clubes, a Copa Intercontinental e a Libertadores. Mas há fatores que vão além da demanda, especialmente no mercado de carne bovina, que enfrenta uma restrição de oferta ao mesmo tempo em que as exportações seguem aquecidas, diz o economista. O Brasil bateu recorde de exportações de carne bovina in natura no ano passado, mesmo com as sobretaxas impostas pelo presidente americano Donald Trump. LEIA TAMBÉM Preço dos alimentos em maio: o que ficou mais caro e o que barateou no mês Foram 3,50 milhões de toneladas embarcadas, alta de 20,9% em relação a 2024, e US$ 18,03 bilhões movimentados, o equivalente a cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que compilou os dados com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Mas o especialista afirma que existe, sim, um elemento comum a todos esses produtos e que contribui para encarecer quase tudo nas prateleiras dos supermercados: a logística. "O setor de bebidas, por exemplo, enfrenta custos importantes relacionados a embalagens, logística e distribuição. Insumos como alumínio, vidro, plástico e transporte têm peso significativo na formação dos preços e podem pressionar reajustes acima da inflação média", ele diz. A alta dos preços no mercado desde a última Copa do Mundo, em 2022 via BBC
19/06/2026 06:00:45 +00:00
Copa do Mundo 2026: empresa é obrigada a liberar funcionários para ver jogos? Entenda

Vai ter folga nos jogos do Brasil? O que diz a lei trabalhista O primeiro jogo do Brasil em dia útil acontece nesta sexta-feira (19), e empresas de todo o país já se prepararam para mudanças na rotina de trabalho durante os jogos. As partidas da seleção reacendem dúvidas frequentes entre trabalhadores e empregadores: empresas são obrigadas a liberar funcionários? É permitido assistir aos jogos durante o expediente? As horas podem ser compensadas? 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Além do jogo de hoje, o Brasil fará mais um jogo da fase de grupos em dia útil, mas ambos são à noite, no horário de Brasília. Caso a seleção avance no torneio, novas partidas podem voltar a coincidir com o horário de trabalho. Embora seja comum que empresas flexibilizem horários ou reduzam o expediente durante a Copa, a legislação trabalhista não prevê folga obrigatória em dias de jogo. (veja abaixo como funciona) Uma pesquisa da Catho, realizada com 420 empresas, mostra que apenas 5% pretendem manter o expediente normal durante os jogos da seleção brasileira. A maioria afirma que deve adotar algum tipo de flexibilização para os colaboradores. Segundo o levantamento, 76% das empresas dizem que a Copa impacta, ao menos em parte, a rotina corporativa. Além disso, 60% afirmam que os jogos coincidem com o horário de trabalho — cenário que tende a afetar principalmente setores com operação noturna, como supermercados, shoppings, padarias, varejo, alimentação e prestação de serviços. Entre as medidas mais adotadas, 26% das empresas afirmam que irão transmitir os jogos no próprio ambiente de trabalho, enquanto 24% pretendem liberar os funcionários antes das partidas. Para Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, grupo responsável pela Catho, a tendência é que as empresas busquem equilibrar produtividade e experiência do colaborador durante eventos de grande interesse coletivo. “Existe uma percepção maior das empresas de que flexibilizar a rotina em momentos específicos pode contribuir para engajamento, clima organizacional e até produtividade, principalmente em equipes que atuam em jornadas mais extensas ou no período noturno”, afirma. Acompanhe a Copa no ge: Simulador da Copa do Mundo 2026 Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos RESULTADOS: confira a tabela da Copa do Mundo A startup GetNinjas já está enfeitada para a Copa do Mundo; funcionários verão jogos em telão Marcelo Brandt/G1 Folga durante a Copa é obrigatória? Apesar da tradição em anos de Mundial, dias de jogo da seleção brasileira não são feriados. A legislação trabalhista não prevê nenhuma regra específica para a Copa do Mundo e, por isso, a jornada normal de trabalho continua valendo. Na prática, isso significa que a empresa não é obrigada a liberar funcionários, reduzir expediente ou flexibilizar horários por causa dos jogos. Quando a liberação ocorre, a decisão parte exclusivamente do empregador. Algumas empresas optam por liberar os funcionários sem desconto salarial, enquanto outras permitem que os trabalhadores assistam às partidas no próprio ambiente de trabalho. Há ainda empresas que mantêm o expediente normalmente. Quando a dispensa ocorre sem desconto no salário, a folga é considerada remunerada. Em outros casos, as horas podem ser compensadas posteriormente. O advogado trabalhista Marcel Zangiácomo, sócio do escritório Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, explica que a compensação pode ser exigida quando a empresa decide liberar parcial ou totalmente os funcionários durante o expediente. Segundo ele, a compensação precisa ser previamente combinada e respeitar os limites previstos na legislação trabalhista. “A compensação não pode ultrapassar duas horas extras por dia e o acordo precisa ser claro para evitar que o trabalhador seja surpreendido depois”, afirma. De acordo com o advogado, a compensação pode ocorrer em até um ano, desde que seja firmado o tipo adequado de acordo — individual verbal, individual escrito ou coletivo, dependendo do caso. Já a falta injustificada em dias de jogo continua sendo tratada como uma ausência comum. O trabalhador pode sofrer desconto salarial e até perder o descanso semanal remunerado. Advertências e suspensões também podem ocorrer em casos de reincidência. Ainda assim, especialistas ressaltam que faltar apenas para assistir a uma partida, sem aviso ou negociação prévia, não configura motivo automático para justa causa. Para profissionais que atuam em regime de escala ou em setores essenciais — como saúde, transporte, segurança e atendimento ao público — as regras tendem a ser mais rígidas. Segundo Zangiácomo, atividades consideradas essenciais não podem ser interrompidas por causa dos jogos. “A empresa não pode comprometer atividades essenciais por causa da Copa. Por isso, é importante planejamento e diálogo para minimizar impactos”, diz. Nesses casos, acordos individuais costumam ser mais frequentes, com avaliação das condições operacionais de cada equipe. O advogado também alerta que assistir aos jogos sem autorização, mesmo dentro do ambiente de trabalho, pode ser interpretado como indisciplina. “Se a empresa determinou que não haverá pausa, o empregado precisa cumprir a orientação. Caso contrário, pode sofrer advertência e até suspensão”, afirma. Especialistas destacam que, diante da ausência de uma regra única, o diálogo entre empresa e trabalhador é a melhor alternativa para evitar conflitos e garantir segurança para ambos os lados. Funcionários trabalham na startup GetNinjas, que enfeitou o ambiente de trabalho para os jogos da Copa do Mundo Marcelo Brandt/G1
19/06/2026 06:00:32 +00:00
Quais são e quanto custam as chuteiras dos jogadores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026?

Danilo, da seleção brasileira, chuta bola em disputa com Azzedine Ounahi, do Marrocos, no jogo de 13 de junho pela Copa do Mundo Caean Couto/Reuters As chuteiras (cor de rosa) podem ser o item mais caro da lista de quem quer montar um uniforme completo de jogador brasileiro na Copa do Mundo de 2026. Os modelos mais baratos encontrados nas lojas da internet no final de maio saíam a partir de R$ 800 e chegavam até R$ 2.500. 🇧🇷 Quer comprar melhor? Receba testes e dicas do Guia de Compras no seu e-mail. Quanto custam as chuteiras dos grandes craques da Copa? Jogadores da seleção brasileira em campo após o fim de Brasil x Marrocos no último sábado (13) Jeenah Moon/Reuters Quatro marcas dominam os pés dos jogadores da Seleção Brasileira de Futebol: Nike (11 jogadores), Adidas (8), Puma (4) e New Balance (1). Cada marca tem sua linha de chuteiras rosa, com seu nome específico de cor: Lucid Pink (Adidas) Rosa Neon (New Balance) Hyper Pink / Hot Punch – tonalidade complementar (Nike) Poison Pink (Puma) No levantamento feito pelo Guia de Compras com os fabricantes, apenas dois atletas estão sem patrocínio de chuteiras. Por fotos em redes sociais, deu para perceber que Ibañez usa produtos da Adidas, e Igor Thiago, da Nike. Veja a seguir as chuteiras usadas pelos convocados e alguns dos modelos disponíveis nas lojas on-line. Adidas Vale ressaltar que as chuteiras da Adidas para a Copa do Mundo fazem parte de uma nova linha chamada "Road to Glory", anunciada no início do torneio, e que ainda está chegando às lojas. Chuteira Adidas da linha "Road to Glory" especial para a Copa do Mundo 2026 Divulgação Os modelos são os mesmos que os já disponíveis nas lojas da internet, só que em edição especial. Atletas patrocinados pela Adidas Adidas F50 Elite Adidas F50 LL Adidas Predator Elite New Balance Chuteira New Balance para a Copa do Mundo 2026 Divulgação Atleta patrocinado pela New Balance New Balance Tekela “Pure Ambition” Nike Chuteira Nike para a Copa do Mundo 2026 Divulgação Atletas patrocinados pela Nike Nike Mercurial Vapor 17 Elite Nike Phantom 6 Elite Low Nike Tiempo Maestro Elite Puma Chuteira Puma para a Copa do Mundo 2026 Divulgação Atletas patrocinados pela Puma Puma Future 9 Ultimate Puma Ultra 6 Ultimate Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.  Na Copa do Mundo, não grite "gol" com atraso
19/06/2026 06:00:08 +00:00
Pentágono teria comunicado que precisa de US$ 80 bilhões para cobrir custos da guerra contra o Irã, diz jornal

A ação militar dos EUA e de Israel causou destruição no Irã desde o início da guerra, em fevereiro GETTY IMAGES O Pentágono precisa de US$ 80 bilhões para cobrir os custos da guerra contra o Irã, encerrada nesta semana após quase quatro meses de conflito, e outras despesas militares, segundo reportagem do Wall Street Journal. O valor teria sido informado pelo vice-secretário de Defesa dos EUA, Stephen Feinberg, a parlamentares norte-americanos. A quantia é quase três vezes superior à estimativa divulgada pelo Pentágono em maio, de US$ 29 bilhões. 🔎 Na quarta-feira (17), os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian assinaram o acordo de paz na guerra do Oriente Médio após quatro meses de conflito. Os parlamentares norte-americanos estão preocupados com os custos da guerra iniciada em fevereiro e estariam pressionando o governo a apresentar o valor total, com detalhamento dos gastos. Há também a preocupação de que os militares teriam utilizado munições valiosas que seriam importantes para os EUA em outras operações. Segundo o jornal, líderes do Pentágono já haviam comunicado que os recursos estavam se esgotando e que o país poderia ficar desassistido ainda neste verão (no Hemisfério Norte) caso o Congresso não aprovasse uma lei de gastos emergenciais para a guerra. O comunicado alertava que as Forças Armadas teriam que reduzir exercícios militares de treinamento e outras prioridades. Nos últimos meses, os gastos militares aumentaram significativamente devido às diversas operações em que os EUA estão envolvidos, como a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e os ataques a embarcações no oceano Pacífico, em uma operação contra o tráfico de drogas. Agora no g1 Ainda segundo a apuração do Wall Street Journal, um pedido suplementar de recursos, com fundos para o Pentágono e outras demandas da Defesa, pode ser enviado aos parlamentares nos próximos dias. O orçamento anual de 2026 do Pentágono é de US$ 1 trilhão, e qualquer ampliação precisaria ser aprovada pelo escritório de Gestão e Orçamento (OMB), órgão responsável por analisar gastos federais, antes de ir ao Congresso. Para as fontes ouvidas pelo jornal, o Pentágono demonstrou confiança no plano que o vice-secretário de Defesa apresentado aos parlamentares com quem conversou nos últimos dias. Essas ligações teriam ocorrido paralelamente a reuniões entre o secretário de Defesa, Pete Hegseth, com senadores republicanos. Hegseth teria mencionado novos pedidos de financiamento. Caso o governo realmente faça o pedido, deve enfrentar resistência, com alguns congressistas já declarando que votarão contra.
19/06/2026 03:47:44 +00:00
Copa do Mundo 2026: avaliado em quase R$ 1 bilhão, Vini Jr. vale mais que duas seleções do Haiti; entenda

Vini Jr. em uma partida da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 Reprodução/Instagram A seleção brasileira entra em campo nesta sexta-feira (19) contra o Haiti pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026. Para além da diferença técnica, já que o Brasil é uma equipe recheada de jogadores que atuam em grandes equipes, uma outra disparidade chama a atenção: a diferença extrema de valor entre as equipes. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Segundo o Transfermarket — site especializado em valores de mercado no futebol —, a modesta seleção haitiana vale, na soma de todos os 26 jogadores, 55,95 milhões de euros (cerca de R$ 330 milhões, na cotação atual). Seu jogador mais valioso é Wilson Isidor, centroavante do Sunderland, que está avaliado em 18 milhões de euros (R$ 106 milhões). Agora, quando olhamos para o plantel da seleção brasileira, o que não falta são valores altos. Ao todo, a equipe de Carlo Ancelotti vale 928,20 milhões de euros (aproximadamente R$ 5,47 bilhões) — ainda assim ficando apenas na sexta colocação entre as seleções mais valiosas deste Mundial. O brasileiro com o maior valor de mercado é Vini Jr., avaliado sozinho em 140 milhões de euros (R$ 825 milhões). Em outras palavras, seriam necessárias ao menos três seleções do Haiti para superar o valor do camisa 7 da Seleção Brasileira. LEIA TAMBÉM: 500 vezes Vini Jr.: atacante da Seleção celebra marca como profissional; veja números Resta saber, na partida desta noite, se a diferença entre as equipes ficará restrita às cifras ou se o Brasil fará valer sua superioridade em campo para conquistar a primeira vitória nesta Copa do Mundo. Brasil X Haiti: a provável escalação para o jogo Os jogadores mais valiosos desta Copa do Mundo Confira abaixo a lista dos 10 jogadores mais valiosos desta Copa do Mundo, segundo o Transfermarket: Lamine Yamal (Espanha) — € 200 milhões (R$ 1,18 bilhão) Erling Haaland (Noruega) — € 200 milhões (R$ 1,18 bilhão) Kylian Mbappé (França) — € 180 milhões (R$ 1,062 bilhão) Pedri (Espanha) — € 150 milhões (R$ 885 milhões) Michael Olise (França) — € 150 milhões (R$ 885 milhões) Vitinha (Portugal) — € 140 milhões (R$ 826 milhões) João Neves (Portugal) — € 140 milhões (R$ 826 milhões) Vinicius Junior (Brasil) — € 140 milhões (R$ 826 milhões) Jude Bellingham (Inglaterra) — € 130 milhões (R$ 767 milhões) Declan Rice (Inglaterra) — € 120 milhões (R$ 708 milhões) Seleção do Haiti na Copa do Mundo de 2026. Reprodução/Instagram
19/06/2026 03:01:09 +00:00
PIX por aproximação deixa de ter limite diário de R$ 500; veja como pagar com essa modalidade

PIX por aproximação: entenda como fazer Uma instrução normativa do Banco Central (BC) eliminou o limite diário de R$ 500 para transações realizadas por meio do PIX por aproximação. Com a mudança, os usuários poderão solicitar aumento ou a redução do limite para essa modalidade. A nova regra entra em vigor em 1º de outubro de 2026. 📲 Lançado em 2025, o Pix por aproximação permite que usuários façam pagamentos apenas aproximando o celular ou relógio digital da maquininha de pagamento, de forma semelhante ao funcionamento dos cartões de crédito e débito por aproximação. A solução funciona em dispositivos com a tecnologia NFC por meio das carteiras digitais que aderiram à modalidade de pagamento. 🤳 Atualmente, a funcionalidade está disponível em dispositivos Android, com o Google Pay e Samsung Wallet, por exemplo. Os iPhones não oferecem o recurso porque a Apple ainda não permite que aplicativos de carteira digital atuem como Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs), exigência necessária para a operação da modalidade. Para ativar o Pix por aproximação em uma carteira digital, é necessário vincular a conta a essa carteira, parecido com o que se faz com os cartões de pagamento. Celulares Android habilitam PIX por aproximação; saiba como aderir à nova funcionalidade Reprodução/TV Globo No momento da vinculação da conta, o usuário é automaticamente direcionado para a instituição onde possui conta para confirmar essa autorização. A vinculação acontece apenas uma vez. Após a vinculação da sua conta, no momento do pagamento, basta optar pelo pagamento por Pix, aproximar o celular, revisar se as informações do pagamento estão corretas e confirmar. Essa modalidade torna os pagamentos mais simples e rápidos, eliminando a necessidade de escanear QR Codes ou inserir informações manuais. O PIX, em suas diversas modalidades, é um sucesso no país. Só no ano passado registrou R$ 35,36 trilhões em transferências. Além do amplo e generalizado uso pela população brasileira, a plataforma foi responsável pela inclusão de milhões de pessoas no sistema financeiro. O sistema também estimulou a economia, principalmente em pequenos negócios, seja presenciais ou digitais, que antes tinham mais dificuldades em receber os pagamentos por seus produtos e serviços. Em novembro de 2025, quando o PIX fez aniversário de cinco anos, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, comentou que o país estava próximo, naquele momento, de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta. "É essencialmente quase todo adulto no país", disse o diretor do BC, na ocasião. PIX na mira dos EUA A expansão e enorme aceitação do PIX no mercado de pagamentos do Brasil tem irritado os Estados Unidos, pois o meio de pagamento tira mercado de empresas como Mastercard e Visa, que operam no mercado de cartões de crédito e débito. Segundo o governo americano, o BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que favoreceria o PIX e limitaria a atuação de concorrentes. As críticas fazem parte da justificativa para a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra práticas abusivas. Segundo o órgão, o governo brasileiro adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o PIX não era citado diretamente. O documento fazia referência a "serviços de comércio digital e pagamento eletrônico", incluindo aqueles oferecidos pelo Estado brasileiro. Na prática, o PIX é o único sistema público com essa finalidade. "O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o USTR. LEIA TAMBÉM: Veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta por EUA Em abril deste ano, um relatório divulgado pela Casa Branca voltou a citar o PIX como um sistema que, na avaliação do governo americano, prejudica empresas de cartões de crédito como Visa e Mastercard. Até o momento, o Banco Central não respondeu publicamente às alegações do governo americano. O governo federal, por sua vez, já saiu em defesa do PIX nas redes sociais. Para especialistas ouvidos pelo g1, aspectos como o embate com as big techs e a concorrência com bandeiras de cartões de crédito americanas ajudariam a explicar a ofensiva dos EUA contra o PIX. Eles dizem que não há, porém, razões consistentes para questionar o serviço de pagamento. Na verdade, o sucesso do PIX e seu papel como vitrine para o Brasil estariam sendo vistos como uma “ameaça” ao setor nos EUA. Os receios de Trump, afirmam, também estariam ligados ao avanço do PIX Internacional e às discussões do Brics sobre alternativas ao uso do dólar no comércio.
19/06/2026 03:00:42 +00:00
Financiamento mais barato para motoristas de app começa nesta sexta; veja como aumentar chances de aprovação

Volkswagen Polo, Chevrolet Onix Plus e Dolphin GS podem entrar no programa Move arte/g1 A partir desta sexta-feira (19), motoristas cadastrados e que atendem aos critérios do programa Move Brasil Táxi e Aplicativos (Move Aplicativos) já podem procurar instituições financeiras para solicitar financiamento destinado à compra de um veículo zero km. O Move Aplicativos promete juros menores para a aquisição de automóveis novos de até R$ 150 mil. Entre os requisitos, os motoristas de app precisam ter mais de 12 meses na plataforma e mais de 100 corridas nesse período para ter direito ao programa. (veja as regras aqui) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A iniciativa do governo direciona uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para incentivar financiamento a motoristas de aplicativo e taxistas. Apesar das condições facilitadas, os candidatos precisam passar por uma etapa crucial: o crivo dos bancos. Como o financiamento depende da análise individual de risco de cada banco parceiro, o trabalhador autônomo precisa se preparar estrategicamente para não ter o crédito negado. Para entender como motoristas e taxistas podem aumentar as chances de aprovação, o g1 consultou especialistas em planejamento financeiro. Também há simulações que mostram que o programa pode diminuir em alguns casos R$ 17 mil no custo total na compra de um carro novo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Direitos do consumidor no financiamento de carros 1. Mostre que você tem capacidade de pagamento O primeiro passo fundamental para conquistar a confiança das instituições parceiras é provar que você consegue arcar com o compromisso assumido. Segundo Henrique Soares, planejador financeiro pela Planejar, a melhor forma é manter as contas em dia, evitar atrasos recorrentes e reduzir o nível geral de endividamento. E manter organizada a documentação de comprovação de renda é essencial. “Ajuda a dar uma entrada maior para o veículo, porque isso reduz o valor financiado e, consequentemente, o risco para a instituição financeira", detalha o planejador. Antes de solicitar formalmente o crédito, vale revisar eventuais pendências cadastrais e verificar a real situação do seu CPF nos órgãos de proteção ao crédito, como o Serasa. 2. Cuide do seu score de crédito O score, segundo o especialista, funciona como um dos principais termômetros utilizados pelas instituições para mensurar o risco de inadimplência de cada consumidor. Ele não deve ser encarado como o único critério da avaliação, mas tem um papel central ao ajudar o banco a entender todo o histórico financeiro daquele cliente. 🔎 De forma geral, quanto melhor for o seu histórico de pagamentos e menor for a incidência de atrasos, maiores tendem a ser as chances de aprovação da proposta e melhores podem ser as condições de taxas oferecidas. 3. Fique atento ao comprometimento da renda O comprometimento da renda é um dos fatores mais analisados no processo de concessão de crédito, explica Soares. O banco precisa avaliar detalhadamente se a parcela cabe no orçamento sem comprometer excessivamente a capacidade de subsistência e pagamento do cliente. “No caso dos motoristas de aplicativo, esse cuidado é ainda mais importante porque a renda costuma variar ao longo dos meses”, diz Soares Por isso, o especialista reforça que, mais importante do que saber qual o teto do valor máximo que pode ser financiado, é entender perfeitamente qual parcela pode ser paga de forma sustentável no longo prazo. 4. Organize os comprovantes (mesmo sem contracheque) Por se tratar de um trabalho autônomo, não existe um contracheque ou holerite tradicional, mas isso não deve ser um impedimento para buscar o benefício do Move Brasil. Os bancos já adotam como critério a análise da movimentação financeira de profissionais independentes. Para facilitar e agilizar a análise de crédito, reúna a seguinte documentação: Declaração do Imposto de Renda; Extratos bancários recentes; Histórico completo de movimentação da conta corrente; Comprovantes e relatórios consolidados de recebimentos emitidos pelas plataformas de aplicativo. Quanto mais organizada estiver essa documentação, mais fácil tende a ser a análise realizada pela mesa de crédito. 5. Use o relacionamento com o seu banco a seu favor Se você já movimenta dinheiro ou possui conta em uma instituição financeira específica, começar a busca por ela pode facilitar bastante a aprovação. Ter um relacionamento prévio ajuda porque a instituição já detém um histórico consolidado dos seus hábitos financeiros, diz o especialista. “Quando o banco consegue visualizar entrada de renda, comportamento de pagamento e relacionamento ao longo do tempo, a análise tende a ser mais completa”, explica. 🔎 Isso não é garantia automática de aprovação, mas contribui diretamente para uma avaliação mais precisa e justa do perfil de crédito do motorista. 6. Evite os erros mais comuns Muitas das negativas de crédito acontecem por falhas recorrentes que poderiam ser sanadas na fase de planejamento. Os principais motivos de reprovação identificados pelo mercado incluem: Renda declarada incompatível com o valor solicitado para o veículo; Excesso de endividamento e outras linhas de crédito simultâneas; Histórico recente de contas atrasadas ou restrições cadastrais ativas; Falta de documentação adequada e comprovações inconsistentes. Outro deslize muito frequente apontado pelo planejador é escolher modelos de veículos com parcelas muito próximas do limite máximo do próprio orçamento mensal. "O ideal é buscar um financiamento que caiba com folga no orçamento, considerando não apenas a parcela, mas também custos como combustível, seguro, manutenção e até períodos de menor faturamento. ", ressalta Soares. 7. Faça uma preparação para o 'sim' Para quem pretende solicitar o financiamento do Move Brasil, a preparação ideal deve começar bem antes do envio do pedido formal. A recomendação prática do planejador financeiro é organizar rigorosamente os documentos, reduzir ao máximo as dívidas existentes, regularizar pendências no CPF e focar na construção de uma reserva financeira. Isso servirá tanto para aumentar o valor de entrada do veículo quanto para protegar o motorista contra imprevistos de manutenção. “Também é importante acompanhar a própria renda ao longo dos meses para entender qual parcela realmente cabe no orçamento”, aconselha. Segundo Soares, o financiamento facilitado é uma ferramenta importante para a aquisição de um veículo de trabalho, mas a aprovação do crédito é apenas o passo inicial. “O mais importante é garantir que essa dívida seja sustentável ao longo do tempo”, diz. Juros menores "A taxa do programa, entre 11,5% e 12,6% ao ano, é menos da metade da taxa média de mercado para aquisição de veículos para pessoa física", explica Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar. Na prática, segundo o especialista, essa vantagem permite que, em um financiamento de 48 parcelas com 50% de entrada, a economia em juros pagos possa ultrapassar R$ 17 mil para um carro com preço de R$ 150 mil. 🔎 Embora o programa ofereça facilidades, é preciso atenção aos detalhes contratuais. "A carência de 6 meses ajuda o caixa do motorista no início, mas os juros incidem sobre o saldo devedor nesse período”, diz Castro Portanto, o custo final tende a subir quando comparado a uma tabela sem carência. Por fim, a estratégia de poupança continua sendo o melhor caminho para quem quer economizar de verdade. Mesmo com taxa subsidiada, dar a maior entrada possível continua sendo a regra. “O juro, ainda que menor, é composto e incide sobre todo o saldo devedor", explica. 🔎 A lógica financeira, segundo Castro, é simples e implacável: reduzir o principal sempre reduz o custo total da operação para o motorista. Vamos às contas Veja abaixo a simulação de financiamento de um Volkswagen Virtus 170 TSI; a economia no final em juros é de mais de R$ 20 mil. Vale lembrar que o programa prevê taxas de juros diferentes para homens e mulheres: Faça as suas contas O consumidor tem direito a ter todas as informações claras no momento de adquirir um financiamento. O g1 já mostrou quais são as obrigações dos vendedores ao apresentar um financiamento, quais são os direitos do consumidor e como calcular o custo real de um empréstimo para evitar um mau negócio na compra de um carro. O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre todos os elementos relevantes da contratação, especialmente preço, encargos, juros, custo efetivo total e consequências econômicas do negócio”, explica Jefferson Leão, advogado da Poliszezuk Advogados. 🔎 O chamado custo efetivo total (CET) representa o valor real de um financiamento. Ele inclui juros, tarifas, impostos e quaisquer outras despesas da operação. Segundo Leão, omitir informações durante a negociação verbal e apresentá-las apenas no contrato, de forma a confundir o consumidor, é uma prática vedada pela lei. Assim, é necessário que todos os custos e informações estejam claros, tanto na conversa quanto na documentação.
19/06/2026 03:00:02 +00:00
Mega-Sena, concurso 3020: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3020: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3020 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (18), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 33,2 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 42 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 06 - 09 - 17 - 27 - 29 - 45 5 acertos: 59 apostas ganhadoras, R$ 26.657,14 4 acertos: 4.314 apostas ganhadoras, R$ 600,94 G1 | Loterias - Mega-Sena 3020 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Resultado do concurso 3021 da Mega-Sena. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
19/06/2026 00:02:45 +00:00
Banco Central amplia acesso a contas em moeda estrangeira no Brasil; veja o que muda

Banco Central do Brasil (BC). Adriano Machado/ Reuters O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira (18) novas regras que ampliam o acesso a contas em moeda estrangeira no Brasil. A medida faz parte da regulamentação do Marco Legal do Câmbio e tem como objetivo facilitar operações internacionais, reduzir custos e tornar o mercado cambial mais moderno. As novas regras entram em vigor em 1º de outubro de 2026. Até lá, bancos e demais instituições autorizadas a operar no mercado de câmbio terão prazo para adaptar seus sistemas. Segundo o Banco Central, a mudança não altera a proibição do uso de moedas estrangeiras, como dólar e euro, para pagamentos no dia a dia dentro do Brasil e também não interfere na cotação do câmbio. Agora no g1 Quem poderá ter contas em moeda estrangeira Hoje, apenas alguns grupos podem manter contas em moeda estrangeira no país, como instituições financeiras, embaixadas e empresas de setores específicos. Com as novas regras, também poderão ter esse tipo de conta: empresas que exportam produtos para outros países; empresas que tenham empréstimos ou outras dívidas contratadas no exterior; empresas com participação de investidores estrangeiros; pessoas jurídicas de fora do Brasil que realizem operações de crédito ou investimentos diretos no país. De acordo com o Banco Central, a ampliação acompanha o crescimento das relações comerciais e financeiras entre o Brasil e outros países.. O que muda na prática A mudança permitirá que mais empresas ligadas a negócios internacionais mantenham recursos em moedas estrangeiras, como dólar e euro, em contas abertas no Brasil. Outra novidade é que algumas transferências de recursos entre essas contas poderão ser feitas sem a necessidade de contratar uma operação de câmbio, o que deve tornar o processo mais simples e barato. Segundo o BC, as novas regras podem trazer benefícios como: mais facilidade para administrar recursos recebidos ou enviados ao exterior; melhor gerenciamento das oscilações do câmbio; redução de custos em operações internacionais; aumento da competitividade de empresas que fazem negócios com outros países; atração para o Brasil de operações financeiras que hoje são realizadas no exterior Haverá regras específicas O Banco Central informou que o uso dessas contas continuará sujeito a regras e controles. No caso das empresas exportadoras, por exemplo, os recursos mantidos nessas contas deverão estar relacionados às atividades de exportação e a outras movimentações permitidas pela regulamentação. Já nas operações de crédito externo e investimento estrangeiro, as transações deverão seguir as regras já exigidas pelo Banco Central para esse tipo de operação.
18/06/2026 22:50:25 +00:00
Ações da Braskem despencam em meio a impasse com credores e novos riscos judiciais em Alagoas

As dificuldades para avançar em uma reestruturação da dívida e as novas preocupações em torno do desastre em Maceió pesam sobre a Braskem nesta quinta-feira (18), levando as ações da petroquímica a cair quase 12% e renovar a mínima do ano. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Analistas do UBS BB chamaram a atenção para a situação financeira desafiadora da Braskem no curto prazo, destacando que as incertezas em torno da capacidade da companhia de administrar suas obrigações mais imediatas devem continuar provocando oscilações nas ações, apesar de um ambiente mais favorável para as margens do setor petroquímico. Na máxima intradia do ano, no início de março, as ações da Braskem chegaram a R$ 13,78. Nesta quinta-feira, por volta das 14h35, os papéis caíam 8,36%, para R$ 7,67. Na mínima do dia, foram negociados a R$ 7,40, menor nível intradia desde 19 de dezembro de 2025. Segundo reportagem da Bloomberg publicada na quarta-feira, a Braskem e seu novo acionista controlador, o IG4 Capital, vêm encontrando dificuldades para obter apoio suficiente dos credores para levar adiante uma proposta de reestruturação extrajudicial das dívidas. Agora no g1 De acordo com fontes ouvidas pela agência, parte dos credores resiste aos termos apresentados pela empresa por considerar que eles favorecem determinados grupos em detrimento de outros. Também foram levantadas preocupações sobre as garantias oferecidas pela Braskem e sobre a falta de uma alternativa que permitisse aos credores converter parte da dívida em participação na companhia. Já fontes ouvidas pela revista "Veja" afirmaram que a empresa descarta recorrer à recuperação judicial e continua buscando um acordo com os credores. "De modo geral, entendemos que o caminho da empresa para uma solução de liquidez permanece incerto e pode incluir risco de diluição para acionistas minoritários", afirmaram os analistas do UBS BB. "Embora consideremos que a empresa possa superar esses desafios e alcançar uma perspectiva mais construtiva no médio e longo prazo, as incertezas ao longo desse caminho sustentam nossa recomendação neutra", acrescentaram em relatório a clientes. No início deste mês, os acionistas da Braskem aprovaram mudanças no estatuto da companhia que autorizam o conselho de administração a decidir sobre um eventual pedido de recuperação extrajudicial. Em situações de urgência, o colegiado também poderá deliberar sobre um pedido de recuperação judicial ou até mesmo sobre a confissão de falência. Em outra frente, a Justiça Federal em Alagoas tornou a petroquímica e ex-dirigentes réus em um processo que apura as responsabilidades pelo desastre socioambiental em Maceió. Na avaliação dos analistas, a decisão pode aumentar as preocupações dos investidores com os riscos jurídicos e os danos à imagem da companhia. Rompimento da mina 18, da Braskem, aconteceu sob a lagoa Mundaú; dique que havia no local afundou com o solo Secom Alagoas
18/06/2026 18:33:06 +00:00
iPhone no Brasil passa a aceitar lojas de apps rivais e pagamentos de terceiros após acordo entre Apple e Cade

Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple em Taiwan, em foto de 19 de setembro de 2025 Reuters/Ann Wang Donos de iPhone no Brasil já podem baixar aplicativos de lojas rivais da App Store e usar sistemas de pagamento de terceiros. A mudança começou a valer nesta quinta-feira (18) e faz parte de um acordo entre a Apple e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após meses de disputa. ➡️ O que muda na prática? A partir de agora, donos de iPhones poderão comprar e baixar aplicativos em lojas rivais da App Store. Ao comprar ou assinar um aplicativo, por exemplo, também será possível usar métodos de pagamento diferentes do sistema da Apple. As duas opções (a da Apple e a de terceiros) deverão ser exibidas lado a lado para os usuários. A mudança passa a valer com a atualização para o iOS 26.5. Para verificar se ela já está disponível no seu iPhone, acesse "Ajustes", "Geral" e "Atualização de Software". A Apple sempre foi contra a mudança, alegando riscos à segurança e à privacidade de seus clientes. Agora no g1 Em comunicado divulgado nesta quinta, a empresa afirmou que "trabalhou para reduzir os novos riscos à privacidade e à segurança que essas alterações criam, oferecendo aos usuários no Brasil a melhor e mais segura experiência possível". "A Apple trabalhou com o regulador brasileiro para introduzir proteções contra essas novas ameaças, incluindo importantes salvaguardas para usuários mais jovens. Essas medidas incluem a autenticação de apps do iOS, um processo de autorização para lojas de apps e requisitos que protegem as crianças de conteúdo inadequado e golpes", completou. A empresa também informou que as lojas alternativas de aplicativos precisarão obter uma autorização da Apple e cumprir requisitos definidos pela própria companhia. Ainda assim, a empresa afirma que não pode garantir o mesmo nível de segurança oferecido pela App Store. Essas lojas de apps alternativas precisarão da autorização da Apple e deverão atender a todos os requisitos que possam surgir para oferecer seus serviços a desenvolvedores e usuários. A mudança é parecida com a que a Apple teve que fazer na União Europeia, onde desenvolvedores tinham que pagar taxas de até 30% por cada transação feita em seus aplicativos por meio do sistema de pagamentos da empresa. Apple seguirá cobrando comissão A Apple continuará cobrando comissão sobre a venda de bens e serviços digitais no Brasil, mesmo após a abertura do iPhone para lojas de aplicativos e sistemas de pagamento de terceiros. Segundo a empresa, desenvolvedores que distribuem aplicativos pela App Store pagarão uma comissão de 21% sobre essas vendas. Para a maioria dos desenvolvedores, incluindo participantes do Programa de Pequenas Empresas e assinaturas após o primeiro ano, a taxa será reduzida para 10%. Os desenvolvedores que utilizarem o sistema de compras da própria Apple pagarão uma taxa adicional de 5%. Já as vendas de bens e serviços digitais realizadas em sites vinculados aos aplicativos terão uma comissão de 15%. Para desenvolvedores elegíveis às condições reduzidas, a taxa cairá para 10%. No caso de aplicativos distribuídos fora da App Store, a Apple cobrará uma comissão de 5% sobre a venda de bens e serviços digitais, incluindo apps pagos. A empresa afirma que, com as novas regras, os desenvolvedores que vendem bens e serviços digitais pagarão o mesmo valor ou menos do que pagam atualmente. "Os desenvolvedores que não vendem bens e serviços digitais continuarão sem pagar comissões ou taxas à Apple", diz a companhia. LEIA TAMBÉM: Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual Copa do Mundo 2026: como funciona novo 'tira-teima' para lances de impedimentos Novo Android 17: sistema melhora segurança em celulares e permite abrir apps em 'bolhas' Processo contra a Apple A decisão faz parte de um processo administrativo em que o Cade apurava acusações de práticas anticoncorrenciais no ecossistema do iOS, sistema operacional da Apple. A investigação começou em dezembro de 2022, após uma denúncia do Mercado Livre que apontava possível abuso de posição dominante na distribuição de aplicativos para iPhone. Em novembro de 2024, a Superintendência-Geral do Cade abriu um processo administrativo e impôs uma medida preventiva que obrigava a Apple a permitir que desenvolvedores e usuários escolhessem outros sistemas de pagamento para compras em aplicativos. Em maio de 2025, o Tribunal do Cade analisou um recurso da Apple, mas manteve a medida preventiva. Em junho de 2025, a Superintendência-Geral do Cade recomendou a condenação da empresa após sua apuração revelar um conjunto de ações restritivas ligadas à venda de conteúdos digitais dentro do ecossistema da Apple. Em julho de 2025, a Apple iniciou um processo de acordo, o que levou à suspensão do prazo para cumprimento da medida preventiva. Quando o acordo foi aprovado, em dezembro de 2025, a empresa tinha que encerrar o processo judicial que buscava anular a medida preventiva do Cade. Em caso de descumprimento total do acordo, a Apple poderia ser multada em até R$ 150 milhões. Além disso, o Cade poderia retomar a investigação e a medida preventiva. Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual Instagram Plus é liberado no Brasil; veja preço e benefícios
18/06/2026 17:12:49 +00:00
Carro esportivo de Lego em tamanho real atinge 111 km/h e quebra recorde de velocidade

Koenigsegg Sadair’s Spear feito de Lego na escala 1:1 bate recorde de velocidade Divulgação / Lego Uma réplica em tamanho real do Koenigsegg Sadair's Spear, com carroceria construída inteiramente com peças de Lego, atingiu a velocidade de 111 km/h. O veículo pesa 1.800 kg e registrou na pista de Goodwood, Inglaterra, o recorde de modelo montável mais rápido já feito pela empresa de brinquedos dinamarquesa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A marca anterior, de 2018, era de 50 km/h e pertencia a um Bugatti Chiron também na escala 1:1. O projeto foi executado pela equipe de modelistas da Lego em Kladno, na República Tcheca, e precisou de mais de 9,4 mil horas de mão de obra para ser concluído. Agora no g1 O veículo foi feito com cerca de 327 mil peças da linha Technic, que correspondem a 400 kg do veículo, e montado sobre um chassi de metal customizado com gaiola de proteção nos padrões de segurança da Federação Internacional do Automóvel (FIA). A construção utiliza rodas de fibra de carbono originais da Koenigsegg, pneus da Pirelli, suspensão real e freios a disco de competição. Koenigsegg Sadair’s Spear feito de Lego na escala 1:1 bate recorde de velocidade divulgação / Lego Para alcançar a velocidade recorde e superar os modelos anteriores da marca, o veículo foi equipado com um motor elétrico que traciona as rodas traseiras, substituindo o motor V8 biturbo original de 1.603 cavalos do modelo real. A Lego e a montadora sueca não revelaram dados técnicos desse propulsor elétrico. A réplica também inclui o sistema automatizado da montadora sueca, que permite abrir simultaneamente as portas, o capô e a tampa do motor. Essa forma de acessar o carro é algo característico da Koenigsegg. Koenigsegg Sadair’s Spear feito de Lego na escala 1:1 Divulgação / Lego Diversas partes do veículo foram adaptadas com peças incomuns da marca, como componentes de naves de Star Wars nos faróis dianteiros, janelas de trens de brinquedo nas lanternas traseiras e aros de rodas da linha Ninjago para simular os amortecedores do carro real. O lançamento do megacarro em tamanho real ocorreu em conjunto com o anúncio de uma versão comercial menor do Koenigsegg Sadair's Spear em escala 1:8. O kit voltado para o público adulto possui 4.104 peças e reproduz as funções mecânicas do veículo original, incluindo o motor de pistões V8 funcionais e a transmissão de nove marchas.
18/06/2026 15:04:01 +00:00
Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual

Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual A Amazon anunciou nesta quinta-feira (18) o lançamento da Alexa+ no Brasil. A nova versão da assistente virtual passa a usar inteligência artificial generativa, tecnologia semelhante à do ChatGPT, e agora é capaz de executar tarefas mais complexas. A Alexa+ já estava disponível nos Estados Unidos desde 2025 e chega agora ao Brasil custando R$ 99,90 por mês para quem quiser contratar separadamente. Já os assinantes do Amazon Prime, que custa R$ 19,90 mensais, terão acesso à nova versão sem custo adicional. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Amazon afirma que a Alexa "turbinada" funcionará na maioria dos dispositivos Echo, com exceção dos modelos de primeira geração. O recurso começa a ser liberado gradualmente aos clientes a partir desta quinta-feira. Os interessados podem entrar na fila de acesso pelo site da Amazon ou dizendo "Alexa, quero Alexa+" para a assistente. "Dezenas de milhares de clientes serão convidados nas próximas semanas, com expansão contínua", afirmou a empresa. Alexa+, IA turbinada da Amazon semelhante ao ChatGPT. Divulgação/Amazon Segundo a Amazon, quem comprar novos dispositivos da marca a partir de hoje terá acesso antecipado à novidade. Antes da Alexa+, a assistente da Amazon era baseada principalmente em comandos pré-programados e modelos preditivos. Com a IA generativa, ela passa a realizar tarefas mais complexas, seguindo o caminho de IAs mais espertas como ChatGPT, Gemini e Claude. A principal diferença em relação à Alexa atual está na forma como ela conversa com o usuário. Segundo a Amazon, a Alexa+ tem interações mais naturais, entende expressões brasileiras, inclusive regionais, e deixa de lado parte do comportamento mais robótico das versões anteriores. Além disso, a assistente consegue lidar com múltiplos comandos em uma mesma conversa e conta com memória, o que permite retomar assuntos abordados anteriormente. Segundo a Amazon, ela pode aprender preferências do usuário, como estilos musicais e restrições alimentares, consultar compromissos na agenda e até redigir ou enviar e-mails, desde que esteja conectada ao serviço de e-mail utilizado pela pessoa. Alexa+ Henrique Martin/g1 A Alexa+ também pode realizar ações mais personalizadas. Por exemplo, se o usuário disser apenas que está com frio, ela poderá reduzir a temperatura do ar-condicionado automaticamente, desde que o aparelho esteja conectado à plataforma. A empresa também adiantou que, "muito em breve", será possível pedir para a Alexa+ chamar um Uber. Ao receber o comando, a assistente confirmará o destino, a categoria do carro, valor, o tempo estimado de chegada e solicitará a corrida. O processo, porém, não será instantâneo. Em demonstrações feitas pela Amazon, a Alexa levou alguns minutos para concluir a tarefa. Segundo a empresa, isso acontece porque a assistente precisa se conectar a serviços externos, como a Uber, para executar a ação. A Amazon também anunciou um novo aplicativo da Alexa+, que permitirá aos usuários continuar interagindo com a assistente mesmo quando estiverem fora de casa. * Colaborou Henrique Martin. Elon Musk vira o primeiro trilionário da história da humanidade Instagram Plus é liberado no Brasil; veja preço e benefícios
18/06/2026 13:00:09 +00:00
Dólar sobe e vai a R$ 5,17, após decisões de juros e acordo entre EUA e Irã; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta nesta quinta-feira (18), com um avanço de 1,30%, cotado a R$ 5,1740. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,1897. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal e fechou em queda de 0,10%, aos 168.278 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), em linha com o esperado pelo mercado. Já o Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu manter as taxas inalteradas, em meio aos sinais de preços ainda elevados no país. 🔎 A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e no nível de investimento estrangeiro no país (entenda mais abaixo). ▶️ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã também fica no radar. O tratado, assinado na quarta-feira (17) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, já está em vigor. O texto inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano, entre outros pontos. Em meio à expectativa de normalização no mercado de petróleo com a reabertura do Estreito de Ormuz, a commodity fechou sem direção única. O barril do Brent subiu 0,38%, a US$ 79,85 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuou 0,25%, a US$ 76,60. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,22%; Acumulado do mês: +2,61%; Acumulado do ano: -5,73%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,67%; Acumulado do mês: -3,17%; Acumulado do ano: +4,44%. Juros na mira Brasil O Copom do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime pelo comitê e veio em linha com o esperado pelo mercado. Na decisão, o colegiado afirmou que o "ambiente externo permanece incerto", em meio às incertezas que ainda circundam o acordo de paz no Oriente Médio e aos efeitos do conflito. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz a nota do BC. Já em relação ao cenário econômico brasileiro, o BC afirmou que os indicadores apontam para uma aceleração da atividade econômica e um mercado de trabalho ainda aquecido, o que já começa a se refletir nos preços. "Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura", afirmou o Copom. Segundo analistas da XP Investimentos, a decisão do BC indicou que pode não haver mais espaço para cortes de juros neste ano. "Ainda assim, o Copom manteve aberta a possibilidade de novos ajustes. Nosso cenário-base antecipa um ajuste final em agosto de 0,25 p.p., o que deixaria a taxa Selic em 14,00% até (pelo menos) o 1º trimestre de 2027. Mas, considerando a deterioração recente do cenário de inflação, uma pausa nos atuais 14,25% também parece bastante provável", afirmaram em relatório. EUA Já nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%. Essa foi a primeira reunião da gestão de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a presidência do Fed. ➡️ O cenário de juros altos nos EUA tem diferentes reflexos no mundo — inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança. ➡️ Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo — incluindo o real — e a bolsa de valores brasileira tende a cair. ➡️ Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia. Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, aponta que um dos pontos mais relevantes foi a decisão de Warsh em não divulgar sua estimativa para os juros no chamado "gráfico de pontos" ("dot plot") — movimento que considera coerente com as críticas que o dirigente já havia feito a esse mecanismo. “O gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente. O comunicado deixou claro o foco do comitê em entregar estabilidade de preços, e isso deve pautar as próximas decisões”, afirma Flores. Segundo ele, o texto divulgado pelo banco central americano foi mais inclinado a uma postura de cautela com a inflação do que a uma eventual flexibilização, o que mantém aberta a possibilidade de novas altas de juros nas próximas reuniões. Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas. “A economia dos Estados Unidos continua sólida e em expansão, o que reforça uma visão mais favorável a juros mais altos do que à manutenção ou queda das taxas”, diz. Acordo de paz entre EUA e Irã Outro destaque fica com o acordo de paz entre os EUA e o Irã. Os dois países assinaram um memorando de entendimento na última quarta-feira (17). (acompanhe os principais acontecimentos) O texto tem 14 pontos e inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano. Além disso, abre um período de 60 dias para que os dois países negociem a questão nuclear. Com a assinatura do memorando, Estados Unidos e Irã se comprometem a conduzir negociações para alcançar um acordo definitivo em até 60 dias, com prazo prorrogável mediante consentimento mútuo. O governo suíço anunciou nesta quinta-feira (18) que EUA, Irã, Paquistão e Catar se reunirão na sexta (19) em Bürgenstock, na Suíça, para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo de paz. O encontro, que antes serviria para assinar o memorando, chegou a ficar incerto após a assinatura ter sido antecipada. Esse, no entanto, ainda não é o acordo final, que só será alcançado após novas negociações entre EUA e Irã para tratar da questão nuclear. Ele deverá ser ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU. Enquanto se aguarda o acordo definitivo, EUA e Irã concordam em manter o status quo: o Irã manterá seu programa nuclear, e os EUA não vão impor novas sanções e nem mobilizarão forças militares adicionais no Oriente Médio. Entenda quais os próximos passos Mercados globais Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em alta, conforme investidores avaliavam a decisão de juros do Fed e o acordo para o fim do conflito no Oriente Médio. O Dow Jones teve alta de 0,14% e o S&P 500 subiu 1,06%, enquanto o Nasdaq Composite registrou ganhos de 1,87%. Na Europa, os mercados acionários fecharam de forma mista nesta sessão. O índice pan-europeu STOXX 600 encerrou com queda de 0,3%. Entre os principais mercados, o alemão DAX avançou 0,37% e o francês CAC 40 subiu 0,44%, enquanto o britânico FTSE 100 registrou queda de 1,04%. Já na Ásia, os índices fecharam mistos nesta quinta-feira, após a agência reguladora do mercado de valores da China indicar que apoia a inovação. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,21%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, perdeu 0,43%. Já o Hang Seng teve queda de 1,59%. No Japão, o Nikkei subiu 1,65%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 2,25%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86 Reprodução/TV Globo
18/06/2026 12:00:26 +00:00
Joshua Baer, CEO da empresa Capital Factory, morre em acidente com jato executivo no Texas

Joshua Baer, fundador e CEO da Capital Factory, posa para uma foto no evento Force Con, em 29 de maio de 2022, em San Antonio, Texas. Billy Calzada/The San Antonio Express-News via AP Joshua Baer, fundador da Capital Factory, uma aceleradora de startups, morreu após um acidente com um jato executivo no Texas, nos Estados Unidos. Segundo a agência de notícias Associated Press, a aeronave caiu em uma rodovia após os pilotos relatarem problemas mecânicos e pedirem autorização para um pouso de emergência em um aeroporto próximo. Ainda de acordo com a AP, o acidente aconteceu na noite de terça-feira (16) em Laredo, cidade próxima à fronteira com o México. A morte de Baer foi confirmada na quarta-feira (17). Pessoas tentam retirar passageiros de um avião após ele cair em uma rodovia na terça-feira, 16 de junho de 2026, em Laredo, Texas. Zayra Garza via AP Ainda não há informações sobre o estado de saúde dos pilotos que estavam abordo da aeronave. "Embora a perda de vidas seja profundamente lamentável, é nada menos que um milagre que essa tragédia não tenha se tornado um evento fatal em massa", disse o prefeito de Laredo, Victor Treviño, durante uma entrevista coletiva. O perfil de Baer no LinkedIn informava que ele era casado e tinha três filhos. Agora no g1 Quem era Joshua Baer Joshua Baer era um empreendedor conhecido no Texas por sua atuação no desenvolvimento do ecossistema de tecnologia de Austin. Ele costumava se definir como um "Austinpreneur", combinação do nome da cidade com a palavra "entrepreneur" (empreendedor, em inglês), em referência ao seu interesse em conectar pessoas e negócios. Baer fundou a Capital Factory, que se tornou uma das principais empresas de capital de risco de Austin, investindo em startups de tecnologia de diferentes áreas, de robôs a naves autônomas. Em seu perfil no LinkedIn, aparecia usando uma camiseta com a frase "Eu ajudo pessoas a largarem empregos". A sede da Capital Factory fica no centro de Austin, próxima aos escritórios de grandes empresas de tecnologia, como o Google. Joshua Baer Reprodução/Universidade do Texas "Seja você ou não da área de tecnologia, hoje há um buraco no coração de Austin", disse Thom Singer, CEO do Austin Technology Council, organização que promove a indústria local de tecnologia. Baer costumava resumir sua filosofia de vida na frase: "Plante muitas sementes. Regue para todo mundo. Repita". Em reconhecimento à sua atuação, recebeu em 2023 uma chave da cidade de Austin, símbolo de homenagem cívica. Bryan Chambers, cofundador e presidente da Capital Factory, descreveu o sócio como um "verdadeiro superconector". Após se formar na Carnegie Mellon University, em Pittsburgh, onde criou um negócio de marketing por e-mail, Baer se mudou para Austin em 1996 para trabalhar como desenvolvedor de software na Trilogy Inc. Ele fundou a Capital Factory em 2009 e costumava realizar encontros e conversas de negócios em uma cafeteria. "Meu hobby são startups", disse Baer ao jornal Austin American-Statesman em 2012. "Eu não assisto esportes nem nada assim. Então é isso que eu faço. Quero ser investidor em toda grande empresa de tecnologia que surgir de Austin. Provavelmente é irrealista, mas vou tentar mesmo assim." Baer também costumava conversar com estudantes do ensino médio e ocupava o cargo de "empreendedor residente" na Universidade do Texas. "Ele era apaixonado pelo potencial da tecnologia para mudar o mundo e tornar a vida das pessoas mais eficiente e melhor", disse Singer. "E acreditava que os empreendedores poderiam, ao mesmo tempo, ganhar dinheiro e ajudar suas comunidades." Os senadores texanos Ted Cruz e John Cornyn lamentaram a morte de Baer. Em uma publicação no X, Cornyn afirmou que ele foi um "líder inovador e criativo na cultura empreendedora de Austin". Com informações da agência de notícias Associated Press. Startup brasileira cria ‘cérebro’ com IA para deixar robôs mais inteligentes Instagram Plus é liberado no Brasil; veja preço e benefícios
18/06/2026 11:56:19 +00:00
Trump diz que Apple fará chips nos EUA em parceria com a Intel

O presidente da Apple, Tim Cook, e o presidente dos EUA, Donald Trump, na fábrica da Apple em Austin, Texas. Tom Brenner/Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (18), em uma publicação na rede social Truth Social, que a Apple concordou em trabalhar com a Intel para projetar e fabricar chips em território norte-americano. Segundo o jornal Wall Street Journal, Intel e Apple chegaram a um acordo preliminar para a fabricação de alguns chips após mais de um ano de negociações. A Apple e a Intel ainda não comentaram a declaração de Trump. A parceria ajuda a Apple a diversificar sua cadeia de produção de chips. Atualmente, a fabricante do iPhone depende fortemente da TSMC, cujas linhas de fabricação mais avançadas enfrentam alta demanda de empresas de inteligência artificial, como Nvidia e AMD. Para a Intel, um contrato com a Apple garantiria demanda constante de uma das maiores empresas de eletrônicos de consumo do mundo. O acordo também poderia fortalecer a reputação da empresa e impulsionar seu negócio de fabricação de chips, que perdeu espaço para a TSMC nos últimos anos. Agora no g1 Após o anúncio, as ações da Intel avançavam cerca de 6,5% nas negociações pré-mercado, ampliando para cerca de três vezes os ganhos acumulados pela companhia no ano. No início desta semana, a Intel informou que sua nova tecnologia de fabricação 18A entrou em produção inicial, em meio à forte demanda por seus processadores centrais. O possível acordo ocorre em um momento em que o governo Trump intensifica esforços para fortalecer a cadeia de suprimentos de semicondutores dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China. No ano passado, a administração adquiriu uma participação de 10% na Intel e anunciou planos de investir cerca de US$ 10 bilhões na empresa para construir ou ampliar fábricas no país. Trump já havia afirmado anteriormente que "deveria ter pedido mais" participação acionária na Intel, após a valorização da fatia do governo para mais de US$ 50 bilhões. Elon Musk vira o primeiro trilionário da história da humanidade Uniforme da Seleção Brasileira para viagem aos EUA vira meme nas redes sociais
18/06/2026 11:24:27 +00:00
Alvo da PF na Operação Compliance Zero: relembre a trajetória do Banco Pleno até a liquidação pelo BC

PF cumpre 18 mandados em nova fase da Compliance Zero A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master. Entre os alvos estão o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno, instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A instituição pertencia ao grupo Banco Master e havia sido vendida, no segundo semestre do ano passado, a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, encerrando uma trajetória marcada por mudanças de controle, tentativas de reposicionamento e instabilidade operacional. O banco surgiu a partir do Banco Indusval & Partners (BI&P), fundado em 1967 e voltado principalmente ao crédito corporativo e ao financiamento do agronegócio. Diante de dificuldades operacionais e resultados pressionados, a instituição passou por diversas reorganizações societárias. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em 2019, sob o controle do empresário Roberto de Rezende Barbosa, a instituição adotou o nome Banco Voiter, em uma estratégia de enxugamento da estrutura e aposta em soluções digitais, mas sem conseguir estabilizar o negócio. Diante das dificuldades, os controladores passaram a buscar potenciais compradores. Tentativas de vendas até chegar ao Master Em 2023, o banco negociou uma possível venda para a Capital Consig, que previa um aporte de R$ 100 milhões e a transferência do controle da instituição. A operação, porém, não avançou, abrindo espaço para conversas com o Banco Master. No início do ano seguinte, os controladores do então Voiter anunciaram negociações com Daniel Vorcaro, sem divulgar os valores envolvidos. O acordo previa a transferência de controle e a incorporação das áreas de atacado, corretora e gestoras ao conglomerado do Master. Pouco tempo depois, em julho de 2025, o Banco Central autorizou a transferência do controle para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, dando origem ao Banco Pleno. Após a venda ao Master, a família Rezende Barbosa entrou em disputa judicial contra o conglomerado e seus controladores, envolvendo uma debênture de R$ 400 milhões emitida pela controladora do grupo. Segundo os vendedores, a primeira parcela de R$ 100 milhões não foi paga e, mesmo após um aditivo que previa o desembolso de R$ 200 milhões em duas parcelas, os valores também não foram quitados. O Master alegou que os credores teriam exigido a antecipação do contrato. A família acionou a Justiça em São Paulo, com valor da causa estimado em R$ 470,5 milhões, mas desistiu do processo após um acordo homologado no início de novembro, poucos dias antes da intervenção do BC no grupo. Problemas de liquidez A aprovação da operação veio acompanhada de exigências, entre elas a apresentação de um plano para enfrentar eventuais problemas de liquidez. Apesar disso, o banco manteve forte dependência de captação por meio de depósitos a prazo, especialmente Certificados de Depósito Bancário (CDBs), como principal fonte de financiamento. 🔎 Problemas de liquidez ocorrem quando o banco não tem caixa para cumprir compromissos imediatos, como saques e resgates, mesmo possuindo ativos no papel. Ou seja, tem patrimônio, mas não consegue convertê-lo rapidamente em dinheiro, o que gera atrasos, perda de confiança e, em casos graves, intervenção do BC. Segundo dados do BC, em setembro o Banco Pleno tinha passivos de cerca de R$ 6,8 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 5,2 bilhões em CDBs e cerca de R$ 760 milhões em letras financeiras. Com o aumento da percepção de risco, esses títulos passaram a ser negociados no mercado secundário com taxas bem acima do CDI, o que indica vendas forçadas e deterioração da confiança dos investidores. A presença do Banco Pleno no sistema financeiro era reduzida. Até setembro do ano passado, a instituição concentrava cerca de 0,04% dos ativos do setor, que superavam R$ 18 trilhões — o equivalente a aproximadamente R$ 7,2 bilhões. Nas captações, a fatia era de cerca de 0,05% de um total superior a R$ 13 trilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 6,5 bilhões. Segundo o BC, a liquidação foi adotada após o agravamento da situação econômico-financeira da instituição, que passou a ter dificuldades para cumprir suas obrigações no dia a dia. O órgão também apontou descumprimento de normas e de determinações da própria autoridade reguladora. "A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil." Saiba mais na reportagem abaixo. Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno, controlado por ex-sócio de Daniel Vorcaro O que diz a defesa de Augusto Lima "As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração. De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública." Banco Pleno Banco Pleno/Divulgação
18/06/2026 10:38:37 +00:00
Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno, ex-sócio de Daniel Vorcaro, alvo da PF e ligado a petistas da Bahia

Jaques Wagner é alvo de nova fase da operação Compliance Zero O banqueiro Augusto Ferreira Lima, do Banco Pleno, e ex-sócio de Daniel Vorcaro, é alvo nesta quinta-feira (18) de mandados de busca e apreensão da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). A sede do banco estava localizada na Alameda Santos, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Ele já havia sido preso preventivamente pela PF em novembro do ano passado na mesma operação. O Banco Pleno teve a liquidação extrajudicial decretada em fevereiro deste ano pelo Banco Central do Brasil (BC). De acordo com as investigações da PF nos celulares de Vorcaro, Lima também atuou para que o BRB comprasse as carteiras do Banco Master. Em nota, a defesa de Lima informou que "as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração" e que "os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos". O texto também afirma que "Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública". Lima era controlador do Banco Pleno desde julho de 2025 e ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master que está preso em Brasília. Ele tem um histórico associado não apenas às fraudes envolvendo o Banco Master, mas também a nomes ligados ao governo. Segundo o blog do Valdo Cruz, o banqueiro é próximo a petistas da Bahia — como o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) — e passou a ganhar notoriedade após comprar a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Com a compra, Lima também adquiriu o Credcesta — um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais, que começou na Bahia e depois teve sua operação expandida para todo o país em parceria com o Banco Master. Augusto Lima, ex-dono do Banco Pleno que foi alvo de mandados nesta quinta (18) Vanner Casaes/Agência Alba LEIA TAMBÉM: Alvo da PF na Operação Compliance Zero: relembre a trajetória do Banco Pleno até a liquidação pelo BC Segundo um requerimento da CPMI do INSS para a quebra de sigilo bancário de Lima, a ampliação do Credcesta transformou o cartão em um produto de crédito consignado “que se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras”. Ainda segundo o documento, uma parte relevante desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi informada às autoridades ou não possuía recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras. Lima também foi CEO do Banco Master e adquiriu o controle do Banco Pleno em 2025. A autorização do Banco Central foi concedida em julho do ano passado. Segundo o blog do Valdo Cruz, foi Augusto Lima quem procurou Ricardo Lewandowski para contratá-lo como consultor jurídico do Banco Master, com a intermediação do líder do governo, Jaques Wagner. Lima também participou da reunião de Daniel Vorcaro com o presidente Lula no fim de 2024. Liquidação do Banco Pleno A liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) foi decretada pelo BC. Segundo o BC, o conglomerado tinha uma participação muito pequena no sistema financeiro brasileiro. Até setembro do ano passado, concentrava cerca de 0,04% de todos os ativos do setor, que somavam mais de R$ 18 trilhões — o equivalente a aproximadamente R$ 7,6 bilhões. Nas captações, a participação era de 0,05% do total de mais de R$ 13 trilhões, o equivalente a cerca de R$ 6,5 bilhões. 🔎 Os ativos são tudo o que o banco possui ou tem a receber, como empréstimos e investimentos. Já as captações são os recursos que ele recebe de clientes e investidores, por meio de depósitos, CDBs e outros produtos. Segundo o BC, a liquidação do Banco Pleno foi adotada após o agravamento da situação econômico-financeira da instituição, que passou a ter dificuldades para cumprir suas obrigações no dia a dia. O órgão também apontou descumprimento de normas e de determinações da própria autoridade reguladora. "A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil." 🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, encerra as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até a extinção da instituição. O banco também deixa de integrar o sistema financeiro nacional. O BC informou que continuará apurando responsabilidades. As investigações podem resultar em sanções administrativas e no envio de informações a outras autoridades. Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores ficam indisponíveis.
18/06/2026 10:33:30 +00:00
Entre farpas e diplomacia: o saldo de Lula no G7 com Trump, UE e Ucrânia

Presidente Lula em reunião do G7, na França. EPA/Shutterstock O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou nesta quarta-feira (17/06) sua décima participação em uma cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta e do qual o Brasil participa como convidado ao lado de outros países em desenvolvimento. O evento deste ano foi realizado em território francês, em Évian-les-Bains. Durante sua passagem pela pequena cidade localizada às margens do Lago de Genebra, Lula se reuniu em privado com as lideranças de Japão, Egito, Ucrânia, França e União Europeia (UE). O presidente brasileiro também teve reuniões privadas com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza. Nos corredores e reuniões ampliadas do evento, Lula também cruzou com todos os líderes participantes, inclusive com Donald Trump. A expectativa para a interação com o presidente americano era grande com o tensionamento das relações diante da possibilidade da aplicação de novas tarifas e da classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas. Ambos disseram ter conversado, mas após o término do fórum, durante coletivas de imprensa separadas, trocaram farpas, com Trump dizendo que o Brasil se tornou "perigoso do ponto de vista político" e Lula endossando sua visão de que o contraparte age como um "imperador". Trump diz que conversou com Lula no G7 e chama Brasil de 'país politicamente difícil' Lula respondeu dizendo que é direito de Trump gostar de Bolsonaro, mas que ele não pode interferir nas eleições no Brasil. Na França, o Brasil ainda encerrou sua participação no fórum endossando apenas três das oito declarações publicadas pelos países membros do G7 (Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão). Segundo uma fonte de dentro do próprio governo brasileiro, esse saldo diplomático evidencia distância entre Brasília e o grupo das sete principais economias do mundo. Do 'bom trabalho' à defesa da soberania Presidente Lula em reunião do G7, na França. Getty Images Em uma de suas primeiras interações registradas durante a reunião de cúpula de três dias, Trump e Lula se cruzaram nos corredores do hotel que hospeda a cúpula. Em um vídeo obtido pelo portal ICL Notícias, o americano, ao ver o brasileiro, aponta em sua direção e caminha para saudá-lo. Trump então dá um tapinha nas costas de Lula e diz, em inglês: 'Tudo bem? Bom trabalho'. O petista, que havia acabado de fazer um discurso sobre os desequilíbrios da economia mundial, responde olhando em direção a Trump. No dia anterior, na sessão de fotos oficial, Lula e Trump apareceram próximos, mas não houve cumprimento, conversa pública ou interação registrada entre os dois presidentes. Ao final da cúpula, porém, as divergências políticas entre os dois líderes ficaram evidentes, com troca de acusações durante coletivas de imprensa simultâneas. Em Évian-les-Bains, Trump foi questionado sobre sua relação com o brasileiro e respondeu dizendo que o Brasil se tornou "perigoso do ponto de vista político" e citando de forma atrapalhada a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro na terça-feira (16/06), dizendo se tratar da prisão de candidato para as eleições. Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF por coação no curso do processo, um crime que ocorre quando alguém tenta intimidar, pressionar ou interferir em investigações ou ações judiciais. Ele foi acusado de articular nos Estados Unidos retaliações do governo Trump contra o Brasil e autoridades brasileiras para tentar impedir o julgamento do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP). Lula teve a chance de rebater enquanto respondia a perguntas de jornalistas em uma coletiva de imprensa realizada em Genebra, que fica a cerca de 45 quilômetros da cidade francesa onde acontecia a cúpula. "Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso", disse o petista. "Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema — é um problema dele afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil". O Palácio do Planalto afirmou, porém, que continua negociando com Washington após o governo americano anunciar a possibilidade de aplicar uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras. Segundo Lula, sua equipe sequer chegou a pedir uma reunião bilateral com Donald Trump, pois os assuntos que precisam ser tratados já estão sendo discutidos por diplomatas e técnicos nos bastidores. "A hora que terminar a negociação, se não der nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone e ligar para o Trump outra vez e marcar outra conversa", disse o presidente brasileiro. Socorro à Ucrânia? Lula e Zelensky se reuniram a portas fechadas para falar sobre a guerra na Ucrânia Getty Images Também no último dia de cúpula, antes de viajar a Genebra para seu retorno ao Brasil, Lula se reuniu a portas fechadas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Segundo Lula, este foi o melhor encontro que já teve com o ucraniano e, pela primeira vez, o sentiu "com disposição de encontrar solução" para o atual conflito com a Ucrânia. "Pela primeira vez, senti Zelensky com disposição de encontrar solução. Ajudarei no que puder", destacou. O presidente brasileiro afirmou ainda que reforçou para o ucraniano a importância dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU agirem de forma mais efetiva para acabar com a guerra. "São eles que têm o poder de veto. São eles que podem tomar a decisão para guerra ou para paz", afirmou. Lula disse ainda que assumiu o compromisso de ligar para todos os cinco membros (China, Rússia, EUA, França e Reino Unido) para reforçar a necessidade de eles tomarem as rédeas do problema. Em suas redes sociais, Zelensky disse que teve "uma boa reunião" com Lula e que ambos concordaram em fazer "novos contatos" sobre o tema. Líderes do G7 declaram apoio inabalável à Ucrânia Um apelo à UE Outro ponto alto da participação do Brasil no fórum foi a reunião bilateral entre Lula e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu. Pouco mais de uma semana antes do início do G7, a UE oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos em território brasileiro, com um veto que deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem a algumas das exigências sanitárias europeias. O tema foi o foco principal da reunião fechada entre os líderes. O veto não foi suspenso após as conversas, mas foi estabelecido que um acompanhamento mais próximo das negociações sobre padrões fitossanitários seria implementado a partir de agora. O entendimento é de que uma relação apenas baseada no diálogo entre funcionários técnicos da UE e do governo brasileiro poderia estar dificultando o andamento das negociações e, por isso, uma visão mais "política" seria necessária para acelerar o processo. Esse mesmo acompanhamento também será implementado nas tratativas sobre a exportação de produtos siderúrgicos. Em abril deste ano, o bloco chegou a um acordo político para elevar de 25% para 50% as tarifas sobre importações de aço acima de cotas e reduzir significativamente os volumes isentos, em uma tentativa de proteger o setor diante da dominância chinesa. Em suas redes sociais, Von der Leyen disse ainda que a Europa e o Brasil "olham para o mundo com os mesmos olhos" e que o acordo entre União Europeia e Mercosul, que entrou em vigor de forma provisória em maio, "é apenas o começo" da parceria. Um estranho no ninho? Líderes reunidos no G7, na França. Getty Images Ao todo, os líderes do G7 adotaram nove declarações durante o fórum. Dessas, oito poderiam ser endossadas pelos países parceiros convidados, que é o caso do Brasil. O país, porém, concordou apenas com três. Os textos assinados pelo país tratavam do combate ao câncer, da garantia de um espaço digital seguro para crianças e adolescentes e da luta contra o tráfico de drogas. As demais declarações discutiam soluções para os desequilíbrios macroeconômicos mundiais, o combate ao ebola, minerais críticos, parcerias internacionais para o desenvolvimento e combate ao contrabando de migrantes. Segundo uma fonte ligada à diplomacia brasileira, esse cenário é reflexo da dissonância entre o Brasil e as potências do G7 em muitos tópicos. O texto que trata de mineração, por exemplo, foi classificado por um interlocutor do governo como de "visão extrativista" e "anti-China". No caso específico da edição de 2026 do fórum, o governo brasileiro admitiu que muito do que foi discutido ou assinado foi moldado para que os Estados Unidos de Donald Trump pudessem participar do evento sem muitos desconfortos. Na edição passada, sediada pelo Canadá, o presidente americano deixou a cúpula mais cedo, causando desconforto entre os demais participantes. "Está ficando quase que um samba de uma nota só. Quando os convidados chegam à reunião, o G7 já aprovou seus documentos", afirmou Lula em entrevista à imprensa em Genebra. O brasileiro também mencionou as críticas dos Estados Unidos e da União Europeia à China e disse que o Brasil não pretende entrar na briga dos dois com os chineses. Ele também defendeu a parceria dos países do Sul Global com o gigante asiático, dizendo que Pequim tem investido muito mais em desenvolvimento, e com taxas mais justas, do que os países do ocidente. "Não podem se queixar que a China está ocupando espaço se o espaço estava vazio", disse. Negociações com o Japão Às margens da cúpula do G7, Lula também se reuniu com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. Após o encontro, o Mercosul e o Japão anunciaram o lançamento formal das negociações de um acordo de parceria econômica. Segundo a nota oficial, a inauguração das negociações ocorrerá na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, prevista para o final de junho em Assunção, no Paraguai. Os dois lados "trocaram informações relativas a áreas de interesse e sensibilidades mútuas", segundo o documento, e expressaram "satisfação com o progresso alcançado". A iniciativa reflete uma estratégia de diversificação comercial do Japão. Em maio, Tóquio sinalizou a intenção de abrir negociações com o Mercosul ainda neste verão, diante das barreiras comerciais adotadas por Donald Trump e das restrições impostas pela China às exportações de terras raras. Nesse contexto, o Mercosul desponta como um parceiro relevante: trata-se de um dos poucos grandes mercados globais com os quais o Japão ainda não possui um acordo de livre comércio.
18/06/2026 08:15:50 +00:00
Café solúvel fica fora de isenção do tarifaço e setor vai aos EUA pedir revisão: 'Não tem lógica'

Café solúvel sendo retirado da embalagem com colher Reprodução/TV Gazeta A indústria brasileira de café solúvel vai para os Estados Unidos defender o produto nacional contra a nova rodada de tarifas proposta por Donald Trump. A audiência pública acontece no dia 6 de julho, em Washington, e pode definir se os EUA vão sobretaxar, mais uma vez, o Brasil. O café solúvel é o único tipo de café que ficou de fora da lista de isenções dos novos tarifaços, uma situação que se repete desde o ano passado. "Nós vamos participar tanto da audiência como das manifestações por escrito", conta Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). Em 1º de junho,Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre diferentes temas, como desmatamento ilegal, pirataria e PIX. No dia seguinte, ele anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falha no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Para ambos os casos, foi publicada uma vasta lista de isenções que inclui os cafés em grão, torrado e moído. Soma-se a isso o fato de que o café solúvel aromatizado também foi beneficiado pelas isenções, enquanto a versão tradicional ficou de fora. "Acreditamos que possa ter ocorrido alguma falha na classificação dos códigos, porque não faz sentido", afirma. Outra hipótese levantada pela Abics é a de que os americanos estejam tentando reindustrializar o setor. "Mesmo que os EUA decidam produzir mais café solúvel, ainda precisariam importar a matéria-prima. Além disso, trata-se de uma indústria que não leva menos de quatro ou cinco anos para ser instalada. Esse, inclusive, é um dos argumentos que estamos apresentando", afirma. "Por outro lado, sabemos que tudo isso é parte de um jogo mais complexo. Os Estados Unidos querem um bom acordo na área de minerais críticos, terras raras, PIX, big techs e por aí vai", comenta. G7: Sem reunião entre Lula e Trump, tarifaço segue na mira do governo Veja quais produtos ficaram de fora da nova proposta de tarifaço Brasileiro inscrito em audiência defende PIX e cobra debate técnico Setores antecipam exportações de olho em novo tarifaço dos EUA que começa em julho O que o setor vai argumentar na audiência Segundo Lima, uma das linhas de argumentação será mostrar o impacto do tarifaço sobre a inflação do café nos EUA, além da importância do solúvel brasileiro para a economia americana. "Essa análise ainda está sendo feita, mas vamos debater em cima de dados", reforça. Números preliminares do relatório mostram que os EUA produzem apenas 6% do café solúvel consumido internamente. "Todo o restante é importado, principalmente do Brasil e do México. Em 2024, [último ano antes do tarifaço], o Brasil respondeu por 37% de todo o volume de café solúvel importado pelos americanos", afirma Lima. Ele reforça que os dados ainda estão sendo validados e que farão parte da manifestação escrita que a Abics está preparando para enviar às autoridades americanas. O documento será entregue até 1º de julho, prazo fixado pelos EUA para que governos e associações se manifestem sobre as tarifas. Ele explica que boa parte da argumentação será feita por escrito porque cada pessoa só tem três minutos para falar na audiência pública. "Durante a apresentação, a gente precisa ser muito direto". "Depois dos três minutos, eles abrem para perguntas. E, pela experiência que tivemos no ano passado, o café não é tão questionado. Geralmente, o setor de carne e os frigoríficos recebem mais perguntas", comenta. "Mas estaremos lá para marcar presença", reforça. Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (Bureau of Labor Statistics) mostram que a inflação do café solúvel nos EUA teve alta de 24% em maio, no acumulado em 12 meses. Entre agosto de 2025 e fevereiro deste ano, o produto brasileiro foi taxado em 50% nos EUA, o que derrubou as vendas da indústria brasileira para este mercado. Em 20 de fevereiro, o Congresso dos EUA derrubou essa sobretaxa, mas, no mesmo dia, Trump impôs uma tarifa global de 10%. "Em julho, vence o prazo da taxa de 10%", lembra Lima. Segundo ele, caso as novas tarifas entrem em vigor, o café solúvel brasileiro deve ser taxado em 37,5% no mercado americano e provocar mais um baque para o setor. Além do impacto inflacionário nos EUA, Lima ressalta que o café solúvel é importante para a economia americana. "Parte da agregação de valor do café solúvel é feita nos Estados Unidos. São as empresas de lá que envasam e fazem a distribuição. Isso gera emprego para os americanos. Não é um produto que vai pronto", destaca. Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa
18/06/2026 08:04:22 +00:00
Agressão no aeroporto: quais são os direitos de profissionais atacados? Cabe indenização? Quem será responsabilizado?

Agressão no aeroporto: quais são os direitos do trabalhador? O que começou como um atendimento de rotina terminou em cenas de violência. Na madrugada de terça-feira (16), uma passageira partiu para a agressão física depois de se irritar com o atendimento prestado por funcionárias da Latam no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Imagens gravadas no terminal mostram o momento em que a mulher invade a área do balcão e desfere socos contra uma trabalhadora. Outras três funcionárias que tentaram conter a situação também foram agredidas. As imagens repercutiram nas redes sociais e trouxeram dúvidas: O que acontece quando um funcionário é agredido durante o trabalho? A violência pode ser considerada acidente de trabalho? A vítima tem direito a indenização? Passageira agride 4 funcionárias da Latam no Aeroporto de Guarulhos após discussão Segundo a advogada trabalhista Juliana Mendonça, especialista em Direito e Processo do Trabalho, e sócia do Lara Martins Advogados, a legislação brasileira prevê que uma agressão sofrida durante o exercício da atividade profissional pode gerar consequências trabalhistas, previdenciárias e indenizatórias. Além disso, episódios de violência praticados por clientes, passageiros ou terceiros podem gerar efeitos nas esferas cível e criminal, dependendo das circunstâncias do caso, completa Marcel Cordeiro, sócio da área de Direito Trabalhista e Previdenciário do escritório Miguel Neto Advogados. "A responsabilidade principal costuma recair sobre o agressor, mas isso não impede a análise de eventuais deveres da empresa relacionados à prevenção de riscos e à proteção dos trabalhadores", afirma. Passageira agride quatro funcionárias da Latam no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Reprodução/Redes Sociais O que a empresa deve fazer Durante muito tempo, se a violência partia de alguém sem vínculo com a empresa, a responsabilidade seria exclusivamente da pessoa. Segundo Juliana Mendonça, essa interpretação vem mudando. A especialista explica que a Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelece o direito de todo trabalhador a um ambiente livre de violência e assédio. Isso inclui situações em que a agressão é praticada por terceiros. Segundo a advogada, a legislação de segurança e saúde ocupacional também avançou nessa direção. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, passou a exigir que as empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais relacionados ao trabalho, incluindo situações de violência e assédio. As primeiras horas após um episódio de violência costumam ser decisivas para proteger o trabalhador e preservar provas. Segundo a advogada, a prioridade deve ser garantir assistência à vítima. Isso inclui atendimento médico imediato e, quando necessário, apoio psicológico. A empresa também deve preservar imagens de câmeras de segurança, registrar o ocorrido internamente, identificar testemunhas e colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação. Em ambientes com equipes de segurança, a orientação é agir rapidamente para conter a situação e identificar o agressor. Outro dever relevante é a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). "A CAT é fundamental para garantir o reconhecimento dos direitos previdenciários do trabalhador. Deixar de emitir esse documento pode gerar prejuízos tanto para a empresa quanto para a vítima", afirma. Marcel Cordeiro ressalta que a emissão da CAT deve ocorrer até o primeiro dia útil seguinte ao episódio, quando houver caracterização de acidente de trabalho. Além do registro formal, a empresa deve adotar medidas voltadas à saúde e à segurança do trabalhador, incluindo o encaminhamento para atendimento médico e psicológico quando necessário. "Também poderia haver responsabilização se, após o episódio, a empresa deixar de prestar suporte mínimo ao trabalhador", afirma. Gif mostra paciente agredindo profissional da saúde Reprodução Leia ainda: 'Me senti humilhada', diz técnica de enfermagem agredida por paciente Quem responde pelos danos? Segundo Juliana Mendonça, a responsabilidade da agressora não exclui automaticamente a possibilidade de responsabilização da empresa. "A agressora pode responder na esfera criminal, especialmente por lesão corporal, se comprovada ofensa à integridade física ou à saúde das vítimas (...) as trabalhadoras também podem buscar reparação civil, incluindo danos morais, danos materiais e despesas médicas eventualmente comprovadas", diz Marcel Cordeiro. Ao mesmo tempo, a Justiça do Trabalho pode analisar se houve falha da empresa no dever de proteção aos seus empregados. Os especialistas explicam que determinadas atividades expõem trabalhadores a situações previsíveis de conflito. 🔎 É o caso de aeroportos durante atrasos e cancelamentos de voos, hospitais em momentos de superlotação, serviços bancários e transporte coletivo, entre outros. Nessas situações, a análise costuma considerar diversos fatores. Havia equipes de segurança disponíveis? Os funcionários receberam treinamento adequado? Existiam protocolos para situações de crise? A empresa já tinha conhecimento de riscos semelhantes? Segundo Juliana, essas questões são decisivas para avaliar eventual responsabilidade do empregador. "A responsabilidade do agressor não exclui automaticamente a da empresa (...) pode haver responsabilidade compartilhada", afirma. Quando a empresa pode ser considerada corresponsável De acordo com os especialistas, algumas situações costumam atrair a atenção da Justiça do Trabalho. Uma delas ocorre quando a empresa tinha conhecimento de um risco previsível e não adotou medidas adequadas para reduzi-lo. Outra hipótese envolve atividades que, por sua natureza, expõem trabalhadores a situações frequentes de tensão. Também são analisados casos em que empregados foram colocados em situação de vulnerabilidade ou quando havia histórico de ocorrências semelhantes sem providências efetivas. Segundo Juliana Mendonça, a análise não se limita à agressão em si, mas considera toda a estrutura de proteção oferecida ao trabalhador. Marcel Cordeiro faz uma avaliação semelhante. Segundo ele, a violência praticada por terceiros não gera responsabilidade automática do empregador. 🔎 De acordo com o advogado, isso pode ocorrer quando há histórico de situações semelhantes, ausência de protocolos mínimos de segurança, falta de treinamento das equipes, demora injustificada na intervenção ou manutenção do trabalhador em situação de risco evitável. 🔎 Também pode haver questionamentos caso a empresa deixe de prestar suporte adequado após o episódio, não registre corretamente a ocorrência ou não adote medidas voltadas à preservação da saúde física e psicológica dos empregados. Ou seja, a agressão praticada por terceiros não gera responsabilidade automática da empresa, mas não afasta eventual responsabilização diante de omissão ou falha no dever de proteção. O que pode acontecer no caso da Latam Na avaliação dos especialistas, ainda é cedo para concluir se há responsabilidade da companhia aérea pelo episódio. Essa definição dependerá da análise dos fatos, das provas e das circunstâncias do atendimento. Um ponto específico, porém, pode ganhar relevância. A própria Latam informou que as agressões ocorreram durante uma contingência operacional. Segundo Juliana Mendonça, esse tipo de situação tende a aumentar o estresse entre passageiros e equipes de atendimento. "[Essa] situação que tornava previsível e esperado um ambiente de tensão elevada no balcão de atendimento", afirma. A especialista ressalta que isso não implica responsabilização automática da companhia. Será necessário avaliar quais medidas de proteção estavam disponíveis e como a empresa atuou antes e depois do episódio. Para Marcel Cordeiro, a análise também deverá considerar se havia mecanismos adequados de prevenção e resposta para situações de conflito. Fatores como previsibilidade do risco, tempo de resposta e suporte oferecido às funcionárias após o ocorrido costumam ser considerados em eventuais discussões judiciais, explica o advogado. Profissional de enfermagem fica ferida no braço após agressão no HPS, em Juiz de Fora TV Integração/Reprodução Indenização pode ir além dos danos físicos Uma agressão pode gerar diferentes formas de indenização. Juliana Mendonça afirma que os danos materiais incluem despesas médicas, psicológicas, odontológicas, medicamentos e outros gastos relacionados ao tratamento. Também podem ser pleiteados danos morais quando há sofrimento, humilhação, medo ou abalo emocional. Marcel Cordeiro acrescenta que a reparação pode abranger diferentes tipos de prejuízo comprovado. Nos casos em que a violência deixa sequelas permanentes, podem surgir pedidos de indenização por danos estéticos. Se houver redução da capacidade de trabalho, a vítima pode pleitear pensão mensal. "Na esfera trabalhista o trabalhador vítima pode pleitear: dano material (...), dano estético (...), além de pensão por incapacidade", afirma Juliana Mendonça. O que o trabalhador deve fazer após sofrer uma agressão A orientação dos especialistas é registrar boletim de ocorrência o mais rápido possível e buscar atendimento médico, mesmo que as lesões aparentem ser leves. Também é importante guardar laudos, receitas, atestados, comprovantes de gastos e qualquer outro documento relacionado ao tratamento. Segundo Juliana Mendonça, a vítima deve tentar identificar testemunhas, solicitar a preservação de imagens de segurança e exigir a emissão da CAT quando a agressão estiver relacionada ao trabalho. 🔎 Quanto mais provas forem reunidas, mais fácil será demonstrar a ocorrência da agressão e seus impactos. Marcel Cordeiro ressalta que a documentação do caso é fundamental tanto para investigações criminais quanto para o reconhecimento de direitos trabalhistas e previdenciários. No caso das funcionárias da Latam, a investigação deverá esclarecer a responsabilidade da passageira. Já eventuais discussões trabalhistas dependerão da análise das circunstâncias do atendimento e das medidas adotadas pela empresa.
18/06/2026 06:00:12 +00:00
Por que o CNPJ vai passar a ter letras em julho? Entenda novas regras

Guia do empreendedor: Menos opções, mais lucros O Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) passará a incluir letras além de números na identificação de empresas, organizações, produtores rurais, profissionais liberais e outros tipos de pessoa jurídica a partir de julho deste ano. A mudança tem como objetivo ampliar a capacidade do sistema e garantir a continuidade do modelo, já que o formato atual se aproxima de seu limite técnico, segunda a Receita Federal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O novo modelo manterá os 14 caracteres do CNPJ tradicional, mas permitirá o uso de letras de A a Z em posições específicas da estrutura, formando um CNPJ alfanumérico. A mudança representa uma expansão gigantesca nas combinações possíveis. No Brasil, existem mais de 24,9 milhões de CNPJs ativos e cerca de 29,2 milhões desativados, segundo dados da Estatística Redesim (Receita Federal). No total, já foram emitidos mais de 63 milhões de CNPJs, número que se aproxima do limite do modelo atual. Isso ocorre porque, assim como o CPF, cada número de CNPJ é único e permanente, não podendo ser reutilizado, mesmo quando a empresa é encerrada. Essa mudança será gradual e começará a valer apenas para novas inscrições. Isso inclui empresas recém-criadas, novas filiais, profissionais liberais, condomínios e produtores rurais. Quem já possui um CNPJ não precisará trocar ou atualizar nada. Os números atuais continuarão válidos e aceitos normalmente pelos sistemas públicos e privados. A seguir, o g1 esclarece as principais dúvidas sobre essa mudança. 1. O que é o CNPJ alfanumérico? É o novo modelo de identificação das pessoas jurídicas no Brasil. Em vez de utilizar apenas números, o novo CNPJ combinará letras (de A a Z) e números (de 0 a 9), mantendo o total de 14 caracteres. A estrutura visual será semelhante à atual, mas com a inclusão de caracteres alfanuméricos. (confira no exemplo abaixo) Sistema atual vs. nova tipologia Receita Federal 2. Quando começa? A emissão de CNPJs com letras começará em julho de 2026, de forma gradual. Segundo a Receita, será elaborado um calendário para definir quais tipos de empresas ou atividades econômicas adotarão primeiro o novo formato. 3. Quem vai receber CNPJ com letras? Apenas novas inscrições a partir da data de início, como empresas recém-criadas, filiais, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais. O formato atual, composto exclusivamente por números, continuará válido. Não será necessário nenhum procedimento adicional por parte dos contribuintes junto à Receita Federal ou aos órgãos estaduais e municipais. 4. O procedimento de inscrição do CNPJ vai mudar? Não. O processo para abertura de empresas e solicitação de CNPJ continuará o mesmo. A única diferença é que o número gerado poderá conter letras. Segundo a Receita, a partir de julho, todos os sistemas estarão preparados e integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM). 5. O que as empresas precisam fazer? Empresas e sistemas que lidam com emissão de notas fiscais ou controle tributário precisarão adaptar seus softwares, bancos de dados e rotinas internas. Podem ocorrer falhas na emissão de documentos fiscais, dificuldades com fornecedores ou atrasos no cumprimento de obrigações tributárias. A recomendação é que as empresas se preparem com antecedência. A Receita informou que disponibilizará ferramentas para facilitar essa atualização técnica. 6. Empresas e profissionais já inscritos precisam fazer algo? Não. Nenhuma ação será necessária junto a órgãos federais, estaduais ou municipais. Os sistemas públicos serão atualizados para aceitar tanto o formato atual quanto o novo. A expectativa, segundo a Receita, é que essa adaptação ocorra de forma automática e transparente para as empresas. 7. O que muda no cálculo do Dígito Verificador? O Dígito Verificador (DV), número que aparece no final do CNPJ e serve para validar sua autenticidade, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11 — um tipo de verificação matemática —, agora adaptado para incluir letras no cálculo. Cada caractere será convertido em um valor numérico com base na tabela ASCII, que atribui um número específico a cada símbolo, e dele será subtraído o valor 48. Por exemplo: a letra A corresponde ao número 65 na tabela ASCII e, para o cálculo, será utilizado o valor 17 (que é o resultado de 65 menos 48). A Receita Federal disponibilizará rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para facilitar essa adaptação técnica. 8. Qual a ligação com a reforma tributária? O novo CNPJ faz parte do processo de modernização do sistema tributário. A mudança prepara o caminho para a implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que vão unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor. Para isso, será necessário contar com sistemas mais modernos e integrados. O novo CNPJ alfanumérico contribui nesse processo ao ampliar a capacidade do sistema, facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais, e automatizar processos como a recuperação de créditos tributários. 9. Haverá algum custo para as empresas com essa mudança? Sim. As empresas precisarão atualizar seus sistemas para reconhecer o novo CNPJ com letras e calcular corretamente o Dígito Verificador. Essas adaptações podem gerar custos técnicos, especialmente em softwares de emissão de notas fiscais e bancos de dados. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Receita federal Crédito editorial: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock Entenda o que são nanoempreendedores
18/06/2026 05:00:09 +00:00
Copa do Mundo 2026: como funciona novo 'tira-teima' para lances de impedimentos

Tira-teima da FIFA reproduz jogadas de possível impedimento Divulgação/FIFA Os jogos da Copa do Mundo de 2026 ganharam um sistema de "tira-teima" que permite reproduzir mais fielmente as situações de possível impedimento. Até então, replays animados mostravam jogadores com o mesmo tamanho, o que não correspondia exatamente à jogada real e podia gerar dúvidas em lances mais complexos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nesta Copa, cada atleta passou a ser representado com suas dimensões reais, o que facilita a análise na cabine do VAR e dá mais clareza para quem assiste à partida. Antes do início do torneio, os jogadores das 48 seleções foram fotografados em uma cabine com 36 câmeras com resolução 4K. As imagens ajudaram a criar um avatar 3D exclusivo para cada um deles. Agora no g1 Cada jogador fica na cabine por cerca de 30 segundos, desde o tempo de preparação até a captura da foto em si, que leva menos de um segundo, segundo a Lenovo, parceira da FIFA na criação do sistema. Depois, algoritmos de inteligência artificial criam versões animadas que consideram detalhes como a altura e o tamanho dos pés do atleta, o que é ignorado em modelos mais antigos. "É possível interpretar textura, postura, movimentação e replicar no avatar. É mais do que uma foto 3D, é efetivamente a replicação do jogador em um ambiente digital", disse Valério Mateus, gerente-geral de Serviços e Soluções da Lenovo para a América Latina. Jogadores das 48 seleções foram fotografados em cabine antes do início da Copa Divulgação/Lenovo O sistema dos avatares em 3D não determina se um jogador está ou não em situação de impedimento — essa função permanece com o árbitro do VAR —, mas ajuda quem está na cabine a tomar decisões com mais rapidez. "O VAR tem a possibilidade de olhar para entender se tinha um pé ou um ombro à frente e rotacionar a imagem para ver a partir de outro ângulo se houve um toque em um lance de falta, por exemplo", disse Valério. O novo "tira-teima" também é útil porque deixa mais claro para os torcedores o motivo para o VAR ter tomado uma determinada decisão, disse o diretor de Inovação da Fifa, Johannes Holzmüller, em um evento realizado pela entidade no início de junho. "Melhoraremos os replays em 3D, onde os jogadores são realmente parecidos e fica óbvio quais estão em posição de impedimento", afirmou. Tira-teima foi usado na partida entre Inglaterra e Croácia Reprodução/TV Globo Esse sistema já tinha sido testado em dezembro de 2025, na partida entre Flamengo e Pyramids, do Egito, válida pela terceira fase da Copa Intercontinental da FIFA. Além dos avatares, a Copa de 2026 traz uma evolução nas câmeras usadas por árbitros. As gravações passaram a ser estabilizadas em tempo real por meio de inteligência artificial. Como o árbitro se movimenta bruscamente, as versões anteriores sofriam com o desfoque e tremores, o que era desconfortável para quem está assistindo. Com menos balanço, as transmissões podem aproveitar mais o ângulo de quem está dentro do campo. Tira-teima foi usado na partida entre França e Senegal Reprodução/TV Globo Fotos em cabine permitem escanear vários ângulos de jogadores para criar versões animadas Reprodução
18/06/2026 05:00:08 +00:00
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